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Mensagens

Livro Pinhal do Rei – Casas de Guarda e Outros Edifícios Florestais

  O livro Pinhal do Rei – Casas de Guarda e Outros Edifícios Florestais , lançado no passado dia 21 de Dezembro no auditório do Edifício da Resinagem na Marinha Grande, e cujo texto inicial foi Prémio Villa Portela 2020, depois de um posterior período de investigação, foi revisto e aumentado e tem como objectivos: – Dar a conhecer a história de todas as casas de guarda florestais do Pinhal do Rei, a sua importância, quando foram construídas, substituídas ou demolidas, suas áreas confinantes e seus edifícios anexos. – Identificar todos os locais onde existem ou existiram casas de guarda ou outros edifícios florestais nesta Mata. – Dar conhecimento de acontecimentos naturais e actividades ou eventos realizados junto às casas de guarda ou outros edifícios florestais. – Dar a conhecer, também, a história de outros edifícios florestais desta Mata, nomeadamente pontos de vigia contra incêndios e edifícios de administração ou fabris. Trata-se de um trabalho único, específico e...

A Fábrica da Madeira após o Engenho Eólico

              Existem referências de que já na segunda década do século XVIII existia na Marinha Grande a Fábrica da Madeira. De início esta fábrica laborava com recurso à serragem braçal das madeiras mas, em 1724, com a entrada em funcionamento de um engenho de serrar movido a vento , a sua laboração foi melhorada.              Foi o Rei D. João V quem, por volta de 1723, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande este engenho de serrar movido a vento. Porém, devido a deficiências no seu mecanismo, este engenho foi destruído em 1774 por um incêndio provocado pelo atrito e nunca mais foi reconstruído.              O período após o desaparecimento do engenho de serrar movido a energia eólica, cujas referências são escassas, deverá ter sido de continuação da Fábrica da Madeira, com a serragem manual das m...

Pau Real

          Não foi possível conhecer com suficiente aproximação o início da designação “Pau Real”, atribuída a certas árvores no Pinhal do Rei.              Porém, já no parágrafo 25 do Regimento para o Guarda Mor dos Pinhais de Leiria, feito em 1751, se diz:              “Toda a pessoa de qualquer qualidade, que seja, que for comprehendida em cortar páu de algum dos meus Pinhaes, pagará pela primeira vez cinco mil reis, e pela segunda dez mil reis; e sendo porém páo Real capás de servir nas minhas fábricas, pagará pela primeira vez vinte mil reis, e pela segunda quarenta mil reis, e dous anos de degredo para Africa, e em todo o caso perderá as alfaias, os Bois, e os carros, que forem achados no Pinhal carregando madeira; tudo aplicado na forma assima dita. (…)”.                           Esta transcrição, retirada do livro “...

Lobos

            Manuel Afonso da Costa Barros foi uma das personalidades mais importantes de toda a história do Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria). Em 1789 era Cabo dos Guardas do Real Pinhal de Leiria, em 1807 Director das Fábricas Resinosas, em 18 24 Inspector da 1ª Divisão do Pinhal de Leiria e em 1847, já com 80 anos de idade, foi nomeado Administrador do Pinhal de Leiria, interinamente.             Em 4 de Abril de 1812, enquanto Director das Fábricas Resinosas, envia um Ofício a D. Miguel Pereira Forjaz, ministro e secretário de estado dos negócios da guerra, sobre ataques de lobos à população da Marinha Grande.             Como notas prévias, diga-se que a Fábrica da Madeira e a Fábrica Resinosa , indústrias estatais ligadas à exploração e comercialização dos produtos do Pinhal, no caso a serração de madeiras e o fabrico de...

Parque do Engenho – Festas tradicionais

            No recinto do actual Parque Florestal do Engenho funcionaram, ao longo dos séculos, vários serviços ligados à exploração e administração florestal do Pinhal do Rei.             Cheio de arvoredo e jardins, outrora bem tratados, o Parque do Engenho foi aberto ao público por volta dos primeiros anos do séc. XX.             Para além das actividades inerentes à exploração e administração do Pinhal, o parque acolhia, ocasionalmente, algumas actividades culturais ou de lazer em benefício dos trabalhadores dos Serviços e da população em geral.             Já no início do século XX, era costume efectuarem-se grandes convívios populares por ocasião do 1º de Maio, a cargo da Associação dos Vidraceiros. Deslocavam-se, em desfile, com carros alegóricos e a Banda dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, seguidos pela população que, durante todo o dia ali...

A Carripana das Matas

            Circulou, em tempos, na Marinha Grande, ao serviço das Matas Nacionais, um típico meio de transporte por tracção animal. Era a caleche das Matas. Destinava-se ao uso dos funcionários superiores e suas famílias e deslocava-se principalmente entre o Parque Florestal do Engenho , onde estava a residência desses funcionários, e o Edifício da Administração , na rua D. Dinis, embora se deslocasse também por toda a povoação sempre que fosse necessário.             Não foi possível saber em concreto a data de início de circulação deste meio de transporte, mas já o Eng.º Arala Pinto o usou. De facto, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, Arala Pinto mostra-nos uma fotografia da caleche das Matas estacionada junto ao edifício da administração.             O poeta marinhense José Duarte de Carvalho (27 de Janeiro de 1877 – 27 de Fevereiro de 1952) deixou-nos, em 1944, o seu único livro: “...

A caixa de cigarrar

            As primeiras décadas do século XIX foram de extrema violência no que respeita a incêndios no Pinhal do Rei. Estes incêndios, que ficaram conhecidos como “Queimadas”, levaram o administrador do Pinhal, Rodrigo Barba Correa Alardo, a conceber, ao longo dos anos, uma série de documentos visando evitar tais incêndios. Nesses documentos criou regras, procedimentos e punições para quem não os acatasse. A limpeza do Pinhal, queimando os matos, a abertura de novos aceiros, o aumento dos guardas, a multiplicação das rondas e outros procedimentos a adoptar, faziam parte da grande luta contra os incêndios no Pinhal do Rei naquela época. Havia alguns bem curiosos, como a obrigatoriedade de, após uma trovoada, os guardas terem se subir aos pontos mais altos do Pinhal ou às torres das igrejas das povoações mais próximas para ver se havia vestígios de fumo em consequência de algum incêndio provocado pela dita trovoada. Mas o mais curioso dos procedimentos f...

A Carvoaria

            O ponto de viga Ponto Novo , no Pinhal do Rei, foi outrora também designado por alguns como Ponto da Carvoaria. O facto deve-se a que na zona envolvente do local onde se encontra tenham existido, noutros tempos, inúmeras carvoarias. A sua existência deve-se à necessidade de limpeza dos despojos florestais criados durante o desbravar daquela zona do Pinhal, considerada praticamente floresta virgem em meados de século XIX por dificuldades de limpeza. Assim, ao transformar tais despojos em carvão, além de limpar o local, criava-se riqueza com a sua produção, importante fonte de energia naquela época. Estávamos no século XIX.             Especificando, veja-se o que diz o “Relatório da Administração Geral das Matas do Reino – Ano económico de 1858-1859” acerca da limpeza daquele local, conhecido como Carrasqueira :                 “ (…)         A carbon...

O regresso do Comboio de Lata (2)

            Voltando ao tema Comboio de Lata , relembra-se, mais uma vez, que este célebre meio de transporte ferroviário, que em tempos serviu na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, era composto por três locomotivas a vapor, alimentadas com lenha do próprio Pinhal.             Acerca da locomotiva Nº1 (MNN1), publiquei vários registos fotográficos de quando esteve ao serviço no Pinhal, mas também do seu percurso depois de vendida para Inglaterra, nomeadamente a excelente recuperação a que por lá foi sujeita, lamentando-se apenas que tudo não tenha acontecido por cá, já que poderíamos estar perante o regresso do Comboio de Lata .             Da terceira locomotiva (supostamente a Nº 3) também já por aqui deixei algumas considerações e registos fotográficos, tanto da época em que esteve ao serviço no Pinhal, como do tempo em que esteve exposta em S. Pedro de Moel, e ainda, após ter sido de ...

A Barraca do M (ruínas)

            Quem hoje em dia visite o local de cruzamento do Aceiro M com a Estrada Atlântica depara-se com as ruínas de uma antiga construção, as quais, por muitos dos visitantes, são entendidas como sendo as ruínas da antiga casa de guarda que ali existiu. Na verdade, trata-se das ruínas de uma pequena casa construída por volta de finais do século XIX pelos Serviços Florestais para dar apoio ao trabalhadores que executavam trabalhos naquela zona do Pinhal, havendo a hipótese de inicialmente ter sido em madeira e mais tarde reconstruída em alvenaria. Esta casa foi, em Março de 1901, cedida aos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande para prevenção e vigilância contra possíveis incêndios no Pinhal, sendo, mais tarde, também usada no Verão durante as suas horas de lazer. Depois de abandonada, por volta de meados da década de 80 do passado século, encontra-se em ruínas. De facto, para o visitante pouco conhecedor da existência e localização exacta destas d...

A Tempestade Leslie

            Ocorreu no passado dia 13 de Outubro uma invulgar situação meteorológica em Portugal. Inicialmente, dada a fraca previsibilidade do seu percurso, eram baixas as probabilidades de o furacão Leslie atingir Portugal continental.             Porém, na aproximação que fez ao nosso país, e depois de ter baixado à condição de tempestade tropical, essa possibilidade tornou-se cada vez mais evidente, vindo a ser declarado um alerta vermelho no início daquela tarde de Outubro para os distritos do centro e norte do País.             De facto, a força dos seus ventos surpreendeu tudo e todos, sendo enormes os prejuízos causados em várias regiões, incluindo a zona Centro. A queda de árvores e de estruturas em ambiente urbano e o deslizamento de terras foram algumas das consequências, mas nas florestas, quer públicas quer privadas, foram devastadores os efeitos da Leslie.     ...

Limpeza do solo florestal na Carrasqueira

            Do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino - Relativo ao Ano Económico de 1858-1859, do Administrador Geral José de Melo Gouveia, retirou-se este pequeno excerto acerca da limpeza do solo florestal no Pinhal de Leiria/Pinhal do Rei. Excerto do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino Relativo ao Ano Económico de 1858-1859 (ADLRA)

A Bruxa da Crastinha

            Em 1993, Francisco Oneto Nunes, em “Vieira da Leiria – A História, O Trabalho, A Cultura”, no capítulo VII – “A Doença, a Crença, o Sobrenatural…”, relata algumas histórias que lhe foram contadas durante a sua permanência na Vieira, sendo que, como refere, «todos estes materiais – crenças, orações, práticas mágicas, etc. – que agora (1993) se trazem a público, fazem parte do património cultural da freguesia da Vieira de Leiria e merecem o melhor respeito.».             Num desses relatos a Sra. Júlia Carriça, de 77 anos, depois de já ter avançado com duas histórias de bruxaria, conta mais uma, que, supostamente, teria acontecido no Ponto de Vigia da Crastinha .             Embora o Português, escrito, não seja o melhor, talvez o autor tivesse querido aproximar a escrita do relato oral, achei curiosa a história e, no dia de hoje, e porque se desenrola no Pinhal, decidi publicá-la. ...

O incêndio de 2003

            Este incêndio ocorreu nos dias 2 e 3 de Agosto de 2003. Destruiu uma área de cobertura vegetal com cerca de 2563 hectares, cerca de 1/4 da área total da Mata, constituída 98% por Pinheiro-bravo, dos quais 2060 em zona de produção e 503 na zona de protecção. Iniciou-se junto ao areeiro (talhão 139) e propagou-se para Norte, quase até Vieira de Leiria, extinguindo-se apenas quando encontrou o aceiro exterior . Foi o maior incêndio ocorrido no Pinhal desde 1824, ano em que ocorreu aquele que foi o maior incêndio conhecido no Pinhal do Rei até 2017. Fonte: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 Cartografia do incêndio de 2003 In: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 ...

O fabrico de carvão

            Perde-se nos tempos a origem da transformação de madeira do Pinhal do Rei em carvão. Uma das primeiras referências a esta actividade encontra-se num texto escrito cerca de 1470, onde o povo da região se queixava ao Rei D. Afonso V por não lhes ser permitida a recolha de lenha para carvão em propriedades abandonadas pelos seus donos.             Em 1605, no Regulamento para o Monteiro-mor, o Rei Filipe II, protegendo o Pinhal contra cortes abusivos não licenciados, proibia, em todas as matas e coutadas, dentro da sua demarcação, o fabrico de carvão.             O Marquês de Pombal, no seu regulamento de 1751, fez referência a esta actividade, autorizando que, para tal efeito, se retirasse lenha do Pinhal.             Em 1841, na carta topográfica do Pinhal, feita pelos oficiais da Armada Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, exist...