Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Administração

A Carripana das Matas

            Circulou, em tempos, na Marinha Grande, ao serviço das Matas Nacionais, um típico meio de transporte por tracção animal. Era a caleche das Matas. Destinava-se ao uso dos funcionários superiores e suas famílias e deslocava-se principalmente entre o Parque Florestal do Engenho , onde estava a residência desses funcionários, e o Edifício da Administração , na rua D. Dinis, embora se deslocasse também por toda a povoação sempre que fosse necessário.             Não foi possível saber em concreto a data de início de circulação deste meio de transporte, mas já o Eng.º Arala Pinto o usou. De facto, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, Arala Pinto mostra-nos uma fotografia da caleche das Matas estacionada junto ao edifício da administração.             O poeta marinhense José Duarte de Carvalho (27 de Janeiro de 1877 – 27 de Fevereiro de 1952) deixou-nos, em 1944, o seu único livro: “...

Aconteceu em Vieira de Leiria: "O Caso do Regente Florestal"

Recortes do publicado em: “A Voz do Povo – Órgão das Comissões Políticas do Partido Republicano Português do Distrito de Leiria"; Nº 122; 22 de Abril de 1926 In: https://digitarq.adlra.arquivos.pt/viewer?id=1080309

Edifício dos Serviços Florestais na Marinha Grande

            Concluído em 1840, para nele serem instalados os serviços de administração e a residência do Administrador Geral das Matas, este edifício, de traça Pombalina, está situado no centro da Marinha Grande na avenida cujo nome recorda o grande patrono do Pinhal: El-Rei D. Dinis.             Nas primeiras décadas do séc. XX existia, na sua frente, um parque de plátanos, rodeado por um gradeamento em madeira seguro por pilares de pedra (idêntico ao da Praça Afonso Lopes Vieira em S. Pedro de Moel). As árvores e o gradeamento foram, mais tarde, em 1935, retirados, quando foi remodelada a avenida.             Por ali passaram muitos serviços administrativos dos vários organismos que geriram a floresta portuguesa e o Pinhal do Rei e ainda hoje ali funciona a Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral. Edifí...

Os Ordenamentos e a gestão do Pinhal do Rei

            Documentos imprescindíveis à gestão do Pinhal do Rei, os Ordenamentos eram como uma espécie de balanço ou inventário que, tal como hoje, temporariamente, se fazem em qualquer empresa e em qualquer ramo de actividade. Neles não só se analisava a gestão do Pinhal nos anos anteriores, dando a conhecer a sua situação geral, como também se programava todo o seu desenvolvimento futuro, prevendo essa mesma gestão para os anos seguintes, por exemplo ao nível do abate de árvores em futuros cortes finais.             Mas nem sempre foi assim! Até muito perto do final do Séc. XIX o Pinhal do Rei nem sempre teve uma gestão organizada.             O primeiro Ordenamento foi definido em 1892 por Bernardino Barros Gomes e elaborado conjuntamente com os silvicultores Joaquim Ferreira Borges e José Lopes Vieira . Como preparação para este ordenamento foi, nos anos de 1880, 1881 e 1882, elabo...

Joaquim Ferreira Borges

            Engenheiro Silvicultor formado pela Escola Florestal deTharandt (Alemanha) em 1881. Neste ano foi nomeado subchefe da Divisão Florestal do Centro (Marinha Grande),sendo seu superior Bernardino Barros Gomes, com quem trabalhou nas triangulações dos Pinhais de Leiria e Valado e no estabelecimento das redes divisionais. Foi transferido para a Figueira da Foz onde, em 1886, foi nomeado chefe interino da Circunscrição do Norte, com sede nesta cidade.             Neste ano os Serviços Florestais passaram a ser designados por Circunscrições Florestais, chefiadas por engenheiros silvicultores, tendo sido Joaquim Ferreira Borges o primeiro chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, em substituição de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, transferido para chefiar a Circunscrição Florestal do Norte.             A...

João Maria Magalhães

            Nasceu a 8 de Outubro de 1835. Foi aluno do Colégio Militar e depois de ter concluído o curso de Infantaria foi promovido a alferes em 1852, com 17 anos. Por portaria de 26 de Setembro de 1860 foi designado para frequentar o curso completo de engenharia florestal na Escola Imperial Florestal de Nancy. Durante as férias estudou a prática do serviço e administração Florestal na grande floresta de Haguenau, e o sequeiro de sementes florestais das essências resinosas.             Realizou estudos nos Alpes por conta do governo francês, sobre a forma de enfraquecer as torrentes e de evitar inundações. Visitou escolas na Alemanha e tomou conhecimento com o sistema de administração e prática florestal aplicado, e percorreu o golfo da Gasconha com vista a observar os trabalhos de fixação das dunas.             Foi ...

Carlos Augusto de Sousa Pimentel e José Carlos de Menezes Alarcão

Carlos Augusto de Sousa Pimentel             Terminado o curso de Agronomia, ingressou na Repartição de Agricultura do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria em 1865, tendo sido colocado como condutor auxiliar na secção de Águas. Por portaria de 2 de Outubro de 1866 foi colocado na Secção de Águas e Florestas. Em 1869 foi nomeado condutor de 2ª classe e no ano seguinte foi autorizado a frequentar o Instituto Geral de Agricultura de Lisboa, as disciplinas que lhe faltavam para obter a licenciatura em Silvicultura, grau que alcançou em 1873.             A 20 de Janeiro de 1874 exerceu temporariamente as funções de mestre florestal.             Em 1876 colaborou com Bernardino Barros Gomes, quando este era chefe da Divisão Florestal do Sul, na elaboração de uma nova planta da Mata de Valverde e em estud...

José Lopes Vieira

            Nasceu a 18 de Junho de 1862, no lugar de Abadia, freguesia de Cortes, concelho de Leiria.             Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra em1887, sentiu-se atraído pela silvicultura e obteve o diploma de engenheiro silvicultor na Escola Florestal de Nancy em 1889.             Embora convidado a leccionar nessa mesma escola, José Lopes Vieira recusou por desejar regressar a Portugal. No nosso país procurou desenvolver os novos métodos e processos que aprendera. Dirigiu os trabalhos de arborização das serras do Gerês e da Estrela, elaborando sobre este assunto vários estudos e valiosas indicações, não só silvícolas mas também sobre o aproveitamento hidroeléctrico – um problema que encarou com larga e justa visão.             Foi colocado...

António Arala Pinto

Nascido na Ribeira, Ovar, a 13 de Outubro de 1888, formou-se em Engenharia Silvícola pelo Instituto Superior de Agronomia. Foi colocado na 3ª Circunscrição Florestal (Mata de Leiria), em 1922, sendo nomeado chefe da Circunscrição em 1927. Notabilizou-se não só pelo seu trabalho dentro do Pinhal, que alindou e desenvolveu, como também por escritos relativos às Matas, à indústria vidreira e a problemas sociais. Foi durante a sua administração que se realizaram obras importantes, como a sementeira das dunas a sul da Senhora da Vitória (Paredes), em 1927; o estudo de novos processos de resinagem, em 1933; a construção de novas estradas, num total de 70 Km, entre as quais a famosa Estrada dos Vidreiros; a construção de caminhos e trilhos para facilitar a deslocação dos guardas em bicicletas (que ele conseguiu obter); a construção de várias fontes e poços; e renovação dos pontos de vigia; a transformação do Viveiro do Tromelgo, e a implantação do Comboio de Lata . Numa época em que a Mari...

Acácio Amaral

Natural de Cinco Vilas, Figueira de Castelo Rodrigo, onde nasceu a 27 de Janeiro de 1916, Acácio Amaral formou-se em Engenharia Silvícola no Instituto Superior de Agronomia em 1939. Veio para a Marinha Grande em 1948, como adjunto da 3ª Circunscrição, sendo nomeado Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande em 1956, devido à ausência forçada (por doença) do seu antecessor. Foi vogal da IX Região Agrícola no Conselho Regional de Agricultura, por despacho de 23 de Outubro de 1958, e nesse ano integrou, como delegado, a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas na Comissão Nacional de Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas – FAO. Com uma visão pragmática sobre os problemas do Pinhal, Acácio Amaral introduziu novos sistemas administrativos, modificou técnicas de exploração, com vista a acabar com tudo o que era supérfluo para a economia da Mata. Como resultado destas medidas, o rendimento das Matas passou de 14 579 contos em 1970 para 61 590 contos em...

Bernardino José Gomes

            Nasceu em Lisboa em 20 de Maio de 1817 e veio para a Administração das Matas como simples escriturário.             Como ajudante de Sebastião Betâmio de Almeida, colaborou nos estudos resinosos dentro do Pinhal e, face à doença do professor de química, Bernardino José Gomes prosseguiu as pesquisas, enviando amostras para o governo das experiências realizadas, que foram bastante elogiadas. A ele se deve a descoberta em Portugal dos métodos para extracção da resina e a sua transformação por destilação em essências resinosas. Em 1859 recebeu instruções para projectar e dirigir o edifício da Fábrica da Resinagem e dois anos depois foi enviado a França para visitar as grandes fábricas resinosas da região de Bayonne.             Em 1866 tornou-se Administrador das Matas do Reino.      ...

João de Almeida Eliseu e Manuel de Carvalho Paulino

João de Almeida Eliseu             Engenheiro Silvicultor, formado pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa, nasceu a 5 de Outubro de 1928. Colaborou no Plano de Fomento Agrário a partir de Agosto de 1952 e em Maio de 1955 foi contratado para desempenhar funções no Gabinete de Estudos e Obras de Correcção Torrencial, integrado na Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, e cuja sede era em Leiria. Em Janeiro de 1969 passou a chefiar este serviço.             Dez anos depois, em Agosto de 1979, iniciou a sua actividade como director da Sub-Região Agrária de Tomar, integrada na Direcção Geral de Agricultura do Ribatejo e Oeste, que abrangia as Zonas Agrárias de Leiria, Tomar e Abrantes.             Em Fevereiro de 1986 foi nomeado chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande.        ...

Bernardino Barros Gomes

           Nasceu em Lisboa, no dia 30 de Setembro de 1839.        Bacharel em Matemática e licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra em 1860, partiu nesse mesmo ano para a Alemanha, onde frequentou a Academia Florestal de Tharandt, cujo curso concluiu em 1862. No ano seguinte regressou a Portugal e ficou adido à Repartição de Agricultura. Veio para a Marinha Grande em 1866 para elaborar a planta cadastral do Pinhal, sendo nomeado Administrador das Matas. A reforma do regulamento do serviço das Matas Nacionais, em 1872, dividiu o país em 3 divisões florestais: Bernardino Barros Gomes foi nomeado Chefe da Divisão do Norte até 1874. De 1874 a 1879 foi Chefe da Divisão Florestal do Sul, terminando as suas funções como Chefe da Divisão Florestal do Centro, de 1879 a 1883.            Na sequência dessa reforma foi elaborado o ordenamento geral das matas do sul e ...

A administração do Pinhal no séc. XXI

           Em 1992, uma reestruturação de serviços leva a que a Circunscrição da Marinha Grande passe de um serviço de âmbito regional a âmbito local, ficando na dependência de outras circunscrições.           Em 1996 é criada a Direção-Geral das Florestas.             Em 2004, substituindo a Direção-Geral das Florestas, uma nova reestruturação cria a Direção-Geral dos Recursos Florestais.            Em 2008, a Direcção-Geral dos Recursos Florestais é substituída pela Autoridade Florestal Nacional (A F N).             Em finais de 2008, a zona da Mata de Leiria (Pinhal de Leiria) está integrada na Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral e subordinada à Direção Regional das Florestas do Centro, com sede em Viseu.

A administração do Pinhal no séc. XX

           Em 1881, é extinta a Administração Geral das Matas.           Em 1913, é criada a direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas.             Em 1918, é criado o Ministério da Agricultura.             Em 1927, passa a chefiar a Circunscrição Marinhense o Eng.º António Arala Pinto .             Em 1948, é colocado como adjunto da Circunscrição Marinhense o Eng.º Acácio Amaral e em 1956 é nomeado chefe da mesma circunscrição devido à ausência forçada, por doença, de A. Arala Pinto.             Em 1986 é nomeado administrador João de Almeida Eliseu . Edifício da Administração das Matas na Marinha Grande - início do séc. XX

Frederico Luiz Guilherme de Varnhagen

          Nasceu em Arolsen, principado de Walde, Alemanha, em 1782. Veio para Portugal nos primeiros anos do séc. XIX, a convite do então príncipe D. João, para organizar cientificamente os Serviços da Mineração de Ferro. Foi nomeado director das Fundições da Foz de Alge, onde se iniciava o fabrico de cutelarias, espingardas e peças de artilharia.           Em Outubro de 1810 seguiu para o Brasil, onde se encontrava D. João VI e a Corte portuguesa na sequência das invasões napoleónicas, incumbido de proceder a levantamentos topográficos e estudos de mineração.           Regressou a Portugal 14 anos depois e foi colocado na Marinha Grande, como o primeiro Administrador Geral das Matas do Reino, nomeado por Portaria de 17 de Setembro de 1824, data em que foi criada esta Administração e seu Regulamento, no âmbito do Ministério da Marinha. Apesar de ter sido em 1824 que se concluiu o bonito prédio para a Adminis...