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A mostrar mensagens com a etiqueta Incêndios

A caixa de cigarrar

            As primeiras décadas do século XIX foram de extrema violência no que respeita a incêndios no Pinhal do Rei. Estes incêndios, que ficaram conhecidos como “Queimadas”, levaram o administrador do Pinhal, Rodrigo Barba Correa Alardo, a conceber, ao longo dos anos, uma série de documentos visando evitar tais incêndios. Nesses documentos criou regras, procedimentos e punições para quem não os acatasse. A limpeza do Pinhal, queimando os matos, a abertura de novos aceiros, o aumento dos guardas, a multiplicação das rondas e outros procedimentos a adoptar, faziam parte da grande luta contra os incêndios no Pinhal do Rei naquela época. Havia alguns bem curiosos, como a obrigatoriedade de, após uma trovoada, os guardas terem se subir aos pontos mais altos do Pinhal ou às torres das igrejas das povoações mais próximas para ver se havia vestígios de fumo em consequência de algum incêndio provocado pela dita trovoada. Mas o mais curioso dos procedimentos f...

A Barraca do M (ruínas)

            Quem hoje em dia visite o local de cruzamento do Aceiro M com a Estrada Atlântica depara-se com as ruínas de uma antiga construção, as quais, por muitos dos visitantes, são entendidas como sendo as ruínas da antiga casa de guarda que ali existiu. Na verdade, trata-se das ruínas de uma pequena casa construída por volta de finais do século XIX pelos Serviços Florestais para dar apoio ao trabalhadores que executavam trabalhos naquela zona do Pinhal, havendo a hipótese de inicialmente ter sido em madeira e mais tarde reconstruída em alvenaria. Esta casa foi, em Março de 1901, cedida aos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande para prevenção e vigilância contra possíveis incêndios no Pinhal, sendo, mais tarde, também usada no Verão durante as suas horas de lazer. Depois de abandonada, por volta de meados da década de 80 do passado século, encontra-se em ruínas. De facto, para o visitante pouco conhecedor da existência e localização exacta destas d...

Limpeza do solo florestal na Carrasqueira

            Do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino - Relativo ao Ano Económico de 1858-1859, do Administrador Geral José de Melo Gouveia, retirou-se este pequeno excerto acerca da limpeza do solo florestal no Pinhal de Leiria/Pinhal do Rei. Excerto do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino Relativo ao Ano Económico de 1858-1859 (ADLRA)

O incêndio de 2003

            Este incêndio ocorreu nos dias 2 e 3 de Agosto de 2003. Destruiu uma área de cobertura vegetal com cerca de 2563 hectares, cerca de 1/4 da área total da Mata, constituída 98% por Pinheiro-bravo, dos quais 2060 em zona de produção e 503 na zona de protecção. Iniciou-se junto ao areeiro (talhão 139) e propagou-se para Norte, quase até Vieira de Leiria, extinguindo-se apenas quando encontrou o aceiro exterior . Foi o maior incêndio ocorrido no Pinhal desde 1824, ano em que ocorreu aquele que foi o maior incêndio conhecido no Pinhal do Rei até 2017. Fonte: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 Cartografia do incêndio de 2003 In: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 ...

Consequências do incêndio de Outubro de 2017 no Pinhal do Rei

            Têm sido muitos os debates, artigos e opiniões, por todos os meios de comunicação social, sobre a origem, as causas e as consequências do incêndio de 15 de Outubro no Pinhal do Rei . Os mais diversos especialistas têm deixado as suas opiniões, ideias e alertas acerca deste incêndio, das suas consequências e da forma como poderemos evitar situações análogas no futuro.             Ora, acerca das consequências deste incêndio, não é minha intenção fazer aqui grandes considerações, até porque não estaria à vontade para o fazer.             Porém, porque quero apenas aqui deixar uma pequena animação que fiz com fotografias que fui fazendo após o incêndio em vários locais do Pinhal, do que me tenho apercebido, lembrarei apenas que, com cerca de 86% do Pinhal ardido, foram afectados muitos dos habitats naturais, desaparecendo muita da fau...

As Queimadas do início do Século XIX

            Em 1839, os tenentes da Armada, Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha foram nomeados para levantar as plantas das diversas matas nacionais, tendo começado por elaborar a planta ou Carta Topográfica do Pinhal Nacional de Leiria e seus arredores, datada de 1841.             Para execução desta Carta do Pinhal, os autores, ao tomarem conhecimento de todos os aspectos que diziam respeito a esta Mata, e porque, à época, dela havia muito pouco conhecimento, elaboraram também a “Memória sobre o Pinhal Nacional de Leiria - Suas Madeiras e Produtos Resinosos”. Esta “Memória…”, datada de 1843, segundo os próprios autores tinha o propósito de “Acompanhar com esclarecimentos locaes a carta topográfica do Pinhal Nacional de Leiria (…); (e) Apresentar todos os factos e dados necessários que possam servir de base a quaesquer melhoramentos que se julguem necessários a esta vasta e rica matta, com especialidad...

O incêndio de 15 de Outubro de 2017 no Pinhal do Rei

           A Mata Nacional de Leiria, oficialmente assim designada mas carinhosamente conhecida no Concelho da Marinha Grande por Pinhal do Rei, desapareceu quase na sua totalidade.             De facto, com início no passado dia 15 e consequente prolongamento a 16 deste mês de Outubro, um incêndio de grandes proporções fez desaparecer, segundo as primeiras análises, cerca de 86% do Pinhal do Rei, desaparecendo, assim, quase dois terços do património natural do Concelho da Marinha Grande.             Este invulgar incêndio outonal, ocorrido num atípico dia de Outubro, cuja temperatura chegou a atingir os 36º, parece ter tido a sua origem ao início da tarde a sul do Pinhal na povoação da Burinhosa ou nos seus arredores, em circunstâncias ainda por apurar.             Com o país a atravess...

Na Torre da Crastinha

In: "Diário de Lisboa", nº 9544, Ano 29, Sábado, 25 de Junho de 1949, (excerto) ©casacomum.org/Fundação Mário Soares Luneta que esteve instalada nos Pontos de Vigia O Ponto de Vigia (Torre) da Crastinha

Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei

            A enorme nuvem de fumo proveniente dos incêndios no interior centro e norte do País provocou, no passado dia 30 de Agosto, este efeito no pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei. Um efeito bonito mas dramático se tivermos em conta a tragédia que lhe deu origem. Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei em 30-08-2013

Cuidado! Não provoque o fogo!

            Sem data de edição que conseguisse apurar em concreto, este cartaz, editado pelos Serviços Florestais por volta do início da década de 80 do Séc. passado, chamava a atenção para os perigos dos incêndios florestais.             Com as dimensões de 48.5 x 33 cm, através de um engraçado personagem, o cartaz, que também circulou no nosso concelho e nas nossas escolas, apontava tais perigos dizendo: “Cuidado! Não provoque o fogo! - Lembre-se! Um fósforo ou uma ponta de cigarro podem ser o princípio....”. Uma mensagem sempre actual que, nestes dias quentes de Verão, convém ter em conta, não vá o pior acontecer ao nosso Pinhal do Rei.

Um fogo no Pinhal do Rei

            Publicado na Ilustração Portuguesa, um suplemento do jornal “O Século”, em Setembro de 1916, este impressionante artigo relata, ao longo de quatro páginas, a ocorrência de “Um fogo no Pinhal de Leiria”. In: Ilustração Portuguesa nº 550 de 04 de Setembro de 1916 © Hemeroteca Digital

A localização de incêndios no Pinhal do Rei durante os Séculos XIX e XX

            A localização exacta de um incêndio nos pontos de vigia do Pinhal do Rei fazia-se, antigamente, através de uma luneta giratória em torno de um círculo graduado de 0 a 360 graus, tendo como orientação para 0º o Ponto Cardeal Norte.             Depois de detectado o incêndio, o vigilante ao rodar a luneta na direcção do fogo obtinha, através de um ponteiro a ela acoplado e por leitura directa no círculo graduado, a orientação em graus, partindo do zero (Ponto Cardeal Norte). Posteriormente, numa carta da Mata, e partido da localização do ponto de vigia, era traçada uma linha segundo a orientação anteriormente encontrada. O mesmo era feito nos outros pontos de vigia. Da intercepção das linhas traçadas segundo as orientações obtidas em cada um dos pontos de vigia resultava a localização do incêndio, concretamente o talhão onde este lavrava.     ...

O Aceiro do Fontes ou da Garcia

            Publicado na revista “O occidente: Revista illustrada de Portugal e do estrangeiro” em Dezembro de 1879, um pequeno artigo da autoria de Carlos Augusto de Sousa Pimentel , que viria a ser administrador do Pinhal de Leiria entre 1882 e 1886, dava conta da importância da abertura de aceiros no Pinhal do Rei e da necessidade de os manter limpos de matos e arvoredos para se evitarem os incêndios na Mata e os seus desastrosos efeitos.            O artigo apresenta uma gravura baseada numa fotografia da época mostrando parte do aceiro do Fontes ou da Garcia (Aceiro K) . In: “O Occidente” nº 48 de 15 de Dezembro de 1879 © Hemeroteca Digital

O antigo Ponto de Vigia dos Outeiros

            Em tudo idêntico aos Pontos de vigia ainda hoje ao serviço no Pinhal do Rei, tudo leva a crer que o ponto de vigia existente no lugar dos Outeiros em Vieira de Leiria foi, provavelmente, construído obedecendo ao projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo por volta de finais da década de 30 do século passado.             Este ponto de vigia, situado fora do perímetro do Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria – Mata Nacional de Leiria), servia não só este Pinhal mas também o Pinhal do Pedrógão fazendo a ligação entre estas duas matas vizinhas.             Depois de dasactivado, o ponto de vigia serviu de brincadeira às crianças daquele tempo que se entretinham subindo ao cimo para, lá do alto, numa fugida, observarem a paisagem.             Mais tarde, o ponto ...

O Aceiro Exterior e a Grande Vala

            Este aceiro foi aberto no tempo do Marquês de Pombal. Trata-se de uma faixa de terreno em volta do Pinhal, inicialmente com 22 metros de largura e sem qualquer vegetação. Para além de demarcar todo o Pinhal do lado de terra (Norte, Sul e Este), tinha também a função de prevenir que fogos exteriores ao Pinhal Real não passassem para dentro deste.             Como medida preventiva, o Guarda-Mor era obrigado a percorre-lo, verificando se o mesmo estava limpo de qualquer matéria orgânica que pudesse alimentar um eventual incêndio, limpando-o se fosse caso disso.             Esta faixa, inicialmente com 22 metros, tem hoje 20,5 metros de largura, depois de, em 1790, como medida de segurança e controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Ministro Martinho de Melo e Castro ter mandado abrir uma grande vala com 2 metr...

Piquete de prevenção contra incêndios no Pinhal do Rei

            Durante séculos, o combate aos fogos no Pinhal do Rei foi feito exclusivamente pelo pessoal florestal e pelas populações limítrofes.             Em 1848, também o pessoal da Fábrica dos Vidros, por imposição posta por lei ao seu arrendatário, passou a ser dispensado em caso de incêndio na Mata, de modo a poder ajudar no seu combate.             Em 1890, foi criado em Pedreanes pelos Serviços Florestais um piquete de prevenção contra incêndios. Era composto por quatro guardas a cavalo, munidos de foices, pás e enxadas e por jornaleiros que se deslocavam em carros de cavalos ou a pé ou de bicicleta. Piquete de prevenção contra incêndios  Guarda a cavalo - finais do séc. XIX Guarda indo de bicicleta para um incêndio - finais do séc. XIX