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A mostrar mensagens com a etiqueta Exploração florestal

A Fábrica da Madeira após o Engenho Eólico

              Existem referências de que já na segunda década do século XVIII existia na Marinha Grande a Fábrica da Madeira. De início esta fábrica laborava com recurso à serragem braçal das madeiras mas, em 1724, com a entrada em funcionamento de um engenho de serrar movido a vento , a sua laboração foi melhorada.              Foi o Rei D. João V quem, por volta de 1723, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande este engenho de serrar movido a vento. Porém, devido a deficiências no seu mecanismo, este engenho foi destruído em 1774 por um incêndio provocado pelo atrito e nunca mais foi reconstruído.              O período após o desaparecimento do engenho de serrar movido a energia eólica, cujas referências são escassas, deverá ter sido de continuação da Fábrica da Madeira, com a serragem manual das m...

A Carvoaria

            O ponto de viga Ponto Novo , no Pinhal do Rei, foi outrora também designado por alguns como Ponto da Carvoaria. O facto deve-se a que na zona envolvente do local onde se encontra tenham existido, noutros tempos, inúmeras carvoarias. A sua existência deve-se à necessidade de limpeza dos despojos florestais criados durante o desbravar daquela zona do Pinhal, considerada praticamente floresta virgem em meados de século XIX por dificuldades de limpeza. Assim, ao transformar tais despojos em carvão, além de limpar o local, criava-se riqueza com a sua produção, importante fonte de energia naquela época. Estávamos no século XIX.             Especificando, veja-se o que diz o “Relatório da Administração Geral das Matas do Reino – Ano económico de 1858-1859” acerca da limpeza daquele local, conhecido como Carrasqueira :                 “ (…)         A carbon...

Limpeza do solo florestal na Carrasqueira

            Do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino - Relativo ao Ano Económico de 1858-1859, do Administrador Geral José de Melo Gouveia, retirou-se este pequeno excerto acerca da limpeza do solo florestal no Pinhal de Leiria/Pinhal do Rei. Excerto do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino Relativo ao Ano Económico de 1858-1859 (ADLRA)

O fabrico de carvão

            Perde-se nos tempos a origem da transformação de madeira do Pinhal do Rei em carvão. Uma das primeiras referências a esta actividade encontra-se num texto escrito cerca de 1470, onde o povo da região se queixava ao Rei D. Afonso V por não lhes ser permitida a recolha de lenha para carvão em propriedades abandonadas pelos seus donos.             Em 1605, no Regulamento para o Monteiro-mor, o Rei Filipe II, protegendo o Pinhal contra cortes abusivos não licenciados, proibia, em todas as matas e coutadas, dentro da sua demarcação, o fabrico de carvão.             O Marquês de Pombal, no seu regulamento de 1751, fez referência a esta actividade, autorizando que, para tal efeito, se retirasse lenha do Pinhal.             Em 1841, na carta topográfica do Pinhal, feita pelos oficiais da Armada Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, exist...

O Caminho das Tábuas e das Varas

            Durante centenas de anos, praticamente até metade do século XIX, os transportes usados no Pinhal do Rei para transportar quaisquer produtos foram os carros de tracção animal , maioritariamente puxados por bois, sendo também muito utilizadas a tracção equina e asinina. Tudo era feito por veículos de tracção animal, desde as sementeiras até ao escoamento dos produtos do Pinhal, incluindo o transporte das lenhas para a Fábrica dos Vidros ou de madeiras para os portos de embarque, donde seguiam depois por via marítima.             Sendo muito vagarosos, este tipo de transportes levou a que se procurassem formas de transporte mais evoluídas para o escoamento dos produtos do Pinhal.             Ora, porque o porto na Praia da Vieira foi usado durante quase todo o Século XIX, sabe-se que, já em 1840, existia um caminho destinado a facilitar o trajecto entre Pedreanes e os grandes armazé...

A Fábrica Resinosa

             O Regulamento de 1790 para o Pinhal de Leiria, do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro, que dá ordem para construção de uma nova fábrica de pez em S. Pedro de Moel, regula também a Fábrica Resinosa, situada no lugar do Engenho em conjunto com a Fábrica da Madeira. Assim, esta fábrica é anterior à de S. Pedro de Moel, não sendo possível, no entanto, conhecer a data da sua construção. Contudo, a existência de fornos de pez no mesmo local, desde há muito, leva a crer que esta fábrica tenha resultado da natural evolução técnica que vinha a ser implementada há alguns anos e da passagem do Estado à situação de proprietário, passando a produzir pez e outros produtos de base resinosa e a aproveitar os grandes lucros do fabrico destes produtos.             Esta fábrica possuía dezasseis fornos quando, em 1810, foi destruída pelas tropas invasoras, na altura das Invasões Francesas.       ...

A Fábrica de Resinagem da Marinha Grande no Século XIX (1)

In: Aranha, Pedro Wenceslau de Brito - Memórias Histórico-Estatísticas de algumas vilas e povoações de Portugal. Lisboa: Livraria A. M. Pereira, 1871 Notas: Sobre o edifício da Fábrica da Resinagem, ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2013/10/o-edificio-da-fabrica-de-resinagem-da_15.html Sobre João Maria Magalhães (o Sr. Magalhães), ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2013/03/joao-maria-magalhaes.html Sobre Bernardino José Gomes, ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2012/05/bernardino-jose-gomes.html

Os primitivos fornos do pez

            Desde tempos remotos que o Pinhal do Rei, também designado por Pinhal de Leiria, forneceu à construção naval produtos como: pez, pixe (pez negro), alcatrão (pez líquido) e breu (pez cozido e seco), obtidos a partir das achas resinosas dos pinheiros.             Inicialmente, estes produtos usavam-se na calafetagem dos barcos e nas abordagens por embarcações inimigas, onde, depois de inflamado e a ferver, era derramado como material de destruição.             Mais tarde, as águas-razes e águas-ruças produzidas nas mesmas fábricas, por destilação das achas resinosas, passaram a usar-se nas indústrias dos vernizes, tintas lacadas, sabões, tinturaria, farmacêutica e perfumaria.             A respeito deste tipo de exploração, a maioria dos autores indica, como referência mais ant...

Notícias do Comboio Americano.

            Do Comboio Americano, como ficou conhecido o Caminho de Ferro Americano dos Pinhaes de Leiria ao Porto de S. Martinho, já aqui dei algumas notícias da época em que esteve ao serviço.             Juntam-se agora mais alguns recortes do publicado no “Diário Illustrado” ao longo de vários anos:             Em 1873 dava-se conta do número de Quilogramas de objectos vários, entre eles o vidro e produtos resinosos, exportados por este comboio para o caminho-de-ferro do norte.            Em 1874 dava-se conta da grande quantidade de mercadorias a transportar a partir da Marinha Grande, especialmente desde que a Mina da Granja passara a exportar os seus produtos por este comboio.             Em 1877 dava-se conta de um acidente ocorrido neste comboio...

Mappa dos Pinhaes de S. Mag.de e da Universidade de Coimbra; da Caza do Infantado, e do Conselho de Leyria

            Este mapa, elaborado em 1765, foi composto por ordem do Ministro e Secretário de Estado Francisco Xavier de Mendonça Furtado pelo Sargento Mor Guilherme Elsden.             De ambos os lados deste curioso mapa encontram-se "explicações" económicas correspondentes a cada um dos pinhais nele representado e quatro panorâmicas com os seguintes títulos:             ● “Forma de embarcar Madeira no Verão, em quanto não for praticável o Porto de S. Pedro de Moel"             ● "Perspectiva de huma Nova Fabrica do Pez, que pode dar quasi o necessário pa. o Consumo deste Reino, aproveitando-se a madeira q sem esta applicação se perde inutilmente"            ● "Perspectiva de Porto de St. Pedro de Moel"       ...

A caruma

            O termo caruma é talvez o mais conhecido para designar a folha ou um conjunto de folhas do pinheiro.             De facto, socorrendo-nos de um velho dicionário, ficamos a saber que, consoante as localidades, encontramos várias designações dadas à folha ou a um conjunto de folhas do pinheiro. Assim, para além de caruma, encontramos por exemplo: agulha, agulheta, argaço, arguiço, candeia, cisca, cisco, faúlha, gravalha, moliço, etc. (Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa – Cândido de Figueiredo).             Caracterizando as folhas do pinheiro, pode dizer-se que são uma espécie de agulhas, emparelhadas, de cor verde escura, rígidas e grossas e com 10 a 25 centímetros de comprimento, no caso do pinheiro bravo, enquanto as do pinheiro manso são sempre um pouco mais pequenas. Daqui podemos dizer, certamente,...