terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Marcos de separação entre os Concelhos da Marinha Grande e Alcobaça

            Existem no Pinhal do Rei, nas fronteiras Este e Sul, junto ao Aceiro Exterior, alguns marcos limitando os concelhos da Marinha Grande e Alcobaça.
            Um desses marcos encontra-se no talhão 305, junto às ruinas da antiga Casa de Guarda da Sapinha. Na face virada a Oeste, e partindo do princípio que, na inscrição, o "C." queira dizer concelho, o Concelho da Marinha Grande é indicado pela inscrição:

  C.
Marinha
Grande

             Do outro lado, virado a Este, a inscrição indica o concelho de Alcobaça:

  C.
Alcobaça
 Pataias.

             Um outro marco, idêntico a este, encontra-se no talhão 337, junto ao Ponto do Facho.


 
Face do marco indicando o Concelho da Marinha Grande

 Face do marco indicando o Concelho de Alcobaça

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Edifício dos Serviços Florestais na Marinha Grande

            Concluído em 1840, para nele serem instalados os serviços de administração e a residência do Administrador Geral das Matas, este edifício, de traça Pombalina, está situado no centro da Marinha Grande na avenida cujo nome recorda o grande patrono do Pinhal: El-Rei D. Dinis.
            Nas primeiras décadas do séc. XX existia, na sua frente, um parque de plátanos, rodeado por um gradeamento em madeira seguro por pilares de pedra (idêntico ao da Praça Afonso Lopes Vieira em S. Pedro de Moel). As árvores e o gradeamento foram, mais tarde, em 1935, retirados, quando foi remodelada a avenida.
            Por ali passaram muitos serviços administrativos dos vários organismos que geriram a floresta portuguesa e o Pinhal do Rei e ainda hoje ali funciona a Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral.



Edifício da Administração das Matas Nacionais - início do séc. XX

Edifício da Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral

domingo, 10 de novembro de 2013

Fontes no Pinhal do Rei

            Aproveitando a enorme riqueza em lençóis de água existente no Pinhal do Rei e para que trabalhadores e animais que na Mata laboravam pudessem matar a sua sede, os Serviços Florestais construíram, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, muitas delas existentes ainda nos dias de hoje.
            O nº 82 do Jornal da Marinha Grande, de 12 de Dezembro de1964, publicou um excelente artigo acerca de algumas dessas fontes. O seu autor foi João Francisco Saboga que escrevia com o pseudónimo Sá Peixe.

In: Jornal da Marinha Grande nº 82 de 12 de Dezembro de 1964

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Pinhal do Rei no Biosfera

            Acerca da estratégia de recuperação do Pinhal do Rei após o temporal de Janeiro último, sobre, o estado da ribeira de S. Pedro de Moel e da estrada que a acompanha, ainda encerrada à circulação, os problemas com as espécies infestantes, e também sobre o rendimento e a despesa que origina a Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, o programa “Biosfera”, exibido na RTP2 no passado Domingo, 20 de Outubro, trouxe-nos importantes esclarecimentos.
            Para quem não teve a oportunidade de acompanhar o programa em directo, aqui fica o vídeo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O edifício da Fábrica de Resinagem da Marinha Grande

            Em 1859, foi construído o edifício da Fábrica da Resinagem e iniciava-se a sua laboração. Com uma área de 4250 m², este edifício, de estilo “Pombalino”, foi projectado por Bernardino José Gomes, cuja fábrica também dirigiu. Esta fábrica trabalhou de início por conta dos Serviços Florestais sendo mais tarde, a partir de 1868, arrendada a particulares.
            Em 1940, com a mudança de instalações por parte do último arrendatário, dá-se o encerramento da fábrica. O edifício regressou à posse dos Serviços Florestais e em 1941 foi cedido à Câmara Municipal da Marinha Grande. Ali foram instalados, em 1942, o Mercado Municipal e, mais tarde, a Biblioteca Municipal e a Repartição de Registo Civil.
            Anteriormente, já os Serviços Florestais tinham cedido a título precário algumas das dependências e anexos:
            ● Em 1900, para instalação dos Bombeiros Voluntários
            ● Em 1918, para instalação do quartel da GNR
            ● Em 1924, para instalação da Central Eléctrica
            ● Em 1925, para instalação do posto médico da Cruz Vermelha
            ● Em 1939, para instalação do quartel da Legião Portuguesa

            Por volta de finais do século XIX, existia no pátio interior um “esqueleto” de madeira com uma altura de 12 metros que servia de posto de vigia contra incêndios no Real Pinhal e, mais tarde, para exercício dos bombeiros.
            No interior do edifício, ainda quando a fábrica funcionava, existiam, no pátio interior descoberto, um lago e um jardim.
            Ali funcionou também uma escola de ginástica e uma esplanada com cinema, chegando a haver espectáculos com artistas da época. No recinto que mais tarde viria a ser o mercado do peixe, por volta de 1932, houve grandiosos bailes.
            Em Setembro de 2007, o Mercado Municipal, a funcionar desde 1942 no edifício da Fábrica de Resinagem, foi encerrado pela Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica por razões de ordem higiossanitárias e técnico-funcionais, segundo a própria (ASAE).
             Após a deslocação de todos os serviços que ali existiam, o edifício entrou em obras de requalificação.
            Actualmente, com as obras em fase terminal, e depois da instalação, em Setembro último, dos serviços do Gabinete de Atendimento ao Munícipe (GAM) por parte da Câmara Municipal, está prevista a instalação da Colecção Visitável do futuro Museu da Indústria dos Moldes (CVMIM), e do Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro (NAC), cuja inauguração será no próximo dia 19 de Outubro, ficando instalado no edifício “cubo de vidro”, recentemente construído no interior do antigo edifício da Fábrica de Resinagem.

Edifício da Fábrica de Resinagem - Início do séc. XX

Interior da Fábrica de Resinagem - Início do séc. XX

Planta do edifício da Fábrica de Resinagem

domingo, 6 de outubro de 2013

Casa de Guarda do Sanguinhal

            Situada na fronteira Este do Pinhal, junto ao Aceiro Exterior, no início do Aceiro J, entre as antigas Casas de Guarda da Covado Lobo e da Garcia, a antiga Casa de Guarda do Sanguinhal é, talvez, a mais bonita Casa de Guarda que existiu no Pinhal do Rei, dado o seu estilo arquitectónico único nesta mata. Nas suas traseiras, em avançado estado de degradação, tal como a própria casa, podemos ainda ver as ruinas dos antigos galinheiros, do curral do porco, e a pequena horta, de onde os Guardas que ali serviram o Pinhal do Rei tiravam, para seu sustento, um complemento ao magro salário que lhes era atribuído.
            A poucos metros da casa existe o poço e ao lado, coberto por um pequeno telheiro, o antigo tanque de lavar que servia a casa.



A Casa de Guarda do Sanguinhal

O tanque que servia a casa

O Pinhal do Rei visto do interior da casa

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Acerca do monumento a D. Dinis e à Rainha Santa Isabel em S. Pedro de Moel

            A ideia de levantar um monumento ao Pinhal do Rei e a D. Dinis vinha a ser levantada pelo jornal Diário de Lisboa desde 1931, voltando ao assunto em 1935 e 1939. Por essa altura, com a “Comemoração dos Centenários”, a ideia parecia finalmente avançar mas, “a despeito de muitos apoios oficiais, incluindo o do Ministro da Agricultura”, dissipou-se.
            Isso mesmo é-nos contado no artigo publicado a 23 de Agosto de 1952 com o título: “Está ainda por pagar a dívida de gratidão ao Rei D. Dinis e ao Pinhal de Leiria”.
            Segundo o mesmo jornal o monumento ou padrão a erigir ao Pinhal de Leiria seria “altaneiro e simples, como o próprio pinheiro de alto fuste” e teria uma singela inscrição: “Daqui saíram as madeiras para as naus da India”. Porém, não tendo avançado a ideia inicial, surgiu posteriormente uma outra: “A erecção de um monumento ao Rei D. Dinis”.
            Diz-nos ainda o mesmo artigo que Arala Pinto, administrador do Pinhal do Rei (de Leiria), em 1951 numa conferência, “(…) proferida na Casa do Distrito de Leiria, evocou o sonho ao qual dera expressão em 1942”, lembrando as várias personalidades Marinhenses e Leirienses, “paladinos da ideia de se pagar a dívida de gratidão a D. Dinis (…)”. Dessas personalidades faziam parte “o escultor Luís Fernandes e o pintor Nery Capucho, os quais ambos traçaram uma “maquette” do monumento ao “Rei Lavrador (…)”.
            Mas, já em 1938, Arala Pinto, em nota final da sua obra “O Pinhal do Rei”, falava da importância de se “pagar a dívida de gratidão ao Rei D. Dinis”, dedicando ao tema várias páginas e mostrando imagens da maqueta para tal monumento.
            Porém, o monumento, composto por um tríptico com três metros de altura onde estariam representados nos painéis laterais “os monarcas de século XIV, com as armas de Portugal e de Aragão, e no retábulo central seriam esculpidas a terra agricultada, o mar, as caravelas, o pinhal, (e) as dunas”, nunca seria construído.
            Apenas em Outubro de 1972 foi inaugurado na orla do Pinhal, à entrada de S. Pedro de Moel, um monumento em homenagem ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel. Este monumento foi oferecido à Marinha Grande pelo Ministro das Obras Publicas Eng.º Rui Sanches e é da autoria do escultor açoriano Numídico Bessone.


In: "Diário de Lisboa", nº 10678, Ano 32, Sábado, 23 de Agosto de 1952

©casacomum.org/Fundação Mário Soares


Maqueta para o pressuposto monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
In: Pinto, A. A., 1938/39, O Pinhal do Rei. Subsídios, Alcobaça, Ed. Autor

O tríptico do pressuposto monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
In: Pinto, A. A., 1938/39, O Pinhal do Rei. Subsídios, Alcobaça, Ed. Autor

Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel em S. Pedro de Moel

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O engenho de serrar madeira movido a energia eólica

            Existiu no Século XVIII na Marinha Grande um engenho de serrar madeira movido a energia eólica.
            Foi o Rei D. João V que, por volta de 1724, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande este engenho movido a vento.
            Totalmente construído em madeira por engenheiros holandeses foi montado onde hoje é o Parque Florestal do Engenho e, embora o seu funcionamento estivesse condicionado a vento certo e moderado, trabalhou cerca de 50 anos.
            O Marquês de Pombal, em 1751, interessando-se pelo engenho e pela sua segurança, mandou murar todo o recinto e criou o regulamento da “Fábrica da Madeira”. Nesse regulamento pretendia-se o controle estatal desta actividade, centrando-a exclusivamente no “engenho” e na “Fábrica da Madeira". Para isso mandava o Regulamento “extinguir inteiramente todas, e quaisquer serrarias de mão que haja no Pinhal, ou na Vieira” e, reconhecendo a necessidade de alguma madeira continuar a ser serrada manualmente por não ser essa operação compatível com o serviço do engenho que, “toda a madeira que for necessário serrar-se por serras de mão, por não abranger o serviço do Moinho, seja serrada dentro dos muros do Engenho, recomendando muito ao Superintendente que não consinta serras de mão em outra alguma parte (…)”.
            Devido a deficiências no seu mecanismo, este engenho foi destruído em 1774 por um incêndio provocado pelo atrito e nunca mais foi reconstruído.
            Foi derivado à existência deste engenho naquele lugar que, ao seu redor, foi nascendo um pequeno povoado que ficou conhecido como: “O lugar do Engenho”. O Engenho ainda hoje faz parte da Freguesia e Concelho da Marinha Grande.
           O topónimo “Engenho” dá também o nome ao parque florestal onde existiu tal engenho e ao largo que lhe fica em frente.

O Regimento de 1751

Placa assinalando o Largo do Engenho

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei

            A enorme nuvem de fumo proveniente dos incêndios no interior centro e norte do País provocou, no passado dia 30 de Agosto, este efeito no pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei. Um efeito bonito mas dramático se tivermos em conta a tragédia que lhe deu origem.

Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei em 30-08-2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os Ordenamentos e a gestão do Pinhal do Rei

            Documentos imprescindíveis à gestão do Pinhal do Rei, os Ordenamentos eram como uma espécie de balanço ou inventário que, tal como hoje, temporariamente, se fazem em qualquer empresa e em qualquer ramo de actividade. Neles não só se analisava a gestão do Pinhal nos anos anteriores, dando a conhecer a sua situação geral, como também se programava todo o seu desenvolvimento futuro, prevendo essa mesma gestão para os anos seguintes, por exemplo ao nível do abate de árvores em futuros cortes finais.
            Mas nem sempre foi assim! Até muito perto do final do Séc. XIX o Pinhal do Rei nem sempre teve uma gestão organizada.
            O primeiro Ordenamento foi definido em 1892 por Bernardino Barros Gomes e elaborado conjuntamente com os silvicultores Joaquim Ferreira Borges e José Lopes Vieira. Como preparação para este ordenamento foi, nos anos de 1880, 1881 e 1882, elaborada por Bernardino Barros Gomes, Carlos Augusto de Sousa Pimentel, Joaquim Ferreira Borges e A. A. de Carvalho, a Planta Geral da Mata de Leiria (Pinhal do Rei).
            Este primeiro Ordenamento foi revisto em 1898 por José Lopes Vieira, seguindo-se actualizações periódicas de 10 em 10 anos, até 1967.
            Em 1980, Acácio Amaral, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, elaborou novo Ordenamento. Este Ordenamento foi revisto em 1990 pela Eng.ª Susana Bordalo Pinheiro.
            A partir dessa data, com o aparecimento de novos métodos e ferramentas de gestão da Floresta, acabaram os Ordenamentos.

O Ordenamento de 1892

A revisão do Ordenamento feito em 1907

A revisão do Ordenamento feito em 1927-37

O Ordenamento de 1980

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cuidado! Não provoque o fogo!

            Sem data de edição que conseguisse apurar em concreto, este cartaz, editado pelos Serviços Florestais por volta do início da década de 80 do Séc. passado, chamava a atenção para os perigos dos incêndios florestais.
            Com as dimensões de 48.5 x 33 cm, através de um engraçado personagem, o cartaz, que também circulou no nosso concelho e nas nossas escolas, apontava tais perigos dizendo: “Cuidado! Não provoque o fogo! - Lembre-se! Um fósforo ou uma ponta de cigarro podem ser o princípio....”. Uma mensagem sempre actual que, nestes dias quentes de Verão, convém ter em conta, não vá o pior acontecer ao nosso Pinhal do Rei.

domingo, 11 de agosto de 2013

O Ponto de Vigia do Facho

            Bernardino Barros Gomes mandou instalar em finais do Séc. XIX os primeiros pontos de vigia para detecção de incêndios no Pinhal do Rei.
            Naquela época, estes Pontos eram apenas pequenas barracas de madeira com torres anexas nos sítios mais altos do Pinhal: Facho, Ladeira Grande, Crastinha e também no edifício da Resinagem.
            Em 1885 foi construído o Ponto da Boavista substituindo o do Edifício da Resinagem.
            Em cada um destes pontos de vigia viviam dois homens vigiando permanentemente o Pinhal, vindo um deles avisar a Administração em caso de incêndio.
            Construídos em madeira e dado que esta estava a apodrecer, os primitivos Pontos de Vigia da Ladeira Grande e da Crastinha foram reconstruídos alguns anos após a sua construção. Por estar mal construído foi também reconstruído o Ponto do Facho.
            Nessa reconstrução, estes Pontos passaram a ser constituídos por altas armações em ferro, em cujo topo, rodeado por uma varanda, estava o posto de vigia.
            A partir de 1936, por projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo, o Ponto do Facho e o da Crastinha foram reconstruídos em cimento armado. O Ponto da Ladeira Grande foi substituído pelo Ponto Novo. Nessa reconstrução, anexa à torre de vigia, existia uma pequena casa onde viviam os Guardas que faziam a vigilância.
            Em 2007, durante obras de conservação, o Ponto de Vigia do Facho foi alterado no que respeita ao projecto inicial do Eng.º Mário A. Santos Galo sendo-lhe retirada a escada exterior em caracol e substituída por uma escada metálica vertical acoplada à torre.
            Actualmente, o funcionamento destes Pontos de Vigia limita-se aos meses de Verão.

O antigo Ponto de Vigia do Facho - finais do séc. XIX

O Ponto de Vigia do Facho antes de 2007

O Ponto de Vigia do Facho depois de 2007

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Morcegos no Pinhal do Rei

            O grupo "Borboletas da Marinha Grande" organizou mais uma das suas sessões de observação de borboletas nocturnas, desta vez no Vale dos Pirilampos no Pinhal do Rei. Esta sessão era aguardada com alguma ansiedade por alguns dos regulares membros do grupo, já que traria associada uma novidade nunca antes praticada pelo grupo.
            De facto, tratou-se de uma sessão de observação conjunta de morcegos e borboletas nocturnas.
            Sílvia Barreiro e Bruno Silva, conhecedores do assunto em questão (quirópteros), transmitiram aos participantes conhecimentos acerca dos morcegos em Portugal e no Mundo, inclusive através de uma apresentação multimédia.
            O objectivo em relação à sessão de observação de morcegos era a captura de eventuais espécimes habitantes daquela zona do Pinhal, observá-los e catalogá-los sendo, para tal, montadas redes para a sua captura.
            Porém, ia já adiantada a hora sem que nas redes tivesse caído algum indivíduo. Algum desalento grassava entre os presentes na sessão.
            Já passava da uma da manhã, e quando já nada o fazia prever e se preparava já o desmontar das redes, quando numa delas, montada um pouco mais longe do local onde nos encontrávamos, foi capturada uma fêmea da espécie Nyctalus leisleri (Morcego-arborícola-pequeno). Mais tarde foi também capturado um macho da mesma espécie.
            Esta espécie faz parte das 27 conhecidas em Portugal sendo que 25 ocorrem no Continente, 1 endémica dos Açores e 1 endémica da Madeira e das Canárias.
            São conhecidas cerca de 1200 espécies de morcegos.
            Dos dois exemplares foi feito o registo de todas as suas características. Foram observados e mostrados em pormenor a todos os participantes na sessão, o que muito agradou a todos, sendo, mais tarde, devolvidos à liberdade. Foi assim cumprido um dos objectivos desta sessão de observação.
            No que respeita às borboletas nocturnas esta foi uma sessão de fraca profusão.
           É, também, com actividades deste tipo que se vai conhecendo e dando a conhecer melhor o nosso Pinhal do Rei.
            Informação mais detalhada pode ser vista no site Borboletas da Marinha Grande.
   Pormenor da “asa” do Nyctalus leisleri


Nyctalus leisleri (fêmea)
Nyctalus leisleri (macho)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Vale dos Pirilampos

            O pequeno lugar conhecido como Vale dos Pirilampos está integrado numa zona de maior amplitude conhecida por Vale da Felícia, um dos locais de maior biodiversidade e onde podem ser admiradas algumas da espécies de fauna e flora autóctones do Pinhal do Rei. Está situado entre as abruptas vertentes do Ribeiro de S. Pedro de Moel, entre a ponte conhecida como Ponte de S. Pedro, na Estrada Nacional 242-2 entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel, e o lugar da Ponte Nova.
            Atravessando o Pinhal de Este para Oeste, o Ribeiro de S. Pedro de Moel, serpenteando em direcção à foz na Praia Velha, entre curva e contracurva, talvez devido também a pequenos troncos caídos e em decomposição que, ao longo dos tempos, se acumularam naquele lugar obstruindo-o parcialmente, alargou o leito e formou um pequeno lago, criando um dos mais belos e calmos recantos do Pinhal do Rei.
            Relatos antigos descrevem este local como ponto de encontro de grupos de jovens que, no Verão, aqui se reuniam para usufruírem do pequeno lago, refrescando-se, e onde não faltava uma pequena corda, suspensa de uma árvore, de onde os mais audazes, balanceando-se, se lançavam sobre a água.
            O principal acesso ao Vale dos Pirilampos faz-se a partir da Fonte da Felícia, pelo pequeno carreiro que acompanha o ribeiro, sendo um dos mais belos trajectos em todo o Pinhal e um dos mais aconselhados para um descontraído passeio pedestre. O silêncio, quase absoluto, apenas quebrado por eventuais ruídos silvestres, o canto das aves e o murmurar da água do ribeiro tornam o local maravilhoso e de uma beleza natural extrema.
            Porém, dadas as consequências do temporal de Janeiro, percorrer este trajecto paradisíaco tornou-se quase impossível. Intransitável para muitos e quase intransitável para alguns, o carreiro, àqueles que teimem em fazer este trajecto, obriga a um esforço tremendo, passando por cima ou por baixo da enorme quantidade de arvoredo caído que nele se encontra, e a uma redobrada atenção, dada a proximidade do ribeiro.
            Dadas as circunstâncias, aconselha-se a quem queira visitar o Vale dos Pirilampos a fazê-lo pelo talhão 259 do Pinhal, virando à direita antes da ponte de S. Pedro, isto para quem se desloca na Estrada Nacional 242-2 no sentido Marinha Grande – S. Pedro de Moel, e, cerca de mil metros à frente, entrar directamente no pinhal cortando à esquerda por um caminho de terra batida, embora com alguma areia.
            Como todo o Pinhal do Rei, o Vale dos Pirilampos encontra-se actualmente subtraído de parte da sua beleza natural, necessitando urgentemente que seja desimpedido o acesso a partir da Fonte da Felícia. Hoje em dia, a poça, que atrás designei como pequeno lago, está maior, embora com menos água, a ponte perdeu a protecção lateral e o lixo, incluindo troncos caídos e em decomposição, acumula-se cada vez mais, perturbando o normal curso do ribeiro em direcção à foz na Praia Velha.
            O Vale dos Pirilampos e, de uma maneira geral, todo o Pinhal do Rei mereciam um pouco mais de atenção.






Coordenadas geográficas aproximadas do
Vale dos Pirilampos:
39° 45' 23.02" N
8° 58' 56.94" W









Entre a Fonte da Felícia e o Vale dos Pirilampos


O Vale dos Pirilampos
(Fotografias de 2006)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um fogo no Pinhal do Rei

            Publicado na Ilustração Portuguesa, um suplemento do jornal “O Século”, em Setembro de 1916, este impressionante artigo relata, ao longo de quatro páginas, a ocorrência de “Um fogo no Pinhal de Leiria”.
 
 
 
In: Ilustração Portuguesa nº 550 de 04 de Setembro de 1916
© Hemeroteca Digital

domingo, 7 de julho de 2013

Marcos de 1841 no Pinhal do Rei

            Existem ainda no Pinhal do Rei alguns dos marcos que, segundo o Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”, foram colocados em 1841 quando se fez o levantamento da respectiva Carta Topográfica do Pinhal Nacional de Leiria. Estes marcos, os mais antigos que ainda, nos dias de hoje, podemos observar, encontram-se ao longo do Aceiro Exterior delimitando o Pinhal em toda a sua fronteira do lado de terra. Na inscrição colocada na face virada para o Pinhal, composta por três partes, podemos observar na sua parte superior um número que, à partida, será o número atribuído a cada marco.
            Ao analisar a legenda da já referida Carta Topográfica encontramos uma explicação para as abreviaturas que dela constam. Aí pode ver-se, entre outras, que M=Marco. Ao analisar a mesma Carta encontramos várias abreviaturas “M” ao longo do Aceiro Exterior, seguidas de um número. Esse número é sequencial, aumentando de Norte para Sul ao longo do Aceiro Geral, circundando todo o Pinhal do lado de terra. Na zona entre a Garcia e a Portela há uma sequência que vai de “M29” a “M32”, o que para o “M30” corresponde ao marco junto ao actual Aceiro N, entre as Casas de Guarda do N e das Gaeiras. Este marco encontra-se ainda em bom estado de conservação, está perfeitamente visível e com muito boa acessibilidade, embora na fotografia em anexo não seja perfeitamente perceptível que o segundo algarismo do seu número seja um zero. Porém, a confirmação de que se trata do marco “M30” foi feita visitando o marco indicado na mesma Carta, imediatamente antes deste, situado junto à Casa de Guarda do L e que ostenta a indicação “M29”.
            Na parte intermédia da inscrição nestes marcos, imediatamente abaixo do seu número, encontram-se as letras “PR” o que quer dizer Pinhal do Rei ou Pinhal Real.
            Na parte inferior da inscrição encontramos uma letra. Essa letra poderá corresponder a uma possível divisão do Pinhal em parcelas, designadas por letras, conforme podemos verificar em anteriores Cartas do Pinhal, embora me não tenha sido possível confirmar essa indicação.
            Como atrás ficou dito, segundo o Eng.º Arala Pinto, estes marcos foram colocados em 1841 mas a existência do mesmo tipo de numeração de marcos nas Cartas de 1769 e 1816 indicam que, provavelmente, estes substituíram outros, já anteriormente colocados nos mesmos lugares.



Marco indicado na Carta Topográfica de 1841 como “M30”
Localizado no Aceiro Exterior, junto à Casa de Guarda do N

Marco indicado na Carta Topográfica de 1841 como “M29”
Localizado no Aceiro Exterior, junto à Casa de Guarda do L

Marco colocado em 1841, já retirado do Pinhal
Encontra-se guardado no Parque do Engenho

domingo, 30 de junho de 2013

Lonsdale Ragg no Pinhal do Rei em 1937


            Lonsdale Ragg visitou o Pinhal do Rei em 1937, onde estudou e desenhou os mais velhos e notáveis pinheiros da nossa Mata.
            Sobre Lonsdale Ragg diz-nos o Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”: “De entre os visitadores estrangeiros do Pinhal de Leiria, quero destacar Lonsdale Ragg, pontífice da religião protestante e do druidismo, inspector dos templos protestantes construídos pelo homem, e dos monumentos vivos erguidos pela Natureza, espalhados uns e outros por todos os recantos do Globo.
            Setenta e quatro anos (?) vividos a insuflarem o espírito do amor do próximo, de bondade e a trazer para “The tree Lover” as imagens das velhas árvores, que o provecto peregrino em giros continuados vai descobrindo na Europa, na Ásia, nas Américas, na África ou na Oceânia.
            Filho do país da bruma, talvez do oeste da Grã-bretanha ou da Irlanda … Lonsdale Ragg bateu um dia à porta da minha tebaida, queria um guarda-florestal que lhe mostrasse os velhos pinheiros de D. Dinis que desejava desenhar, vi então trabalhar um dos mais extraordinários copistas da Natureza, enquanto a sua comitiva gargalhava e praticava desporto patinando sobre a caruma”
            Aqui ficam alguns dos desenhos de Lonsdale Ragg.

O Pinheiro do Montinho

O Pinheiro dos Lavradores

O Pinheiro-manso, do Tromelgo
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