domingo, 20 de Abril de 2014

A exposição “Pinhal do Rei, Pinhal de Leiria”

            Esteve patente em Leiria, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, entre os dias 2 e 15 deste mês de Abril, a exposição “Pinhal do Rei, Pinhal de Leiria”. A exposição, para além de uma pequena mostra de livros acerca desta importante mata nacional e de alguns objectos usados em diversos trabalhos na própria mata, mostrava também um conjunto de painéis descritivos e fotobiográficos, dando a conhecer parte da história do Pinhal e algumas das importantes personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do Pinhal do Rei.

Vista geral da exposição




quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Remoção da surraipa no Pinhal do Rei

            A surraipa extraiu-se em tempos do subsolo do Pinhal do Rei. Produto orgânico, constituído por camadas compactas essencialmente de anidrido silícico, era usado nesse tempo na construção civil. Depois de rebocada com cal oferecia boa resistência às intempéries.
            Ainda, nos dias de hoje, em alguns lugares, se podem ver casas ou muros construídos com surraipa.
            Sendo útil para a construção civil foi, no entanto, necessária a sua completa remoção do Pinhal pois não permitia que as raízes das árvores penetrassem suficientemente no solo, o que as tornava raquíticas e doentes. Esse trabalho foi feito a partir do ano de 1958.




Remoção da surraipa - anos 50 do séc. XX

Antiga parede construída com surraipa e depois rebocada

quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Acerca do edifício da antiga Fábrica de Resinagem

            Situado no centro tradicional da Marinha Grande, o edifício da antiga Fábrica de Resinagem, recentemente reabilitado, passou a albergar dois espaços museológicos em conjunto com alguns serviços camarários.
            O Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) do Museu do Vidro está instalado desde 19 de Outubro de 2013 no “cubo de vidro”, edifício construído no pátio interior da velha fábrica, onde, no princípio do Século XX, ao lado de um pequeno jardim e lago interiores funcionou o depósito e purificação de resinas.
            Já a Colecção Visitável do futuro Museu da Indústria de Moldes, patente desde o passado dia 13 Dezembro, ficou instalada no próprio edifício da antiga resinagem.
            Creio não haver dúvidas de que estes novos espaços museológicos representam dois dos mais importantes sectores da indústria do nosso concelho. Porém, se nos lembrarmos da origem deste edifício, construído em 1859 para albergar a “Fábrica de Resinagem” desenvolvendo novos processos de fabrico e incrementando a indústria das resinas que em Portugal, e nomeadamente na “Fábrica Resinosa” da Marinha Grande (Engenho), vinha a definhar, gostaria também de ver este espaço acolhendo o já falado há imenso tempo Museu da Floresta ou um seu núcleo, ou ainda o Arquivo Florestal, que mais recentemente foi anunciado para o Parque do Engenho, tendo sido assinados protocolos ou parcerias, não sei bem, com alguma pompa e circunstância, mas cujos resultados práticos para a população, até hoje, são nulos, não se vislumbrando qualquer iniciativa em seu seguimento.
            É preciso não esquecer que, na Marinha Grande, a indústria do vidro, que posteriormente com o aparecimento do plástico substituindo alguns artigos em vidro levou ao aparecimento da indústria dos moldes, teve a sua origem dada a existência e a proximidade do Pinhal do Rei quando, em 1748, João Beare (um irlandês) aqui instalou a Real Fábrica dos Vidros da Marinha Grande, depois de problemas de vária ordem, nomeadamente a falta de lenhas para alimentação dos fornos, terem inviabilizado e levado ao encerramento da Real Fábrica dos vidros da Coina, sendo esta totalmente transferida e depois montada na Marinha Grande.
            Recordo ainda que este edifício, de estilo “Pombalino”, foi projectado por Bernardino José Gomes que, em 1866, chegou a ser Administrador do Pinhal do Rei e cuja fábrica também dirigiu. Esta fábrica trabalhou de início por conta dos Serviços Florestais sendo mais tarde, a partir de 1868, arrendada a particulares.
            Em 1940, com a mudança de instalações por parte do último arrendatário, deu-se o encerramento da fábrica. O edifício regressou à posse dos Serviços Florestais e em 1941 foi cedido à Câmara Municipal da Marinha Grande. Ali foram instalados em 1942 o Mercado Municipal e, mais tarde, a Biblioteca Municipal e a repartição de Registo Civil.
            Posto isto, quer se concretize ou não a instalação do Museu da Floresta ou um seu núcleo neste edifício, creio que, pelo menos, e havendo ainda, julgo eu, espaços vazios no reabilitado edifício da antiga fábrica, ou mesmo, em ultimo recurso, nos próprios corredores que são bastante largos, aqui deveria ser instalado um pequeno espaço museológico lembrando as origens deste edifício e o que foi a Fábrica de Resinagem da Marinha Grande. Paralelamente, a existência de uma pequena placa à entrada do edifício lembrando também as suas origens e para que serviu completaria a informação.
            Deste modo, para quem visita o nosso concelho, e particularmente os novos espaços museológicos marinhenses instalados neste edifício, e até, estou em crer, para muitos marinhenses, se daria a conhecer o que simboliza a palavra resinagem quando aplicada a este edifício.


Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

sexta-feira, 21 de Março de 2014

Dia Internacional das Florestas

            Comemora-se hoje o Dia Internacional das Florestas.
           Lembro-me de, na Marinha grande, noutros tempos, iniciativas organizadas pelas escolas, conjuntamente com as entidades responsáveis pela Floresta e pelo Município, proporcionarem às crianças das escolas marinhenses, nesta data, um dia único no calendário escolar anual.
            Exposições, representações teatrais ou apresentações musicais, sempre relacionadas com os temas da floresta ou da árvore, tinham lugar no Parque do Engenho ou mesmo no próprio Pinhal do Rei. Também durante muitos anos, neste dia, houve actividades em que as crianças, levadas ao interior da floresta, o nosso Pinhal do Rei, eram ensinadas e incentivadas a plantar uma árvore, incutindo-se-lhes o gosto pela árvore, pela floresta e pela própria Natureza, mesmo que, como todos sabemos, com o decorrer dos anos, o esquecimento e o completo abandono por parte de quem, posteriormente, deveria cuidar de tais sementeiras ou plantações feitas com tanto carinho e dedicação pelas crianças, estas viessem a desaparecer.
            Creio porém, que, para os mais novos, esse dia tão diferente, para além do grande convívio e do passeio à Mata, era um dia esperado com ansiedade, relembrado com alegria, à noite, aos pais ou aos avós, e que, estou certo, muito acrescentava à educação da criança, dando-lhe conhecimento e sensibilizando-a para o respeito a ter com a árvore ou a floresta.
            Tendo o Concelho da Marinha Grande sensivelmente 2/3 do seu território ocupado com uma das maiores e mais importantes matas do nosso país, não sei a quem ou a que atribuir a não realização de eventos concelhios concertados dedicados às crianças em idade escolar em evocação desta data e do seu propósito. É pena que, por cá, tenha caído no esquecimento ou em desuso este tipo de práticas, e apenas alguns professores ou associações de pais se vão ainda lembrando de, simbolicamente, comemorar esta data com pequenos eventos confinados ao recinto da escola.


Entrada principal do Pinhal do Rei em Pedreanes

IN: http://www.icnf.pt/portal/icnf/noticias/eventos/dia-florestas

sábado, 15 de Março de 2014

A homenagem a Bernardino Barros Gomes


            Já em 1917, na Conferência Florestal, os Florestais portugueses alvitraram que se prestasse uma condigna homenagem àquele que foi o seu grande “Mestre”. No entanto, esta só veio a acontecer em 30 de Setembro de 1939, no centenário do seu nascimento, em Pedreanes, onde foi inaugurado um modesto mas significativo monumento.
            Bernardino Barros Gomes dirigiu o Pinhal de Leiria deixando obra incomparável. Insigne silvicultor, continuou o trabalho de Warnhagen dando ao Pinhal o ordenamento devido, dividindo-o em talhões, através da abertura de aceiros e arrifes. Mandou construir os primeiros Pontos de Vigia e novas Casas de Guarda, procedeu a estudos sobre sementeiras e resinosos, elaborou, em 1882, a primeira Planta Geral da Mata de Leiria, criou a escrituração técnica do Pinhal e instalou os primeiros postos de meteorologia.
            Foi também Bernardino Barros Gomes quem propôs a abertura das primeiras estradas: Marinha Grande - S. Pedro de Moel e Marinha Grande - Vieira de Leiria.
            Em 1883, após a morte de sua mulher (1879), abandonou definitivamente as suas actividades profissionais e recolheu-se no Convento de S. Vicente de Paulo (Lazaristas) em Arroios. Em 1888 foi ordenado presbítero. Morreu na noite de 4 para 5 de Outubro de 1910, assassinado pelos revolucionários durante a implantação da República.
            Na inauguração do monumento em sua homenagem estiveram presentes Silvicultores, Regentes Florestais e um pelotão formado por Guardas Florestais. O elogio do homenageado esteve a cargo do Silvicultor Júlio Mário Viana.
            Nesse mesmo dia foi plantado junto ao monumento um pinheiro manso (já com três anos de idade), que hoje dá sombra ao monumento.


           
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' N
            08° 56' 23,5" W


Pelotão de Guardas Florestais na homenagem a Bernardino Barros Gomes

O pinheiro manso junto ao monumento erigido a Bernardino Barros Gomes

O monumento erigido a Bernardino Barros Gomes

quinta-feira, 6 de Março de 2014

Os poços do Pinhal do Rei


            Construídos pelos Serviços Florestais a partir de 1909, estes poços, tal como as fontes, tinham a função de matar a sede aos trabalhadores do Pinhal e aos seus animais. Estes poços eram providos de bombas manuais para tirar água, e de grandes tanques para o gado beber. A maior parte deles já não existe. Recordem-se por exemplo o poço do Zé Bernardo, dos Sete, das Crastas, do Fogo Velho, etc. Os muito poucos que ainda existem encontram-se quase destruídos.
            À saída da Marinha Grande, pela Guarda Nova, em direcção a S. Pedro de Moel, encontra-se ainda em relativo estado de conservação o Poço dos Sete, por muitos conhecido, talvez devido à sua cor, por “Poço Branco”, embora já sem o tanque que se vê na fotografia abaixo. Nesta fotografia é visível a linha do antigo Comboio de Lata que, naquela altura, por ali passava.


O Poço dos Sete – anos 30 do Séc. XX

terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

O Pinheiro do Montinho


            Este pinheiro, de notáveis dimensões e longevidade, existiu no talhão 180. Tinha 0,89 metros de diâmetro a 1,30 m do solo (DAP) e 39 metros de altura.
            Idade provável em 1941, 200 anos.
            Esta avançada idade levou-o a ser atacado pelo Trametes pini (cogumelo que ataca o pinheiro devorando-lhe o tronco), pelo que, nos últimos anos da sua vida, para o manter de pé, foi construído um maciço de areia (um montinho) em redor do seu tronco.
            A descrição deste pinheiro é-nos dada com emoção pelo Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”:
            “Eu mesmo, executor do ordenamento que manda abater arvoredo e semear o terreno desnudado, sinto emoção junto da velha árvore. Várias vezes tenho subido a esse monte de areia que pretende sustentar o corpo contaminado do Pinheiro do Montinho, e nunca o faço sem sentir uma certa emoção. À distância, vejo-o ainda aprumado, dominando o povoamento uniforme e puro, que conta hoje 116 anos de idade, semeado depois da queimada de 1824 que devorou os seus irmãos, poupando-o a ele, Gigante do Pinhal de Leiria e talvez no mundo do pinheiro bravo, mas subindo o pequeno morro de terra que o ajuda a manter-se de pé, vejo que o seu tronco foi ferido com o machado, talvez em 1820, numa extensão de dois metros e noventa a partir da base, para lhe arrancar uma parte do lenho para o fabrico de alcatrão, e  pelo seu  corpo  acima  pululam os Trametes pini, que com a lentidão do tempo lhe vão devorando a ossatura, o cerne, que é por  assim dizer  eterno ao abrigo de telha, e que tem a vida relativamente curta exposto ao tempo no corpo da árvore que o produziu.
            O vendaval levou-lhe a flecha, as suas braças pendem, e tombará no solo quando o machado em 1943 derrubar os seus filhos, o maciço que o cerca e que o defende das arremetidas do vento, prole que viu nascer, que dominou e vigiou dos seus 38 metros de altura (com a flecha mediu 47 metros).
            A verruma de Pressler não tem comprimento bastante para lhe levar o ferro até ao coração, e a sua idade só se pode determinar com segurança quando a árvore tombar, e se fizer o corte transversal no tronco junto à base, se o cogumelo na sua voracidade a tiver poupado…”.


O Pinheiro do Montinho

O Pinheiro do Montinho - desenho de Lonsdale Ragg (1937)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...