sexta-feira, 17 de março de 2017

O açude da Ponte Nova

            O pequeno açude existente no Ribeiro de Moel, poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, juntamente com as ruínas na margem esquerda do ribeiro a jusante da mesma ponte, têm por vezes levado alguns a pensarem tratar-se de vestígios do antigo engenho de serrar madeira movido com água do próprio ribeiro.
            Relativamente às ditas ruinas na margem esquerda do ribeiro, a jusante da Ponte Nova, ao analisar o aspecto do pouco que podemos actualmente visualizar, já que estas se encontram maioritariamente soterradas, podemos de facto, dada a aparente antiguidade, colocar a hipótese de se tratar de vestígios do antigo engenho ou da represa feita no ribeiro para alimentar a levada que levaria a água para accionar o engenho. Porém, no meu entender, para o podermos afirmar com absoluta certeza, seriam necessários estudos aprofundados e alguns trabalhos no terreno.
            Já em relação ao pequeno açude existente poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, pela sua aparente recente construção (meados do Séc. XX), e pelo que passo a descrever de seguida, pode-se afirmar que este não tem qualquer relação com o antigo engenho de serrar.
            Ora, em Setembro de 1948, na troca de correspondência entre Carlos Manuel Baeta Neves e Arala Pinto, já aqui referida acerca da construção da actual ponte daquele local, em “A ponte nova da Ponte Nova”, ficamos a saber que, por necessidade de uma nova ponte, maior e mais robusta e em local mais seguro do que aquele onde estava a velha ponte (arruinada), se escolheu a localização tendo em conta uma inevitável e necessária correcção torrencial, melhorando o leito do ribeiro e os acessos à nova ponte.
            Sabendo que a correcção torrencial implicava o desvio do leito do ribeiro, Arala Pinto ordenou a construção da nova ponte no local escolhido, e só depois as águas foram desviadas para o novo leito, aterrando-se então o antigo. Portanto, em toda aquela zona, o actual leito do ribeiro onde se encontra o pequeno açude não seria o leito do ribeiro na época do engenho de serrar madeira movido a água.
            Por outro lado, na mencionada troca de correspondência, Baeta Neves, acerca da anunciada correcção torrencial do ribeiro, escreve: «Surpreende-me tudo isto; em primeiro lugar que o ribeiro necessite de obra tão artificial como a que se anuncia (…)». É então que Arala Pinto, em resposta, justificando a necessidade do desvio do ribeiro, nos dá indícios da intenção de construir o açude, dizendo: «Que é bem necessário artificializar então o curso do ribeiro de Moel demonstrou-o a ruína da ponte corroída pelos seus alicerces. Mas também creio que não ficará ali nada mal uma pequena barragem a formar uma cantante queda de água.».
            Terá sido assim que, após o período de construção da actual ponte na Ponte Nova e o necessário desvio para correcção torrencial do Ribeiro de Moel, se construiu o pequeno açude que todos conhecemos hoje em dia. Todavia, a construção do açude só veio a concretizar-se durante a administração de Acácio Amaral, que, trabalhando como adjunto de Arala Pinto desde 1948, e por motivo de doença deste, tinha assumido a chefia da Circunscrição Florestal da Marinha Grande em 1956, já que a construção do açude só aconteceria em 1957, conforme inscrição no paredão principal.
            Há que dizer ainda, a quem de direito, que a ponte de madeira sobre a pequena barragem do açude merece já, por questões de segurança, ser substituída, uma vez que toda ela aparenta grande fragilidade, incluindo as já muito deterioradas vigas mestras.



O açude da Ponte Nova

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Casa de Guarda do Tromelgo

            Esta casa de guarda situa-se no talhão 289, entre os Aceiros Q e R na fronteira Este do Pinhal, junto ao Aceiro Exterior. Foi construída entre as décadas de 20 e de 40 do passado século.
            Segundo nos diz Arala Pinto em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, o lugar do Tromelgo, ou o "Caminho do Lago do Tramelgo", era já referido no Regulamento de 1790 que deu origem às primeiras casas de guarda, onde, acerca das “Obrigações de cada um dos Guardas em particular”, em relação às obrigações do “Quinto Guarda” se dizia: «Vigiará desde o Caminho das Gaieiras até à Cova da Moura, e pelo interior, desde o lado pertencente ao quarto Guarda até ao Caminho do Lago do Tramelgo (…)».
            Após deixar de ter uso por parte dos Serviços Florestais, e embora o seu estado de conservação já não seja o melhor, sem água e sem electricidade, esta casa vai sendo habitada por uma família sem-abrigo, mantendo os vários anexos.
            Ali perto existe a Fonte do Tromelgo que, noutros tempos, detinha uma das melhores águas do Pinhal.
            Junto à casa e à fonte, estendendo-se para norte, desde cerca de 1830 até meados do século XX, funcionou o famoso Viveiro Florestal do Tromelgo, do qual, depois de abandonado pelos Serviços Florestais, ainda hoje restam algumas das grandes árvores: liriodendros, eucaliptos, magnólias, etc.
            O acesso a esta casa foi em tempos feito por um ramal de estrada próprio. O “Ramal do Viveiro” (por ali existir o viveiro florestal) partia da Estrada do Tromelgo que liga à estrada para S. Pedro de Moel. Este ramal e a Estrada do Tromelgo, tal como os conhecemos hoje, foram construídos por volta de 1930 pelos Serviços Florestais, substituindo, certamente, antigos caminhos de areia pelo interior do Pinhal. Este ramal foi mais tarde continuado, acompanhando o Aceiro Exterior até à Casa de Guarda da Sapinha e ligando depois à Estrada da Lagoa Cova e outras no interior do Pinhal.

A Casa de Guarda do Tromelgo

domingo, 8 de janeiro de 2017

No tronco dum pinheiro da Floresta

A infinita frase dos pinhaes
cantou embaladora à minha infância,
e ficou em minha alma a ressonância
destas religiosas catedraes...
Em cada inverno as árvores doridas
fogem do mundo, deixam-no sozinho;
só estas, sempre fielmente erguidas,
mantêm no mesmo gesto igual carinho.
Verdes amigos certos para a gente,
têm a constância na adversidade,
dão a saúde e ensinam a bondade,
— a Bondade: justiça sorridente.

Afonso Lopes Vieira


Painel (parte) de azulejos no antigo lavadouro de S. Pedro de Moel
Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel
(Desenho de Gama Diniz)

domingo, 11 de dezembro de 2016

As fontes de Moel

            A necessidade que trabalhadores e animais que na Mata outrora laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, aproveitando as muitas nascentes existentes no Pinhal. Muitas dessas fontes, existentes ainda nos dias de hoje, e a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal
            O ribeiro de S. Pedro de Moel é resultado de um conjunto de três outros pequenos ribeiros que, vindos de sul, se juntam um pouco antes da ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2 que liga a Marinha Grande a S. Pedro de Moel. A partir desta ponte o ribeiro passa a correr entre as abruptas encostas do vale que lhe serve de leito, atravessando os locais da Valdimeira e Ponte Nova até chegar ao Canto do Ribeiro e entrar na Praia Velha onde desagua.
            É precisamente ao longo desse trajecto do ribeiro, circulando pela estrada florestal que o ladeia, que podemos encontrar um apreciável número destas fontes.
            Em 1938, o Eng.º Arala Pinto, então chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, no seu livro “Pinhal do Rei”, assinalava as fontes existentes nas margens do Ribeiro de Moel:

            ● Fonte da Ponte de S. Pedro – Talhão 276
            Fonte da Felícia – Talhão 260
            ● Fonte dos Franceses – Talhão 261
            ● Fonte do Arrife 14 – Talhão 262
            ● Fonte dos Amieiros – Talhão 262
            ● Fonte dos Guardas – Talhão 264
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem esquerda do ribeiro)
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem direita do ribeiro)
            Fonte do Arrife 20 – Talhão 249
            ● Fonte do Canto do Ribeiro – Talhão 250

            Sobre estas fontes há que dizer que a Fonte da Ponte de S. Pedro e a Fonte do Canto do Ribeiro já não existem.


Fonte da Felícia
Fonte dos Franceses
Fonte do Arrife 14
Fonte dos Amieiros
Fonte dos Guardas
Fonte da Ponte Nova – margem esquerda do ribeiro
Fonte da Ponte Nova – margem direita do ribeiro
Fonte do Arrife 20

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Araucarias no Pinhal do Rei

            No Boletim das Obras Públicas de 1860 foi publicado o que, em 1859, o Administrador Geral das Matas José de Mello Gouveia dizia a respeito de algumas experiências que se vinham a fazer no país com essências exóticas, incluindo na Marinha Grande. Entre várias espécies referia a existência de “Quatro exemplares de araucaria imbricata, resto de cinquenta mandados de Inglaterra e plantadas na Marinha Grande, há cerda de catorze anos (1845), resistem à dureza do trato, porque também é rustica a sua índole, sem subirem ainda a maior de 2,30 (metros) de altura e a menor de 0,80 (metros). Para uma espécie que se eleva a 50 metros estão por ora distantes de louvor.”.
            Sem indicação do lugar na Marinha Grande onde foram plantados estes exemplares, é de supor que algumas dessas araucárias tenham sido plantadas na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, mais propriamente no viveiro do Tromelgo.
            No mesmo documento, José de Mello Gouveia dizia mais à frente: “Nesta ocasião só cabe mostrar, (…), a lista das plantas exóticas recentemente importadas ou criadas em viveiros que se pretendem aclimatar (…). Da lista apresentada vieram para a Marinha Grande uma casuaria indica, uma araucaria brasiliensis (…)”.
            Em 1936 Arala Pinto criou um inventário das essências exóticas existentes no Pinhal do Rei, assinalando a existência de duas araucárias inbricata no viveiro do Tromelgo, com 14,7 e 14 metros de altura.
            O Viveiro Florestal do Tromelgo foi abandonado pelos Serviços Florestais em meados do século XX e destes exemplares de araucaria não há qualquer vestígio, assim como também não foi possível saber o lhes terá sucedido.
            Mas, ainda acerca da existência de araucárias no Tromelgo encontrei, aqui, o seguinte texto:

            “Araucaria imbricata araucana no Pinhal de Leiria
           
             Diz o senhor C. A. de Souza Pimentel no “Jornal de Agricultura e Horticultura Prática” de Janeiro de 1894, que o melhor exemplar de Araucaria imbricata que existe em Portugal, encontra-se no sítio de Tromelgo, que faz parte do Pinhal Nacional de Leiria. Terá sido plantada pelo distinto naturalista Adolpho Frederico Moller, que em carta datada de 3 de Janeiro de 1894, publicada no número seguinte, esclarece que a transplantou para lá em 1862, de um caixote onde se encontrava e teria nesse ano 0,7m a 1m de altura.”


Araucaria no Viveiro Florestal do Tromelgo - Início do Século XX

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A ponte nova da Ponte Nova

            Em Setembro de 1948, a troca de correspondência entre Carlos Manuel Baeta Neves e Arala Pinto, a que recentemente tive acesso, abordava, entre outros assuntos, a necessidade de uma correcção torrencial no Ribeiro de S. Pedro de Moel, desviando o curso do ribeiro e obrigando ao derrube de alguns dos grandes eucaliptos ali existentes, tendo-se já cortado alguns sem aparente necessidade, no entender de Baeta Neves.
            Em carta datada de 5 de Setembro, o professor Baeta Neves dizia achar «(…) o caso tão estranho que não queria acreditar; árvores célebres, motivo de admiração de nacionais e estrangeiros, até as leis as protegem quando são de particulares, quanto mais sendo do próprio Estado…». Um pouco mais à frente dizia: «Surpreende-me tanto isto; em primeiro lugar que o ribeiro precise de uma obra tão artificial como a que se anuncia, (…) a intervenção humana neste caso repugna-me em tais moldes; e por outro lado que se cortem para isso árvores tão notáveis.».
            Mas Baeta Neves ia mais longe dizendo: «(…) venho pedir-lhe a confirmação destes boatos, porque sendo assim, como Presidente da “Liga para a Protecção da Natureza” tenho de levar esta a meter-se no assunto, reclamando (…), se acaso não se trata só de boatos, queira dar-me uma satisfação, lamentando ser forçado a uma atitude menos simpática para quem orienta os trabalhos na Ponte Nova (…)».
            A resposta de Arala Pinto, a 9 de Setembro, esclarece as dúvidas de Baeta Neves, tal como, nos dias de hoje, dá a conhecer um pouco das alterações que naquela zona e naquela época foram feitas com a construção da nova ponte. 
            A designação “Ponte Nova”, atribuída ao pequeno local do Pinhal do Rei, parece derivar de, naquele lugar, para se atravessar o ribeiro, se terem construído várias pontes “Novas”, sempre em substituição das antigas e velhas pontes daquele local.
            Na resposta a Baeta Neves, acerca dessas pontes, Arala Pinto diz: «(…) a chamada Ponte Nova, afinal tão velha que decidiu acabar os seus dias, deverá ser substituída por uma construção que ofereça todas as condições de segurança e fácil acesso. (…) e, parece-me bem, meu caro Carlos Manuel, que uma pontesinha de alvenaria não ficaria nada mal na Ponte Nova.». Referindo-se depois ao desvio do ribeiro diz: «Quanto à necessidade de artificializar os cursos de água, se artifício se pode chamar aos trabalhos de correcção torrencial, ela infelizmente existe, (…) (e) traduz-se no fim por protecção à Natureza e não por ataque, pois se deixássemos abandonados a si próprios os cursos de água em que se manifesta erosão, lá se ia a paisagem por água abaixo (…)», referindo-se ao previsto corte de eucaliptos para levar a cabo do necessário desvio do ribeiro.
            «O que há pouco aconteceu, já há muito estava previsto», referindo-se ao colapso da velha ponte da Ponte Nova; e comparando com uma ponte a jusante, já construída sob sua direcção, em cimento armado, continua: «O resultado viu-se e felizmente que a ponte ali atingida tinha o tabuleiro construído em cimento armado, que bravamente resistiu, porque se fosse em alvenaria tinha ficado completamente inutilizada como sucedeu à da Ponte Nova».
            Referindo-se depois aos eucaliptos que Baeta Neves dizia já ter visto cortados, diz Arala Pinto:
            «Os eucaliptos cortados na Ponte Nova e que tão grande celeuma levantaram (…) foram-no única e simplesmente para se poder obter vigamento e tabuado com as dimensões suficientes para se construir um passadiço provisório no local da ponte arruinada. Eram necessárias vigas de grande comprimento e resistência suficiente para que o apoio do novo tabuleiro se fizesse unicamente sobre a estrada e não sobre os arruinados encontros da ponte, (…) (e) era também a Ponte Nova um dos locais do Pinhal de Leiria onde se poderiam obter facilmente essas madeiras.».
            Acerca do necessário desvio do ribeiro, continua Arala Pinto: «Sabes bem que o local onde existem as ruinas da antiga ponte é bastante estreito e que o caudal do ribeiro, mesmo em época calmosa, é também bastante apreciável, sendo o leito constituído por areias. Estás a ver a dificuldade, senão quási impossibilidade de conseguir assentar firmemente as fundações de uma ponte em local com tais características sem efectuar previamente trabalhos de desvio das águas, trabalhos esses que na Ponte Nova implicam o indispensável corte de mais algumas árvores.»
            Continuando a justificar o desvio do ribeiro, Arala Pinto refere-se também ao «mau traçado da estrada, principalmente à saída da ponte para o lado da Vieira, onde existe uma curva que não chega a ter 8 metros de raio à qual se segue uma rampa de 11,5% de declive. (…) tal curva e rampa dificultam extraordinariamente o trânsito (…).
            Ora, uma vez que há necessidade de construir uma nova ponte, e que para essa construção necessário se torna desviar as águas do ribeiro, (…) (que se venha) a construir a nova ponte com todas as condições de facilidade e segurança e melhorar o seu acesso pela eliminação da tal curva e suavização da tal rampa.
            A solução do problema está pois na construção da nova ponte ser feita no local para onde necessariamente haveria que desviar o curso de água no caso de se querer reconstruir a antiga. Aí, com toda a facilidade, se construiria a nova ponte (…), depois do que as águas seriam desviadas para o novo leito, aterrando-se o antigo.».
            E voltando à questão dos eucaliptos já cortados termina: «Os eucaliptos já cortados (…), repito, eram indispensáveis para a construção do passadiço provisório (…)».
            Deveria ter havido uma segunda carta de Baeta Neves, à qual não tive acesso, pois Arala Pinto volta a responder a Baeta Neves a 23 de Setembro dizendo: «Acabo de ler a tua carta de ontem (…)». Nesta resposta Arala Pinto reforça o teor da primeira carta, mantendo tudo o que dissera anteriormente.
            Voltando agora aos nossos dias, de facto, as pessoas mais velhas com quem tenho falado sempre me referiram haver em meados do século passado, antes da construção da actual ponte, uma ponte de madeira na Ponte Nova. Aqui está, creio eu, a explicação.
            E, resumindo e concluindo, as coisas naquela época devem ter-se passado mais ou menos assim:
            Por volta do ano 1948 a velha ponte da Ponte Nova colapsou.
            Cortaram-se no próprio lugar da Ponte Nova alguns eucaliptos de grande porte para construir uma ponte provisória substituindo a velha ponte arruinada.
            Havendo necessidade de construir uma nova ponte, maior e mais robusta e em local mais seguro do que aquele onde estava a velha ponte, escolheu-se a sua localização tendo em conta uma inevitável e necessária correcção torrencial, melhorando o leito do ribeiro.
            Construiu-se a nova e actual ponte da Ponte Nova que, em ambos os acessos, nos pilares de protecção lateral do lado direito, tem a inscrição do ano de construção,1955.
            Melhoraram-se os acessos à nova ponte eliminando curvas apertadas e suavizando a rampa de saída em direcção à Vieira.
            Desviou-se o ribeiro para o novo leito, aterrando-se o antigo.

A velha ponte da Ponte Nova – Início do Século XX


A actual ponte da Ponte Nova

domingo, 11 de setembro de 2016

Árvore de interesse público - Talhão 274

            Este pinheiro, situado no talhão 274 do Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria), faz parte da lista completa das árvores notáveis, classificadas como árvores de interesse público do Pinhal do Rei e do Concelho da Marinha Grande, que aqui coloquei e que, tal como outros, “pela sua forma, idade e dimensão, justificam que sejam preservados, respeitados e apreciados”. 
            A partir de 1892, com a elaboração do primeiro Ordenamento, o Pinhal passou a ter uma exploração ordenada. Os cortes em povoamentos sujeitos a regeneração passaram a ser rasos (talhão completo), seguidos de sementeira natural a partir de sementões, já usados desde a Época Pombalina, sendo este exemplar um dos mais antigos sementões que se conhecem no Pinhal do Rei.
            Assinalando o interesse desta árvore, existia a seu lado, em 2008, uma placa identificando-a, estando actualmente desaparecida.

            Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 274
            Nome científico: Pinus pinaster Aiton
            Nome vulgar: Pinheiro-bravo
            Descrição: Árvore isolada
            Idade aproximada: 170 (em 2000)


Sementão do Talhão 274 e placa identificativa – ano de 2008

Sementão do Talhão 274 – ano de 2015

segunda-feira, 18 de julho de 2016

As Fontes da Ponte Nova

            A enorme riqueza em lençóis de água e as muitas nascentes existentes no Pinhal do Rei, conjuntamente com a necessidade que trabalhadores e animais que na Mata laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes.
            Estas fontes, muitas delas existentes ainda nos dias de hoje, a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, caso do Tromelgo e Arrife 20, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal, tal como se pode ainda ver na Fonte das Canas.
            No lugar da Ponte Nova existem duas fontes, situando-se cada uma delas em margens diferentes do Ribeiro de Moel.
            Na margem esquerda do Ribeiro de Moel, a maior destas fontes, e a mais conhecida, foi em tempos, a par com a Fonte do Tromelgo, uma das mais importantes e concorridas fontes do Pinhal do Rei. Todos se lembram da qualidade e frescura da sua água, e de como era grande a afluência da população em sua busca. Munidos do tradicional cântaro de barro ou do garrafão de vidro, os populares faziam fila esperando pacientemente a sua vez de encher o vasilhame. Era tão grande a qualidade desta água que, noutros tempos, quando ainda nem todos tinham acesso à água canalizada e distribuída pela Câmara Municipal, e porque também não estava ainda vulgarizada a venda de água engarrafada, chegou a ser comercializada por várias aguadeiras, que ali enchiam inúmeros cântaros que transportavam depois em carroças de burro até à Marinha Grande, vendendo porta a porta e pelas fábricas.
            Ainda nos dias de hoje, embora sem comparação com a afluência de outros tempos e apesar das placas junto às fontes (aqui actualmente desaparecida) avisarem que a água não é controlada, podemos ver, por vezes, algumas pessoas ali enchendo os seus garrafões, agora maioritariamente de plástico.
            Esta fonte possui na sua parede do lado direito um bonito alto-relevo representando o Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel.
            Na sua parede frontal, por cima da bica, existe uma placa em mármore indicando que esta fonte foi reconstruída pela Junta de Freguesia da Marinha Grande em Junho de 1995. Mesmo por baixo desta placa, esteve afixada a partir de 2007, por portaria de 27 de Agosto desse mesmo ano, uma placa, actualmente já desaparecida, indicando que a água desta fonte é uma “água não controlada”.
            Esta fonte da Ponte Nova foi recentemente pintada, porém, antes da pintura, deveria ter havido uma cuidada intervenção ao nível do edificado.
            No mesmo lugar da Ponte Nova, na margem direita do Ribeiro de Moel, um pouco afastada da estrada, existe uma pequena fonte idêntica às que podemos encontrar na estrada que ladeia o Ribeiro. O acesso a esta fonte faz-se por um caminho junto à ponte sobre o Ribeiro, do seu do lado Nascente, ou um pouco mais acima por uma escadaria de pedra, ou ainda atravessando o Ribeiro por uma ponte pedonal de madeira entre a fonte atrás referida e as ruinas que se diz serem do antigo engenho de serrar do Séc. XIX movido a água, mais tarde transformado em moinho de cereal.
            A designação “Ponte Nova”, atribuída ao pequeno lugar e às fontes, deriva de, naquele lugar, para se atravessar o Ribeiro, se terem construído várias pontes “Novas”, sempre em substituição das antigas e velhas pontes daquele local.
            Estranho é que as duas fontes sejam designadas pelo mesmo nome mas, considerando que a Fonte da Ponte Nova é para toda a população marinhense a que se situa na margem esquerda do Ribeiro, e não conhecendo outro nome para a pequena fonte na margem direita do mesmo, refira-se que foi o próprio Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande e Administrador do Pinhal de Leiria que, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, assim as designou.

Fonte da Ponte Nova em 2012 – Margem esquerda do ribeiro

Fonte da Ponte Nova em 2016 – Margem esquerda do ribeiro

Placa alusiva à reconstrução em 1995



Acessos à pequena fonte na margem direita do ribeiro

Fonte da Ponte Nova em 2015 – Margem direita do ribeiro
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