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Mensagens

O regresso do Comboio de Lata (2)

Voltando ao tema Comboio de Lata, relembra-se, mais uma vez, que este célebre meio de transporte ferroviário, que em tempos serviu na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, era composto por três locomotivas a vapor, alimentadas com lenha do próprio Pinhal. Acerca da locomotiva Nº1 (MNN1), publiquei vários registos fotográficos de quando esteve ao serviço no Pinhal, mas também do seu percurso depois de vendida para Inglaterra, nomeadamente a excelente recuperação a que por lá foi sujeita, lamentando-se apenas que tudo não tenha acontecido por cá, já que poderíamos estar perante o regresso do Comboio de Lata. Da terceira locomotiva (supostamente a Nº 3) também já por aqui deixei algumas considerações e registos fotográficos, tanto da época em que esteve ao serviço no Pinhal, como do tempo em que esteve exposta em S. Pedro de Moel, e ainda, após ter sido de lá retirada, de algumas vezes em que foi exposta na FAE (Feira de Artesanato e Gastronomia) no Parque Municipal de Exposições da Marin…

A Barraca do M (ruínas)

Quem hoje em dia visite o local de cruzamento do Aceiro M com a Estrada Atlântica depara-se com as ruínas de uma antiga construção, as quais, por muitos dos visitantes, são entendidas como sendo as ruínas da antiga casa de guarda que ali existiu. Na verdade, trata-se das ruínas de uma pequena casa construída por volta de finais do século XIX pelos Serviços Florestais para dar apoio ao trabalhadores que executavam trabalhos naquela zona do Pinhal, havendo a hipótese de inicialmente ter sido em madeira e mais tarde reconstruída em alvenaria. Esta casa foi, em Março de 1901, cedida aos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande para prevenção e vigilância contra possíveis incêndios no Pinhal, sendo, mais tarde, também usada no Verão durante as suas horas de lazer. Depois de abandonada, por volta de meados da década de 80 do passado século, encontra-se em ruínas. De facto, para o visitante pouco conhecedor da existência e localização exacta destas duas construções, a localização destas ruína…

A Tempestade Leslie

Ocorreu no passado dia 13 de Outubro uma invulgar situação meteorológica em Portugal. Inicialmente, dada a fraca previsibilidade do seu percurso, eram baixas as probabilidades de o furacão Leslie atingir Portugal continental. Porém, na aproximação que fez ao nosso país, e depois de ter baixado à condição de tempestade tropical, essa possibilidade tornou-se cada vez mais evidente, vindo a ser declarado um alerta vermelho no início daquela tarde de Outubro para os distritos do centro e norte do País. De facto, a força dos seus ventos surpreendeu tudo e todos, sendo enormes os prejuízos causados em várias regiões, incluindo a zona Centro. A queda de árvores e de estruturas em ambiente urbano e o deslizamento de terras foram algumas das consequências, mas nas florestas, quer públicas quer privadas, foram devastadores os efeitos da Leslie. No Pinhal do Rei, situado na rota da tempestade, foram certamente alguns milhares as árvores afectadas, umas por tombo, outras porque foram literalmente de…

Limpeza do solo florestal – Século XIX

Do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino - Relativo ao Ano Económico de 1858-1859, do Administrador Geral José de Melo Gouveia, retirou-se este pequeno excerto acerca da limpeza do solo florestal no Pinhal de Leiria/Pinhal do Rei.
Excerto do Relatório da Administração Geral das Matas do Reino Relativo ao Ano Económico de 1858-1859 (ADLRA)

A Bruxa da Crastinha

Em 1993, Francisco Oneto Nunes, em “Vieira da Leiria – A História, O Trabalho, A Cultura”, no capítulo VII – “A Doença, a Crença, o Sobrenatural…”, relata algumas histórias que lhe foram contadas durante a sua permanência na Vieira, sendo que, como refere, «todos estes materiais – crenças, orações, práticas mágicas, etc. – que agora (1993) se trazem a público, fazem parte do património cultural da freguesia da Vieira de Leiria e merecem o melhor respeito.». Num desses relatos a Sra. Júlia Carriça, de 77 anos, depois de já ter avançado com duas histórias de bruxaria, conta mais uma, que, supostamente, teria acontecido no Ponto de Vigia da Crastinha. Embora o Português, escrito, não seja o melhor, talvez o autor tivesse querido aproximar a escrita do relato oral, achei curiosa a história e, no dia de hoje, e porque se desenrola no Pinhal, decidi publicá-la.
«– Então havia aí outra que também tinha a fama de ser bruxa – até o homem esteve algum tempo na América, e ela teve a fama de ir leva…

O incêndio de 2003

Este incêndio ocorreu nos dias 2 e 3 de Agosto de 2003. Destruiu uma área de cobertura vegetal com cerca de 2563 hectares, cerca de 1/4 da área total da Mata, constituída 98% por Pinheiro-bravo, dos quais 2060 em zona de produção e 503 na zona de protecção. Iniciou-se junto ao areeiro (talhão 139) e propagou-se para Norte, quase até Vieira de Leiria, extinguindo-se apenas quando encontrou o aceiro exterior. Foi o maior incêndio ocorrido no Pinhal desde 1824, ano em que ocorreu aquele que foi o maior incêndio conhecido no Pinhal do Rei até 2017.

Fonte: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004
Cartografia do incêndio de 2003
In: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004

O fabrico de carvão

Perde-se nos tempos a origem da transformação de madeira do Pinhal do Rei em carvão. Uma das primeiras referências a esta actividade encontra-se num texto escrito cerca de 1470, onde o povo da região se queixava ao Rei D. Afonso V por não lhes ser permitida a recolha de lenha para carvão em propriedades abandonadas pelos seus donos. Em 1605, no Regulamento para o Monteiro-mor, o Rei Filipe II, protegendo o Pinhal contra cortes abusivos não licenciados, proibia, em todas as matas e coutadas, dentro da sua demarcação, o fabrico de carvão. O Marquês de Pombal, no seu regulamento de 1751, fez referência a esta actividade, autorizando que, para tal efeito, se retirasse lenha do Pinhal. Em 1841, na carta topográfica do Pinhal, feita pelos oficiais da Armada Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, existe referência à “Carvoaria”, local dentro do Pinhal onde se fazia carvão, desconhecendo-se, no entanto, os responsáveis por tal actividade. Em 1859, por necessidade de manter o P…