quinta-feira, 21 de maio de 2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Os enxertados do Pinhal do Rei

            Existem no talhão 185 do Pinhal do Rei, contíguo a sul ao Aceiro K, alguns curiosos e estranhos pinheiros bravos, resultantes de uma experiência de enxertia outrora feita neste talhão.
            Os objectivos concretos e os autores de tal experiência são desconhecidos, já o resultado está bem visível.
            Consultando o Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, elaborado em 2010, constatamos que este talhão (parcela A) tinha, à data, uma idade de 37 anos, o que remete o nascedio para 1973, altura em que ainda se usava a sementeira artificial, feita dentro dos dois anos seguintes ao corte final.
            Ora, crê-se que, algum tempo depois, alguém, por razões desconhecidas, executou a referida experiência, enxertando em pinheiros novos, por cima, ramos de outros pinheiros.
            O resultado, visto hoje em dia, é que a parte original do tronco do novo pinheiro, que actualmente varia, entre exemplares, entre 0.5 e 1 metros de altura, apresenta uma casca (carrasca) normal, espessa, de cor castanha avermelhada e profundamente fissurada, enquanto, a parte enxertada apresenta uma casca fina, quase sem casca, típico dos ramos altos do pinheiro bravo, com os quais se fez a enxertia.
            Estes pinheiros apresentam também um fuste bastante direito.


Pinheiros enxertados

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O regresso ao Pinhal do Rei

Há quanto tempo aqui não vinha…
E que bons tempos aqui passei.
Ai as saudades eu tinha
Deste meu Pinhal do Rei…
Mas, agora que regressei,
Quero ir visitar
Os lugares por onde andei,
Sem nenhum deixar escapar.

Quero ir de lés a lés,
Sem obstáculos ou entraves,
Escutar o belo canto das aves
E o suave crepitar do ribeiro,
Perder o Norte e o paradeiro,
Quero ir de lés a lés.

Quero dar a Volta aos Sete,
Quero ir ao Canto do Ribeiro,
Andar por aí num aceiro,
Sem nada que me inquiete.

Quero dar a volta à Mata,
Quero ver o Lis e os Campos,
Quero viajar no Comboio de Lata
E ir ao Vale dos Pirilampos.

Quero ir à Ponte Nova.
No Tromelgo quero ver o viveiro,
E, mesmo junto ao Aceiro,
Quero passar na Lagoa Cova.

Quero ir visitar as Tercenas,
A Crastinha e Água Formosa,
E, com tantas paisagens amenas
Desta floresta majestosa,
Ainda vou escrever uns poemas,
Seja em verso ou seja em prosa.

Quero ver os pinheiros-serpente
E os imponentes sementões,
Que, lançando sua semente
Semeiam novos talhões.

Mas falta-me agradecer
Aos Guardas Florestais
Que, com seu constante labor,
Com afeição e saber,
Trazem sempre num primor
Estas Matas Nacionais.

Ai Pinhal dos meus sonhos,
Ó floresta encantada,
Dás camarinhas e medronhos,
Foste sempre a mais cantada.

Tens fontes de água fresca,
Deveras pura e cristalina,
Aí qualquer um se refresca
Pelo púcaro da resina.

E, de tudo o que lembrei,
Vou então visitar…
E que bom vai ser recordar
Os lugares por onde andei.

Mas, depois de muito andar,
Afinal que vejo eu?
Valeu a pena voltar?

Sim, o que vejo eu?
Vejo estradas e mais estradas
Mas, não servem, estão esburacadas.
O Viveiro não existe
E o Comboio desapareceu.
O Pinhal está triste!
As fontes estão abandonadas
E as águas contaminadas.
O Pinhal está esquecido
E o Ribeiro poluído.
E os Guardas?      
Onde estão os Guardas?

Oh, mas que fizeram ao Pinhal do Rei?
O que fizeram ao Pinhal de outrora?
Será melhor ir-me embora…
Finda aqui o que sonhei.

E alguém me diz afinal
O porquê do que fizeram
À minha Catedral?


JM Gonçalves

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Duna Primária

            Recuando ao tempo de D. Dinis, é sabido que, o Monarca, ao incrementar o plantio do Pinhal, teve como um dos objectivos segurar as areias que os ventos arrastavam para as férteis terras do interior, prejudicando a agricultura. No entanto, dado que a maior parte das nossas costas marítimas, exceptuando as mais altas e as de penedia, era constituída por extensos desertos móveis de areia, ainda, em 1841, havia, junto ao litoral, entre a Praia da Vieira e a foz do Ribeiro de Moel, uma faixa de 2 000 hectares de areias que continuavam a invadir o Pinhal. A arborização desta faixa apenas se completou em 1909. Porém, não havendo obstáculos naturais que travassem o areamento desta faixa foi, portanto, necessário criá-lo artificialmente antes de arborizar. Esse obstáculo chamou-se Duna Primária.
            Se a construção da Duna Primária resolvia o problema da invasão do Pinhal por areias trazidas pelo vento, havia, por outro lado, que resolver o problema das zonas já areadas e desertificadas. Assim, os trabalhos desenvolveram-se em duas frentes: a construção da Duna Primária e a posterior fixação e arborização das zonas já areadas.
            A desertificação das costas marítimas não era caso único na zona do Pinhal do Rei, era um problema nacional e a sua resolução atravessou três séculos.

            ● Século XVIII
            Realizados sem sucesso os primeiros trabalhos no final do século.

            ● Século XIX
            Primeiras sementeiras metódicas no início do século.
            Trabalhos regulares a partir de meados do século.
            Intensificação dos trabalhos no final do século.
            Florestados 3000 hectares de dunas do litoral nacional.

            ● Século XX
            Conclusão dos trabalhos de fixação de dunas.
            Florestados novos 34 000 hectares de dunas do litoral nacional.

            Para formação da duna, instalou-se, a uma certa distância da mais avançada linha de marés, uma paliçada ou um ripado feito de tábuas, com cerca de 1 metro de altura. Desta forma, o ripado de tábuas evitava a passagem das areias impelidas pelo vento que, assim, se iam depositando junto ao ripado. Quando o ripado estava quase enterrado, puxava-se para cima até ficar na altura e posição primitivas. Mais areia trazida pelo vento se voltava a depositar junto às tábuas, e novamente se puxava o ripado para cima.
            Desta forma, a duna ia crescendo até atingir uma altura de 4 a 5 metros. A elevação do ripado era feita com uma espécie de alavanca elevatória a que chamavam cábrea.
            Uma vez formada a duna, procedeu-se à sua fixação empregando plantas arenosas, principalmente o estorno. Com a duna fixa, procedeu-se à fixação e arborização das zonas situadas a nascente da duna e já areadas.
            A partir da Estrada Atlântica, entrando pelo Aceiro D em direcção à costa, um pouco a sul da Praia da Vieira, podem ser vistos vestígios deste antigo ripado do Séc. XIX.

Paliçada - início do Séc. XIX

Ripado móvel- início do Séc. XX

Elevação do ripado por meio de cábrea - ano de 1908/09

A Duna Primária



Vestígios do ripado móvel do Séc. XIX

sábado, 21 de março de 2015

Casa de Guarda do N

            A cerca de 800 metros a sul de Pedreanes, entre as casas de guarda de Pedreanes e das Gaieiras, no início do Aceiro N, junto ao Aceiro Exterior do Pinhal do Rei, situa-se a Casa de Guarda do N. A sua designação deriva precisamente por estar situada no início do aceiro com o mesmo nome.
            Esta casa encontra-se ainda em razoável estado de conservação, embora, provavelmente devido ao temporal de Janeiro de 2013, nomeadamente ao nível do beirado do telhado, já mostre alguma necessidade de manutenção.
            Em 2006 ainda se podia ver a tradicional picota para tirar água do poço, desmantelada posteriormente por apresentar algum risco devido ao mau estado em que se encontrava.


A Casa de Guarda do N



O poço e a picota em 2006

sábado, 7 de março de 2015

Borboletas Nocturnas no Pinhal do Rei - 2014

            À semelhança de anos anteriores, algumas das actividades do grupo Borboletas da Marinha Grande passaram, em 2014, pelo Pinhal do Rei. Passeios diurnos ou encontros nocturnos, sempre em boa companhia, mobilizam o grupo em busca de um melhor conhecimento da fauna lepidopterológica da nossa Mata e do concelho da Marinha Grande. Objectivos idênticos, e sempre em contacto com a Natureza, levam, por vezes, o grupo a aventurar-se por esse País fora, ultrapassando as fronteiras do concelho.
            A actividade do grupo Borboletas da Marinha Grande no ano de 2014 pode ser vista aqui.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Pinheiro do Talhão 41

            Existiram no Pinhal do Rei, noutros tempos, alguns pinheiros que, pelas suas dimensões ou forma, se destacavam na Mata.
            Ainda não há muito tempo, existiu no talhão 41 um pinheiro bravo com altura total de 30 metros; diâmetro a 1,30 m do solo (DAP – diâmetro à altura do peito) de 0,90 m; diâmetro médio da copa de 16,50 m; com a idade provável de 105 anos em 1999. Devido à sua estética, alto fuste vertical, estava classificado como árvore notável (de interesse público) e devidamente assinalada e legendada pela administração da Mata.
            Esta árvore foi gravemente afectada pelo incêndio ocorrido em 2003, acabando por ser cortada uma vez que a sua recuperação era impossível.


 O antigo Pinheiro do Talhão 41
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