domingo, 11 de setembro de 2016

Árvore de interesse público - Talhão 274

            Este pinheiro, situado no talhão 274 do Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria), faz parte da lista completa das árvores notáveis, classificadas como árvores de interesse público do Pinhal do Rei e do Concelho da Marinha Grande, que aqui coloquei e que, tal como outros, “pela sua forma, idade e dimensão, justificam que sejam preservados, respeitados e apreciados”. 
            A partir de 1892, com a elaboração do primeiro Ordenamento, o Pinhal passou a ter uma exploração ordenada. Os cortes em povoamentos sujeitos a regeneração passaram a ser rasos (talhão completo), seguidos de sementeira natural a partir de sementões, já usados desde a Época Pombalina, sendo este exemplar um dos mais antigos sementões que se conhecem no Pinhal do Rei.
            Assinalando o interesse desta árvore, existia a seu lado, em 2008, uma placa identificando-a, estando actualmente desaparecida.

            Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 274
            Nome científico: Pinus pinaster Aiton
            Nome vulgar: Pinheiro-bravo
            Descrição: Árvore isolada
            Idade aproximada: 170 (em 2000)


Sementão do Talhão 274 e placa identificativa – ano de 2008

Sementão do Talhão 274 – ano de 2015

segunda-feira, 18 de julho de 2016

As Fontes da Ponte Nova

            A enorme riqueza em lençóis de água e as muitas nascentes existentes no Pinhal do Rei, conjuntamente com a necessidade que trabalhadores e animais que na Mata laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes.
            Estas fontes, muitas delas existentes ainda nos dias de hoje, a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, caso do Tromelgo e Arrife 20, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal, tal como se pode ainda ver na Fonte das Canas.
            No lugar da Ponte Nova existem duas fontes, situando-se cada uma delas em margens diferentes do Ribeiro de Moel.
            Na margem esquerda do Ribeiro de Moel, a maior destas fontes, e a mais conhecida, foi em tempos, a par com a Fonte do Tromelgo, uma das mais importantes e concorridas fontes do Pinhal do Rei. Todos se lembram da qualidade e frescura da sua água, e de como era grande a afluência da população em sua busca. Munidos do tradicional cântaro de barro ou do garrafão de vidro, os populares faziam fila esperando pacientemente a sua vez de encher o vasilhame. Era tão grande a qualidade desta água que, noutros tempos, quando ainda nem todos tinham acesso à água canalizada e distribuída pela Câmara Municipal, e porque também não estava ainda vulgarizada a venda de água engarrafada, chegou a ser comercializada por várias aguadeiras, que ali enchiam inúmeros cântaros que transportavam depois em carroças de burro até à Marinha Grande, vendendo porta a porta e pelas fábricas.
            Ainda nos dias de hoje, embora sem comparação com a afluência de outros tempos e apesar das placas junto às fontes (aqui actualmente desaparecida) avisarem que a água não é controlada, podemos ver, por vezes, algumas pessoas ali enchendo os seus garrafões, agora maioritariamente de plástico.
            Esta fonte possui na sua parede do lado direito um bonito alto-relevo representando o Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel.
            Na sua parede frontal, por cima da bica, existe uma placa em mármore indicando que esta fonte foi reconstruída pela Junta de Freguesia da Marinha Grande em Junho de 1995. Mesmo por baixo desta placa, esteve afixada a partir de 2007, por portaria de 27 de Agosto desse mesmo ano, uma placa, actualmente já desaparecida, indicando que a água desta fonte é uma “água não controlada”.
            Esta fonte da Ponte Nova foi recentemente pintada, porém, antes da pintura, deveria ter havido uma cuidada intervenção ao nível do edificado.
            No mesmo lugar da Ponte Nova, na margem direita do Ribeiro de Moel, um pouco afastada da estrada, existe uma pequena fonte idêntica às que podemos encontrar na estrada que ladeia o Ribeiro. O acesso a esta fonte faz-se por um caminho junto à ponte sobre o Ribeiro, do seu do lado Nascente, ou um pouco mais acima por uma escadaria de pedra, ou ainda atravessando o Ribeiro por uma ponte pedonal de madeira entre a fonte atrás referida e as ruinas que se diz serem do antigo engenho de serrar do Séc. XIX movido a água, mais tarde transformado em moinho de cereal.
            A designação “Ponte Nova”, atribuída ao pequeno lugar e às fontes, deriva de, naquele lugar, para se atravessar o Ribeiro, se terem construído várias pontes “Novas”, sempre em substituição das antigas e velhas pontes daquele local.
            Estranho é que as duas fontes sejam designadas pelo mesmo nome mas, considerando que a Fonte da Ponte Nova é para toda a população marinhense a que se situa na margem esquerda do Ribeiro, e não conhecendo outro nome para a pequena fonte na margem direita do mesmo, refira-se que foi o próprio Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande e Administrador do Pinhal de Leiria que, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, assim as designou.

Fonte da Ponte Nova em 2012 – Margem esquerda do ribeiro

Fonte da Ponte Nova em 2016 – Margem esquerda do ribeiro

Placa alusiva à reconstrução em 1995



Acessos à pequena fonte na margem direita do ribeiro

Fonte da Ponte Nova em 2015 – Margem direita do ribeiro

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Arranjada a estrada de acesso ao Tromelgo

            Depois de muita polémica, reuniões ao mais alto nível, intervenções de grupos defensores e amigos da Mata Nacional (Pinhal do Rei), artigos em jornais, reportagens na televisão, intervenções nas redes sociais, e, sobretudo, do “jogo do empurra” acerca de quem queria fazer e não podia ou quem podia fazer e não queria, lá se arranjou o acesso ao Tromelgo.
            Finalmente foi aberta hoje a circulação automóvel com um novo tapete de asfalto, não se limitando apenas ao simples tapar dos buracos.
            Parabéns a quem o fez e ou a quem o deixou fazer. Pena é que não se tenha podido alargar um pouco. Veremos agora quanto tempo vai durar se continuar a ser atravessado por veículos de grande tonelagem, que por vezes ali circulam.
            Por outro lado, nas estradas da grande Mata, também vi alguns melhoramentos, com alguns buracos tapados e também com alguns pequenos troços com tapete novo. É certo que alguns destes são troços onde no próximo fim-de-semana vai passar o Rali Vidreiro - Centro de Portugal, mas ao menos valha-nos isso.
            Também algumas fontes foram recentemente pintadas, o que já não é mau, porém, antes da pintura, deveria ter havido uma cuidada intervenção ao nível do edificado.
            Mas falta ainda arranjar muitas estradas, principalmente mais para norte, nos acessos ao Ponto de Vigia da Crastinha, antigo areeiro, Estrada dos Vidreiros e outras ali à volta. Porém, não sendo uma zona turística como a Ponte Nova ou o Tromelgo, poderemos estar perante um problema de maior envergadura, principalmente se não houver vontade de o fazer ou de o deixar fazer. Haja boa vontade e consenso e tudo se fará.
            E, voltando ao Tromelgo, para quando melhoramentos no parque de merendas e zona envolvente e a reconstrução da célebre fonte, tão tristemente arruinada e abandonada?

Acesso ao Tromelgo

sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Aos Pinheiros nas Dunas" (pinheiros serpente)

            Ao percorrermos as imediações da orla marítima do Pinhal do Rei, encontramos os imponentes pinheiros-bravos rastejantes, também conhecidos por pinheiros serpente, que a elevada salinidade proveniente da costa, impelida pelos ventos, impede o normal crescimento das suas gemas terminais mais novas, prejudicando-os no seu crescimento e obrigando-os a rastejar, tomando bizarras formas encurvadas.
            Referindo-se a estes curiosos pinheiros, o Engº Arala Pinto, chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande entre 1927 e 1956, escreveu, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”:
            "Esses pinheiros, pioneiros do litoral, formando os batalhões, são a guarda avançada, os sacrificados, […], a bem dos seus irmãos já distantes do mar. A sua missão consiste na segurança das areias e poderão vir a dar lenhas, resinas, peças para carroçarias, mas nunca se deverão abater senão em pequenas parcelas, em cortes […] (…rasos em pequenas superfícies, máximo um hectare), como os que se praticaram no Pinhal de Leiria, com bons resultados, mas estes mesmos a um mínimo de 500 m da linha das marés."
            Em 1940, Afonso Lopes Vieira em “Onde a terra se acaba e o mar começa” escreve um poema aos pinheiros serpente (pinheiros das dunas):

Aos Pinheiros nas Dunas
 
O que a vida fez
de vocês,
velhos pinheiros da minha infância,
árvores de ânsia!…
 
O que a crueza de mil invernos,
as tormentas todas esguedelhadas
de vendavais
de inferno,
fizeram desses corpos de tortura
e de aflição,
- que tanto ansiais
por fugir desse chão!
 
Em pequeno metíeis-me medo;
minha Mãe ria e dizia - Medroso! -
Que querem? Vocês faziam-me nervoso;
e só muito mais tarde, meus amigos,
deixei de vos olhar como a perigos,
como a cobras de horror;
só mais tarde entendi vosso segredo
e compreendi a trágica beleza
da vossa dor!
 
Ó marinheiros pinheiros,
gageiros da tempestade!
Náufragos arrojados
à duna! Cristos pregados
na areia que vos tem crucificados:
- fazeis-me dor e saudade,
a saudade de mim, a mais cruel,
meus pinheiros de Moel!
 
A saudade do tempo
em que vos eu temia,
porque, inocente, ainda não sabia,
ó trágico-marítimos!,
que sofreis e suais
e morreis de guardar
a floresta que vive e reverdece
e cresce
à sombra desse lento agonizar!
 
O que a vida fez
de vocês,
velhos amigos da minha infância
que eu amo como avós.
 
Como tudo vai longe na distância…
 
Amigos, o que a vida faz de nós!…
  
A. L. Vieira

Pinheiro serpente junto à praia das Pedras Negras

quinta-feira, 5 de maio de 2016

As dunas do litoral português e o Estado Novo

           O meritório trabalho de fixação e arborização das dunas móveis do litoral português, aqui mencionado, cujos primeiros trabalhos, embora sem sucesso, começaram em finais do século XVIII e se prolongaram por todo o século XIX sendo apenas dados por terminados por volta de meados do século XX, teve, também, nos seus derradeiros anos, um invulgar protagonismo político.
            Em 1941, com a publicação de um cartaz (53x38 cm), o Estado Novo, através do Secretariado da Propaganda Nacional, aproveitava o resultado dos trabalhos de fixação e arborização das dunas do litoral português, Pinhal do Rei incluído, para propaganda política.

IN: Biblioteca Nacional de Portugal - Biblioteca Nacional Digital
http://purl.pt/index/geral/aut/PT/15444.html

sábado, 19 de março de 2016

Fixação e arborização das dunas do Pinhal do Rei e outras matas

            A maior parte das costas marítimas portuguesas estiveram até ao século XIX sujeitas ao avanço das areias que os ventos arrastavam do litoral para o interior levando à formação de desertos de dunas móveis e à consequente desertificação das terras do interior.
            Dizem os historiadores que já D. Dinis, ao incrementar o plantio do Pinhal do Rei, usualmente conhecido por Pinhal de Leiria, teria tido como principal objectivo segurar as areias que os ventos vinham arrastando para o interior. Porém, o certo é que só no início do século XIX se começou a resolver tal problema, tendo os primeiros trabalhos sido ainda realizados em finais do século XVIII, embora sem sucesso.
            Para que se pudessem fazer as sementeiras para fixação e arborização das dunas móveis foi preciso construir primeiro um obstáculo que detivesse as areias transportadas pelo vento, de modo a evitar o soterrar dessas sementeiras. Esse obstáculo veio a ser chamado duna primária e foi construído através da técnica do ripado móvel, se bem que inicialmente também se tenham utilizado as primitivas paliçadas.
            José Bonifácio de Andrada e Silva orientou o início da fixação e arborização sistemática das dunas litorais no começo do séc. XIX (1802) no Couto de Lavos, com coordenação dos trabalhos por parte do Cabo dos Guardas do Pinhal de Leiria Manoel Afonso da Costa Barros.
             Nas zonas a arborizar posteriormente, já defendidas de novos areamentos pela duna primária, espalharam-se sementes de plantas arenosas tais como as de estorno, madorneira, tojo, giesta, camarinheira e sargaço. Mais tarde, para melhor fixação das areias, procedeu-se à sua sementeira com penisco.
            Para a sementeira abriram-se regos, à enxada, paralelos à duna primária e distanciados 1,3 metros entre si. Depois de adubados os regos com rapão (adubo natural do pinhal também designado por manta morta ou humo), espalharam-se no seu interior as sementes que, por seu turno, foram cobertas por uma pequena camada de areia. Em seguida, como forma de protecção às sementeiras, espalhava-se mato para que a sementeira ficasse coberta por ramaria e folhagem, sendo este depois parcialmente enterrado a fim de melhor o fixar no lugar onde tinha sido colocado.
            O mato utilizado na cobertura das sementeiras era proveniente das matas de Foja e Pinhal do Urso, transportados para o Pinhal do Rei por muares, carros de boi ou por via fluvial, onde esse meio de transporte fosse viável.
            A desertificação das costas marítimas não era caso único na zona do Pinhal do Rei, era um problema nacional e a sua resolução atravessou três séculos.

            ● Século XVIII
           Realizados sem sucesso os primeiros trabalhos no final do século.

            ● Século XIX
            Primeiras sementeiras metódicas no início do século.
            Trabalhos regulares a partir de meados do século.
            Intensificação dos trabalhos no final do século.
            Florestados 3000 hectares de dunas do litoral nacional.

            ● Século XX
            Conclusão dos trabalhos de fixação de dunas.
            Florestados novos 34 000 hectares de dunas do litoral nacional.

            Por hectare eram necessárias: 22 carradas de mato, 15 kg de penisco, 5 Kg de sementes de plantas das areias, 4 carradas de mutano para sebes e 15 carradas de rapão. 
         Na arborização das Dunas foram envolvidos vultuosos meios humanos, maioritariamente mulheres. 
           A conclusão dos trabalhos de fixação de dunas móveis do litoral português deu-se apenas por volta de meados do século XX.

Preparando os regos - início do Séc. XX

 Transporte de mato por muares - início do Séc. XX

Transporte de mato em carros de bois - início do Séc. XX

Espalhando o mato - início do Séc. XX
 
Arborização na zona de protecção - Ano de 1954

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lenda da Moira Encantada

            É sabido que o território português foi outrora habitado por Mouros e outros povos vindos das mais longínquas paragens. São inúmeras as referências, indícios, lugares e lendas relacionadas com estes povos.
            Naquela época, muito antes da existência de Portugal, segundo alguns autores, o pequeno surgidouro de S. Pedro de Moel teria servido de apoio às navegações de fenícios e mouros, favorecendo a fixação de alguns destes povos nesta zona costeira.
            Existem no Pinhal do Rei dois lugares que parecem ter alguma afinidade com esses remotos habitantes, e cujos topónimos chegaram aos nossos dias: a Valdimeira e a Cova da Moira.
            Falando apenas acerca da Lenda da Moira Encantada e do lugar da Cova da Moira, onde supostamente esta aconteceu, deixarei para uma futura ocasião dizer algo acerca da Valdimeira.
            O lugar da Cova da Moira, mais recentemente conhecido por Rio Tinto, é muito antigo.
            A designação Cova da Moira aparecia já no Regulamento de 1790, ao referir as obrigações dos Guardas. Em 1816, também a Planta do Pinhal de Leiria referia o lugar da Cova da Moira, e já no Século XX, o Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei” refere várias vezes o topónimo Cova da Moira. Porém, durante o século XX, o topónimo Cova da Moira foi sendo, cada vez mais, posto de lado, ao mesmo tempo que, para o mesmo lugar, se foi tornando mais usual a designação Rio Tinto, que, ao que parece, já designava o pequeno ribeiro que atravessa o lugar.
            No entanto, segundo a tradição popular, estas duas designações têm origem na antiga Lenda da Moira Encantada ou Lenda da Cova da Moira.
            Referindo-se ao lugar e ao ribeiro que o atravessa, em 1993, Deolinda Bonita, escritora e investigadora da história marinhense, no seu livro “Ao encontro do passado”, fala-nos desta lenda tal como a ouviu contar nos seus tempos de criança. 
            «Tem-se contado de geração em geração, que antigamente estes lugares foram habitados por outros povos – os Mouros. Consta que eram valentes soldados, que se assenhoraram de toda a Península e que só foram expulsos de Portugal no século XII. Nessa época terá surgido aqui um grande romance entre um camponês do lugar e uma moira muito bela, que a todos encantava devido à sua rara beleza. E como é evidente desde logo surgiu uma certa cobiça por parte dos moradores das redondezas, originando por vezes determinadas desavenças.
            Apesar de contrariada pelo seu povo, ela estava apaixonada por aquele jovem camponês e tudo fazia para não o perder. Encontrava-se com ele diariamente neste sítio, nesta cova funda, densamente arborizada e escondida. Algum tempo depois, quando por ali passava um lenhador, estranhou a cor da água que corria no ribeiro. Estava tinta… de sangue?
            Correu logo a dar a notícia e, pouco depois, o povo descobriu aqui perto, dentro da vala, o corpo inanimado do jovem camponês.
            Quem o teria assassinado? E porquê? Mas a resposta ainda hoje ninguém sabe!
            Foi por isto que a população deste lugar lhe passou a chamar Ribeiro do Rio Tinto. Depois, e de então para cá, contam-se histórias, que nunca mais acabam… Ainda hoje, ao cair da noite, dizem que o espirito da moira vagueia por esta cova, chorando o seu malogrado amor. Afirma-se que, quem aqui passar depois do sol-posto, sente algo de estranho… o vento sopra forte, agitando as folhas das árvores ribeirinhas, as pessoas sentem-se fascinadas por qualquer coisa de sobrenatural, e até os animais pressentem isto. Ficam nervosos e fogem “desencabrestados”.».
            Para além da lenda, como explicação destes topónimos, Deolinda Bonita, referindo relatos de antigos moradores daquele lugar, dá, em 2011, no seu livro “Raízes” outra explicação: é que, na Cova da Moira, existia «[…] uma planta [medicinal] (Solanum Nigrum), da família das Solanáceas, vulgarmente conhecida por Erva-Moira. E como era nesta cova que a planta abundava, a razão de lhe terem chamado primeiro, Cova da Erva-Moira e depois Cova da Moira.»
            Por outro lado, como explicação para Rio Tinto a autora afirma que, antigamente, ao actual Ribeiro de S. Pedro se chamava Ribeiro Tinto, «[…] devido ao facto de parte do seu leito ser de argila e em muitas zonas as suas margens serem de surraipa mais acastanhada, que em contacto com a água lhe dava um tom diferente.», um tom avermelhado, tinto.
            Mas, sobre a origem destes topónimos, seja ela baseada nesta versão ou seja na narrativa da antiga lenda, pode ser que alguém um dia nos possa esclarecer. Porém, a Lenda da Moira Encantada perpetuará.


A antiga casa de guarda-florestal no lugar do Rio Tinto ou Cova da Moira

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Horário do Caminho de Ferro Americano em 1877

In: "Diário Ilustrado", nº 1635, Ano 6, Quarta-feira, 29 de Agosto de 1877
(Biblioteca Nacional de Portugal – Biblioteca Nacional Digital)
(Informação cedida por Carlos Gomes)

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