sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Casa de Guarda da Portela

            As primeiras casas de guarda foram construídas em 1790 por ordem do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro depois de, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, este ter mandado abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal deixando apenas 4 passagens controladas por guardas que aí passaram a viver com as suas famílias.
            Em 1843 o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 eram já 20.
            Já no Século XX, entre 1920 e 1940, com a população a aumentar, houve necessidade de serem abertas novas passagens e construídas novas casas de guarda, entre elas a da Portela.
            A Casa de Guarda da Portela situa-se na Marinha Grande, na fronteira este do Pinhal do Rei junto ao Aceiro Exterior, no talhão 252 a cerca de 200 metros a sul do Aceiro O.
            Com autorização dos serviços florestais (ICNF) esta casa de guarda encontra-se ainda habitada, sendo razoável o seu estado de conservação.


Coordenadas Geográficas aproximadas:
39° 45' 03" N
08° 56' 36" W


 


 A Casa de Guarda da Portela

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Pinhal das Artes

            Tem hoje início, no Lugar das Árvores, em São Pedro de Moel, o “Pinhal das Artes 2014 - VII Festival de Artes para a Primeira Infância”. 
            Conheça o programa em http://pinhaldasartes.blogspot.com/


terça-feira, 24 de Junho de 2014

A Fonte do Tromelgo

            O Pinhal do Rei possui ainda hoje um conjunto de fontes construídas pelos Serviços Florestais a partir de 1909. Nestas fontes matavam a sede os trabalhadores que no Pinhal laboravam.
            Situada no talhão 289, a Fonte do Tromelgo foi construída pelos Serviços Florestais e ostenta uma placa indicando como data de inauguração o dia 9 de Novembro de 1932. No entanto, é de crer que, como diz Deolinda Bonita, no seu livro “Raízes”, por o ter ouvido de quem perto dali viveu no início dos anos 1920, o actual fontanário terá substituído uma primitiva fonte que, naquela época, “era uma cova muito funda, onde nos tínhamos que curvar em arco para chegarmos à bica que só corria um fio de água. Enchíamos o púcaro de barro e levávamo-lo aos lábios para matar a sede”.
            A Fonte do Tromelgo foi em tempos uma das mais importantes e concorridas fontes desta Mata. Todos se lembram da qualidade e frescura da sua água, e de como era grande a afluência da população em sua busca. Munidos do tradicional cântaro de barro ou do garrafão de vidro, os populares faziam fila esperando pacientemente a sua vez de encher o vasilhame. E era tão grande a qualidade desta água que, noutros tempos, quando ainda nem todos tinham acesso à água canalizada e distribuída pela Câmara Municipal e porque também não estava ainda vulgarizada a venda de água engarrafada, chegou a ser comercializada por várias aguadeiras, que ali enchiam inúmeros cântaros que transportavam depois em carroças de burro até à Marinha Grande, vendendo porta a porta e pelas fábricas. E, acerca deste comércio, diz ainda Deolinda Bonita: “ (…) para não falar dos aguadeiros mais antigos que abasteciam as fábricas vidreiras”.
            E de facto assim era! Lembro-me bem de uma dessas aguadeiras, a Bina, como era conhecida, com a carroça cheia de cântaros andando de um lado para o outro, ora a caminho do Tromelgo para se abastecer, ora ao encontro dos seus muitos clientes para lhes fornecer a preciosa água do Tromelgo.
            Após ter sofrido uma intervenção de conservação em 1997, com o decorrer dos anos, com falta de manutenção regular de então para cá e pela acção do tremendo temporal de Janeiro 2013, a fonte encontra-se em muito mau estado dando uma imagem clara da falta de zelo que devia ser dispensado a esta e, de um modo geral, a todas as fontes do Pinhal do Rei.
            Em tempos, lembro-me de, em muitas das fontes do Pinhal, ver afixados os resultados das análises feitas à qualidade da água dessas fontes.
            Actualmente, nesta fonte, como em todas as fontes do Pinhal do Rei, existe uma placa que diz que a sua água não é controlada, deixando na dúvida o visitante que, em caso de necessidade, não sabe se é própria ou imprópria para consumo. Será que esta situação não leva esse visitante a pensar que é mais fácil e barato afixar definitivamente uma placa dizendo que a água não é controlada do que fazer análises regulares à qualidade da água e afixá-las?

Coordenadas Geográficas aproximadas:
39° 44' 09" N
08° 57' 58" W




A Fonte do Tromelgo

A Bina (aguadeira) em 1969 transportando água do Tromelgo
IN: Bonita, D.,2006, Alcunhas Marinhenses II, Marinha Grande, Ed. Autor

quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Outra vez o Comboio de Lata

            Muito se tem falado ultimamente, na Marinha Grande, acerca do Comboio de Lata, ou seja, da antiga locomotiva “MNN3” que resta do que foi o célebre comboio que circulou no Pinhal do Rei de 1923 a 1965. O estado de conservação da velha máquina e a necessidade de a expor em lugar público de modo a que todos a possam admirar e tomar conhecimento da sua história tem interessado muitos marinhenses.
            De facto, é premente a exibição pública e permanente deste património marinhense. Porém, tendo surgido rumores de uma proposta para colocação da antiga locomotiva em S. Pedro de Moel, perto do local de onde foi retirada por ter chegado a um enorme estado de degradação, levou-me a fazer, há alguns dias atrás, numa página marinhense de uma conhecida rede social, um comentário que, creio, não é demais voltar a publicar, pois, no meu entender, alerta para a eventualidade de se virem a repetir alguns erros do passado.
__

            Acerca da colocação da antiga locomotiva “MNN3” e respectiva carruagem de passageiros do antigo Comboio de Lata em S. Pedro de Moel, espero que não venham a ser cometidos os mesmos erros do passado quando esta foi ali foi colocada em espaço aberto o que, com o decorrer dos anos, levou à sua degradação por vários motivos.
            Recordo que S. Pedro de Moel, sujeito à influência de ares marítimos, não será porventura o melhor espaço para a colocação deste interessante património marinhense dados os efeitos corrosivos de tais ares, a não ser que seja colocado em espaço fechado e de preferência com acesso condicionado ao público.
            Por outro lado, a colocação do dito Comboio em espaço permanentemente aberto (apenas coberto por um telheiro como esteve no passado), para além do problema da corrosão, há que ter em conta o problema do vandalismo que, creio não ser preciso recordar, foi uma das principais causas do estado de degradação a que chegou o Comboio e que levou à sua retirada de S. Pedro de Moel em 1996.
            O futuro deste comboio, quanto a mim, passará sempre por colocá-lo em exposição e mostrar ou apenas recordar, o que foi o célebre “Comboio de Lata” que circulou no nosso Pinhal do Rei. O que é bom ter em conta será a escolha do lugar para expô-lo, sem pressas e tentando evitar erros do passado. Um dos locais ideais para expor o Comboio de Lata seria a existência no nosso concelho do, já tão falado, museu da floresta. Ora, como se sabe, esse projecto está longe de se concretizar, e enquanto isso não for possível, quanto a mim, o melhor espaço para colocar o Comboio seria num dos espaços ainda vagos no antigo Edifício da Resinagem, agora recuperado. Desta forma o Comboio de Lata estaria protegido e exposto ao público, quase permanentemente, no centro histórico da cidade e em espaço museológico, perto de outros museus da cidade e num local que, também ele, pertenceu às Matas Nacionais.
            Não queiram voltar a fazer ao Comboio de Lata o que se vê nas imagens de Miguel Costa que publico.





O Comboio de Lata em S. Pedro de Moel – anos 80 do Séc. XX
(Fotografias de Miguel Costa)

            Em complemento, e caso seja viável, não invalido a hipótese de uma recuperação total da velha locomotiva, colocando-a de novo a circular no Pinhal do Rei para pequenos passeios turísticos no Verão ou em épocas festivas. Veja-se, aqui, o que fizeram os ingleses com a “MNN1”, uma das outras locomotivas do antigo Comboio de Lata, depois de estar exposta como atracção turística no exterior de um café em Cascais e em 1969/70 ter sido vendida para Inglaterra onde após várias mudanças de propriedade acabou como sucata de um ferro velho sendo, por volta de 1984, adquirida por um antiquário de material ferroviário.
            É claro que a viabilidade de uma tal recuperação só poderá ser avaliada por técnicos competentes.

sexta-feira, 30 de Maio de 2014

O "Pinhal do Rei" de Afonso Lopes Vieira

Pinhal do Rei

Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
ditoso o "Lavrador" que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
lá vem as velidas bailar e cantar.

Encantado jardim da minha infância,
aonde a minh'alma aprendeu;
a música do Longe e o ritmo da Distância
que a tua voz marítima lhe deu;
místico órgão cujo além se esfuma
no além do Oceano, e onde a maresia
ameiga e dissolve em bruma,
e em penumbra de nave, a luz do dia.
Por estes fundos claustros gemem
os ais do Velho do Restelo...
Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
teus velhos troncos de saudades fremem...

Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
são as caravelas, teu corpo cortado,
é lo verde pino no mar a boiar.

Pinhal de heróicas árvores tão belas,
foi do teu corpo e da tua alma também
que nasceram as nossas caravelas
ansiosas de todo o Além;
foste tu que lhe deste a tua carne em flor
e sobre os mares andaste navegando,
rodeando a terra e olhando os novos astros,
ó gótico Pinhal navegador,
em naus, erguida, levando
tua alma em flor na ponta alta dos mastros!...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que grande saudade, que longo gemido
ondeia nos ramos, suspira no ar!

Na sussurrante e verde catedral
oiço rezar a alma de Portugal:
ela aí vem, dorida, e nos seus olhos
sonâmbulos de surda ansiedade,
no roxo da tardinha,
abre a flor da Saudade;
ela aí vem, sozinha,
dorida do naufrágio e dos escolhos,
viúva de seus bens
e pálida de amor,
arribada de todos os aléns
de este mundo de dor;
ela aí vem, sozinha,
e reza a ladainha
na sussurrante catedral aonde
toda se espalha e esconde,
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar.
Afonso Lopes Voeira

Painel de azulejos com excerto de “Pinhal do Rei”
em residência na Marinha Grande

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