Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Marco oitavado no Pinhal do Rei

            Sabia já da existência de marcos oitavados no Pinhal do Rei, porém, tenho de confessar, que, até há bem pouco tempo, nunca tinha visto nenhum.
            Foi em mais uma das minhas incursões pela nossa Mata, ali perto do Ponto da Crastinha que, ao passar junto ao Aceiro F, reparei num marco, junto à estrada, que me pareceu estranho. Ao aproximar-me verifiquei que realmente se tratava de um dos famosos marcos oitavados, isto é, de secção octogonal.
            Já depois desta ocorrência, em mais uma sessão de observação de borboletas nocturnas, organizada pelo amigo Carlos Franquinho, tive a oportunidade de, entre os presentes, conversar sobre este marco e sobre a existência de outros idênticos na Mata. Acontece que os amigos presentes estavam um pouco como eu antes de ter encontrado o dito marco, isto é, tinham já ouvido falar ou visto em algum lado mas nunca tinham visto nenhum.   É claro que, dada a proximidade a que estávamos do dito marco, imediatamente, lhe fizemos uma breve visita.
            Fiquei também a saber que existiram marcos deste tipo, nomeadamente, ao longo do Aceiro I, por ser este o aceiro que, outrora, fazia a divisão do Pinhal entre a 14ª Administração (a Norte) e a 15ª Administração (a Sul). Posteriormente, o amigo Hugo Areal enviou-me inclusive uma foto, por ele já conhecida, de um desses marcos, situado precisamente no cruzamento do Aceiro I com o Arrife 11, entretanto já desaparecido.
            Estes marcos, situados estrategicamente no cruzamento de alguns aceiros com os arrifes que com eles se cruzam, dão-nos, nas suas oito faces, indicação do aceiro e do arrife em que estão colocados, e dos talhões que, a Este e a Oeste, se situam a Norte e a Sul do respectivo aceiro.
            Entretanto, e com alguma pena minha, nas publicações que conheço sobre o Pinhal do Rei, não me foi possível saber a origem destes marcos. Muitos terão com certeza já desaparecido, mas estou certo que haverá outros.
            Por agora, e enquanto não tiver a sorte de encontrar um outro exemplar, aqui fica o registo fotográfico do marco oitavado que se encontra junto ao Ponto da Crastinha, no cruzamento do Aceiro F com o Arrife 16.

Excerto do Mapa de 1940 do Pinhal do Rei indicando a localização deste marco e a indicação do aceiro, do arrife e dos talhões por ele assinalados

Marco oitavado no cruzamento do Aceiro F com o Arrife 16
 
Faces indicando os Talhões 106 e 107 e o Arrife 16
 
  Faces indicando os Talhões 106 e 85 e o Aceiro F

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

A Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga

            A comemoração do feriado municipal no Concelho da Marinha Grande fez-se durante muitos anos a 26 de Março, dia em que, em 1917, após a restauração do Concelho, tomou posse a nova Comissão Instaladora.
            Porém, na Marinha Grande, havia já a tradição de comemorar O Dia da Espiga que, pertencendo ao Calendário Cristão, ocorre 40 dias após o Domingo de Páscoa. Esse dia era comemorado pelos vidreiros, sector industrial dominante à época, mas, também, pelo comércio, sendo feriado e dia de descanso, tradicionalmente assinalado com grande festa no concelho.
            Assim sendo, a partir de 1964, por decisão da Câmara Municipal, o feriado municipal do nosso concelho passou a ser assinalado nesse dia.
            Reunindo-se em grupos familiares ou de amigos, a população desloca-se ao Pinhal do Rei para a realização de piqueniques, de cuja ementa fazem parte os pastéis de bacalhau ou o tradicional coelho com ervilhas, sempre acompanhados de um bom vinho. Mas, manda a tradição que, nesse dia, se apanhe a Espiga, cuja composição, em número e significado das plantas que a compõem, varia de região para região. Regra geral, na Marinha Grande, a Espiga é composta de alecrim ou rosmaninho, um ramo de oliveira, uma papoila, malmequeres ou outras flores silvestres, um ramo de videira e, claro, uma espiga de trigo, simbolizando, respectivamente, a saúde e a força, o azeite e a paz, o amor e a vida, a fortuna, o vinho e a alegria, e o pão. É também usual que se guarde a Espiga até ao ano seguinte para dar sorte.
            A tradição da Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga ainda, nos dias de hoje, é respeitada e aguardada com ansiedade pela população marinhense.
            No tempo em que os meios de transporte eram bem diferentes dos de hoje, a população deslocava-se ao Pinhal para apanhar a Espiga, para merendar ou até para, e além disso, dar um passeio à praia, usando todos os meios ao seu alcance. Uns iam de bicicleta, alguns em carroças de tracção animal ou em camionetas, e outros deslocavam-se no famoso Comboio de Lata. Depois de decorado a rigor e com os vagões de transporte dos grandes pinheiros transformados em vagões de passageiros com a colocação de bancos corridos, o comboio, que circulou no Pinhal entre 1923 e 1965, era cedido pela Circunscrição Florestal para transporte da população.

O Comboio de Lata engalanado em Quinta-feira de Ascensão - Anos 30 do séc. XX

Domingo, 5 de Maio de 2013

A Fonte da Felícia

            O Vale da Felícia, situado entre as abruptas vertentes do Ribeiro de S. Pedro de Moel, é um dos locais ideais para a realização de piqueniques, passeios pedestres e de bicicleta.
            Diz a lenda, segundo José Martins Saraiva em “Lendas do Pinhal do Rei”, que, a fonte poderá ter sido a origem do nome do local.
            A história remonta ao tempo de D. Dinis quando, o Príncipe Afonso, depois de beber da sua água e ter ficado encantado com a sua leveza e frescura, teria perguntado a sua mãe o nome daquela fonte, ao que a Rainha Santa, lembrando-se, talvez, de algum momento de felicidade, respondeu: - É a fonte da Felícia, meu Príncipe!
            Sendo um dos recantos mais calmos do Pinhal, este local, com sua fauna e flora, é, naturalmente, também de muita importância, uma vez que constitui uma área de grande biodiversidade.
            Acontece que o temporal de 19 de Janeiro também por aqui fez estragos, deixando quase irreconhecível o lugar e tornando intransitável o pequeno carreiro que, ladeando o Ribeiro, dava acesso ao paradisíaco Vale dos Pirilampos. E nem a própria fonte escapou, já que, apanhada na fúria do enorme temporal, uma árvore de grande porte viria a cair, em cheio, em cima da dita fonte.
            Por outro lado, o íngreme acesso a esta fonte, situada no profundo Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel, teve, em tempos, pequenos suportes de madeira que seguravam as areias e que, dispostos ladeira abaixo, formavam uma espécie de degraus que facilitavam o acesso dos visitantes àquele lugar. Hoje em dia, desaparecidos os degraus, ficaram apenas as estacas que os suportavam, o que, em vez de facilitar, poderá ocasionar eventuais quedas, se é que não aconteceu já.
            Direi ainda que, em tempos, a Fonte da Felícia esteve assinalada com uma placa colocada na Estrada da Valdimeira, que, construída ao longo do Ribeiro, na década de 50 do Século passado, liga a Ponte de S. Pedro à Ponte Nova e que, nos dias de hoje, desaparecida a placa indicativa, a fonte e o lugar passam despercebidos ao visitante menos conhecedor desta Mata.
            E se, da Lenda da Fonte da Felícia, o Príncipe Afonso regressasse para voltar a beber tão leve e fresca água, o que diria de, mesmo num ano tão chuvoso como o que decorre, na fonte, a água já não correr?


O acesso à Fonte da Felícia
 
Parque de merendas da Fonte da Felícia e Ribeiro de S. Pedro de Moel

A Fonte da Felícia

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

O Dia do Trabalhador no Pinhal do Rei

            A comemoração em Portugal do Dia Mundial dos Trabalhadores, fortemente reprimida durante a ditadura do Estado Novo, só a partir de 1974, ano da revolução do 25 de Abril, voltou a ser livremente comemorada no primeiro dia de Maio de cada ano, passando este dia a ser feriado.
            Comemorado por todo o país, sobretudo com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidas pelas centrais sindicais, também na Marinha Grande se tem comemorado o Dia do Trabalhador.
            Recordo perfeitamente a enorme afluência de Povo que, nos anos de 1975/76, afluiu às comemorações do Dia do Trabalhador no grande recinto das eiras de Pedreanes para a celebração desta enorme festa na Marinha Grande.
            Na fotografia, abaixo reproduzida, pode ver-se, ao fundo, já do outro lado da estrada, o antigo barracão de recolha de material do caminho-de-ferro florestal (Comboio de Lata) e o antigo depósito de água que abastecia todo o Bairro Florestal de Pedreanes.

Primeiro de Maio de 1976 em Pedreanes - Comemoração do Dia do Trabalhador

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Joaquim Ferreira Borges

            Engenheiro Silvicultor formado pela Escola Florestal deTharandt (Alemanha) em 1881. Neste ano foi nomeado subchefe da Divisão Florestal do Centro (Marinha Grande),sendo seu superior Bernardino Barros Gomes, com quem trabalhou nas triangulações dos Pinhais de Leiria e Valado e no estabelecimento das redes divisionais. Foi transferido para a Figueira da Foz onde, em 1886, foi nomeado chefe interino da Circunscrição do Norte, com sede nesta cidade.
            Neste ano os Serviços Florestais passaram a ser designados por Circunscrições Florestais, chefiadas por engenheiros silvicultores, tendo sido Joaquim Ferreira Borges o primeiro chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, em substituição de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, transferido para chefiar a Circunscrição Florestal do Norte.
            A 18 de Maio de 1887 elaborou um regulamento cujo objectivo foi reunir todas as medidas preventivas contra fogos (que a prática tinha ensinado), determinar as atribuições do pessoal bem como a sua distribuição durante a época de defesa, de maneira a evitar as situações de confusão em caso de incêndios. Neste âmbito propôs o estabelecimento de uma linha telefónica entre Marinha Grande e Vieira de Leiria, e entre estas duas povoações e os pontos de vigia no Pinhal de Leiria.
            Publicou trabalhos importantes sobre novas técnicas de arborização de dunas, aclimatação de essências florestais exóticas e da necessidade de investigação florestal.
            Em 1912 tornou-se o primeiro Director dos Serviços Florestais. De 1913 a 1924 passou a Inspector dos Serviços Florestais e Aquícolas e depois novamente Director Geral.
            Colaborou em todos os boletins da Direcção Geral da Agricultura e no primeiro volume de “Notas sobre Portugal”.

IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

 
Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Fonte do Arrife 20

            Conhecida pelo nome do arrife junto do qual se situa, a Fonte do Arrife 20 fica na margem esquerda do Ribeiro de Moel, a Norte da Ponte Nova, no talhão 249.
 
Fonte do Arrife 20

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Sem comentários

Situação na Ponte Nova três meses após o temporal de Janeiro no Pinhal do Rei

Domingo, 14 de Abril de 2013

Locais a visitar no Pinhal do Rei

            Hoje vou tentar satisfazer o interesse de algumas pessoas que me contactaram a pedir informação sobre possíveis locais no Pinhal do Rei, com interesse, do ponto de vista histórico, turístico, de lazer ou simplesmente palco de curiosidades ou lendas, que recomendaria a quem visitasse esta Mata.
            Bem que eu gostaria de aqui deixar uma lista de locais e equipamentos bem cuidados e preservados, em vez de um conjunto de ruinas de antigas Casas de Guarda, fontes ao abandono e a precisar urgentemente de restauro e limpeza, e tudo mais que, com alguma desolação, vamos encontrando no Pinhal.
            De facto, há muito que esta Mata carece de uma maior atenção. O restauro de fontes e antigos edifícios, ainda em razoável estado de conservação, evitaria o avanço da sua degradação. Para além disso, a colocação, nestes edifícios, de pequenas placas de identificação informando acerca da sua origem e história evitaria que, por falta de estarem assinalados, passassem despercebidos ao visitante ou até aos Marinhenses menos informados, como acontece, por exemplo, com o Chalé das Matas Nacionais em S. Pedro de Moel, a Estação do Comboio Americano em Pedreanes ou o antigo Ponto de Vigia da Boavista na Marinha Grande.
            Para além disto, há que repor ou restaurar placas de identificação de algumas das espécies florestais classificadas como de interesse público que, por vandalismo ou por acção do tempo, foram danificadas. E, por que não assinalar também algum do arvoredo raro no Pinhal para que todos soubessem de que espécie se trata, como por exemplo o tulipeiro do Tromelgo?
            Mas, para que o visitante possa usufruir de toda a beleza e plenitude do Pinhal do Rei, é também necessário que sejam melhoradas as estradas florestais cujo estado de conservação, em alguns locais, como acontece nos acessos ao Ponto de Vigia da Crastinha, torna quase impossível a circulação.
            Com esforço e dedicação muito se poderia fazer pelo Pinhal do Rei valorizando-o em termos turísticos, mantendo tradições e realçando o seu valor histórico e de beleza natural.
            Sabemos que o Pinhal do Rei, hoje Mata Nacional de Leiria, é de facto uma mata essencialmente destinada à produção intensiva de madeira e que, na sua zona produtiva, actualmente, se visa a produção de árvores para madeira de construção de boa qualidade. Mas, por que não aproveitar também todo o seu enorme potencial turístico? Afinal, uma coisa não impede a outra.
            Aqui fica então a lista, sempre sujeita a actualização, daquilo que me parece interessante conhecer e visitar no Pinhal do Rei.

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Locais a visitar relacionados com o Pinhal do Rei

 

Na Marinha Grande:

Antigo Ponto de Vigia da Boavista
Parque do Engenho
Edifício da antiga Fábrica de Resinagem
Edifício da Administração das Matas
Marco (Pombalino) no átrio da antiga F.E.I.S.

Em S. Pedro de Moel:

Chalé das Matas Nacionais
Antiga Casa de Guarda de S. Pedro de Moel
Farol do Penedo da Saudade
Passeios pedestres da C.M.M.G.
Parques de campismo
Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
Parque infantil Eng.º Arala Pinto

Em Vieira de Leiria:

Antigas Casas de Guarda (Mourão, Serraria, etc.)
14ª Administração Florestal
Antigo Ponto de Vigia dos Outeiros
 
Em Praia da Vieira:

Lugar das antigas Tercenas
Estacada oitocentista na Foz do Rio Lis
Percurso ao longo do Rio Lis entre as pontes da Bajanca e das Tercenas
Parque de campismo
Antigas Casas de Guarda da Praia

No interior do Pinhal:

Parque de Merendas da Portela (pinhal manso)
Ponto de Vigia da Crastinha
Ponto de Vigia Ponto Novo
Ponto de Vigia do Facho
Vale dos Pirilampos
Pinhal manso
Pinheiro-Serpente das Pedras Negras, árvore notável, classificado árvore de interesse público
Casas de Guarda em ruínas (várias): Garcia; Sanguinhal: Cova do Lobo; Pilado; Rio Tinto, etc.
Ruína da antiga Casa dos Bombeiros
Poço dos sete (Poço Branco)
Canto do Ribeiro
Praia Velha – Foz do Ribeiro de S. Pedro de Moel
Duna Primária
Vestígios do antigo ripado móvel do Séc. XIX (perto da Ponto da Crastinha)
Observatório Astronómico Pinhal do Rei
Fonte do Sardão
Lagoa da Saibreira
As “Mamas da Rainha” – Areeiro (talhão 139)
Pombal do Rei
Local no talhão 258 onde, em 1960, se fizeram buscas de petróleo

Fontes ao longo do Ribeiro de S. Pedro de Moel:

Fonte do Arrife 20
Fonte da Felícia
Fonte dos Guardas
Fonte dos Amieiros
Fontes da Ponte Nova (margens esquerda e direita do ribeiro)
 
Na Ponte Nova:

As fontes
A ponte
Árvores notáveis, classificadas árvores de interesse público
 
No Rio Tinto:

Antiga Casa de Guarda
Lugar onde existiu o maior pinheiro bravo do país (desaparecido em 19-01-2013)

Na Água Formosa:

Antiga Casa de Guarda
Parque de Merendas
Fontes
Ponto de água

No Tromelgo:

Antiga Casa de Guarda
Parque de Merendas
Tulipeiro
Eucalipto, árvore notável, classificado árvore de interesse público
O recinto (onde existiu o viveiro florestal)
Fonte do Tromelgo
Ponto de água
O ribeiro

No Samouco:

Parque de Merendas
Samoucos, árvores notáveis, classificadas árvores de interesse público
Fonte do Samouco
Fonte das Canas
Ponto de água

Em Pedreanes:

Barracões (vários)
Bairros Florestais
Nitreira
Lavadouro
Depósito de água
Antiga Serração
Eiras
Estação do antigo Comboio Americano (Tramway)
Armazém (barracão) do antigo Comboio de Lata
Antiga Casa de Guarda
Monumento a Bernardino Barros Gomes
Pinheiro manso

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