quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Os primitivos fornos do pez

            Desde tempos remotos que o Pinhal do Rei, também designado por Pinhal de Leiria, forneceu à construção naval produtos como: pez, pixe (pez negro), alcatrão (pez líquido) e breu (pez cozido e seco), obtidos a partir das achas resinosas dos pinheiros.
            Inicialmente, estes produtos usavam-se na calafetagem dos barcos e nas abordagens por embarcações inimigas, onde, depois de inflamado e a ferver, era derramado como material de destruição.
            Mais tarde, as águas-razes e águas-ruças produzidas nas mesmas fábricas, por destilação das achas resinosas, passaram a usar-se nas indústrias dos vernizes, tintas lacadas, sabões, tinturaria, farmacêutica e perfumaria.
            A respeito deste tipo de exploração, a maioria dos autores indica, como referência mais antiga, a existência, em 1475, no lugar hoje conhecido como Engenho, de uma pequena e muito rudimentar fábrica destas substâncias, propriedade de Pedro de Menezes, Conde de Vila Real, que, desde 1463, feito donatário de Leiria, incluía entre os seus direitos e rendas o “Ramo das Rendas do Pez”.
            Em 1507, acerca destes primitivos fornos, designados por “fornos de pixe”, e da forma como em qualquer lado eram montados, Fernando de Oliveira, no “Livro da Fábrica das Naus”, dizia:
            “Tira-se o breu de certas árvores; as quais todas são espécies de pinho, das quaes há munta copia dellas em Alemanha, e terras do norte. Partê o pao destas arvores em achas, e poênas arrimadas hûas e outras sobre hûa cova, a maneyra de forno de cal, ou de carvão, e pondo-lhe o fogo escorre o pez na cova. Em algûas partes esta cova he fornalha de paredes, e o fundo della he hûa caldeira de metal, cuberta com hum rabo de ferro, por não cair nella o carvão das achas queymadas (…)”.
            Outra referência aos fornos do pez, no, agora, lugar do Engenho, aparece, em 1597, na 1ª Demarcação do Pinhal de Leiria, e que, o Eng.º Arala Pinto, historiador e chefe da Circunscrição Florestal Marinhense, transcreve, em 1938, no seu livro O Pinhal do Rei: “(…) e este do dicto marco deviza pelo brejo acima ao lugar da Garcia por cima das serradas de Alvaro Pires, e de Braz Pires que ora estão rotas, e dahi em diante pelo brejo acima ao longo do Rapadouro (pequeno lugar ainda hoje existente) direito aos fornos do Pez, (Engenho) e dahi pela estrada direita à Lagoa da Sapinha (…)”.
            Estes documentos atestam a importância que esta actividade teria adquirido até essa época na zona do Pinhal do Rei.
            Em 1751, o Regimento para o Guarda Mor dos Pinhais de Leiria, do Marquês de Pombal, referia-se ao fabrico destas substâncias estabelecendo um conjunto de regras para a exploração e segurança dos fornos do pez, dizendo no parágrafo 16: “Mando que nenhuma pessoa de qualquer qualidade, que seja, possa ter fornos de pez, duas legoas em redondo dos meus Pinhaes, excepto aquellas pessoas, a quem for rematado o mesmo pez; as quaes hão de observar as condições, que se apontão no Regimento do Superintendente da Fábrica da Madeira da Marinha (…)”.
            A partir de 1780, no reinado de D. Maria I, esta indústria teve grande desenvolvimento.
            Por volta de 1790, para desenvolvimento do fabrico de alcatrão no Pinhal do Rei, o Ministro da Marinha Martinho de Mello e Castro mandou vir de Ragusa um técnico na fabricação deste produto, ficando os novos fornos construídos para esse fim conhecidos como ragusanos.
            Embora com novos métodos e novo tipo de fornos, continuou-se ainda assim a usar os antigos fornos de pixe, sendo noticiado, em 1815, nas “Memórias Económicas da Academia Real das Ciências de Lisboa”, tomo V, das quais faz parte a “Memória sobre a descrição física e económica do lugar da Marinha Grande e suas vizinhanças pertencente ao Bispado de Leiria”, do Visconde de Balsemão, que o processo de produção dos produtos destas fábricas era ainda muito idêntico ao descrito por Fernando de Oliveira em 1507 no “Livro da Fábrica das Naus”.
           Com o novo Regulamento para o Pinhal de Leiria, em 1790, vamos já encontrar o Estado como proprietário da Fábrica Resinosa, chamando a si a produção de pez e outros produtos de base resinosa, até aí entregues maioritariamente a particulares. Desta forma, o Estado aproveitava, devido à grande procura destes produtos, os grandes lucros desta indústria, evitando, por outro lado, os ajustes abusivos praticados por particulares aquando do fornecimento destes produtos ao Estado.

Parque Florestal do Engenho
Lugar onde existiram fornos do pez
- Início do Século XX -

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Araucárias no Pinhal do Rei (2)

            Na publicação que aqui deixei em Novembro de 2016 acerca das Araucárias no Pinhal do Rei dizia:
            O Viveiro Florestal do Tromelgo foi abandonado pelos Serviços Florestais em meados do século XX e destes exemplares de araucária desconheço qualquer vestígio até à data desta publicação.”
            Ora, posteriormente, numa visita mais aprofundada ao lugar do Tromelgo, apercebi-me de uma árvore que poderia corresponder ao que, entretanto, tinha andado a investigar sobre araucárias. Porém, não sendo conhecedor destas matérias, e estando a árvore cercada por densa vegetação, onde exemplares altíssimos de acácias quase a ocultavam, ficaram-me na altura algumas dúvidas sobre aquele exemplar. Assim, e aliando alguma inércia, ficou o assunto esquecido por quase um ano.
            Já depois do trágico incêndio de 15 de Outubro de 2017, ao voltar ao local, me deparei novamente com este exemplar, e logo as mesmas dúvidas me assaltaram. Regressei então ao local, posteriormente, na companhia do meu amigo Franquinho, conhecedor destas matérias, e logo me foi confirmado tratar-se, efectivamente, de um exemplar adulto de araucária. Esta seria uma alegre notícia se no caso não estivéssemos diante de uma árvore afectada pelo terrível incêndio.
            Mas, as descobertas no Tromelgo não ficariam por aqui. Dias mais tarde, tivemos conhecimento de mais dois exemplares de araucária no local, onde, em tempos, existiu o Viveiro Florestal do Tromelgo, embora, infelizmente, também afectados pelo incêndio.
            Não há uma certeza de que estes exemplares de araucária sejam os dados como existentes na Marinha Grande (em local desconhecido mas quase por certo no Tromelgo) no Boletim das Obras Públicas de 1860, onde se afirma que “(..) a maior de 2,30 (metros) de altura (..)” e todas as outras foram plantadas em 1845, nem mesmo que alguma delas seja a referida como “(…) o melhor exemplar de Araucaria imbricata (…)” existente em Portugal em 1894, segundo Carlos Augusto de Souza Pimentel no “Jornal de Agricultura e Horticultura Prática” de Janeiro desse mesmo ano. Do mesmo modo, também não se pode afirmar que estes exemplares sejam os inventariados por Arala Pinto em 1936, onde se assinalava “(…) a existência de duas araucárias inbricata no Viveiro do Tromelgo, com 14,7 e 14 metros de altura.”.
            Porém, sendo estas árvores de crescimento muito lento, e atendendo aos anos decorridos e à altura atingida pelos exemplares que no Tromelgo chegaram aos nossos dias, poder-se-ão pôr todas as hipóteses.
           Tendo sido todas elas afectadas pelo incêndio, espera-se uma observação atenta destes exemplares por parte das entidades competentes, no sentido de se analisar quanto à sua hipótese de recuperação, mesmo que aparentemente nula. Será de evitar a todo o custo o abate destes exemplares se houver um mínimo de hipótese para a sua recuperação.

Araucária no Tromelgo em Dezembro de 2016



Araucárias no Tromelgo em Dezembro de 2017

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Notícias do Comboio Americano.

            Do Comboio Americano, como ficou conhecido o Caminho de Ferro Americano dos Pinhaes de Leiria ao Porto de S. Martinho, já aqui dei algumas notícias da época em que esteve ao serviço.
            Juntam-se agora mais alguns recortes do publicado no “Diário Illustrado” ao longo de vários anos:

            Em 1873 dava-se conta do número de Quilogramas de objectos vários, entre eles o vidro e produtos resinosos, exportados por este comboio para o caminho-de-ferro do norte.


           Em 1874 dava-se conta da grande quantidade de mercadorias a transportar a partir da Marinha Grande, especialmente desde que a Mina da Granja passara a exportar os seus produtos por este comboio.


            Em 1877 dava-se conta de um acidente ocorrido neste comboio.


            Em 1880 dava-se conta da conta da necessidade de criação do lanço de estrada entre a estação de S. Martinho do Porto e o cais de embarque, prolongando a Estrada Real de Torres Vedras a S. Martinho, dada a péssima qualidade do terreno (argiloso) que dificultava o trânsito de carros, animais e pessoas em tempo de chuva.


Nota: Imagens cedidas por Carlos Gomes.

domingo, 12 de novembro de 2017

A Fonte de Pedreanes

            A partir de 1909, aproveitando os ricos lençóis de água existentes no Pinhal do Rei, os Serviços Florestais construíram inúmeras fontes e poços, de modo a que trabalhadores e animais que no Pinhal laboravam ali matassem a sede.
           É nas margens do Ribeiro de S. Pedro Moel que se concentra o maior número de pequenas fontes, aproveitando as nascentes de água fresca que ali emergem. Contudo, também na fronteira Este do Pinhal existem várias nascentes que deram, também elas, origem a fontes. É o caso da Fonte do Sardão, da Água Formosa ou da Fonte Férrea.
            No lugar de Pedreanes, que, pela importância que sempre teve, pode considerar-se o lugar mais importante do Pinhal do Rei, existe também uma fonte.
            Ora, não havendo por aqui nascentes de água, que se saiba, nem rede de abastecimento de água municipal, à data de construção da fonte, a Fonte de Pedreanes, assim designada por não lhe conhecer outra designação, terá sido abastecida por um poço e respectivo depósito elevatório construídos neste lugar nos anos de 1920. A água deste reservatório, através de canalização própria, viria mais tarde a abastecer novas fontes colocadas entre os edifícios do bairro de Pedreanes, construídos na década de 1950. Actualmente, estas fontes estão desactivadas e a Fonte de Pedreanes está ligada à rede de abastecimento público municipal, por estar obsoleto o antigo sistema de distribuição de água.
            Situada na entrada do Pinhal, junto ao monumento em homenagem a Bernardino Barros Gomes e à antiga estação do Caminho-de-ferro Americano do Século XIX, a fonte é ensombrada por um conjunto de árvores dispostas à sua volta. Dessas árvores, faziam parte, até há bem pouco tempo, duas gigantescas palmeiras, quase centenárias, que ajudavam este local a ser um dos mais bonitos locais da Pinhal do Rei. Porém, este local está agora mais pobre, já que estes magníficos exemplares arbóreos foram atacados pelo terrível escravelho que lhes causou a doença que tem dizimado quase todos os exemplares no País, levando a que tivessem sido cortadas no passado mês de Maio.
            Construída em pedra, a fonte tem à sua volta uma armação em ferro, com formato de base octogonal e rematado em cima em pirâmide. Os pilares desta singular construção são, curiosamente, feitos de carril do antigo caminho-de-ferro florestal, cujo material circulante era movido pelo célebre Comboio de Lata.
            A fonte possui na parte frontal uma inscrição que, apesar de algum desgaste e de manchada com tinta, deixa ver a sua data de construção nos seguintes dizeres:

29-1-925
MN

A Fonte de Pedreanes

A inscrição na fonte

O depósito de água de Pedreanes - anos 20 do Séc. XX
IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal
Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal
do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

O depósito de água de Pedreanes em 2004

Fonte entre os edifícios do Bairro Florestal

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O incêndio de 15/10/2017 no Pinhal do Rei

           A Mata Nacional de Leiria, oficialmente assim designada mas carinhosamente conhecida no Concelho da Marinha Grande por Pinhal do Rei, desapareceu quase na sua totalidade.
            De facto, com início no passado dia 15 e consequente prolongamento a 16 deste mês de Outubro, um incêndio de grandes proporções fez desaparecer, segundo as primeiras análises, cerca de 86% do Pinhal do Rei, desaparecendo, assim, quase dois terços do património natural do Concelho da Marinha Grande.
            Este invulgar incêndio outonal, ocorrido num atípico dia de Outubro, cuja temperatura chegou a atingir os 36º, parece ter tido a sua origem ao início da tarde a sul do Pinhal na povoação da Burinhosa ou nos seus arredores, em circunstâncias ainda por apurar.
            Com o país a atravessar um ano considerado de seca extrema, decorrido o Verão e chegando a Outubro mantendo-se as mesmas condições, o incêndio tinha todas as condições para uma favorável evolução. Para além disto, tendo início a sul da Mata, o fogo beneficiou também da fortíssima intensidade do vento e da sua anormal direcção, de sul para norte, contrariamente ao que é normal. Outro factor que muito contribuiu para a dimensão que o incêndio tomou está relacionado com a débil limpeza que tem sido dedicada ao Pinhal nos últimos anos, quase ocultando aceiros, arrifes e estradas, e originando uma enorme carga combustível.
            Por outro lado, também as inúmeras ocorrências, mais de 500, por todo o país, levaram, por falta de meios, a alguns contratempos no ataque a este incêndio, fazendo-se, porém, o possível e o impossível (quase) para acudir a tão grande catástrofe.
            Com a administração à distância, com o fim dos guardas florestais e equipas de trabalhadores rurais (assim eram chamados) ao serviço das matas nacionais, que tão bem tratavam delas, dois ou três técnicos locais revelam-se impotentes por falta de meios a todos os níveis. É como diz o provérbio: "não se podem fazer omeletes sem ovos".
            Este incêndio é cerca de 3,5 vezes maior do que o grande incêndio de 2003 e cerca de 1,8 vezes maior do que o incêndio do Facho em 1824, que ficou conhecido como "A Queimada", e que era até aos dias de hoje considerado como o maior incêndio (conhecido) no Pinhal do Rei. Agora já não é.
            Recordem-se as áreas ardidas nestes três incêndios:

            Em 2003, 2563 hectares (cerca de 25% do Pinhal)
            Em 1824, cerca de 5000 hectares (cerca de 45% do Pinhal)
            Em 2017, cerca de 9000 hectares (cerca de 86% do Pinhal)

            Depois desta tragédia, com o valor da madeira a desvalorizar rapidamente, o Pinhal será cortado a breve trecho. E se a tudo isto juntarmos alguns problemas que já vinham a revelar-se com a Duna Primária e a reflorestação atempada após os regulares cortes ou adversidades passadas, como foi o caso do já referido incêndio de 2003 ou do temporal de 2013, eis-nos de novo na época de D. Dinis, quando as areias vindas do litoral, impelidas pelos ventos de oeste, avançavam para as terras do interior prejudicando a agricultura e as novas sementeiras de Pinhal.
            Não sendo um problema apenas do litoral, e muito menos exclusivo do Pinhal do Rei, dadas as consequências da enorme área florestal ardida nos últimos anos, é necessário agir rapidamente mas de forma organizada.
            É preciso voltar ao início do século XIX, aos tempos de José Bonifácio de Andrada e Silva e gerações posteriores, que, desde esses remotos tempos, numa acção contínua, culminada com o Plano de Povoamento Florestal de 1938, eliminaram por completo, nos 30 anos que se seguiram, os desertos de areias móveis do litoral português e concluíram o povoamento florestal dos terrenos baldios a norte do Tejo.
            Depois de quase dois dias de árduo combate às chamas, com os corajosos bombeiros, que de todo o país acudiram a mais esta tragédia nacional, e com a ajuda da valorosa população, o incêndio, quase dominado, capitulou definitivamente numa noite chuvosa.
            Com o Sol de novo a brilhar, o pouco que restou desta esplendorosa Mata, com mais de 700 anos de história, ficará de lembrança daquela que era a mais antiga mata nacional. Porém, tudo o que dela desapareceu ficará para sempre na memória e no coração daqueles qua a conheceram, principalmente do Povo da Marinha Grande que sempre amou e respeitou a sua Mata, a “Catedral Verde e Sussurrante” como lhe chamou Afonso Lopes Vieira.
            É preciso, agora, saber reerguer o novo Pinhal do Rei, tratá-lo e amá-lo como fizeram os nossos antepassados, de modo a que os vindouros dele possam usufruir, tanto como nós usufruímos.

O incêndio nas suas primeiras horas.

Casa de guarda da Cova do Lobo destruída pelo incêndio.

domingo, 24 de setembro de 2017

O Pinheiro do Sr. Borges

          Existiram noutros tempos no Pinhal do Rei, tal como nos dias de hoje, alguns pinheiros que, pelas suas dimensões ou forma, se destacavam na Mata.
            Em 1941, acerca das árvores notáveis existentes nesta Mata, O Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande e Administrador do Pinhal do Rei entre 1927 e 1956, no segundo volume do seu livro “O Pinhal do Rei”, deixou-nos importantes informações .
            Entre essas antigas árvores notáveis, existiu no talhão 226 um pinheiro que ficou conhecido como “O Pinheiro do Sr. Borges”. As suas dimensões compreendiam uma altura total de 43 metros e um diâmetro a 1,30 m do solo (DAP – diâmetro à altura do peito) de 1,10 metros.
            Idade provável em 1941, 200 anos.

O Pinheiro do Sr. Borges – anos 30 do Séc. XX

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Mappa dos Pinhaes de S. Mag.de e da Universidade de Coimbra; da Caza do Infantado, e do Conselho de Leyria

            Este mapa, elaborado em 1765, foi composto por ordem do Ministro e Secretário de Estado Francisco Xavier de Mendonça Furtado pelo Sargento Mor Guilherme Elsden.
            De ambos os lados deste curioso mapa encontram-se "explicações" económicas correspondentes a cada um dos pinhais nele representado e quatro panorâmicas com os seguintes títulos: 

           ● “Forma de embarcar Madeira no Verão, em quanto não for praticável o Porto de S. Pedro de Moel" 

           ● "Perspectiva de huma Nova Fabrica do Pez, que pode dar quasi o necessário pa. o Consumo deste Reino, aproveitando-se a madeira q sem esta applicação se perde inutilmente"

           ● "Perspectiva de Porto de St. Pedro de Moel"

           ● "Boca da Mina de Carvão de Pedra no Pinhal de S.Me”.

            Em 1769, este mapa viria a ser a origem do novo “Mapa dos Pinhais de S. Majestade, e S. Alteza do Concelho de Leiria e Universidade de Coimbra com os Lugares e Povos Vezinhos”, elaborado pelo mesmo autor. Relativamente ao mapa de 1765, este novo mapa tornou-se mais completo, sobretudo sob o aspecto toponímico. Porém, não foram copiadas as panorâmicas do mapa de 1765.

Mappa dos Pinhaes de S. Mag.de e da Universidade de Coimbra;
da Caza do Infantado, e do Conselho de Leyria

Esta gravura representa a forma de embarcar madeira no
Porto de S. Pedro de Moel quando o porto não era praticável.

            Os Saveiros, barcos de fundo chato e movidos a remos, rebocavam jangadas carregadas de madeira levando-a até aos hiates do Arsenal da Marinha que se encontravam fundeados ao largo, sendo esta depois içada para bordo.

Esta gravura sugeria o que poderiam vir a ser os fornos
da nova Fábrica do Pez em S. Pedro de Moel.

            A fábrica de S. Pedro de Moel, cuja ordem de construção só viria a ser dada no Regulamento de 1790 (Regulamento Interino que Sua Majestade Manda observar no Real Pinhal de Leiria) possuía 8 fornos e situava-se perto do local onde viria a ser construída a casa de guarda de S. Pedro de Moel, nos terrenos sobranceiros ao vale. Trabalhou a partir de 1790.

Esta gravura mostra uma perspectiva do que era
o Porto de S. Pedro de Moel naquela época.

Esta gravura mostra a entrada da mina de carvão de
pedra em exploração no Pinhal do Rei naquela época

Explicação do Pinhal da Universidade de
Coimbra (Mata Nacional do Urso) e explicação do Pinhal
do Concelho de Leiria (Mata Nacional do Pedrogão)

Explicação do Pinhal de Sua Majestade (Pinhal do Rei)
e explicação da composição do Mapa


Nota: fotografias de partes dos painéis instalados junto à foz do Rio Liz na Praia da Vieira no âmbito do Percurso Pedestre - Praia da Vieira - PR1 MGR.

sábado, 22 de julho de 2017

Circuito de Manutenção do Ribeiro da Tábua

            Não foi ainda há muito tempo que por aqui deixei algo escrito acerca do antigo campo de futebol situado no talhão 1 do Pinhal do Rei, à esquerda da estrada que liga a Vieira de Leiria à Praia da Vieira.
            Deixei, nessa ocasião, por falar da existência de vestígios, ainda bem visíveis, de um antigo circuito de manutenção física em redor desse campo de futebol.
            São vários os pontos de paragem e exercício, alguns ainda com os aparelhos de treino, ou parte deles, embora, naturalmente, já degradados.
            Cada um dos pontos de paragem e treino está assinalado com uma placa vertical, em cimento, decorada com bonitos painéis de azulejo exemplificando o exercício físico a executar. Estes painéis, datados de 1989, dão-nos a indicação de que foi nesse já longínquo ano que este circuito terá sido construído, sendo seu principal impulsionador o Sr. António Vasco, grande entusiasta do desporto em Vieira de Leiria. Por outro lado, estão também assinados pelo seu autor, Paulo Correia, artista há muito radicado em Vieira de Leiria.
            Para além do autor e da data indicados nos painéis, podemos ainda ver em um deles a indicação da olaria onde foram construídos. Trata-se da antiga “Olaria Maria Fernanda Lda.” em Vieira de Leiria, já desaparecida desde finais dos anos 90 do passado século, pelo que pude apurar.
            O estado de degradação a que chegou este equipamento desportivo parece estar relacionado com a existência de novos equipamentos nas redondezas, novas “modas” para exercício físico, falta de manutenção e também algum vandalismo. De facto, facilmente se detecta o desaparecimento de alguns dos aparelhos de exercício e o estado de degradação dos que ainda restam.
            Algumas das já referidas placas de cimento, encimadas com painéis de azulejo, estão partidas e tombadas no chão, outras encostadas aos pinheiros, e uma delas, já partida em pedaços, foi preciso reconstruir o puzzle para poder observar o bonito desenho.
            Situado perto do Ribeiro da Tábua em zona de frondoso pinhal, em caminhos maioritariamente de terra batida, é pena que se tenha deixado chegar a tal estado de degradação este equipamento publico inserido em terrenos da Mata Nacional, pois ainda hoje estaria ao serviço das populações se tivesse havido alguma manutenção, certamente com custos diminutos, por parte das entidades competentes na área do desporto local.


Um dos painéis demonstrativos do exercício a executar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...