sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Não há fumo sem fogo

            “O acesso às estradas no interior da Mata Nacional poderá vir a ser fechado ao público. De acordo com Álvaro Pereira, presidente da Câmara da Marinha Grande, o município já foi “ameaçado” de que poderiam regressar as “trancas” que em tempos impediram o acesso público às vias que atravessam a mata.
            Na Assembleia Municipal, questionado sobre o mau estado daquelas vias, Álvaro Pereira explicou que o município tentou recentemente que fosse definida qual pode ser a sua ação na melhoria das estradas florestais. “Disseram-nos que não se pode fazer nada”, explicou.
            Sem nunca se referir diretamente ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade responsável pela zona florestal, Álvaro Pereira revelou ainda que “já ameaçaram que colocariam de novo as trancas que já existiram”.
            Muito embora sejam frequentes as queixas sobre o mau estado das vias, a verdade é que “para eles as estradas estão boas, pois só querem tirar de lá a madeira”, lamentou ainda o autarca. (…)”
 
(Excerto do publicado) In: www.regiaodeleiria.pt
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            A notícia já não é nova! Publicada no Jornal Região de Leiria na edição do passado dia 2 de Outubro, editada para online em 13 Outubro e já muito divulgada nas redes sociais na zona da Marinha Grande, esta notícia deixa todos os habitantes do concelho e arredores, amantes e usufrutuários do Pinhal do Rei, preocupados, já que nela se levanta a hipótese do regresso das antigas tranqueiras ao Pinhal.
            Recorde-se que, por volta de 1790, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Ministro da Marinha, Martinho de Melo e Castro, mandou abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal, deixando apenas 4 passagens controladas por guardas. Estes passaram a viver com as suas famílias em casas construídas nesses locais (as casas de guarda). Com o aumento das populações à volta do Pinhal, mais passagens e mais casas de guarda iam sendo criadas e, cerca do ano de 1843, o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 estas eram já 20.
            Em 1857, como reforço do controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Administrador José de Melo Gouveia proibiu a circulação de veículos dentro do Pinhal, depois do Sol-posto. Para isso, mandou colocar tranqueiras (vigas de madeira fechadas a cadeado) em todas as passagens, colocadas pelos guardas ao Pôr-do-Sol e só retiradas ao nascer do dia seguinte.
            Em 1926, a jurisdição das praias de S. Pedro de Moel e da Vieira passou para a Câmara Municipal da Marinha Grande. Foi por isso retirada a tranqueira da Guarda Nova, permitindo a passagem de veículos tanto de dia como de noite mantendo-se, no entanto, a proibição de saída de quaisquer produtos do Pinhal depois do Sol-posto. Em 1969 foi retirada a tranqueira de Água Formosa e, mais tarde, numa evolução natural, as tranqueiras foram sendo eliminadas, tendo sido retiradas definitivamente em 1975 com a liberalização do trânsito dentro do Pinhal.
            Ora, dizem os mais idosos que no fim do mundo se haveriam de ver coisas de admirar. De facto, voltar a uma situação de fecho de estradas no interior da Mata equivaleria a um retrocesso de cerca de meio século.
            Se, no Século XIX, se teve de recorrer ao fecho da Mata como medida de segurança, evitando roubos e abusos por parte das populações, já que todos necessitavam de madeira e outros produtos do Pinhal para uso nas suas lavouras, não vejo, nos dias de hoje, necessidade de voltar a fechar as estradas da Mata. Porém, neste País, já quase nada nos surpreende, ainda mais que não foi ainda há muito tempo que se alvitrou a hipótese do Pinhal do Rei vir a ser explorado por entidades privadas.
            Costuma-se também dizer que não há fumo sem fogo, mas uma medida desta natureza terá o repúdio de toda a população marinhense e de todos os amigos do Pinhal do Rei.

Controlo de carradas à saída do Pinhal em Pedreanes - anos 50 do séc. XX

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

As Mamas da Rainha

            Existe no Pinhal do Rei um local conhecido por Mamas da Rainha. Caracterizado por duas grandes dunas de forma arredondada, este local situa-se nos talhões 140 e 156 no enfiamento do Aceiro I ou Cova do Lobo, que se interrompe ao encontrar tão abruptas dunas, prosseguindo, mais à frente, após estas. Também a estrada florestal coincidente com este aceiro, que se inicia junto ao Aceiro Exterior no lugar da Cova do Lobo, ao chegar a estas dunas as contorna, deixando-as à esquerda, prosseguindo depois até ao lugar do Samouco.
            As Mamas da Rainha ficam mesmo ao lado de outra grande duna que, situada no talhão 139, é bastante mais conhecida, pois foi durante várias décadas do séc. XX um ponto de exploração de areia para construção civil e fabrico de vidro. Esta areia era conhecida como “areia do I”, por a sua extracção ser feita perto deste aceiro.
            Sobre a origem do nome deste local e destas duas dunas, juntas e arredondadas, diz a lenda, segundo José Martins Saraiva em “Lendas do Pinhal do Rei”, que, no tempo de D. Dinis, quando se fazia a plantação do Pinhal, os homens, perante a dificuldade em vencer a irregular superfície de tão abruptas dunas, foram da opinião que tais deveriam ser amaciadas mas, D. Dinis retorquiu: “- Não! Com esforço faremos o trabalho e, se bem olharem, essas dunas, assim juntas, têm a forma de umas mamas de mulher! Não deitaremos por terra tão doces formas da Natureza!”.
            Depois, com o passar do tempo, o povo, brincalhão, acabou por mudar a designação dada por El-Rei e passou a designar aquele lugar do Pinhal por Mamas da Rainha.


            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 48' 31" N
            08° 58' 21" W

As Mamas da Rainha

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

A Serração de Pedreanes

            Em 1952, para um plano de construção e renovação de edifícios, o Estado pediu aos Serviços Florestais grandes quantidades de madeira de boa qualidade.
            Para melhor seleccionar, trabalhar e controlar a madeira fornecida, foi decidido construir uma grande serração nos próprios Serviços Florestais. Esta foi montada em Pedreanes, nesse mesmo ano, e trabalhou exclusivamente durante muitos anos para os Serviços Florestais de todo o País. Nos últimos anos da sua laboração foi aberta a venda a particulares fornecendo madeira da melhor qualidade, tratada e trabalhada.
              Encerrou por volta dos últimos anos do passado Século.
             Na fotografia que tive oportunidade de tirar em 2002, representando o seu interior, ainda era visível no solo a malha de barrotes que constituía o parque de secagem, sobre a qual assentavam as madeiras trabalhadas conforme se vê na fotografia dos anos 50 do passado século aqui reproduzida. Essa malha de barrotes foi mais tarde retirada.
            Nos dias de hoje, a serração vai servindo de garagem, depósito temporário de antigas viaturas, troncos de árvores trazidas do Pinhal, alguma lenha e, creio, pouco mais.
            Entretanto, a não laboração vai trazendo alguma falta de manutenção, o que leva a que já seja visível alguma degradação dos antigos barracões.
 
A serração em laboração em 1954

Parque de secagem da serração nos anos 50 do Séc. XX
 
A serração em laboração nos anos 60 do Séc. XX

Vista do interior da serração em 2002
 
Vista Sul dos barracões da serração de Pedreanes em 2004

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Árvore de interesse público na Ponte Nova

            O pinheiro bravo é largamente a espécie predominante no Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria) mas, para além do pinheiro bravo e de alguns núcleos de pinheiro manso, existe uma grande variedade de outras espécies, quer sejam arbustos de geração espontânea ou grandes árvores exóticas, plantadas em várias épocas para alindar o Pinhal ou para estudos botânicos.
            Nas margens do Ribeiro de Moel podem ser observados exemplares raros de carvalhos, faias e amieiros, plantados em 1950 para alindar a estrada paralela ao ribeiro, entre a Ponte de S. Pedro e o Canto do Ribeiro (na Praia Velha).
            Na zona da Ponte Nova encontram-se alguns eucaliptos gigantes, com mais de 50 metros de altura (dos maiores da Europa), e altíssimas acácias, raras em Portugal. No maciço de eucaliptos situado no talhão 247, encontra-se um exemplar que, pelas suas dimensões, está classificado como árvore de interesse público desde 1997.
            Em 2010, quando foi medido, este exemplar apresentava as seguintes dimensões:
 
            Altura total – 63 metros
            Diâmetro a 1,30 do solo  – 1,5 metros
            Perímetro a 1,30 do solo – 4,7 metros  
            Diâmetro médio da copa – 23 metros
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' 04.7" N
            09° 00' 15.5" W
 
 
Placa informativa acerca desta árvore notável

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

O antigo Ponto de Vigia da Boavista

            Para relembrar um pouco da história da instalação dos pontos de vigia no Pinhal do Rei temos de recuar até finais do Século XIX, quando Bernardino Barros Gomes mandou instalar os primeiros Pontos de Vigia. Inicialmente, estes Pontos eram pequenas barracas de madeira com torres anexas nos sítios mais altos do Pinhal: Facho, Ladeira Grande, Crastinha e também no edifício da Resinagem
            Alguns anos mais tarde foram reconstruídos os Pontos da Ladeira Grande e da Crastinha (por a madeira estar a apodrecer) e também o do Facho, (por estar mal construído).
            Nesta reconstrução, estes Pontos passaram a ser constituídos por altas armações em ferro, em cujo topo, rodeado por uma varanda, estava o posto de vigia.
            Já no Século XX, concretamente a partir de 1936, os Pontos, Facho, Ladeira Grande e Crastinha, foram reconstruídos em cimento armado, por projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo, passando o Ponto da Ladeira Grande a chamar-se Ponto Novo.
            Nesta altura foi também construído o Ponto dos Outeiros em Vieira de Leiria, que servia não só o Pinhal do Rei mas também o Pinhal do Pedrógão fazendo a ligação entre estas duas matas vizinhas. Este antigo Ponto de Vigia está já desactivado e encontra-se actualmente em terrenos privados.
            Mas, em 1885, fora do Pinhal e num dos pontos altos da Marinha Grande, foi construído o Ponto de Vigia da Boavista, que substituiu o do Edifício da Resinagem. Constituído por uma torre semelhante à de um farol, com uma estrutura de alvenaria de forma octogonal e com acesso ao topo por uma escada interior em caracol, tinha de início cúpula de madeira sendo, posteriormente, em 1898, feita em pedra. O Ponto da Boavista, por se encontrar fora da Mata, não só vigiava todo o Pinhal, como recebia e dava sinais, de e para os outros Pontos, de dia por meio de bandeiras e de noite com luz. Anexa à torre de vigia, existia uma pequena casa onde viviam os Guardas que faziam a vigilância.
            Contrariamente aos pontos de vigia que se encontram no interior do Pinhal, que, todos os anos, ainda são usados para vigilância na época de maior risco de incêndios, o Ponto de Vigia da Boavista há muito que está desactivado.
            O espaço do Ponto da Boavista é actualmente usado pela Liga dos Combatentes.
            Por consulta à página na Internet (site) da Liga dos Combatentes é-nos informado que, nos anos 90 do século passado, o então Instituto Florestal lhes cedeu o espaço do Ponto da Boavista para instalação do seu Núcleo da Marinha Grande e que, em 1999, pela então já Direcção Geral das Florestas, o mesmo espaço foi cedido “graciosamente à Liga dos Combatentes por períodos renováveis de 6 anos”.
            E, na mesma página, é-nos também dito que, em 2004, “A Liga dos Combatentes adquiriu o imóvel por escritura de cessão definitiva, conforme averbamento efectuado na Conservatória do Registo Predial da Marinha Grande, ficando o Núcleo sediado na Rua Ponto da Boavista, n°. 12 (…)”.



À esquerda o Ponto de Vigia em finais do Séc. XX, à direita o Ponto de Vigia e o Núcleo da Marinha Grande da Liga dos Combatentes em 2001.

“M.N. 25-6-1898” – Inscrição na cúpula.

O Ponto de Vigia e o Núcleo da Marinha Grande da Liga dos Combatentes em 2014.


            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 34.5" N
            08° 55' 30.5" W

sábado, 9 de Agosto de 2014

A Estação do Comboio Americano

            Construída em Pedreanes para servir o Comboio Americano, esta estação ostenta uma placa com a data de 1862, no entanto, o historiador e chefe da Circunscrição Florestal Marinhense, o Eng.º António Arala Pinto, refere, em 1938, no seu livro sobre o Pinhal, que esta foi construída em 1856, altura em que se iniciou a construção deste primitivo comboio. Assim, o actual edifício, datado de 1862, pode ter substituído uma antiga estação quando, em 1861, todo o primitivo Caminho Americano foi renovado.


Estação do Comboio Americano – anos 30 do Séc. XX


Estação do Comboio Americano

Inscrição sobre a porta principal da Estação do Comboio Americano

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Casa de Guarda da Portela

            As primeiras casas de guarda foram construídas em 1790 por ordem do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro depois de, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, este ter mandado abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal deixando apenas 4 passagens controladas por guardas que aí passaram a viver com as suas famílias.
            Em 1843 o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 eram já 20.
            Já no Século XX, entre 1920 e 1940, com a população a aumentar, houve necessidade de serem abertas novas passagens e construídas novas casas de guarda, entre elas a da Portela.
            A Casa de Guarda da Portela situa-se na Marinha Grande, na fronteira este do Pinhal do Rei junto ao Aceiro Exterior, no talhão 252 a cerca de 200 metros a sul do Aceiro O.
            Com autorização dos serviços florestais (ICNF) esta casa de guarda encontra-se ainda habitada, sendo razoável o seu estado de conservação.


Coordenadas Geográficas aproximadas:
39° 45' 03" N
08° 56' 36" W


 


 A Casa de Guarda da Portela

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Pinhal das Artes

            Tem hoje início, no Lugar das Árvores, em São Pedro de Moel, o “Pinhal das Artes 2014 - VII Festival de Artes para a Primeira Infância”. 
            Conheça o programa em http://pinhaldasartes.blogspot.com/


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