quarta-feira, 29 de julho de 2015

Na Torre da Crastinha

In: "Diário de Lisboa", nº 9544, Ano 29, Sábado, 25 de Junho de 1949, (excerto)
©casacomum.org/Fundação Mário Soares

Luneta que esteve instalada nos Pontos de Vigia
 
O Ponto de Vigia (Torre) da Crastinha

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A Fonte Férrea

            É nas margens do Ribeiro de S. Pedro Moel que se concentra um grande número de pequenas fontes, aproveitando as nascentes de água fresca que ali emergem. Todavia, também na fronteira Este do Pinhal, existem várias fontes. É o caso da Fonte do Sardão, da Água Formosa ou da Fonte Férrea.
            A Fonte Férrea situa-se no talhão 179 junto à antiga Casa de Guarda da Garcia. A designação “Fonte Férrea” pode ver-se no mapa do Pinhal de 1940. Num outro mapa, alguns anos mais antigo, esta fonte aparece designada por Fonte do Garcia, o que, creio, deve ter sido um lapso, pois talvez se quisesse designá-la por fonte da Garcia, dada a proximidade da povoação da Garcia.


A Fonte Férrea

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pinhal do Rei – Catedral verde à beira-mar

            Muitas têm sido, ultimamente, as intenções de divulgação da história e situação actual da Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, umas bem conseguidas e outras nem tanto.
            No passado mês de Abril, o jornal Região de Leiria brindou-nos com um excelente trabalho de 32 páginas sobre o Pinhal do Rei. De facto, sendo parte integrante da edição nº 4073 do jornal Região de Leiria do passado dia 9 de Abril de 2015, o suplemento “Pinhal do Rei – Catedral verde à beira-mar” é um enorme contributo para a divulgação desta mata nacional.
            Para quem não teve ainda a oportunidade de ler este notável trabalho, aqui fica mais uma oportunidade. Aceda aqui.


O suplemento “Pinhal do Rei – Catedral verde à beira-mar"

quinta-feira, 21 de maio de 2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Os enxertados do Pinhal do Rei

            Existem no talhão 185 do Pinhal do Rei, contíguo a sul ao Aceiro K, alguns curiosos e estranhos pinheiros bravos, resultantes de uma experiência de enxertia outrora feita neste talhão.
            Os objectivos concretos e os autores de tal experiência são desconhecidos, já o resultado está bem visível.
            Consultando o Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, elaborado em 2010, constatamos que este talhão (parcela A) tinha, à data, uma idade de 37 anos, o que remete o nascedio para 1973, altura em que ainda se usava a sementeira artificial, feita dentro dos dois anos seguintes ao corte final.
            Ora, crê-se que, algum tempo depois, alguém, por razões desconhecidas, executou a referida experiência, enxertando em pinheiros novos, por cima, ramos de outros pinheiros.
            O resultado, visto hoje em dia, é que a parte original do tronco do novo pinheiro, que actualmente varia, entre exemplares, entre 0.5 e 1 metros de altura, apresenta uma casca (carrasca) normal, espessa, de cor castanha avermelhada e profundamente fissurada, enquanto, a parte enxertada apresenta uma casca fina, quase sem casca, típico dos ramos altos do pinheiro bravo, com os quais se fez a enxertia.
            Estes pinheiros apresentam também um fuste bastante direito.


Pinheiros enxertados

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O regresso ao Pinhal do Rei

Há quanto tempo aqui não vinha…
E que bons tempos aqui passei.
Ai as saudades eu tinha
Deste meu Pinhal do Rei…
Mas, agora que regressei,
Quero ir visitar
Os lugares por onde andei,
Sem nenhum deixar escapar.

Quero ir de lés a lés,
Sem obstáculos ou entraves,
Escutar o belo canto das aves
E o suave crepitar do ribeiro,
Perder o Norte e o paradeiro,
Quero ir de lés a lés.

Quero dar a Volta aos Sete,
Quero ir ao Canto do Ribeiro,
Andar por aí num aceiro,
Sem nada que me inquiete.

Quero dar a volta à Mata,
Quero ver o Lis e os Campos,
Quero viajar no Comboio de Lata
E ir ao Vale dos Pirilampos.

Quero ir à Ponte Nova.
No Tromelgo quero ver o viveiro,
E, mesmo junto ao Aceiro,
Quero passar na Lagoa Cova.

Quero ir visitar as Tercenas,
A Crastinha e Água Formosa,
E, com tantas paisagens amenas
Desta floresta majestosa,
Ainda vou escrever uns poemas,
Seja em verso ou seja em prosa.

Quero ver os pinheiros-serpente
E os imponentes sementões,
Que, lançando sua semente
Semeiam novos talhões.

Mas falta-me agradecer
Aos Guardas Florestais
Que, com seu constante labor,
Com afeição e saber,
Trazem sempre num primor
Estas Matas Nacionais.

Ai Pinhal dos meus sonhos,
Ó floresta encantada,
Dás camarinhas e medronhos,
Foste sempre a mais cantada.

Tens fontes de água fresca,
Deveras pura e cristalina,
Aí qualquer um se refresca
Pelo púcaro da resina.

E, de tudo o que lembrei,
Vou então visitar…
E que bom vai ser recordar
Os lugares por onde andei.

Mas, depois de muito andar,
Afinal que vejo eu?
Valeu a pena voltar?

Sim, o que vejo eu?
Vejo estradas e mais estradas
Mas, não servem, estão esburacadas.
O Viveiro não existe
E o Comboio desapareceu.
O Pinhal está triste!
As fontes estão abandonadas
E as águas contaminadas.
O Pinhal está esquecido
E o Ribeiro poluído.
E os Guardas?      
Onde estão os Guardas?

Oh, mas que fizeram ao Pinhal do Rei?
O que fizeram ao Pinhal de outrora?
Será melhor ir-me embora…
Finda aqui o que sonhei.

E alguém me diz afinal
O porquê do que fizeram
À minha Catedral?


JM Gonçalves

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Duna Primária

            Recuando ao tempo de D. Dinis, é sabido que, o Monarca, ao incrementar o plantio do Pinhal, teve como um dos objectivos segurar as areias que os ventos arrastavam para as férteis terras do interior, prejudicando a agricultura. No entanto, dado que a maior parte das nossas costas marítimas, exceptuando as mais altas e as de penedia, era constituída por extensos desertos móveis de areia, ainda, em 1841, havia, junto ao litoral, entre a Praia da Vieira e a foz do Ribeiro de Moel, uma faixa de 2 000 hectares de areias que continuavam a invadir o Pinhal. A arborização desta faixa apenas se completou em 1909. Porém, não havendo obstáculos naturais que travassem o areamento desta faixa foi, portanto, necessário criá-lo artificialmente antes de arborizar. Esse obstáculo chamou-se Duna Primária.
            Se a construção da Duna Primária resolvia o problema da invasão do Pinhal por areias trazidas pelo vento, havia, por outro lado, que resolver o problema das zonas já areadas e desertificadas. Assim, os trabalhos desenvolveram-se em duas frentes: a construção da Duna Primária e a posterior fixação e arborização das zonas já areadas.
            A desertificação das costas marítimas não era caso único na zona do Pinhal do Rei, era um problema nacional e a sua resolução atravessou três séculos.

            ● Século XVIII
            Realizados sem sucesso os primeiros trabalhos no final do século.

            ● Século XIX
            Primeiras sementeiras metódicas no início do século.
            Trabalhos regulares a partir de meados do século.
            Intensificação dos trabalhos no final do século.
            Florestados 3000 hectares de dunas do litoral nacional.

            ● Século XX
            Conclusão dos trabalhos de fixação de dunas.
            Florestados novos 34 000 hectares de dunas do litoral nacional.

            Para formação da duna, instalou-se, a uma certa distância da mais avançada linha de marés, uma paliçada ou um ripado feito de tábuas, com cerca de 1 metro de altura. Desta forma, o ripado de tábuas evitava a passagem das areias impelidas pelo vento que, assim, se iam depositando junto ao ripado. Quando o ripado estava quase enterrado, puxava-se para cima até ficar na altura e posição primitivas. Mais areia trazida pelo vento se voltava a depositar junto às tábuas, e novamente se puxava o ripado para cima.
            Desta forma, a duna ia crescendo até atingir uma altura de 4 a 5 metros. A elevação do ripado era feita com uma espécie de alavanca elevatória a que chamavam cábrea.
            Uma vez formada a duna, procedeu-se à sua fixação empregando plantas arenosas, principalmente o estorno. Com a duna fixa, procedeu-se à fixação e arborização das zonas situadas a nascente da duna e já areadas.
            A partir da Estrada Atlântica, entrando pelo Aceiro D em direcção à costa, um pouco a sul da Praia da Vieira, podem ser vistos vestígios deste antigo ripado do Séc. XIX.

Paliçada - início do Séc. XIX

Ripado móvel- início do Séc. XX

Elevação do ripado por meio de cábrea - ano de 1908/09

A Duna Primária



Vestígios do ripado móvel do Séc. XIX

sábado, 21 de março de 2015

Casa de Guarda do N

            A cerca de 800 metros a sul de Pedreanes, entre as casas de guarda de Pedreanes e das Gaieiras, no início do Aceiro N, junto ao Aceiro Exterior do Pinhal do Rei, situa-se a Casa de Guarda do N. A sua designação deriva precisamente por estar situada no início do aceiro com o mesmo nome.
            Esta casa encontra-se ainda em razoável estado de conservação, embora, provavelmente devido ao temporal de Janeiro de 2013, nomeadamente ao nível do beirado do telhado, já mostre alguma necessidade de manutenção.
            Em 2006 ainda se podia ver a tradicional picota para tirar água do poço, desmantelada posteriormente por apresentar algum risco devido ao mau estado em que se encontrava.


A Casa de Guarda do N



O poço e a picota em 2006
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