sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

A Serração de Pedreanes

            Em 1952, para um plano de construção e renovação de edifícios, o Estado pediu aos Serviços Florestais grandes quantidades de madeira de boa qualidade.
            Para melhor seleccionar, trabalhar e controlar a madeira fornecida, foi decidido construir uma grande serração nos próprios Serviços Florestais. Esta foi montada em Pedreanes, nesse mesmo ano, e trabalhou exclusivamente durante muitos anos para os Serviços Florestais de todo o País. Nos últimos anos da sua laboração foi aberta a venda a particulares fornecendo madeira da melhor qualidade, tratada e trabalhada.
              Encerrou por volta dos últimos anos do passado Século.
             Na fotografia que tive oportunidade de tirar em 2002, representando o seu interior, ainda era visível no solo a malha de barrotes que constituía o parque de secagem, sobre a qual assentavam as madeiras trabalhadas conforme se vê na fotografia dos anos 50 do passado século aqui reproduzida. Essa malha de barrotes foi mais tarde retirada.
            Nos dias de hoje, a serração vai servindo de garagem, depósito temporário de antigas viaturas, troncos de árvores trazidas do Pinhal, alguma lenha e, creio, pouco mais.
            Entretanto, a não laboração vai trazendo alguma falta de manutenção, o que leva a que já seja visível alguma degradação dos antigos barracões.
 
A serração em laboração em 1954

Parque de secagem da serração nos anos 50 do Séc. XX
 
A serração em laboração nos anos 60 do Séc. XX

Vista do interior da serração em 2002
 
Vista Sul dos barracões da serração de Pedreanes em 2004

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Árvore de interesse público na Ponte Nova

            O pinheiro bravo é largamente a espécie predominante no Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria) mas, para além do pinheiro bravo e de alguns núcleos de pinheiro manso, existe uma grande variedade de outras espécies, quer sejam arbustos de geração espontânea ou grandes árvores exóticas, plantadas em várias épocas para alindar o Pinhal ou para estudos botânicos.
            Nas margens do Ribeiro de Moel podem ser observados exemplares raros de carvalhos, faias e amieiros, plantados em 1950 para alindar a estrada paralela ao ribeiro, entre a Ponte de S. Pedro e o Canto do Ribeiro (na Praia Velha).
            Na zona da Ponte Nova encontram-se alguns eucaliptos gigantes, com mais de 50 metros de altura (dos maiores da Europa), e altíssimas acácias, raras em Portugal. No maciço de eucaliptos situado no talhão 247, encontra-se um exemplar que, pelas suas dimensões, está classificado como árvore de interesse público desde 1997.
            Em 2010, quando foi medido, este exemplar apresentava as seguintes dimensões:
 
            Altura total – 63 metros
            Diâmetro a 1,30 do solo  – 1,5 metros
            Perímetro a 1,30 do solo – 4,7 metros  
            Diâmetro médio da copa – 23 metros
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' 04.7" N
            09° 00' 15.5" W
 
 
Placa informativa acerca desta árvore notável

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

O antigo Ponto de Vigia da Boavista

            Para relembrar um pouco da história da instalação dos pontos de vigia no Pinhal do Rei temos de recuar até finais do Século XIX, quando Bernardino Barros Gomes mandou instalar os primeiros Pontos de Vigia. Inicialmente, estes Pontos eram pequenas barracas de madeira com torres anexas nos sítios mais altos do Pinhal: Facho, Ladeira Grande, Crastinha e também no edifício da Resinagem
            Alguns anos mais tarde foram reconstruídos os Pontos da Ladeira Grande e da Crastinha (por a madeira estar a apodrecer) e também o do Facho, (por estar mal construído).
            Nesta reconstrução, estes Pontos passaram a ser constituídos por altas armações em ferro, em cujo topo, rodeado por uma varanda, estava o posto de vigia.
            Já no Século XX, concretamente a partir de 1936, os Pontos, Facho, Ladeira Grande e Crastinha, foram reconstruídos em cimento armado, por projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo, passando o Ponto da Ladeira Grande a chamar-se Ponto Novo.
            Nesta altura foi também construído o Ponto dos Outeiros em Vieira de Leiria, que servia não só o Pinhal do Rei mas também o Pinhal do Pedrógão fazendo a ligação entre estas duas matas vizinhas. Este antigo Ponto de Vigia está já desactivado e encontra-se actualmente em terrenos privados.
            Mas, em 1885, fora do Pinhal e num dos pontos altos da Marinha Grande, foi construído o Ponto de Vigia da Boavista, que substituiu o do Edifício da Resinagem. Constituído por uma torre semelhante à de um farol, com uma estrutura de alvenaria de forma octogonal e com acesso ao topo por uma escada interior em caracol, tinha de início cúpula de madeira sendo, posteriormente, em 1898, feita em pedra. O Ponto da Boavista, por se encontrar fora da Mata, não só vigiava todo o Pinhal, como recebia e dava sinais, de e para os outros Pontos, de dia por meio de bandeiras e de noite com luz. Anexa à torre de vigia, existia uma pequena casa onde viviam os Guardas que faziam a vigilância.
            Contrariamente aos pontos de vigia que se encontram no interior do Pinhal, que, todos os anos, ainda são usados para vigilância na época de maior risco de incêndios, o Ponto de Vigia da Boavista há muito que está desactivado.
            O espaço do Ponto da Boavista é actualmente usado pela Liga dos Combatentes.
            Por consulta à página na Internet (site) da Liga dos Combatentes é-nos informado que, nos anos 90 do século passado, o então Instituto Florestal lhes cedeu o espaço do Ponto da Boavista para instalação do seu Núcleo da Marinha Grande e que, em 1999, pela então já Direcção Geral das Florestas, o mesmo espaço foi cedido “graciosamente à Liga dos Combatentes por períodos renováveis de 6 anos”.
            E, na mesma página, é-nos também dito que, em 2004, “A Liga dos Combatentes adquiriu o imóvel por escritura de cessão definitiva, conforme averbamento efectuado na Conservatória do Registo Predial da Marinha Grande, ficando o Núcleo sediado na Rua Ponto da Boavista, n°. 12 (…)”.



À esquerda o Ponto de Vigia em finais do Séc. XX, à direita o Ponto de Vigia e o Núcleo da Marinha Grande da Liga dos Combatentes em 2001.

“M.N. 25-6-1898” – Inscrição na cúpula.

O Ponto de Vigia e o Núcleo da Marinha Grande da Liga dos Combatentes em 2014.


            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 34.5" N
            08° 55' 30.5" W

sábado, 9 de Agosto de 2014

A Estação do Comboio Americano

            Construída em Pedreanes para servir o Comboio Americano, esta estação ostenta uma placa com a data de 1862, no entanto, o historiador e chefe da Circunscrição Florestal Marinhense, o Eng.º António Arala Pinto, refere, em 1938, no seu livro sobre o Pinhal, que esta foi construída em 1856, altura em que se iniciou a construção deste primitivo comboio. Assim, o actual edifício, datado de 1862, pode ter substituído uma antiga estação quando, em 1861, todo o primitivo Caminho Americano foi renovado.


Estação do Comboio Americano – anos 30 do Séc. XX


Estação do Comboio Americano

Inscrição sobre a porta principal da Estação do Comboio Americano

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Casa de Guarda da Portela

            As primeiras casas de guarda foram construídas em 1790 por ordem do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro depois de, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, este ter mandado abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal deixando apenas 4 passagens controladas por guardas que aí passaram a viver com as suas famílias.
            Em 1843 o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 eram já 20.
            Já no Século XX, entre 1920 e 1940, com a população a aumentar, houve necessidade de serem abertas novas passagens e construídas novas casas de guarda, entre elas a da Portela.
            A Casa de Guarda da Portela situa-se na Marinha Grande, na fronteira este do Pinhal do Rei junto ao Aceiro Exterior, no talhão 252 a cerca de 200 metros a sul do Aceiro O.
            Com autorização dos serviços florestais (ICNF) esta casa de guarda encontra-se ainda habitada, sendo razoável o seu estado de conservação.


Coordenadas Geográficas aproximadas:
39° 45' 03" N
08° 56' 36" W


 


 A Casa de Guarda da Portela

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Pinhal das Artes

            Tem hoje início, no Lugar das Árvores, em São Pedro de Moel, o “Pinhal das Artes 2014 - VII Festival de Artes para a Primeira Infância”. 
            Conheça o programa em http://pinhaldasartes.blogspot.com/


terça-feira, 24 de Junho de 2014

A Fonte do Tromelgo

            O Pinhal do Rei possui ainda hoje um conjunto de fontes construídas pelos Serviços Florestais a partir de 1909. Nestas fontes matavam a sede os trabalhadores que no Pinhal laboravam.
            Situada no talhão 289, a Fonte do Tromelgo foi construída pelos Serviços Florestais e ostenta uma placa indicando como data de inauguração o dia 9 de Novembro de 1932. No entanto, é de crer que, como diz Deolinda Bonita, no seu livro “Raízes”, por o ter ouvido de quem perto dali viveu no início dos anos 1920, o actual fontanário terá substituído uma primitiva fonte que, naquela época, “era uma cova muito funda, onde nos tínhamos que curvar em arco para chegarmos à bica que só corria um fio de água. Enchíamos o púcaro de barro e levávamo-lo aos lábios para matar a sede”.
            A Fonte do Tromelgo foi em tempos uma das mais importantes e concorridas fontes desta Mata. Todos se lembram da qualidade e frescura da sua água, e de como era grande a afluência da população em sua busca. Munidos do tradicional cântaro de barro ou do garrafão de vidro, os populares faziam fila esperando pacientemente a sua vez de encher o vasilhame. E era tão grande a qualidade desta água que, noutros tempos, quando ainda nem todos tinham acesso à água canalizada e distribuída pela Câmara Municipal e porque também não estava ainda vulgarizada a venda de água engarrafada, chegou a ser comercializada por várias aguadeiras, que ali enchiam inúmeros cântaros que transportavam depois em carroças de burro até à Marinha Grande, vendendo porta a porta e pelas fábricas. E, acerca deste comércio, diz ainda Deolinda Bonita: “ (…) para não falar dos aguadeiros mais antigos que abasteciam as fábricas vidreiras”.
            E de facto assim era! Lembro-me bem de uma dessas aguadeiras, a Bina, como era conhecida, com a carroça cheia de cântaros andando de um lado para o outro, ora a caminho do Tromelgo para se abastecer, ora ao encontro dos seus muitos clientes para lhes fornecer a preciosa água do Tromelgo.
            Após ter sofrido uma intervenção de conservação em 1997, com o decorrer dos anos, com falta de manutenção regular de então para cá e pela acção do tremendo temporal de Janeiro 2013, a fonte encontra-se em muito mau estado dando uma imagem clara da falta de zelo que devia ser dispensado a esta e, de um modo geral, a todas as fontes do Pinhal do Rei.
            Em tempos, lembro-me de, em muitas das fontes do Pinhal, ver afixados os resultados das análises feitas à qualidade da água dessas fontes.
            Actualmente, nesta fonte, como em todas as fontes do Pinhal do Rei, existe uma placa que diz que a sua água não é controlada, deixando na dúvida o visitante que, em caso de necessidade, não sabe se é própria ou imprópria para consumo. Será que esta situação não leva esse visitante a pensar que é mais fácil e barato afixar definitivamente uma placa dizendo que a água não é controlada do que fazer análises regulares à qualidade da água e afixá-las?

Coordenadas Geográficas aproximadas:
39° 44' 09" N
08° 57' 58" W




A Fonte do Tromelgo

A Bina (aguadeira) em 1969 transportando água do Tromelgo
IN: Bonita, D.,2006, Alcunhas Marinhenses II, Marinha Grande, Ed. Autor
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