segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Pinheiro do Talhão 41

            Existiram no Pinhal do Rei, noutros tempos, alguns pinheiros que, pelas suas dimensões ou forma, se destacavam na Mata.
            Ainda não há muito tempo, existiu no talhão 41 um pinheiro bravo com altura total de 30 metros; diâmetro a 1,30 m do solo (DAP – diâmetro à altura do peito) de 0,90 m; diâmetro médio da copa de 16,50 m; com a idade provável de 105 anos em 1999. Devido à sua estética, alto fuste vertical, estava classificado como árvore notável (de interesse público) e devidamente assinalada e legendada pela administração da Mata.
            Esta árvore foi gravemente afectada pelo incêndio ocorrido em 2003, acabando por ser cortada uma vez que a sua recuperação era impossível.


 O antigo Pinheiro do Talhão 41

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Marco Real

            Há poucos dias, aproveitando uma tarde soalheira, convidativa a mais um passeio pela nossa Mata, como faço muitas vezes, saí em busca de algo que, embora tivesse conhecimento da sua existência em outros tempos, julgava já não existir no Pinhal do Rei. Porém, informações fidedignas de um amigo garantiam-me estar ainda no terreno pelo menos um exemplar. O objectivo estava traçado: procurar aquele que é, talvez, o marco mais antigo do Pinhal do Rei, um marco “Real”!
            Rumando a sul, passando pelo lugar do Tromelgo e seguindo em direcção à Praia das Paredes, verificando um antigo mapa do Pinhal, com seus aceiros, arrifes e talhões assinalados, concluo que, ao chegar à actual Estrada Atlântica, estava já muito perto do local que me foi indicado.
            No mesmo alinhamento da estrada em que seguia, e depois de atravessada a Estrada Atlântica, pus-me a pé pelo Aceiro “S” em direcção ao mar. A confirmação de que estava neste aceiro era-me dada pelo mapa, verificando o número dos talhões assinalados no terreno, e por um marco que encontrei um pouco à frente assinalando-o.
            Recordando: os aceiros são arruamentos rectilíneos, orientados no sentido Este - Oeste, com 10 metros de largura e distando entre si 750 a 1000 metros. Ao todo existem 21 aceiros, começando de Norte para Sul e estão designados de A a T.
            O Aceiro “S”, localizado na parte mais a sul do Pinhal, é, portanto, o penúltimo aceiro do Pinhal do Rei, sendo, no entanto, o último a alcançar a costa, já que o aceiro “T” é intersectado pelo Aceiro Exterior, também conhecido como Aceiro Geral, dada a configuração da fronteira sul do Pinhal.
            Poucos metros à frente já se avistava o mar, e estando eu numa zona que pouco conhecia, deixei por momentos o objectivo inicial e continuei explorando toda a zona envolvente. O final do aceiro leva-nos à parte norte da praia de Água de Madeiros.
            No retrocesso voltei ao aceiro “S”, mas poucos metros à frente enveredei por um caminho à direita, rumando a sul, que, dada a proximidade das construções em propriedades privadas existentes no local, só podia ser o Aceiro Geral, embora a sua largura não o parecesse.
            O marco “Real”, a estar onde me tinham informado, não podia estar longe. A indicação apontava para sul, sensivelmente no alinhamento do Arrife 22 que separa os talhões 318 e 319.
            Por outro lado, e porque me foi mostrada uma fotografia, levava já uma ideia concreta do que iria encontrar: o marco “Real” não estaria só. A seu lado estaria um dos marcos colocados em 1841, quando Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha demarcaram o Pinhal e desenharam a Carta Topográfica do Pinhal Nacional de Leiria e seus arredores, carta essa que viria a anteceder a “Memória sobre o Pinhal Nacional de Leiria – Suas Madeiras e Produtos Resinosos”, um documento importante lançado em 1843 pelos mesmos autores.
            Acerca dos marcos colocados em 1841 disse aqui, em 7 de Julho de 2013, que: “Estes marcos, os mais antigos que ainda, nos dias de hoje, podemos observar, encontram-se ao longo do Aceiro Exterior delimitando o Pinhal em toda a sua fronteira do lado de terra. Na inscrição colocada na face virada para o Pinhal, composta por três partes, podemos observar na sua parte superior um número que, à partida, será o número atribuído a cada marco.” Ora, no que respeita à antiguidade destes marcos, e havendo no terreno ainda um marco “Real”, está-se a ver que isto deixa de ser verdade.
            Segundo o Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande e Administrador do Pinhal de Leiria entre 1922 e 1951, na sua obra “O Pinhal do Rei” de 1938/39, estes marcos foram, de facto, colocados em 1841, mas a existência do mesmo tipo de numeração de marcos nas Cartas de 1769 e 1816 indicam que, provavelmente, estes substituíram outros já anteriormente colocados nos mesmos locais, os marcos com a inscrição “Real”. Ainda segundo Arala Pinto, os marcos com a inscrição “Real” devem ser datados por volta de 1796, quando, a mando da Real Junta da Fazenda, à qual competia a administração dos Pinhais Reais e o dever de informar sobre a extensão ocupada por estes e mandar fazer uma carta exacta do terreno que ocupavam, foi levantada a Planta do Pinhal de Leiria.
            De volta ao terreno, poucos metros à frente, lá estavam os dois. A informação estava correcta. Situados no talhão 333, junto ao Aceiro Geral, lado a lado, estavam os marcos com as inscrições “Real” de 1796 e “46 PR B” de 1841.
            Mas, voltando ainda às antigas Cartas de 1769, 1816 e 1841 pode verificar-se que o número nelas assinalado para a posição de cada um dos marcos é sequencial, aumentando de Norte para Sul ao longo do Aceiro Geral, circundando todo o Pinhal do lado de terra, e terminando em 46, precisamente o marco que agora encontrei.
            Isto poderá querer dizer que, a verificar-se a não existência de outro marco “Real” ainda no Pinhal, estes teriam sido na realidade substituídos pelos marcos de 1841, excepto este.
            Acerca do marco “Real”, concretamente, direi apenas que o tempo se encarregou de apagar quase por completo a sua inscrição mas, com esforço, identifica-se ainda boa parte dela.
            Uma fotografia antiga destes marcos foi feita e publicada por Arala Pinto no seu Volume I de “O Pinhal do Rei” há quase oito décadas, o que eu não sabia era que se encontravam ainda expostos para quem os quisesse visitar na “Catedral Verde e Sussurrante”.
            Agradeço ao Gabriel Roldão as informações que me prestou sobre a localização destes marcos, possibilitando-me sair, com sucesso, em sua busca.


            Coordenadas Geográficas aproximadas:

            39° 44' 20" N
            09° 02' 06" W

 
Marco assinalando o Aceiro “S”

Os marcos com as inscrições “Real”  e “46 PR B”

O marco com a inscrição “46 PR B” de 1841

 
A inscrição “Real” no marco de 1796

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ainda sobre o temporal de 2013

            O temporal de 19 de Janeiro de 2013 tombou 63000 árvores no Pinhal do Rei, um volume de 55000 m³.
           Na zona envolvente do Ribeiro de S. Pedro de Moel, o número de árvores tombadas à data do temporal ascendeu a 450, o equivalente a 850 m³.
            Para esta zona do Pinhal, e dada a instabilidade dos terrenos, depois da tempestade, segundo um painel informativo ainda colocado junto à Fonte da Ponte Nova, e até ao fim do inverno de 2014, tombaram mais 170 árvores, cerca de 330 m³.
            Ao todo, na zona envolvente do Ribeiro de S. Pedro de Moel, no espaço de tempo referido, caíram 620 árvores, um total de 1180 m³, sucedendo que algumas ainda se encontram no terreno dada a dificuldade de as retirar das abruptas encostas que constituem as margens do ribeiro naquela zona.
            Ao lado desta placa informativa encontra-se uma outra alertando para o risco de queda de árvores naquela zona. Estando ali há já algum tempo, porém, não é demais lembrar que estamos novamente em período de chuvas e ventos fortes.



            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' 04" N
            09° 00' 21" W

 
Nota: A expressão “DAP” referida no texto da placa informativa quer dizer diâmetro à altura do peito, ou seja a uma altura de 1,30 metros do solo.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Pinhal do Rei

            Foi na sua casa de S. Pedro de Moel, implantada à beira-mar em terrenos contíguos ao Pinhal do Rei, que Afonso Lopes Vieira, ao passar grandes temporadas, viria a inspirar-se para a escrita de alguns dos seus poemas alusivos a essa grande Mata.
            O poema “Pinhal do Rei”, já aqui publicado, tem sido usado por alguns grupos em inúmeras criações musicais ou teatrais.
            A interpretação deste poema por parte do Coral Cantábilis da CGD-Leiria, inserido no seu excelente trabalho, em CD, "Percursos", trouxe-me à ideia a produção de um pequeno vídeo, com montagem de algumas fotografias, usando esta faixa musical.
            Agradeço ao Coral Cantábilis, especialmente ao seu Maestro Sr. Joaquim Vicente Narciso, a cedência da faixa “Pinhal do Rei”.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Feliz Natal

          Aos leitores e amigos deste Blog desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano de 2015.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Pinhal do Rei, primeira mata nacional de pinheiro-bravo a obter certificação?

             Um excerto do publicado no Jornal Região de Leiria em 21 de Janeiro de 2011, e publicado on line na sua edição de 26 Janeiro, dava-nos conta da cada vez maior procura de madeira certificada por parte de compradores e, portanto, da necessidade de certificação florestal da madeira proveniente de algumas matas nacionais, inclusive do Pinhal do Rei.
             Decorridos quase quatro anos, gostaria de aqui poder dar notícias sobre o processo… Porém, apenas posso recordar a intenção e deixar a transcrição dessa notícia.

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Pinhal do Rei é a primeira mata nacional certificada

             A Mata Nacional de Leiria, vulgarmente chamada Pinhal do Rei, vai ser a primeira mata nacional de pinheiro-bravo a obter certificação. O Estado espera valorizar a madeira ali produzida, que rendeu 1,8 milhões de euros por ano, em média, na última década.
            “Há carência no país de madeira certificada”, disse anteontem o secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro, durante uma visita ao Pinhal do Rei, no concelho da Marinha Grande, para divulgar investimentos feitos em 2010 e mostrar a renovação, ainda incompleta, da área ardida em 2003.
            De acordo com o governante, a certificação abrange também as matas nacionais do Urso e do Pedrógão e “tem importância decisiva” porque é procurada pelos compradores, garante uma produção sustentável e ajuda a preservar a fitossanidade.


IN: http://www.regiaodeleiria.pt/blog/2011/01/26/pinhal-do-rei-e-a-primeira-mata-nacional-certificada/


Corte Final Nº 3 do Talhão Nº 151 na Época de 1990/91

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lenhas do Pinhal do Rei concedidas à indústria vidreira

            Durante muitos anos usou-se a lenha como combustível nas fábricas de vidro, razão pela qual as grandes fábricas se situavam normalmente junto das grandes florestas.
            No século XVIII, existia já, a sul do Rio Tejo, na antiga vila de Coina, a Real Fábrica dos Vidros da Coina, cuja lenha para funcionamento dos fornos vinha da zona florestal constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada, hoje em dia designada Mata Nacional da Machada. Em meados do século, problemas de vária ordem terão inviabilizado e levado ao encerramento a Real Fábrica dos Vidros da Coina sendo que, por certo, entre esses problemas, estaria a ameaça de falta de madeira e lenha dado o grande consumo dos seus fornos, o que inviabilizaria a sua continuação e levaria, também, a própria cidade de Lisboa a uma eventual falta destes produtos, que tanta falta faziam à sua população.
            Assim, o Administrador Geral John (João, como por cá é conhecido) Beare (um irlandês) transferiu a fábrica para a Marinha Grande, instalando-se junto ao Pinhal do Rei em terrenos cedidos pela Coroa. A existência desta grande mancha florestal, o Pinhal do Rei, seria determinante para que, na Marinha Grande, em 1747, João Beare instalasse a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, iniciando a laboração em 1748.
            Porém, interesses, de importadores, vendedores e fabricantes estrangeiros de vidro, provavelmente económicos e semelhantes aos que anteriormente tinham acontecido em Coina, voltam-se contra a fábrica. As dificuldades aumentavam e, sem protecção de qualquer espécie, passados poucos anos, a fábrica fechou.
            Mais tarde, a convite do Marquês de Pombal, foi Guilherme Stephens (um inglês) que, em 1769, veio para a Marinha Grande restaurar a velha fábrica. Da parte da Coroa recebeu garantias para protecção e defesa da fábrica, entre as quais um empréstimo em dinheiro para o seu relançamento e a cedência gratuita de lenha do Pinhal Real.
            As lenhas para alimentação dos fornos que fundiam o vidro eram de tanta importância para a fábrica que, o Marquês de Pombal, para assegurar e garantir que não lhe faltaria esse indispensável combustível, mandou colocar no átrio da fábrica um marco em pedra com a seguinte inscrição:

 
            “Por ordem de Sua Majestade todas as lenhas do Pinhal que estão em huma légua o redor deste marco pertencem à Fábrica dos Vidros. 1776”

 
            Este marco, ainda hoje existente, encontra-se junto à entrada do edifício que foi residência de Guilherme Stephens, e que hoje acolhe o Museu do Vidro. No entanto, este histórico marco, não só passa despercebido à maioria dos visitantes da nossa cidade como também é desconhecido pela grande maioria dos marinhenses. Talvez uma pequena placa assinalando a sua existência despertasse o interesse pela busca de informação acerca do seu significado.

 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 44' 59" N
            08° 56' 00" W


O marco
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