sábado, 13 de dezembro de 2014

Pinhal do Rei, primeira mata nacional de pinheiro-bravo a obter certificação?

             Um excerto do publicado no Jornal Região de Leiria em 21 de Janeiro de 2011, e publicado on line na sua edição de 26 Janeiro, dávamos conta da cada vez maior procura de madeira certificada por parte de compradores e, portanto, da necessidade de certificação florestal da madeira proveniente de algumas matas nacionais, inclusive do Pinhal do Rei.
             Decorridos quase quatro anos, gostaria de aqui poder dar notícias sobre o processo… Porém, apenas posso recordar a intenção e deixar a transcrição dessa notícia.

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Pinhal do Rei é a primeira mata nacional certificada

             A Mata Nacional de Leiria, vulgarmente chamada Pinhal do Rei, vai ser a primeira mata nacional de pinheiro-bravo a obter certificação. O Estado espera valorizar a madeira ali produzida, que rendeu 1,8 milhões de euros por ano, em média, na última década.
            “Há carência no país de madeira certificada”, disse anteontem o secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro, durante uma visita ao Pinhal do Rei, no concelho da Marinha Grande, para divulgar investimentos feitos em 2010 e mostrar a renovação, ainda incompleta, da área ardida em 2003.
            De acordo com o governante, a certificação abrange também as matas nacionais do Urso e do Pedrógão e “tem importância decisiva” porque é procurada pelos compradores, garante uma produção sustentável e ajuda a preservar a fitossanidade.


IN: http://www.regiaodeleiria.pt/blog/2011/01/26/pinhal-do-rei-e-a-primeira-mata-nacional-certificada/


Corte Final Nº 3 do Talhão Nº 151 na Época de 1990/91

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lenhas do Pinhal do Rei concedidas à indústria vidreira

            Durante muitos anos usou-se a lenha como combustível nas fábricas de vidro, razão pela qual as grandes fábricas se situavam normalmente junto das grandes florestas.
            No século XVIII, existia já, a sul do Rio Tejo, na antiga vila de Coina, a Real Fábrica dos Vidros da Coina, cuja lenha para funcionamento dos fornos vinha da zona florestal constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada, hoje em dia designada Mata Nacional da Machada. Em meados do século, problemas de vária ordem terão inviabilizado e levado ao encerramento a Real Fábrica dos Vidros da Coina sendo que, por certo, entre esses problemas, estaria a ameaça de falta de madeira e lenha dado o grande consumo dos seus fornos, o que inviabilizaria a sua continuação e levaria, também, a própria cidade de Lisboa a uma eventual falta destes produtos, que tanta falta faziam à sua população.
            Assim, o Administrador Geral John (João, como por cá é conhecido) Beare (um irlandês) transferiu a fábrica para a Marinha Grande, instalando-se junto ao Pinhal do Rei em terrenos cedidos pela Coroa. A existência desta grande mancha florestal, o Pinhal do Rei, seria determinante para que, na Marinha Grande, em 1747, João Beare instalasse a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, iniciando a laboração em 1748.
            Porém, interesses, de importadores, vendedores e fabricantes estrangeiros de vidro, provavelmente económicos e semelhantes aos que anteriormente tinham acontecido em Coina, voltam-se contra a fábrica. As dificuldades aumentavam e, sem protecção de qualquer espécie, passados poucos anos, a fábrica fechou.
            Mais tarde, a convite do Marquês de Pombal, foi Guilherme Stephens (um inglês) que, em 1769, veio para a Marinha Grande restaurar a velha fábrica. Da parte da Coroa recebeu garantias para protecção e defesa da fábrica, entre as quais um empréstimo em dinheiro para o seu relançamento e a cedência gratuita de lenha do Pinhal Real.
            As lenhas para alimentação dos fornos que fundiam o vidro eram de tanta importância para a fábrica que, o Marquês de Pombal, para assegurar e garantir que não lhe faltaria esse indispensável combustível, mandou colocar no átrio da fábrica um marco em pedra com a seguinte inscrição:

 
            “Por ordem de Sua Majestade todas as lenhas do Pinhal que estão em huma légua o redor deste marco pertencem à Fábrica dos Vidros. 1776”

 
            Este marco, ainda hoje existente, encontra-se junto à entrada do edifício que foi residência de Guilherme Stephens, e que hoje acolhe o Museu do Vidro. No entanto, este histórico marco, não só passa despercebido à maioria dos visitantes da nossa cidade como também é desconhecido pela grande maioria dos marinhenses. Talvez uma pequena placa assinalando a sua existência despertasse o interesse pela busca de informação acerca do seu significado.

 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 44' 59" N
            08° 56' 00" W


O marco

sábado, 15 de novembro de 2014

O Observatório Astronómico Pinhal do Rei

            Existe no local conhecido como Alto dos Picotos, junto aos, ainda visíveis, vestígios da antiga Casa de Guarda da Queimada, no talhão 284 do Pinhal do Rei, um observatório astronómico que ali funcionou durante alguns anos e que, nos dias de hoje, se encontra abandonado.
            Construído no âmbito do projecto UCROA (unidade de Controlo Remoto de Observação Astronómica), levado a cabo pela ANOA (Associação Nacional de Observação Astronómica), fundada em 1995 por um grupo de astrónomos amadores da Marinha Grande, que, mais tarde, resolveram associar-se em torno de um projecto que denominaram RNOA (Rede Nacional de Observação Astronómica), este observatório foi inaugurado em 5 de Agosto de 2000.
            A escolha do local para implantação deste observatório deveu-se ao facto de o local ser um dos pontos mais altos do Pinhal do Rei, possibilitando a observação de grande parte do horizonte. Por outro lado, a proximidade de linhas telefónicas, de energia eléctrica e da estrada 242-2, entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel, que facilitava os acessos, foram também factores que pesaram nesta escolha.
            O edifício, que acolheu o maior telescópio robotizado do país, é constituído por uma cúpula de três metros de diâmetro e por um corpo central onde estava instalado todo o sistema informático incluindo o computador de Rastreio Automático de Meteoros.
            Estando o observatório implantado no Pinhal do Rei, o contrato de arrendamento de uma área de cerca de 300 metros quadrados para sua construção e usufruto, celebrado entre a ANOA e o Património do Estado, detentor desta mata nacional, obrigava a que a estrutura do observatório fosse precária, e ao pagamento de 250 contos anuais por um período de cinco anos.
            O projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, também conhecido pelo nome de Projecto UCROA, implicou, à época, um investimento de cerca de 18 mil contos, sendo co-financiado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia em 12 mil, e tendo o restante ficado a cargo da ANOA e dos impulsionadores do projecto.
            A cerimónia de inauguração contou com a presença do Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, do Governador Civil de Leiria, Carlos André e do Presidente da Câmara da Marinha Grande, Álvaro Órfão, entre dezenas de outros participantes.
            O projecto do observatório e os objectivos da ANOA deixaram o Ministro e restantes entidades oficiais presentes encantadas, mostrando-se interessadas em colaborar e ajudar financeiramente, dadas as dificuldades da ANOA. Porém, vendo o estado a que chegou o projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, tais promessas, feitas em dia de inauguração, vistas hoje em dia, foram insuficientes e incapazes de se manter até hoje, revelando a incapacidade de organismos ou instituições ligadas a serviços de utilidade pública de os manter de pé ao longo dos tempos.
            Ao longo dos anos, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei foi palco de inúmeras actividades: palestras, exposições, observações no âmbito de projectos como o Ciência Viva e Astronomia no Verão, e muitos encontros de astrónomos com caracter regional ou nacional. Em Agosto de 2001, durante três dias, recebeu a Astrofesta, cuja organização coube à Associação do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa em colaboração com a Associação Nacional de Observação Astronómica e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, tendo ainda o apoio de diversas entidades locais e nacionais.
            Mas, hoje em dia, olhando a realidade, só poderemos tirar uma conclusão… É que, em breve, se nada for feito, e tudo indica que não, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei será, apenas, mais uma ruina a juntar a tantas outras no Pinhal do Rei.


Placa indicando o Observatório Astronómico Pinhal do Rei

Rombo na cúpula do Observatório

 

            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 07" N
            09° 00' 44" W

 
Fontes:
Jornal o Correio (Marinha Grande), edição de 11 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 10 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 17 de Agosto de 2000
http://planeta.ip.pt/~ip224640/anoa.htm

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Fábrica dos Franceses

            Lembro-me de em criança ir algumas vezes para a brincadeira, com amigos daquela época, para a fábrica dos franceses.
            Vivia nesse tempo na zona do Casal de Malta e o dito lugar de brincadeira ficava para lá (a sul) do Pinhal da Feira, assim chamado por ali se realizar mensalmente uma feira de gado, porcos. Era a feira dos porcos.
            Depois de atravessado o pinhal, atravessava-se também o caminho-de-ferro do oeste, a “linha do comboio” como nós dizíamos, apanhando-se depois um antigo carreiro em direcção a Este.
            Bem rápido chegávamos ao local, pois não era longe dali. Sei hoje que aquela zona fora outrora conhecida como Pinhal dos Cortiços. Era uma zona muito frondosa, com grandes árvores e muitas plantas, onde proliferava a cana-da-índia que nós usávamos nas nossas brincadeiras.
            Já em ruínas, havia um enorme palacete, residência do administrador da fábrica, que nós visitávamos e que tinha uma cave onde alguns dos meus amigos desciam por vezes munidos de lanternas, mas onde, eu, talvez por receio, nunca fui.
            Ao lado do palacete, já com muito pouca coisa de pé, havia as ruinas da antiga fábrica, onde também havia uma pequena cave onde já nada existia e cujo acesso se fazia por uma escada de ferro chumbada na parede. Ao lado, a enorme chaminé, ainda intacta, que os mais afoitos subiam até ao topo, dava-nos indicação de que estávamos em contexto de ruinas industriais, embora, naturalmente, naquela época, não fizéssemos ideia do que quer que fosse.
            Sei agora que se tratava das ruinas de duas antigas serrações de madeira montadas por franceses e que trabalhavam com madeira do Pinhal do Rei.
            Depois do corte dos pinheiros, com o machado ou com a serra de punhos movida por dois homens, a serragem das madeiras foi feita durante séculos por processos arcaicos, embora com algum rigor, por serradores manuais.
            Depois de abatida a árvore, esta era cortada em toros nas medidas exigidas pela futura aplicação que teriam. Era a serração braçal.
            Por volta de 1724, D. João V, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande um engenho de serrar movido a vento. Devido a deficiências no seu mecanismo e por ser construído em madeira, este engenho foi destruído em 1774 por um incêndio provocado pelo atrito e nunca mais foi reconstruído.
            Também existiram engenhos de serrar movidos a força hídrica. Montados, crê-se, no século XVIII, situavam-se na Ponte Nova e em S. Pedro de Moel aproveitando a água dos ribeiros. Trabalharam até aos primeiros anos do século XIX.
            Os Serviços Florestais utilizaram pela primeira vez um engenho de serrar a vapor em 1859 no grande armazém de madeiras das Tercenas, junto à foz do Rio Liz, mas desta máquina pouco se sabe.
            Mais tarde foi adquirida uma moderna máquina (locomóvel), espécie de serração móvel a vapor, que passou a ser instalada, a partir de 1870, junto aos locais de abate dos pinheiros. Porém, por falta de estradas, havia muita dificuldade em movimentar a locomóvel pelas areias do Pinhal. Esta máquina foi depois transferida para o Parque do Engenho, onde se montou a serração mecânica. Esta fábrica teve grande importância para os Serviços Florestais e trabalhou durante muitos anos, não se sabendo exactamente a data da sua extinção.
            Mas seria a electricidade que haveria de revolucionar a indústria de serração de madeiras, apesar de, nalguns casos, a serração braçal, essa longeva profissão, se manter até meio de século XX.
            Em França, o aparecimento dos modernos motores eléctricos trouxe à indústria de serração de madeiras um grande desenvolvimento.
            Assim, mais desenvolvidos tecnologicamente, foram os franceses que vieram instalar na Marinha Grande as primeiras serrações movidas a electricidade.
            Em 1904 é fundada a Sociedade de Exploração Florestal de A. R. Duboscq, Beauvais & Pelletier (conhecida por “Fábrica dos Franceses”), de Henri Dubois. Esta fábrica, instalada a Sul da estação dos caminhos-de-ferro, estava equipada com as mais modernas máquinas existentes na época e chegou a empregar mais de 100 pessoas, trazendo grande desenvolvimento à Marinha Grande. Funcionou em pleno até 1914 mas, pouco tempo após o fim da Guerra 1914-1918, devido às dificuldades existentes, acabou por falir.
            Também montada por franceses, por volta de 1905, a C. Dupin & Cª teve as suas instalações junto da fábrica de Henri Dubois, também a Sul da estação dos caminhos-de-ferro. Esta fábrica trabalhava quase exclusivamente para exportação, embora, mais tarde, tivesse fornecido a Companhia Portuguesa de Madeiras. Funcionou até cerca do ano 1955.
            O início da laboração destas fábricas acabou por incentivar os portugueses à exploração desta indústria, sendo muitas as serrações que se montaram a partir daquela época na Marinha Grande, o que veio trazer grande desenvolvimento económico.
            Mais tarde, em 1952, também os Serviços Florestais haveriam de usar a electricidade para montar a Serração de Pedreanes.
            Da Fábrica dos Franceses já nada existe. Os terrenos foram vendidos à vidreira Santos Barosa, e tudo foi demolido para construção de novas instalações.
 
 
A Fábrica dos Franceses - ano de 1918
 
Armazenamento de madeiras na Fábrica dos Franceses

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Não há fumo sem fogo

            “O acesso às estradas no interior da Mata Nacional poderá vir a ser fechado ao público. De acordo com Álvaro Pereira, presidente da Câmara da Marinha Grande, o município já foi “ameaçado” de que poderiam regressar as “trancas” que em tempos impediram o acesso público às vias que atravessam a mata.
            Na Assembleia Municipal, questionado sobre o mau estado daquelas vias, Álvaro Pereira explicou que o município tentou recentemente que fosse definida qual pode ser a sua ação na melhoria das estradas florestais. “Disseram-nos que não se pode fazer nada”, explicou.
            Sem nunca se referir diretamente ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade responsável pela zona florestal, Álvaro Pereira revelou ainda que “já ameaçaram que colocariam de novo as trancas que já existiram”.
            Muito embora sejam frequentes as queixas sobre o mau estado das vias, a verdade é que “para eles as estradas estão boas, pois só querem tirar de lá a madeira”, lamentou ainda o autarca. (…)”
 
(Excerto do publicado) In: www.regiaodeleiria.pt
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            A notícia já não é nova! Publicada no Jornal Região de Leiria na edição do passado dia 2 de Outubro, editada para online em 13 Outubro e já muito divulgada nas redes sociais na zona da Marinha Grande, esta notícia deixa todos os habitantes do concelho e arredores, amantes e usufrutuários do Pinhal do Rei, preocupados, já que nela se levanta a hipótese do regresso das antigas tranqueiras ao Pinhal.
            Recorde-se que, por volta de 1790, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Ministro da Marinha, Martinho de Melo e Castro, mandou abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal, deixando apenas 4 passagens controladas por guardas. Estes passaram a viver com as suas famílias em casas construídas nesses locais (as casas de guarda). Com o aumento das populações à volta do Pinhal, mais passagens e mais casas de guarda iam sendo criadas e, cerca do ano de 1843, o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 estas eram já 20.
            Em 1857, como reforço do controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Administrador José de Melo Gouveia proibiu a circulação de veículos dentro do Pinhal, depois do Sol-posto. Para isso, mandou colocar tranqueiras (vigas de madeira fechadas a cadeado) em todas as passagens, colocadas pelos guardas ao Pôr-do-Sol e só retiradas ao nascer do dia seguinte.
            Em 1926, a jurisdição das praias de S. Pedro de Moel e da Vieira passou para a Câmara Municipal da Marinha Grande. Foi por isso retirada a tranqueira da Guarda Nova, permitindo a passagem de veículos tanto de dia como de noite mantendo-se, no entanto, a proibição de saída de quaisquer produtos do Pinhal depois do Sol-posto. Em 1969 foi retirada a tranqueira de Água Formosa e, mais tarde, numa evolução natural, as tranqueiras foram sendo eliminadas, tendo sido retiradas definitivamente em 1975 com a liberalização do trânsito dentro do Pinhal.
            Ora, dizem os mais idosos que no fim do mundo se haveriam de ver coisas de admirar. De facto, voltar a uma situação de fecho de estradas no interior da Mata equivaleria a um retrocesso de cerca de meio século.
            Se, no Século XIX, se teve de recorrer ao fecho da Mata como medida de segurança, evitando roubos e abusos por parte das populações, já que todos necessitavam de madeira e outros produtos do Pinhal para uso nas suas lavouras, não vejo, nos dias de hoje, necessidade de voltar a fechar as estradas da Mata. Porém, neste País, já quase nada nos surpreende, ainda mais que não foi ainda há muito tempo que se alvitrou a hipótese do Pinhal do Rei vir a ser explorado por entidades privadas.
            Costuma-se também dizer que não há fumo sem fogo, mas uma medida desta natureza terá o repúdio de toda a população marinhense e de todos os amigos do Pinhal do Rei.

Controlo de carradas à saída do Pinhal em Pedreanes - anos 50 do séc. XX

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

As Mamas da Rainha

            Existe no Pinhal do Rei um local conhecido por Mamas da Rainha. Caracterizado por duas grandes dunas de forma arredondada, este local situa-se nos talhões 140 e 156 no enfiamento do Aceiro I ou Cova do Lobo, que se interrompe ao encontrar tão abruptas dunas, prosseguindo, mais à frente, após estas. Também a estrada florestal coincidente com este aceiro, que se inicia junto ao Aceiro Exterior no lugar da Cova do Lobo, ao chegar a estas dunas as contorna, deixando-as à esquerda, prosseguindo depois até ao lugar do Samouco.
            As Mamas da Rainha ficam mesmo ao lado de outra grande duna que, situada no talhão 139, é bastante mais conhecida, pois foi durante várias décadas do séc. XX um ponto de exploração de areia para construção civil e fabrico de vidro. Esta areia era conhecida como “areia do I”, por a sua extracção ser feita perto deste aceiro.
            Sobre a origem do nome deste local e destas duas dunas, juntas e arredondadas, diz a lenda, segundo José Martins Saraiva em “Lendas do Pinhal do Rei”, que, no tempo de D. Dinis, quando se fazia a plantação do Pinhal, os homens, perante a dificuldade em vencer a irregular superfície de tão abruptas dunas, foram da opinião que tais deveriam ser amaciadas mas, D. Dinis retorquiu: “- Não! Com esforço faremos o trabalho e, se bem olharem, essas dunas, assim juntas, têm a forma de umas mamas de mulher! Não deitaremos por terra tão doces formas da Natureza!”.
            Depois, com o passar do tempo, o povo, brincalhão, acabou por mudar a designação dada por El-Rei e passou a designar aquele lugar do Pinhal por Mamas da Rainha.


            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 48' 31" N
            08° 58' 21" W

As Mamas da Rainha

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Serração de Pedreanes

            Em 1952, para um plano de construção e renovação de edifícios, o Estado pediu aos Serviços Florestais grandes quantidades de madeira de boa qualidade.
            Para melhor seleccionar, trabalhar e controlar a madeira fornecida, foi decidido construir uma grande serração nos próprios Serviços Florestais. Esta foi montada em Pedreanes, nesse mesmo ano, e trabalhou exclusivamente durante muitos anos para os Serviços Florestais de todo o País. Nos últimos anos da sua laboração foi aberta a venda a particulares fornecendo madeira da melhor qualidade, tratada e trabalhada.
              Encerrou por volta dos últimos anos do passado Século.
             Na fotografia que tive oportunidade de tirar em 2002, representando o seu interior, ainda era visível no solo a malha de barrotes que constituía o parque de secagem, sobre a qual assentavam as madeiras trabalhadas conforme se vê na fotografia dos anos 50 do passado século aqui reproduzida. Essa malha de barrotes foi mais tarde retirada.
            Nos dias de hoje, a serração vai servindo de garagem, depósito temporário de antigas viaturas, troncos de árvores trazidas do Pinhal, alguma lenha e, creio, pouco mais.
            Entretanto, a não laboração vai trazendo alguma falta de manutenção, o que leva a que já seja visível alguma degradação dos antigos barracões.
 
A serração em laboração em 1954

Parque de secagem da serração nos anos 50 do Séc. XX
 
A serração em laboração nos anos 60 do Séc. XX

Vista do interior da serração em 2002
 
Vista Sul dos barracões da serração de Pedreanes em 2004

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Árvore de interesse público na Ponte Nova

            O pinheiro bravo é largamente a espécie predominante no Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria) mas, para além do pinheiro bravo e de alguns núcleos de pinheiro manso, existe uma grande variedade de outras espécies, quer sejam arbustos de geração espontânea ou grandes árvores exóticas, plantadas em várias épocas para alindar o Pinhal ou para estudos botânicos.
            Nas margens do Ribeiro de Moel podem ser observados exemplares raros de carvalhos, faias e amieiros, plantados em 1950 para alindar a estrada paralela ao ribeiro, entre a Ponte de S. Pedro e o Canto do Ribeiro (na Praia Velha).
            Na zona da Ponte Nova encontram-se alguns eucaliptos gigantes, com mais de 50 metros de altura (dos maiores da Europa), e altíssimas acácias, raras em Portugal. No maciço de eucaliptos situado no talhão 247, encontra-se um exemplar que, pelas suas dimensões, está classificado como árvore de interesse público desde 1997.
            Em 2010, quando foi medido, este exemplar apresentava as seguintes dimensões:
 
            Altura total – 63 metros
            Diâmetro a 1,30 do solo  – 1,5 metros
            Perímetro a 1,30 do solo – 4,7 metros  
            Diâmetro médio da copa – 23 metros
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' 04.7" N
            09° 00' 15.5" W
 
 
Placa informativa acerca desta árvore notável
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