quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Lenhas do Pinhal do Rei concedidas à indústria vidreira

            Durante muitos anos usou-se a lenha como combustível nas fábricas de vidro, razão pela qual as grandes fábricas se situavam normalmente junto das grandes florestas.
            No século XVIII, existia já, a sul do Rio Tejo, na antiga vila de Coina, a Real Fábrica dos Vidros da Coina, cuja lenha para funcionamento dos fornos vinha da zona florestal constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada, hoje em dia designada Mata Nacional da Machada. Em meados do século, problemas de vária ordem terão inviabilizado e levado ao encerramento a Real Fábrica dos Vidros da Coina sendo que, por certo, entre esses problemas, estaria a ameaça de falta de madeira e lenha dado o grande consumo dos seus fornos, o que inviabilizaria a sua continuação e levaria, também, a própria cidade de Lisboa a uma eventual falta destes produtos, que tanta falta faziam à sua população.
            Assim, o Administrador Geral John (João, como por cá é conhecido) Beare (um irlandês) transferiu a fábrica para a Marinha Grande, instalando-se junto ao Pinhal do Rei em terrenos cedidos pela Coroa. A existência desta grande mancha florestal, o Pinhal do Rei, seria determinante para que, na Marinha Grande, em 1747, João Beare instalasse a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, iniciando a laboração em 1748.
            Porém, interesses, de importadores, vendedores e fabricantes estrangeiros de vidro, provavelmente económicos e semelhantes aos que anteriormente tinham acontecido em Coina, voltam-se contra a fábrica. As dificuldades aumentavam e, sem protecção de qualquer espécie, passados poucos anos, a fábrica fechou.
            Mais tarde, a convite do Marquês de Pombal, foi Guilherme Stephens (um inglês) que, em 1769, veio para a Marinha Grande restaurar a velha fábrica. Da parte da Coroa recebeu garantias para protecção e defesa da fábrica, entre as quais um empréstimo em dinheiro para o seu relançamento e a cedência gratuita de lenha do Pinhal Real.
            As lenhas para alimentação dos fornos que fundiam o vidro eram de tanta importância para a fábrica que, o Marquês de Pombal, para assegurar e garantir que não lhe faltaria esse indispensável combustível, mandou colocar no átrio da fábrica um marco em pedra com a seguinte inscrição:

 
            “Por ordem de Sua Majestade todas as lenhas do Pinhal que estão em huma légua o redor deste marco pertencem à Fábrica dos Vidros. 1776”

 
            Este marco, ainda hoje existente, encontra-se junto à entrada do edifício que foi residência de Guilherme Stephens, e que hoje acolhe o Museu do Vidro. No entanto, este histórico marco, não só passa despercebido à maioria dos visitantes da nossa cidade como também é desconhecido pela grande maioria dos marinhenses. Talvez uma pequena placa assinalando a sua existência despertasse o interesse pela busca de informação acerca do seu significado.

 
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 44' 59" N
            08° 56' 00" W


O marco

sábado, 15 de novembro de 2014

O Observatório Astronómico Pinhal do Rei

            Existe no local conhecido como Alto dos Picotos, junto aos, ainda visíveis, vestígios da antiga Casa de Guarda da Queimada, no talhão 300 do Pinhal do Rei, um observatório astronómico que ali funcionou durante alguns anos e que, nos dias de hoje, se encontra abandonado.
            Construído no âmbito do projecto UCROA (unidade de Controlo Remoto de Observação Astronómica), levado a cabo pela ANOA (Associação Nacional de Observação Astronómica), fundada em 1995 por um grupo de astrónomos amadores da Marinha Grande, que, mais tarde, resolveram associar-se em torno de um projecto que denominaram RNOA (Rede Nacional de Observação Astronómica), este observatório foi inaugurado em 5 de Agosto de 2000.
            A escolha do local para implantação deste observatório deveu-se ao facto de o local ser um dos pontos mais altos do Pinhal do Rei, possibilitando a observação de grande parte do horizonte. Por outro lado, a proximidade de linhas telefónicas, de energia eléctrica e da estrada 242-2, entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel, que facilitava os acessos, foram também factores que pesaram nesta escolha.
            O edifício, que acolheu o maior telescópio robotizado do país, é constituído por uma cúpula de três metros de diâmetro e por um corpo central onde estava instalado todo o sistema informático incluindo o computador de Rastreio Automático de Meteoros.
            Estando o observatório implantado no Pinhal do Rei, o contrato de arrendamento de uma área de cerca de 300 metros quadrados para sua construção e usufruto, celebrado entre a ANOA e o Património do Estado, detentor desta mata nacional, obrigava a que a estrutura do observatório fosse precária, e ao pagamento de 250 mil escudos (contos) anuais por um período de cinco anos.
            O projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, também conhecido pelo nome de Projecto UCROA, implicou, à época, um investimento de cerca de 18 mil contos, sendo co-financiado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia em 12 mil, e tendo o restante ficado a cargo da ANOA e dos impulsionadores do projecto.
            A cerimónia de inauguração contou com a presença do Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, do Governador Civil de Leiria, Carlos André e do Presidente da Câmara da Marinha Grande, Álvaro Órfão, entre dezenas de outros participantes.
            O projecto do observatório e os objectivos da ANOA deixaram o Ministro e restantes entidades oficiais presentes encantadas, mostrando-se interessadas em colaborar e ajudar financeiramente, dadas as dificuldades da ANOA. Porém, vendo o estado a que chegou o projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, tais promessas, feitas em dia de inauguração, vistas hoje em dia, foram insuficientes e incapazes de se manter até hoje, revelando a incapacidade de organismos ou instituições ligadas a serviços de utilidade pública de os manter de pé ao longo dos tempos.
            Ao longo dos anos, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei foi palco de inúmeras actividades: palestras, exposições, observações no âmbito de projectos como o Ciência Viva e Astronomia no Verão, e muitos encontros de astrónomos com caracter regional ou nacional. Em Agosto de 2001, durante três dias, recebeu a Astrofesta, cuja organização coube à Associação do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa em colaboração com a Associação Nacional de Observação Astronómica e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, tendo ainda o apoio de diversas entidades locais e nacionais.
            Mas, hoje em dia, olhando a realidade, só poderemos tirar uma conclusão… É que, em breve, se nada for feito, e tudo indica que não, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei será, apenas, mais uma ruina a juntar a tantas outras no Pinhal do Rei.


Placa indicando o Observatório Astronómico Pinhal do Rei

Rombo na cúpula do Observatório



            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 07" N
            09° 00' 44" W

 
Fontes:
Jornal o Correio (Marinha Grande), edição de 11 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 10 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 17 de Agosto de 2000
http://planeta.ip.pt/~ip224640/anoa.htm
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