sexta-feira, 30 de maio de 2014

O "Pinhal do Rei" de Afonso Lopes Vieira

Pinhal do Rei

Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
ditoso o "Lavrador" que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
lá vem as velidas bailar e cantar.

Encantado jardim da minha infância,
aonde a minh'alma aprendeu;
a música do Longe e o ritmo da Distância
que a tua voz marítima lhe deu;
místico órgão cujo além se esfuma
no além do Oceano, e onde a maresia
ameiga e dissolve em bruma,
e em penumbra de nave, a luz do dia.
Por estes fundos claustros gemem
os ais do Velho do Restelo...
Mas tu debruças-te no mar e, ao vê-lo,
teus velhos troncos de saudades fremem...

Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal louvado,
são as caravelas, teu corpo cortado,
é lo verde pino no mar a boiar.

Pinhal de heróicas árvores tão belas,
foi do teu corpo e da tua alma também
que nasceram as nossas caravelas
ansiosas de todo o Além;
foste tu que lhe deste a tua carne em flor
e sobre os mares andaste navegando,
rodeando a terra e olhando os novos astros,
ó gótico Pinhal navegador,
em naus, erguida, levando
tua alma em flor na ponta alta dos mastros!...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que grande saudade, que longo gemido
ondeia nos ramos, suspira no ar!

Na sussurrante e verde catedral
oiço rezar a alma de Portugal:
ela aí vem, dorida, e nos seus olhos
sonâmbulos de surda ansiedade,
no roxo da tardinha,
abre a flor da Saudade;
ela aí vem, sozinha,
dorida do naufrágio e dos escolhos,
viúva de seus bens
e pálida de amor,
arribada de todos os aléns
de este mundo de dor;
ela aí vem, sozinha,
e reza a ladainha
na sussurrante catedral aonde
toda se espalha e esconde,
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar.
Afonso Lopes Voeira

Painel de azulejos com excerto de “Pinhal do Rei”
em residência na Marinha Grande

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Pinheiro dos Lavradores

            Existiram noutros tempos no Pinhal do Rei, tal como nos dias de hoje, alguns pinheiros que, pelas suas dimensões ou forma, se destacavam na Mata. As referências a quase todos esses pinheiros são-nos dadas pelo Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”.
            Entre essas antigas árvores notáveis, existiu no talhão 99 um pinheiro que ficou conhecido como “O Pinheiro dos Lavradores”. As suas dimensões compreendiam: um fuste de aproximadamente 30 metros, altura total de 42,1 metros e um diâmetro a 1,30 m do solo (DAP – diâmetro à altura do peito) 1,18 metros.
            Idade provável em 1941, 200 anos.


O Pinheiro dos Lavradores - anos 30 do séc. XX

terça-feira, 13 de maio de 2014

Consequências do temporal de 19/01/2013 no Pinhal do Rei

            Decorridos já mais de um ano sobre a data do temporal que assolou o País em Janeiro de 2013 e que, por todo o lado, provocou enormíssimos danos, estamos, no que ao Pinhal do Rei diz respeito, em fase final de remoção do arvoredo tombado na Mata, ao mesmo tempo que se vão contabilizando e traduzindo em números as consequências do ciclone de19/01/2013.
            Isto mesmo é-nos dito na notícia publicada no passado dia 10 de Maio pela Centro TV  (TV online da região centro). Dessa notícia deixo aqui a transcrição na íntegra:

            “Mais de 60 mil árvores removidas do Pinhal de Leiria após temporal de 2013

            Mais de 60 mil árvores da Mata Nacional de Leiria, que ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, tombadas pelo temporal de janeiro de 2013, foram removidas, revelou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
            Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, o ICNF informa que até quarta-feira "foram removidas 62.724 árvores tombadas pelo temporal", estimando-se "em menos de 400 as árvores tombadas a aguardar remoção".
            Segundo o ICNF, a conclusão deste trabalho está prevista para "meados deste mês". Esta situação foi uma das preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara da Marinha Grande e pelo comandante dos Bombeiros Voluntários locais.
            Em abril do ano passado, três meses após o temporal, o presidente do município, Álvaro Pereira, alertou para a existência de "mais de 100 mil árvores" tombadas na mata nacional, área do domínio privado do Estado com 11 mil hectares.
            Esta semana, Álvaro Pereira alertou que "ainda há muitas árvores no chão" que "podem provocar um difícil acesso a zonas onde haja incêndios".
            O ICNF salientou que "desde o temporal de janeiro de 2013 foi dada prioridade à regularização dos danos causados" pela intempérie, porque, "quer tecnicamente, quer do ponto de vista florestal, era essa a melhor opção a tomar".
            O comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande, Vítor Graça, adiantou que as informações partilhadas com a corporação dão conta de que "as únicas intervenções realizadas desde a última época de incêndios se prenderam com a limpeza das árvores caídas no temporal", trabalho que considera "manifestamente insuficiente".
            Segundo Vítor Graça, "existem demasiadas zonas necessitadas de uma intervenção de limpeza", admitindo que esta situação é de "difícil compreensão, pois as matas nacionais geram valor suficiente para estas intervenções, em que se minimizará o risco de se perder o que existe no terreno, maximizando lucros futuros".
            O ICNF contrapõe que "os critérios que presidem à gestão da Mata Nacional de Leiria são técnicos e bem abalizados" e que o Pinhal do Rei, como também é designado, devido ao facto de ter sido D. Dinis a promover a sua sementeira, "é uma referência nacional e internacional, estudada e citada frequentemente pela academia na formação técnica e científica de profissionais neste domínio".

Fonte: Lusa”

Fonte:
http://www.centrotv.pt/index.php/centro/item/4091-mais-de-60-mil-%C3%A1rvores-removidas-do-pinhal-de-leiria-ap%C3%B3s-temporal-de-2013


Remoção do arvoredo tombado na Mata

domingo, 4 de maio de 2014

Casa de Guarda das Gaeiras

            A cerca de 1600 metros a sul de Pedreanes, no início do Aceiro O, junto ao Aceiro Exterior do Pinhal do Rei, situa-se a Casa de Guarda das Gaeiras.
            As primeiras casas de guarda foram construídas em 1790 por ordem do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro depois de, como medida de segurança e ao mesmo tempo controlo de entradas e saídas do Pinhal, este ter mandado abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal deixando apenas 4 passagens controladas por guardas que aí passaram a viver com as suas famílias.
            Em 1843 o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 estas eram já 20.
           Já no Século XX, entre 1920 e 1940, com a população a aumentar, houve necessidade de serem abertas novas passagens e construídas novas casas de guarda, entre elas a das Gaeiras.
            O facto de esta casa ser ainda habitada por um antigo guarda-florestal, hoje ao serviço do SEPNA (Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente) da GNR, faz com que esteja ainda em muito razoável estado de conservação, com logradouros cuidados e funcionais. Na frente, circundando um cuidado jardim, a casa mantem ainda o típico muro em tijolo de burro, característica visível em fotografias antigas de casas de guarda da mesma época.
            Assim estivessem todas as casas de guarda deste nosso Pinhal do Rei.




A Casa de Guarda das Gaeiras
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