sexta-feira, 21 de março de 2014

Mais um Dia Internacional das Florestas

           Comemora-se hoje o Dia Internacional das Florestas.
           Lembro-me de, na Marinha grande, noutros tempos, iniciativas organizadas pelas escolas, conjuntamente com as entidades responsáveis pela Floresta e pelo Município, proporcionarem às crianças das escolas marinhenses, nesta data, um dia único no calendário escolar anual.
            Exposições, representações teatrais ou apresentações musicais, sempre relacionadas com os temas da floresta ou da árvore, tinham lugar no Parque do Engenho ou mesmo no próprio Pinhal do Rei. Também durante muitos anos, neste dia, houve actividades em que as crianças, levadas ao interior da floresta, o nosso Pinhal do Rei, eram ensinadas e incentivadas a plantar uma árvore, incutindo-se-lhes o gosto pela árvore, pela floresta e pela própria Natureza, mesmo que, como todos sabemos, com o decorrer dos anos, o esquecimento e o completo abandono por parte de quem, posteriormente, deveria cuidar de tais sementeiras ou plantações feitas com tanto carinho e dedicação pelas crianças, estas viessem a desaparecer. 
            Creio porém, que, para os mais novos, esse dia tão diferente, para além do grande convívio e do passeio à Mata, era um dia esperado com ansiedade, relembrado com alegria, à noite, aos pais ou aos avós, e que, estou certo, muito acrescentava à educação da criança, dando-lhe conhecimento e sensibilizando-a para o respeito a ter com a árvore ou a floresta.
            Tendo o Concelho da Marinha Grande sensivelmente 2/3 do seu território ocupado com uma das maiores e mais importantes matas do nosso país, não sei a quem ou a que atribuir a não realização de eventos concelhios concertados dedicados às crianças em idade escolar em evocação desta data e do seu propósito. É pena que, por cá, tenha caído no esquecimento ou em desuso este tipo de práticas, e apenas alguns professores ou associações de pais se vão ainda lembrando de, simbolicamente, comemorar esta data com pequenos eventos confinados ao recinto da escola.


Entrada principal do Pinhal do Rei em Pedreanes

IN: http://www.icnf.pt/portal/icnf/noticias/eventos/dia-florestas


sábado, 15 de março de 2014

A homenagem a Bernardino Barros Gomes

            Já em 1917, na Conferência Florestal, os Florestais portugueses alvitraram que se prestasse uma condigna homenagem àquele que foi o seu grande “Mestre”. No entanto, esta só veio a acontecer em 30 de Setembro de 1939, no centenário do seu nascimento, em Pedreanes, onde foi inaugurado um modesto mas significativo monumento.
            Bernardino Barros Gomes dirigiu o Pinhal de Leiria deixando obra incomparável. Insigne silvicultor, continuou o trabalho de Warnhagen dando ao Pinhal o ordenamento devido, dividindo-o em talhões, através da abertura de aceiros e arrifes. Mandou construir os primeiros Pontos de Vigia e novas Casas de Guarda, procedeu a estudos sobre sementeiras e resinosos, elaborou, em 1882, a primeira Planta Geral da Mata deLeiria, criou a escrituração técnica do Pinhal e instalou os primeiros postos de meteorologia.
            Foi também Bernardino Barros Gomes quem propôs a abertura das primeiras estradas: Marinha Grande - S. Pedro de Moel e Marinha Grande - Vieira de Leiria.
            Em 1883, após a morte de sua mulher (1879), abandonou definitivamente as suas actividades profissionais e recolheu-se no Convento de S. Vicente de Paulo (Lazaristas) em Arroios. Em 1888 foi ordenado presbítero. Morreu na noite de 4 para 5 de Outubro de 1910, assassinado pelos revolucionários durante a implantação da República.
            Na inauguração do monumento em sua homenagem estiveram presentes Silvicultores, Regentes Florestais e um pelotão formado por Guardas Florestais. O elogio do homenageado esteve a cargo do Silvicultor Júlio Mário Viana.
            Nesse mesmo dia foi plantado junto ao monumento um pinheiro manso, já com três anos de idade, que hoje dá sombra ao monumento.


           
            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 46' N
            08° 56' 23,5" W


Pelotão de Guardas Florestais na homenagem a Bernardino Barros Gomes

O pinheiro manso junto ao monumento erigido a Bernardino Barros Gomes

O monumento erigido a Bernardino Barros Gomes

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os poços do Pinhal do Rei

            Construídos pelos Serviços Florestais a partir de 1909, estes poços, tal como as fontes, tinham a função de matar a sede aos trabalhadores do Pinhal e aos seus animais. Estes poços eram providos de bombas manuais para tirar água, e de grandes tanques para o gado beber. A maior parte deles já não existe. Recordem-se por exemplo o poço do Zé Bernardo, dos Sete, das Crastas, do Fogo Velho, etc. Os muito poucos que ainda existem encontram-se quase destruídos.
            À saída da Marinha Grande, pela Guarda Nova, em direcção a S. Pedro de Moel, encontra-se ainda em relativo estado de conservação o Poço dos Sete, por muitos conhecido, talvez devido à sua cor, por “Poço Branco”, embora já sem o tanque que se vê na fotografia abaixo. Nesta fotografia é visível a linha do antigo Comboio de Lata que, naquela altura, por ali passava.


O Poço dos Sete – anos 30 do Séc. XX
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