terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Pinheiro do Montinho

            Este pinheiro, de notáveis dimensões e longevidade, existiu no talhão 180. Tinha 0,89 metros de diâmetro a 1,30 m do solo (DAP) e 39 metros de altura.
            Idade provável em 1941, 200 anos.
            Esta avançada idade levou-o a ser atacado pelo Trametes pini (cogumelo que ataca o pinheiro devorando-lhe o tronco), pelo que, nos últimos anos da sua vida, para o manter de pé, foi construído um maciço de areia (um montinho) em redor do seu tronco.
            A descrição deste pinheiro é-nos dada com emoção pelo Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”:
            “Eu mesmo, executor do ordenamento que manda abater arvoredo e semear o terreno desnudado, sinto emoção junto da velha árvore. Várias vezes tenho subido a esse monte de areia que pretende sustentar o corpo contaminado do Pinheiro do Montinho, e nunca o faço sem sentir uma certa emoção. À distância, vejo-o ainda aprumado, dominando o povoamento uniforme e puro, que conta hoje 116 anos de idade, semeado depois da queimada de 1824 que devorou os seus irmãos, poupando-o a ele, Gigante do Pinhal de Leiria e talvez no mundo do pinheiro bravo, mas subindo o pequeno morro de terra que o ajuda a manter-se de pé, vejo que o seu tronco foi ferido com o machado, talvez em 1820, numa extensão de dois metros e noventa a partir da base, para lhe arrancar uma parte do lenho para o fabrico de alcatrão, e  pelo seu  corpo  acima  pululam os Trametes pini, que com a lentidão do tempo lhe vão devorando a ossatura, o cerne, que é por  assim dizer  eterno ao abrigo de telha, e que tem a vida relativamente curta exposto ao tempo no corpo da árvore que o produziu.
            O vendaval levou-lhe a flecha, as suas braças pendem, e tombará no solo quando o machado em 1943 derrubar os seus filhos, o maciço que o cerca e que o defende das arremetidas do vento, prole que viu nascer, que dominou e vigiou dos seus 38 metros de altura (com a flecha mediu 47 metros).
            A verruma de Pressler não tem comprimento bastante para lhe levar o ferro até ao coração, e a sua idade só se pode determinar com segurança quando a árvore tombar, e se fizer o corte transversal no tronco junto à base, se o cogumelo na sua voracidade a tiver poupado…”.


O Pinheiro do Montinho

O Pinheiro do Montinho - desenho de Lonsdale Ragg (1937)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Ponto Novo

            O Ponto de vigia conhecido como Ponto Novo tem uma história em tudo idêntica aos já aqui falados Ponto da Crastinha e Ponto do Facho.
            Os primitivos pontos de vigia do Pinhal do Rei foram mandados instalar em finais do Séc. XIX por Bernardino Barros Gomes para detecção de incêndios no Pinhal. De início eram pequenas barracas de madeira com torres anexas nos sítios mais altos do Pinhal: Facho, Ladeira Grande, Crastinha e também no edifício da Resinagem.
            Alguns anos após a sua construção, por a madeira estar a apodrecer, foram reconstruídos os Pontos da Ladeira Grande e da Crastinha, passando a ser constituídos por altas armações em ferro, em cujo topo, rodeado por uma varanda, estava o posto de vigia.
            A partir de 1936, por projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo, o Ponto do Facho e o da Crastinha foram reconstruídos em cimento armado. O Ponto da Ladeira Grande foi substituído pelo Ponto Novo, construído em 1937. Anexa à torre de vigia, existia uma pequena casa onde viviam os Guardas que faziam a vigilância. Dessas pequenas casas, resiste apenas a que se encontra junto ao Ponto da Crastinha, embora já em muito avançado estado de degradação.
            Actualmente, o funcionamento destes Pontos de Vigia limita-se aos meses de Verão.

            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 56" N
            09° 00' 14" W


O Ponto Novo

Inscrição na torre do Ponto Novo

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Comboio Americano

             O Comboio Americano foi construído por proposta do Administrador Geral das Matas, Porfírio António Caminha, cerca do ano de 1856, conforme projecto do Eng.º Joaquim Simões Margiochi. Na sua construção trabalharam muitos operários vidreiros, por a Real Fábrica dos Vidros se encontrar fechada por falta de arrendatário.
            Foi construído inicialmente com carris de madeira mas, em 1861, com a renovação ordenada pelo Ministro das Obras Públicas o Duque de Loulé, estes foram substituídos por carris de ferro, importados de Inglaterra juntamente com material rolante, permitindo assim um melhor deslize. Fazia a ligação entre Pedreanes, na Marinha Grande, e São Martinho do Porto, numa extensão de 36 km, passando em frente da Real Fábrica dos Vidros e do Edifício da Resinagem. Para São Martinho transportava os produtos do Pinhal, para embarque com destino aos estaleiros de Lisboa, e de retorno trazia, da Martingança, areia e calcário para a Real Fábrica dos Vidros e pedra e cal para construção de estradas e do Edifício da Fábrica da Resinagem.
            O comboio, de tracção animal, constituído por nove vagões de carga, transportando cada um cerca de 4 500 kg, e um de passageiros, era puxado por bois nas subidas enquanto nas descidas o seu próprio peso o fazia deslocar velozmente.
            Para além das principais estações, Pedreanes e S. Martinho do Porto, havia também estações de muda onde o gado descansava.
            Este comboio fazia normalmente 2 viagens semanais de ida e volta. Demorava de Pedreanes a S. Martinho do Porto cerca de 8 horas e no sentido inverso cerca de 6 horas. Deixou de pertencer à Administração das Matas em 1866, passando a pertencer à Direcção das Obras Públicas do Distrito de Leiria.
             Em 1885, com o início da construção da Linha de caminho-de-ferro do Oeste que aproveitou parte do traçado existente e a chegada em 1888 à Marinha Grande dos comboios a vapor, o Comboio Americano foi desactivado.
            Depois de desactivado, o traçado da linha deste comboio, junto ao centro da Marinha Grande, manteve-se até aos primeiros anos do Séc. XX, sendo visível em várias fotografias da época.
            Ainda hoje existe em Pedreanes a antiga estação deste primitivo comboio.

 Linha do Comboio Americano junto à Fábrica dos Vidros - Início do Séc. XX

 
Linha do Comboio Americano junto ao Edifício da Resinagem - Início do Séc. XX

Estação do Comboio Americano em Pedreanes em 1937

 Estação do Comboio Americano em Pedreanes

Porta principal da Estação do Comboio Americano
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