quinta-feira, 23 de junho de 2016

Arranjada a estrada de acesso ao Tromelgo

            Depois de muita polémica, reuniões ao mais alto nível, intervenções de grupos defensores e amigos da Mata Nacional (Pinhal do Rei), artigos em jornais, reportagens na televisão, intervenções nas redes sociais, e, sobretudo, do “jogo do empurra” acerca de quem queria fazer e não podia ou quem podia fazer e não queria, lá se arranjou o acesso ao Tromelgo.
            Finalmente foi aberta hoje a circulação automóvel com um novo tapete de asfalto, não se limitando apenas ao simples tapar dos buracos.
            Parabéns a quem o fez e ou a quem o deixou fazer. Pena é que não se tenha podido alargar um pouco. Veremos agora quanto tempo vai durar se continuar a ser atravessado por veículos de grande tonelagem, que por vezes ali circulam.
            Por outro lado, nas estradas da grande Mata, também vi alguns melhoramentos, com alguns buracos tapados e também com alguns pequenos troços com tapete novo. É certo que alguns destes são troços onde no próximo fim-de-semana vai passar o Rali Vidreiro - Centro de Portugal, mas ao menos valha-nos isso.
            Também algumas fontes foram recentemente pintadas, o que já não é mau, porém, antes da pintura, deveria ter havido uma cuidada intervenção ao nível do edificado.
            Mas falta ainda arranjar muitas estradas, principalmente mais para norte, nos acessos ao Ponto de Vigia da Crastinha, antigo areeiro, Estrada dos Vidreiros e outras ali à volta. Porém, não sendo uma zona turística como a Ponte Nova ou o Tromelgo, poderemos estar perante um problema de maior envergadura, principalmente se não houver vontade de o fazer ou de o deixar fazer. Haja boa vontade e consenso e tudo se fará.
            E, voltando ao Tromelgo, para quando melhoramentos no parque de merendas e zona envolvente e a reconstrução da célebre fonte, tão tristemente arruinada e abandonada?

Acesso ao Tromelgo

sexta-feira, 10 de junho de 2016

"Aos Pinheiros nas Dunas" (pinheiros serpente)

            Ao percorrermos as imediações da orla marítima do Pinhal do Rei, encontramos os imponentes pinheiros-bravos rastejantes, também conhecidos por pinheiros serpente, que a elevada salinidade proveniente da costa, impelida pelos ventos, impede o normal crescimento das suas gemas terminais mais novas, prejudicando-os no seu crescimento e obrigando-os a rastejar, tomando bizarras formas encurvadas.
            Referindo-se a estes curiosos pinheiros, o Engº Arala Pinto, chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande entre 1927 e 1956, escreveu, em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”:
            "Esses pinheiros, pioneiros do litoral, formando os batalhões, são a guarda avançada, os sacrificados, […], a bem dos seus irmãos já distantes do mar. A sua missão consiste na segurança das areias e poderão vir a dar lenhas, resinas, peças para carroçarias, mas nunca se deverão abater senão em pequenas parcelas, em cortes […] (…rasos em pequenas superfícies, máximo um hectare), como os que se praticaram no Pinhal de Leiria, com bons resultados, mas estes mesmos a um mínimo de 500 m da linha das marés."
            Em 1940, Afonso Lopes Vieira em “Onde a terra se acaba e o mar começa” escreve um poema aos pinheiros serpente (pinheiros das dunas):

Aos Pinheiros nas Dunas
 
O que a vida fez
de vocês,
velhos pinheiros da minha infância,
árvores de ânsia!…
 
O que a crueza de mil invernos,
as tormentas todas esguedelhadas
de vendavais
de inferno,
fizeram desses corpos de tortura
e de aflição,
- que tanto ansiais
por fugir desse chão!
 
Em pequeno metíeis-me medo;
minha Mãe ria e dizia - Medroso! -
Que querem? Vocês faziam-me nervoso;
e só muito mais tarde, meus amigos,
deixei de vos olhar como a perigos,
como a cobras de horror;
só mais tarde entendi vosso segredo
e compreendi a trágica beleza
da vossa dor!
 
Ó marinheiros pinheiros,
gageiros da tempestade!
Náufragos arrojados
à duna! Cristos pregados
na areia que vos tem crucificados:
- fazeis-me dor e saudade,
a saudade de mim, a mais cruel,
meus pinheiros de Moel!
 
A saudade do tempo
em que vos eu temia,
porque, inocente, ainda não sabia,
ó trágico-marítimos!,
que sofreis e suais
e morreis de guardar
a floresta que vive e reverdece
e cresce
à sombra desse lento agonizar!
 
O que a vida fez
de vocês,
velhos amigos da minha infância
que eu amo como avós.
 
Como tudo vai longe na distância…
 
Amigos, o que a vida faz de nós!…
  
A. L. Vieira

Pinheiro serpente junto à praia das Pedras Negras
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