quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Comboio de Lata

            O escoamento para o exterior dos produtos do Pinhal foi, no século XIX, até cerca de 1885, feito com recurso ao Comboio Americano, de tracção animal, que fazia a ligação entre Pedreanes e o porto de São Martinho do Porto, numa extensão de 36 km, passando em frente da Real Fábrica de Vidros e do Edifício da Fábrica de Resinagem.
             Em 1885, com o início da construção da linha de caminho-de-ferro do Oeste que aproveitou parte do traçado da linha do Comboio Americano e com a chegada, em 1888, à Marinha Grande dos comboios a vapor, o Comboio Americano foi desactivado, passando o escoamento dos produtos do Pinhal a ser feito através da nova linha de caminho-de-ferro do Oeste.
            No entanto, prevalecia o problema dos transportes dentro da Mata e entre Pedreanes e a estação dos caminhos-de-ferro.
            A rede de estradas era diminuta e os caminhos existentes tinham pouca resistência aos pesados carros puxados por bois, carregados de lenha e grandes toros.
            Este problema foi resolvido com a introdução de outro comboio.
            Este novo comboio veio para Portugal como forma de pagamento de indemnizações por danos de guerra, a que a Alemanha, perdedora da guerra 1914-18, tinha sido obrigada a pagar aos países vencedores.
            Por iniciativa do Eng.º Silvicultor António Mendes de Almeida, o comboio é trazido para o Pinhal de Leiria começando a circular em 1923.
            A construção da linha férrea teve orientação do Silvicultor António Eduardo F. Gameiro.
            O pequeno comboio de via reduzida (60 cm), sistema Decauville, era composto por três máquinas a vapor, alimentadas com lenha do próprio Pinhal, por dois vagões de passageiros, vários outros de caixa aberta (para carga variada) e alguns outros, próprios, para o transporte de grandes pinheiros.
            Este comboio ficou conhecido por “Comboio de Lata” quando, segundo consta, certo dia, num grupo de amigos, o Dr. Manuel Francisco Alves, em tom brincalhão, exclamou: “Um Comboio de Lata!...”. E por esse nome ficou conhecido.
            Existiam 3 linhas principais: Pedreanes - estação dos caminhos-de-ferro; Pedreanes - S. Pedro de Moel (Farol do Penedo da Saudade); Pedreanes - talhão 225 (perto da Ponte Nova). Esta rede ferroviária tinha cerca de 30 km possuindo também pequenos ramais para as principais serrações.
            Em dias festivos, principalmente na Quinta-Feira da Ascensão, o comboio era cedido à população para passeios na Mata ou idas à praia.
            Também os veraneantes de S. Pedro de Moel, uma ou duas vezes por época, tinham o privilégio de nele passearem e tomarem conhecimento da importância e grandiosidade que tinha o grande Pinhal.
            Em 1965, com a nova rede de estradas praticamente concluída, o comboio foi desactivado e deixou de circular.
            Em 1967, todo o conjunto que compunha o Comboio de Lata, máquinas, carruagens e carris, foi vendido em hasta pública, para sucata, à porta da Repartição de Finanças.
            Uma das máquinas e uma carruagem de passageiros foram entretanto adquiridos pela Câmara Municipal. Em 1974 foram colocados em S. Pedro de Moel, no Parque Infantil Arala Pinto, pretendendo-se mostrar ou apenas recordar, o que tinha sido o célebre “Comboio de Lata”.
            Mas, sem a adequada protecção, o comboio foi alvo de vandalismo e, em poucos anos, era já avançado o seu estado de degradação, sendo pouco mais do que sucata.
            Em 1996, por iniciativa da Junta de Freguesia da Marinha Grande, a locomotiva foi retirada de S. Pedro de Moel e exposta na Feira de Artesanato e Gastronomia na Marinha Grande.
            Posteriormente, em 1997, a mesma Junta de Freguesia promoveu um pequeno restauro da velha locomotiva, sendo então guardada nos estaleiros da Câmara Municipal.
            Actualmente encontra-se nos pavilhões do Parque Municipal de Exposições da Marinha Grande, onde, no âmbito da Feira de Artesanato e Gastronomia, tem sido exposta. Assim aconteceu em 2011 em mais uma edição da Feira de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande, onde, mais uma vez, a Junta de Freguesia da Marinha Grande voltou a expor o velho “Comboio de Lata”.

O Comboio de Lata em 1923

O Comboio de Lata em 1936

O Comboio de Lata em S. Pedro de Moel nos anos 80 do séc. XX

O Comboio de Lata em 2011 na Feira de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande

domingo, 18 de dezembro de 2011

Parque Florestal do Engenho

            Neste parque funcionaram vários serviços do Pinhal, fornos de destilação de resinosos, engenho de serração de madeira movido a vento, serrações mecânicas, uma capela, cavalariças, escola de guardas florestais, o Grémio Florestal, a Cooperativa Florestal, viveiros e campos de estudos botânicos, parque de viaturas de tracção animal e repartições administrativas.
            No tempo do Marquês de Pombal, para protecção do engenho de serrar movido a vento, este recinto, com uma área de 25 165 m², foi murado. O engenho, completamente construído em madeira, foi montado em 1723 sob direcção de engenheiros holandeses e funcionou até 1774, altura em que, devido ao atrito, se incendiou, sendo inviável a sua recuperação. Esta máquina (o engenho) acabou por dar o nome ao parque e à pequena povoação que ia nascendo à sua volta.


Parque do Engenho - Início do séc. XX

Parque do Engenho - Ano de 1917

Parque do Engenho - Ano de 1925

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Frederico Luiz Guilherme de Varnhagen

          Nasceu em Arolsen, principado de Walde, Alemanha, em 1782. Veio para Portugal nos primeiros anos do séc. XIX, a convite do então príncipe D. João, para organizar cientificamente os Serviços da Mineração de Ferro. Foi nomeado director das Fundições da Foz de Alge, onde se iniciava o fabrico de cutelarias, espingardas e peças de artilharia.
          Em Outubro de 1810 seguiu para o Brasil, onde se encontrava D. João VI e a Corte portuguesa na sequência das invasões napoleónicas, incumbido de proceder a levantamentos topográficos e estudos de mineração.
          Regressou a Portugal 14 anos depois e foi colocado na Marinha Grande, como o primeiro Administrador Geral das Matas do Reino, nomeado por Portaria de 17 de Setembro de 1824, data em que foi criada esta Administração e seu Regulamento, no âmbito do Ministério da Marinha. Apesar de ter sido em 1824 que se concluiu o bonito prédio para a Administração do Pinhal e residência do Administrador Geral, Varnhagen preferiu viver dentro do Pinhal, no sítio da Fonte Santa. Sob sua direcção foi levantada em 1841 a segunda planta topográfica do Pinhal de Leiria e realizado o primeiro trabalho de abertura de aceiros – conhecidos como “quadrados Varnhagen”. Mandou construir o viveiro do Tromelgo, por volta de 1830, e a ele se deve a introdução de novas técnicas na sementeira e corte dos pinheiros, sendo autor do “Manual de instruções práticas sobre a sementeira, cultura e corte dos Pinheiros”, publicado em 1836. Neste trabalho, entre inúmeras considerações técnicas relativas às culturas dos pinhais, destacam-se as primeiras referências ao interesse da utilização nas matas dos fogos controlados como “(...) um meio seguro de livra-lo de ser incendiado no verão (...)”.
         Pertenceu à Academia Real das Ciências e teve o título honorífico de Couteiro-mor do Reino.
         Embora formado em engenharia de minas e com largos estudos no âmbito das ciências sociais, o Administrador Varnhagen contribuiu em muito para o engrandecimento do Pinhal e da própria povoação da Marinha Grande, que conseguiu ver elevada, por algum tempo, à categoria de concelho.
         Faleceu a 16 de Novembro de 1842, em Lisboa, onde ficou sepultado.

IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal
Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)
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