domingo, 24 de fevereiro de 2013

Os primeiros transportes rodoviários no Pinhal do Rei

            Foi provavelmente nos anos 30 do século passado que foram adquiridos pelos Serviços Florestais os primeiros veículos rodoviários motorizados, movidos a gasogénio.
            Para circulação desses veículos, apesar de já existirem algumas estradas e vários ramais de vital importância dentro do Pinhal, foi preciso abrir novos caminhos. Com verbas orçamentais muito reduzidas, estes caminhos, que chegaram a atingir uma extensão de 30 Km, foram cobertos com mato, ficando por isso conhecidos como os “caminhos de mato“.
            O sistema usado nos veículos a gasogénio usou-se em períodos de escassez de combustível, principalmente antes e após a Segunda Guerra Mundial. O aparelho, destinado à produção de gás pobre, tratava-se basicamente de uma caldeira, acoplada ao veículo, onde se fazia a combustão de matérias vegetais (carvão) sob oxidação parcial para obtenção de combustíveis gasosos, usados depois nos motores de combustão interna dos próprios veículos em substituição da gasolina.
            Estes veículos, usados no transporte de pessoas, alfaias e, em caso de incêndio, no transporte rápido dos bombeiros da floresta, foram uma mais-valia para os transportes dentro do Pinhal, complementando o que até aí era feito com recurso ao transporte por carros de tracção animal ou pelo próprio Comboio de Lata.

Camioneta a gasogénio - anos 30/40 do séc. XX

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os pinheiros em Portugal

            Um pequeno artigo publicado na revista “O occidente : Revista illustrada de Portugal e do estrangeiro” em Dezembro de 1879 dava conta da importância, para o país, das matas de pinheiro e dos produtos que produziam.
             O artigo, da autoria de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, administrador do Pinhal de Leiria entre 1882 e 1886, faz também referência a um pinheiro bravo gigante existente, à época, no Pinhal de Leiria.




In: "O Occidente" nº 48 de 15 de Dezembro de 1879
© Hemeroteca Digital

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei

            A designação dada às matas nacionais é, regra geral, influenciada pelos nomes dos concelhos ou dos locais dos concelhos onde estão inseridas.
            Há porém, como em tudo, uma excepção. Trata-se precisamente da Mata Nacional de Leiria, pertencente, toda ela, ao Concelho da Marinha Grande mas que, no seu nome, ostenta o nome do concelho vizinho. A explicação pode advir do simples facto de este nome lhe ter sido atribuído antes da restauração, em 1917, do Concelho da Marinha Grande, após este ter sido extinto em 1838, depois de inicialmente ter sido atribuído em 1836.
            Vulgarmente, e desde sempre, conhecido por “Pinhal de Leiria”, o Pinhal, até 1910, denominou-se “Pinhal do Rei” ou “Pinhal Real”. Depois, a partir de 1910, passou a chamar-se “Pinhal Nacional”, e actualmente é designado por “Mata Nacional de Leiria”.
            Curiosamente há alguns mapas da nossa Mata onde são referidos os dois nomes: “Mata Nacional de Leiria” e “Pinhal do Rei”.

 
 
Mapas da Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O feixe de caruma

            A “Ilustração Portuguesa – Revista Semanal dos Acontecimentos da Vida Portugueza”, um suplemento semanal do Jornal “O Século”, publicou, em 30 de Setembro de 1922, o poema intitulado “O feixe de caruma”.
            Não sabemos, naturalmente, onde ou em que mata o autor se inspirou quando escreveu tal poema mas, não sendo relevante, poderia ter sido porventura no nosso Pinhal do Rei, onde, durante séculos, a apanha de caruma foi uma actividade que muito ajudou no sustento de grande parte da população que, do Pinhal, a retirava gratuitamente para seu uso próprio ou comercialização.

 
 
In: Ilustração Portuguesa nº 867 de 30 de Setembro de 1922
© Hemeroteca Digital

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ainda o temporal, o tomba gigantes que passou pelo Pinhal do Rei

            Com ventos na ordem dos 130 km/h, ou até mais, o tremendo temporal que no passado dia 19 de Janeiro atingiu o país e, logicamente, também o Pinhal do Rei, originando a queda de milhares de árvores por todo o Pinhal, assumiu verdadeiramente a faceta de tomba gigantes, ao derrubar tão grande número de árvores de grande porte.
            Entre elas estava o maior pinheiro-bravo do país, o maior da Península Ibérica diz-se também, um verdadeiro gigante que, com os seus 200 anos (dados do ICNF), era já classificado árvore de interesse público pelo D.R. nº 32 II Série de 07/02/1997. Situava-se no Talhão 273, parcela A, junto à antiga Casa de Guarda do Rio Tinto.
            Aqui ficam os dados daquele que foi um gigante no Pinhal do Rei:

            Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 273, parcela A
            Nome científico: Pinus pinaster Aiton
            Nome vulgar: Pinheiro-bravo
            Descrição: Árvore isolada
            Perímetro a 1,30m do solo: 4,51m
            Diâmetro a 1,30m do solo (DAP): 1,435m
            Diâmetro médio da copa: 23.9m
            Altura: 40m     
            Idade aproximada: 200 anos


            Coordenadas geográficas aproximadas:
            39° 44' 33" N
            8° 57' 46" W




O “Gigante” em Setembro de 2009





O “Gigante” derrubado em 19-01-2013
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...