domingo, 25 de novembro de 2012

José Lopes Vieira

            Nasceu a 18 de Junho de 1862, no lugar de Abadia, freguesia de Cortes, concelho de Leiria.
            Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra em1887, sentiu-se atraído pela silvicultura e obteve o diploma de engenheiro silvicultor na Escola Florestal de Nancy em 1889.
            Embora convidado a leccionar nessa mesma escola, José Lopes Vieira recusou por desejar regressar a Portugal. No nosso país procurou desenvolver os novos métodos e processos que aprendera. Dirigiu os trabalhos de arborização das serras do Gerês e da Estrela, elaborando sobre este assunto vários estudos e valiosas indicações, não só silvícolas mas também sobre o aproveitamento hidroeléctrico – um problema que encarou com larga e justa visão.
            Foi colocado como silvicultor nos Serviços Florestais da Marinha Grande. Entre outros trabalhos projectou e publicou um ordenamento do Pinhal Real de Leiria, um interessante e valioso estudo da administração e economia florestal. Executou a triangulação dos pontos de vigia. Em cada ponto é instalada uma luneta de grande alcance que gira em torno de um círculo graduado. A orientação do norte verdadeiro é 0 graus e na planta do pinhal são definidos os respectivos quadrantes.
            Cerca de 1901, conjuntamente com Mário Galo, inicia a construção de pequenas barragens nos afluentes do rio Lis, numa tentativa de correcção do leito do rio, bem como o reflorestamento dos terrenos – arborização das charnecas de Caranguejeira e Marrazes. Estes trabalhos foram alvo de duras críticas e resistência por parte das populações, tendo sido porém bastante importantes no melhoramento das condições de salubridade da cidade de Leiria.
            Faleceu no Porto a 26 de Novembro de 1907.
 
IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

  Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Fonte do Sardão

            De passagem pela zona norte do Pinhal do Rei, parei hoje propositadamente no talhão 51 para visitar a Fonte do Sardão. Situada junto ao Aceiro Exterior e a cerca de 2100 metros a sueste da bem conhecida Fonte da Água Formosa, num pequeno vale da parte norte do referido talhão, a fonte quase passa despercebida a quem não conhecer o local. Já, por outro lado, a quem ali chegue, despercebido não passa o facto de esta necessitar de obras de manutenção e limpeza, aliás, como muitas outras nesta Mata Nacional.
            Quanto à água, não provei! Diz um letreiro afixado que não é controlada.



A Fonte do Sardão

Pôr-do-sol na Fonte do Sardão

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Resinagem à morte

            Representando ainda uma valiosa fonte de receita na economia do Pinhal do Rei, a exploração da resina e a sua destilação deixaram, no entanto, de ser efectuadas directamente pelos Serviços Florestais.
            Nos dias de hoje a produção de resina constitui uma actividade secundária, sendo apenas explorada nos últimos três anos antes do corte final. Nestes três anos a resinagem é feita de modo intensivo, com várias feridas em volta do tronco da árvore e subindo nele a cada ano, ou seja, sendo renovadas.
            A resina e seus derivados são explorados por particulares que, mediante concursos abertos pelos Serviços Florestais, arrematam a sua exploração.
            Das árvores sujeitas a este tipo de resinagem diz-se que estão à morte, já que, este método, retira toda a resina do pinheiro condenando-o a morrer, o que, na prática, já está planeado, vindo a acontecer ao fim do terceiro ano de resinagem quando se fizer o corte final do talhão.
 
Resinagem à morte - anos 60 do séc. XX
 
Talhão resinado à morte, vendo-se à esquerda alguma resina já ensacada e metida em bidões - 2012

Pinheiro submetido à resinagem à morte - 2012
 
Ferida em pinheiro resinado à morte- 2012
 
Resina escorrendo na ferida em pinheiro resinado à morte - 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

A Fonte das Canas

            Andava já há muito tempo intrigado acerca da existência, ou não, em nossos dias, da Fonte das Canas no Pinhal do Rei.
            Referenciada por vários autores em publicações acerca do Pinhal do Rei, esta fonte aparece, também, no mapa de 1940 do Pinhal, mais propriamente no talhão 144, local, hoje em dia, por nós conhecido como Samouco ou Olho do Samouco.
            Havendo nesse local uma fonte, de início tudo me levava a crer que se tratasse dessa mesma fonte, talvez reconstruída, uma vez que aparenta ser de construção mais ou menos recente.
            Porém, mesmo depois de ter inquirido inúmeras pessoas acerca deste assunto, continuava confuso, pois falava-se também de uma outra fonte, conhecida por Fonte dos Morangos, e, se uns garantiam a existência de apenas uma fonte, sendo a Fonte das Canas e a Fonte dos Morangos a mesma coisa, outros garantiam a existência das duas em simultâneo, sendo a Fonte dos Morangos um pouco a Norte da Fonte das Canas. Mas existiriam uma e outra ainda hoje? E a fonte no Olho do Samouco?
            Discutindo um dia este assunto numa das redes sociais da Internet, surgiu um pouco de luz. Alguém disse que, garantidamente, dito por pessoa muito conhecedora deste local, a Fonte dos Morangos já não existia há muitos anos e a Fonte das Canas ainda existia, um pouco abaixo da fonte construída no lugar do Samouco e cujo nome desconheço.
            Decidi então ir à descoberta e pôr-me ao caminho.
            Assim sendo, e depois de saciada a minha curiosidade, venho hoje apresentar aos leitores deste Blog, à volta do tema “Pinhal do Rei”, justamente o resultado dessa experiência.
            Desconhecendo por completo o que iria encontrar, sabia, no entanto, que deveria tomar um caminho perto do lugar do Samouco e que, não muito longe dali, deveria deixar esse caminho e virar à esquerda seguindo por outro.
            Depois de cerca de uns cinco minutos a caminhar, devagar, apreciando a belíssima paisagem que nos oferece esta zona, deparo-me, à esquerda do caminho, com uma clareira na floresta, onde o solo, muito verde, totalmente coberto de musgo e repleto de cogumelos, indicava por certo a presença de água nas proximidades. Atravessada a clareira, deparo-me com uma velha mesa de madeira com bancos corridos e montada em sítio estratégico à sombra do arvoredo, alvitrando a hipótese de, em tempos, ali terem ocorrido grandes patuscadas. Aproximei-me um pouco e… lá estava ela: a Fonte das Canas, cuja nascente, um pequeno buraco na terra, se situa a cerca de dez metros, mesmo por baixo da velha mesa.
            Esta primitiva fonte, em nada parecida com as fontes vistas em outros locais da Mata, é constituída apenas por uma pequena represa, feita no regato, logo após a nascente, e onde foi colocado um pequeno tubo por onde corre límpida a preciosa água.

Paisagem sobranceira à nascente da Fonte das Canas

A nascente da Fonte das Canas



A Fonte das Canas

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Percurso pedestre - “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata”

            Do conjunto de três percursos pedestres criados pela Câmara Municipal da Marinha Grande, faz parte o percurso designado por “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata”. Este percurso, de grau de dificuldade moderado, em âmbito florestal, tem uma extensão de 6,4 Km e pode ser feito em cerca de duas horas.
            O ponto de partida para este percurso é feito no Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel em S. Pedro de Moel, junto ao antigo lavadouro, tendo o percurso como ponto de interesse principal, para além de proporcionar uma visita a S. Pedro de Moel e ao Pinhal do Rei, o facto de, em parte, seguir o antigo traçado da linha do Comboio de Lata que passava por S. Pedro de Moel.

Mapa com indicação dos três percursos pedestres
IN: http://services.cm-mgrande.pt/agendas/GUIA_MG_2012/default.html

Indicação do início do percurso pedestre - “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata” no Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel em S. Pedro de Moel

O Comboio de Lata em 1936

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Antiga casa de veraneio dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande

            A antiga Casa de Guarda do M situava-se junto à Praia das Pedras Negras, precisamente no fim do aceiro M, do qual herdou o nome. 
            Fisicamente, desta antiga Casa de Guarda, em nossos dias, já nada existe. Apenas a recordação da sua existência em prol do Pinhal do Rei vai ainda perdurando na memória daqueles que dela se recordam.
            Porém, quem hoje em dia visite aquele lugar depara-se com as ruínas de uma antiga construção, as quais, por muitos dos visitantes, são entendidas como sendo as ruínas da antiga Casa de Guarda do M. Na verdade, assim não é. Trata-se das ruínas de uma pequena casa construída, em tempos, pelos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande para uso no Verão durante as suas horas de lazer e que, depois de abandonada, se encontra em ruínas. Para o visitante pouco conhecedor da existência e localização exacta destas duas construções, a localização destas ruínas, mesmo ao lado do local onde, em tempos, existiu a antiga Casa de Guarda do M, pode levar à confusão com hipotéticas ruínas da mesma Casa de Guarda.

 
 
 
  Ruínas da antiga casa de veraneio dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande no Pinhal do Rei
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