quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Pinheiro do Facho

            Existiram noutros tempos no Pinhal do Rei vários pinheiros que, pelas suas dimensões, idade ou forma, se destacaram na Mata. As referências a quase todos estes pinheiros são-nos dadas em 1938 pelo Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”.
            Ao referir-se a estes notáveis pinheiros, Arala Pinto não só nos fala de árvores ainda existentes à data em que escreve, como também nos fala dos velhos pinheiros já abatidos, entre os quais o Pinheiro do Facho. Este célebre pinheiro tinha 1,85 metros de DAP (diâmetro à altura do peito - medido a 1,30 m do solo) e 39 metros de altura. Deste histórico pinheiro existia ainda, naquela época, parte do seu tronco, tendo-se verificado, na sua análise, uma idade de 181 anos. Diz-nos ainda Arala Pinto que, por informações que lhe foram dadas, o cubo total desta árvore deu 21 metros cúbicos.
            A localização concreta onde existiu este pinheiro não nos é informada mas, dado o seu nome, crê-se que teria existido a sul do Pinhal, perto do Ponto de Vigia do Facho. Também a data do seu desaparecimento não é informada, mas, se Arala Pinto diz “só conheci parte do seu tronco”, teremos obrigatoriamente de remeter tal facto para uma data anterior a 1922, data em que Arala Pinto foi colocado na Circunscrição Florestal da Marinha Grande.
            No Parque Florestal de Amarante, concretamente numa das paredes exteriores do edifício do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte – ICNF, existe um painel de azulejos representando o célebre Pinheiro do Facho. Este painel, datado de 1924, foi produzido na Empresa de Louça e Azulejo (E. L. A.) em Aveiro, sendo desenhado por Francisco Luís Pereira. É constituído por azulejos quadrados de 14 cm de lado, atingindo sensivelmente as dimensões máximas de 1,54 m de altura e 1,12 m de largura.



Edifício do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte


Painel de azulejos representando o Pinheiro do Facho

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Casa de Guarda da Guarda Nova

            A construção das casas de guarda no Pinhal do Rei remonta ao ano de 1790, quando, como medida de segurança e controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro mandou abrir uma vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura circundando todo o Pinhal e deixando apenas 4 passagens controladas por guardas.
            Por força do Regulamento de 1790 é abandonada a designação de couteiros para quem até aí tinha guardado o Pinhal, passando então a falar-se em guardas florestais e estabelecendo-se que, para melhor controlar essas passagens, estes vivessem junto do Pinhal em casas construídas nesses locais.
            As primeiras 4 casas de guarda foram: Caminhos de Carvide, Cova do Lobo, Pedreanes e Sapinha.
            Com o aumento da população à volta do Pinhal, mais passagens e mais casas de guarda iam sendo criadas.

            A Casa de Guarda da Guarda Nova foi construída em 1839 juntamente com as da Mioteira, Forninho, Serraria, Cabeça da Louçã (F), Lagoa Cova e Facho. Esta casa de guarda encontra-se ainda em bom estado de conservação, devendo-se tal facto à sua proximidade com o grande bairro florestal que em meados do passado século ali foi construído e que, ainda nos dias de hoje, vai mantendo algumas das casas habitadas. Mas, outros factores contribuíram para a conservação desta casa, como sejam, por exemplo, a proximidade com a povoação que à sua volta nasceu e, mais recentemente, a cedência à Associação de Pára-quedistas Pinhal Rei, que ali implantou a sua sede desde Junho de 2005.

            Já por várias vezes aqui mostrei e falei da degradação em que se encontram algumas antigas casas de guarda do Pinhal do Rei, e da oportunidade e benefício que a cedência daquelas que ainda se encontram em razoável estado de conservação traria para a sua própria manutenção e para as instituições que delas pudessem fazer uso. A Casa de Guarda da Guarda Nova é disso um bom exemplo.
            Situada no talhão 253, no início do aceiro P, foi esta casa de guarda que deu o nome à povoação na qual se insere, a Guarda Nova. De facto, em 1843, Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, na sua "Memória sobre O Pinhal Nacional de Leiria suas Madeiras e Produtos Resinosos", ao referirem-se a esta guarda, e porque ainda não havia o lugar, dizem: “Junto à Marinha Grande, a que chamam Guarda nova”.
            Esta casa de guarda exibe na sua fachada um painel de azulejos com a inscrição “Guarda Nova”. Este painel, de nome “Pinhal”, está datado de 1932, é da autoria João Pereira Correia, artista pintor marinhense, e foi produzido na Empresa de Louça e Azulejo (E. L. A.) em Aveiro.


A Casa de Guarda da Guarda Nova

Painel de azulejos no exterior da casa
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