A enorme riqueza em lençóis de água e
as muitas nascentes existentes no Pinhal do Rei, conjuntamente com a
necessidade que trabalhadores e animais que na Mata laboravam tinham de matar a
sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um
conjunto de poços e fontes.
Estas fontes, muitas delas existentes
ainda nos dias de hoje, a julgar pelas inscrições que em algumas podemos
observar, caso do Tromelgo e Arrife 20, terão sido construídas, ou
reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer
que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que
ocorrem em vários locais do Pinhal, tal como se pode ainda ver na Fonte das Canas.
No lugar da Ponte Nova existem duas
fontes, situando-se cada uma delas em margens diferentes do Ribeiro de Moel.
Na margem esquerda do Ribeiro de
Moel, a maior destas fontes, e a mais conhecida, foi em tempos, a par com a
Fonte do Tromelgo, uma das mais importantes e concorridas fontes do Pinhal do
Rei. Todos se lembram da qualidade e frescura da sua água, e de como era grande
a afluência da população em sua busca. Munidos do tradicional cântaro de barro
ou do garrafão de vidro, os populares faziam fila esperando pacientemente a sua
vez de encher o vasilhame. Era tão grande a qualidade desta água que, noutros
tempos, quando ainda nem todos tinham acesso à água canalizada e distribuída
pela Câmara Municipal, e porque também não estava ainda vulgarizada a venda de
água engarrafada, chegou a ser comercializada por várias aguadeiras, que ali
enchiam inúmeros cântaros que transportavam depois em carroças de burro até à
Marinha Grande, vendendo porta a porta e pelas fábricas.
Ainda nos dias de hoje, embora sem
comparação com a afluência de outros tempos e apesar das placas junto às fontes
(aqui actualmente desaparecida) avisarem que a água não é controlada, podemos
ver, por vezes, algumas pessoas ali enchendo os seus garrafões, agora
maioritariamente de plástico.
Na sua parede frontal, por cima da
bica, existe uma placa em mármore indicando que esta fonte foi reconstruída
pela Junta de Freguesia da Marinha Grande em Junho de 1995. Mesmo por baixo
desta placa, esteve afixada a partir de 2007, por portaria de 27 de Agosto
desse mesmo ano, uma placa, actualmente já desaparecida, indicando que a água
desta fonte é uma “água não controlada”.
Esta fonte da Ponte Nova foi
recentemente pintada, porém, antes da pintura, deveria ter havido uma cuidada
intervenção ao nível do edificado.
No mesmo lugar da Ponte Nova, na
margem direita do Ribeiro de Moel, um pouco afastada da estrada, existe uma
pequena fonte idêntica às que podemos encontrar na estrada que ladeia o
Ribeiro. O acesso a esta fonte faz-se por um caminho junto à ponte sobre o
Ribeiro, do seu do lado Nascente, ou um pouco mais acima por uma escadaria de
pedra, ou ainda atravessando o Ribeiro por uma ponte pedonal de madeira entre a fonte atrás referida e as ruinas que se diz serem do antigo engenho de serrar do Séc. XIX movido a água, mais
tarde transformado em moinho de cereal.
A designação “Ponte Nova”, atribuída
ao pequeno lugar e às fontes, deriva de, naquele lugar, para se atravessar o
Ribeiro, se terem construído várias pontes “Novas”, sempre em substituição das
antigas e velhas pontes daquele local.
Estranho é que as duas fontes sejam
designadas pelo mesmo nome mas, considerando que a Fonte da Ponte Nova é para toda
a população marinhense a que se situa na margem esquerda do Ribeiro, e não
conhecendo outro nome para a pequena fonte na margem direita do mesmo,
refira-se que foi o próprio Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal
da Marinha Grande e Administrador do Pinhal de Leiria que, em 1938, no seu
livro “Pinhal do Rei”, assim as designou.
Fonte da Ponte Nova
em 2012 – Margem esquerda do ribeiro

Fonte da Ponte Nova
em 2016 – Margem esquerda do ribeiro
Placa
alusiva à reconstrução em 1995
Acessos à pequena fonte na margem direita do ribeiro
Fonte da Ponte Nova
em 2015 – Margem direita do ribeiro
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