sábado, 19 de março de 2016

Fixação e arborização das dunas do Pinhal do Rei e outras matas

            A maior parte das costas marítimas portuguesas estiveram até ao século XIX sujeitas ao avanço das areias que os ventos arrastavam do litoral para o interior levando à formação de desertos de dunas móveis e à consequente desertificação das terras do interior.
            Dizem os historiadores que já D. Dinis, ao incrementar o plantio do Pinhal do Rei, usualmente conhecido por Pinhal de Leiria, teria tido como principal objectivo segurar as areias que os ventos vinham arrastando para o interior. Porém, o certo é que só no início do século XIX se começou a resolver tal problema, tendo os primeiros trabalhos sido ainda realizados em finais do século XVIII, embora sem sucesso.
            Para que se pudessem fazer as sementeiras para fixação e arborização das dunas móveis foi preciso construir primeiro um obstáculo que detivesse as areias transportadas pelo vento, de modo a evitar o soterrar dessas sementeiras. Esse obstáculo veio a ser chamado duna primária e foi construído através da técnica do ripado móvel, se bem que inicialmente também se tenham utilizado as primitivas paliçadas.
            José Bonifácio de Andrada e Silva orientou o início da fixação e arborização sistemática das dunas litorais no começo do séc. XIX (1802) no Couto de Lavos, com coordenação dos trabalhos por parte do Cabo dos Guardas do Pinhal de Leiria Manoel Afonso da Costa Barros.
             Nas zonas a arborizar posteriormente, já defendidas de novos areamentos pela duna primária, espalharam-se sementes de plantas arenosas tais como as de estorno, madorneira, tojo, giesta, camarinheira e sargaço. Mais tarde, para melhor fixação das areias, procedeu-se à sua sementeira com penisco.
            Para a sementeira abriram-se regos, à enxada, paralelos à duna primária e distanciados 1,3 metros entre si. Depois de adubados os regos com rapão (adubo natural do pinhal também designado por manta morta ou humo), espalharam-se no seu interior as sementes que, por seu turno, foram cobertas por uma pequena camada de areia. Em seguida, como forma de protecção às sementeiras, espalhava-se mato para que a sementeira ficasse coberta por ramaria e folhagem, sendo este depois parcialmente enterrado a fim de melhor o fixar no lugar onde tinha sido colocado.
            O mato utilizado na cobertura das sementeiras era proveniente das matas de Foja e Pinhal do Urso, transportados para o Pinhal do Rei por muares, carros de boi ou por via fluvial, onde esse meio de transporte fosse viável.
            A desertificação das costas marítimas não era caso único na zona do Pinhal do Rei, era um problema nacional e a sua resolução atravessou três séculos.

            ● Século XVIII
           Realizados sem sucesso os primeiros trabalhos no final do século.

            ● Século XIX
            Primeiras sementeiras metódicas no início do século.
            Trabalhos regulares a partir de meados do século.
            Intensificação dos trabalhos no final do século.
            Florestados 3000 hectares de dunas do litoral nacional.

            ● Século XX
            Conclusão dos trabalhos de fixação de dunas.
            Florestados novos 34 000 hectares de dunas do litoral nacional.

            Por hectare eram necessárias: 22 carradas de mato, 15 kg de penisco, 5 Kg de sementes de plantas das areias, 4 carradas de mutano para sebes e 15 carradas de rapão. 
         Na arborização das Dunas foram envolvidos vultuosos meios humanos, maioritariamente mulheres. 
           A conclusão dos trabalhos de fixação de dunas móveis do litoral português deu-se apenas por volta de meados do século XX.

Preparando os regos - início do Séc. XX

 Transporte de mato por muares - início do Séc. XX

Transporte de mato em carros de bois - início do Séc. XX

Espalhando o mato - início do Séc. XX
 
Arborização na zona de protecção - Ano de 1954

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