O lugar hoje conhecido na Praia da
Vieira como Tercenas, parece derivar do antigo termo "taracenas", estaleiros ou
armazéns. A construção de tercenas na Praia da Vieira vem da necessidade de
escoamento da madeira e outros produtos do Pinhal do Rei em finais do séc.
XVIII e início do séc. XIX, dado que os portos de S. Martinho do Porto e
Pederneira, em virtude do assoreamento, se encontravam limitados na sua normal
operacionalidade.
Em finais do século XVIII e início
do século XIX, na foz do Rio Lis na Praia da Vieira, realizaram-se trabalhos
para regularizar a foz e o leito do rio, tendo em vista um melhor
aproveitamento agrícola dos campos para benefício da Casa do Infantado e dos
cultivadores. Estas obras viriam simultaneamente restabelecer a navegabilidade
na foz do Lis.
Com estes melhoramentos na Foz do
Lis e dada a situação do porto de S. Pedro de Moel, também ele prejudicado com
os constantes desgastes provocados pelo avanço do mar e pelo grande incêndio
que, em 1824, destruiu uma imensa área florestal à volta de S. Pedro de Moel, D.
João VI publicou, ainda em 1824, o “Regulamento Geral da Fazenda da Marinha”,
no qual determinava que o embarque de madeiras do Pinhal de Leiria se fizesse
na Foz do Rio Lis, onde houve que construir armazéns (tercenas) para
armazenamento de madeiras, penisco, resina, pez e outros materiais a embarcar.

Desapareceu, assim, o embarque de
produtos do Pinhal do Rei na foz do Liz.
Em 1840, mesmo junto às Tercenas, no
sítio do Caes, foi fundada uma fábrica de vidro que na altura produzia apenas
vidraça e cuja laboração se sabe que durou apenas 5 anos.
Foi também nas Tercenas, em 1859,
que os Serviços Florestais utilizaram pela primeira vez um engenho de serrar a
vapor. A máquina foi montada no grande armazém de madeiras, mas, mais tarde,
verificou-se que essa máquina não resolvia como se previra o problema da
serragem das madeiras, desconhecendo-se por quanto tempo laborou esta serração.
Também na foz do Rio Lis,
aproveitando a proximidade do Pinhal, existiu no século XIX um estaleiro de
construção naval, propriedade do Eng. Manuel Luiz dos Santos. Este estaleiro,
instalado no “Caes Velho”, começou a laborar por volta de 1840,
desconhecendo-se ao certo as datas de início de laboração e de encerramento de
actividade. Sabe-se apenas que, a meio da década de sessenta (séc. XIX), já não
existia o estaleiro do Cais. A construção naval mudou-se para as Tercenas
funcionando, junto aos armazéns, em telheiros onde se faziam os saveiros e
outros pequenos navios. Mais tarde, devido ao assoreamento, o movimento no rio
viria a desaparecer e a construção naval passaria a fazer-se na praia, junto à
foz. As construções navais na Praia da Vieira viriam a diminuir em número e
dimensão, desaparecendo por volta de 1899.
Os barracões das Tercenas continuaram provavelmente a ser utilizados como armazéns até ao ano de 1941, sendo depois transferidos para a Serraria, em Vieira de Leiria, junto do edifício da extinta 14ª Administração Florestal. Em 1976 foram aproveitados pela Câmara Municipal da Marinha Grande para instalar o mercado de Vieira de Leiria. Recentemente com a inauguração do novo mercado desapareceram definitivamente.
Os barracões das Tercenas continuaram provavelmente a ser utilizados como armazéns até ao ano de 1941, sendo depois transferidos para a Serraria, em Vieira de Leiria, junto do edifício da extinta 14ª Administração Florestal. Em 1976 foram aproveitados pela Câmara Municipal da Marinha Grande para instalar o mercado de Vieira de Leiria. Recentemente com a inauguração do novo mercado desapareceram definitivamente.
Depósito e serração
de madeiras nas Tercenas - Início do séc. XX
As Tercenas - anos 30
do séc. XX
Muito interessantes estes registos! Gosto muito de história dos locais (e não só).
ResponderEliminarObrigada.
Eu é que agradeço as suas visitas e comentários.
EliminarObrigado Graça Sampaio.
Embora passem 9 anos após a publicação, posso acrescentar que através dos livros de passaportes da câmara de vila do conde, em 18 de outubro de 1836, saem desta vila 12 carpinteiros de machado com destino a Vieira, vão no seu ofício, portanto há atividade de construção naval de embarcações de porte considerável em Vieira e Vila do Conde terá contribuido para tal.
ResponderEliminarAntónio Carmo