sábado, 7 de abril de 2012

Os Guardas-florestais e o fim da classe

            Apesar das excepcionais qualidades de trabalho que ao guardas-florestais sempre foram exigidas, e da conduta exemplar que desde sempre mantêm no rigoroso desempenho das missões para que são solicitados, esta classe foi em tempos sacrificada, tendo ordenados muito baixos.
            Em 1928, para amenizar a situação de vivência dos guardas, organizaram eles próprios, com a ajuda e incentivo do então Administrador da Circunscrição Florestal, Eng.º António Arala Pinto, o seu Grémio Florestal.
            Este Grémio funcionou no Parque Florestal do Engenho em instalações cedidas pelos Serviços Florestais, sendo criadas as seguintes obras de carácter social: um grande salão para festas e convívio, uma pequena Biblioteca com serviços de direcção e secretaria, uma Cooperativa de Consumo onde podiam ser adquiridos produtos de mercearia e vestuário a preços mais vantajosos e ainda uma Lutuosa que, em caso de morte de um guarda, pudesse monetariamente ajudar a família enlutada nas despesas com o funeral.
              A situação económica e social dos guardas-florestais melhorou nos últimos anos do século XX.
             Em 1980, segundo o Ordenamento Florestal, o Corpo de guardas florestais era composto por 4 mestres e 29 guardas. Por essa altura, todos os guardas e mestres, assim como a maioria do pessoal especializado, viviam em casas construídas pelos Serviços Florestais em zonas perto das povoações, tendo sido progressivamente abandonadas as antigas casas de guarda no interior do Pinhal.
            Actualmente, não há guardas florestais. Eles foram integrados em 2006 no Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

Edifício do antigo Grémio Florestal no Parque Florestal do Engenho

Bairro Florestal de Pedreanes - anos 50 do séc. XX

2 comentários:

  1. Caro JM Joelalves
    Não imagina o gosto que dá recordar grande parte da minha vida através dos seus posts. Desde miudo que vivi ligado ao pinhal (nasci e fui criado no Pinhal da Feira). As casas das matas ainda hoje exercem um grande fascínio. Durante os ultimos 20 anos fazia o trajecto diário, Marinha-Vieira. Aquela casa de Pedreanes com aquele grande pinheiro manso é das coisas mais bonitas que me era dado ver diáriamente.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Cumprimentos
    Rodrigo

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  2. Actualmente integrados no SEPNA da GNR as tarefas atribuidas a estes profissionais só muito vagamente se aproximam daquilo que são: Guardas Florestais! São mais pessoal de limpeza e moços de recados dos militares,
    para além do facto que essa integração fez aumentar e muito a despesa. Para além de outras considerações que não cabem aqui (nem sequer sei se publicam o comentário) a integração no SEPNA foi obra de quem não percebe nada de floresta e foi do ponto de vista da gestão uma asneira de aluno do 1º ano.

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