quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Bernardino Barros Gomes

         Nasceu em Lisboa, no dia 30 de Setembro de 1839.
         Bacharel em Matemática e licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra em 1860, partiu nesse mesmo ano para a Alemanha, onde frequentou a Academia Florestal de Tharandt, cujo curso concluiu em 1862. No ano seguinte regressou a Portugal e ficou adido à Repartição de Agricultura. Veio para a Marinha Grande em 1866 para elaborar a planta cadastral do Pinhal, sendo nomeado Administrador das Matas. A reforma do regulamento do serviço das Matas Nacionais, em 1872, dividiu o país em 3 divisões florestais: Bernardino Barros Gomes foi nomeado Chefe da Divisão do Norte até 1874. De 1874 a 1879 foi Chefe da Divisão Florestal do Sul, terminando as suas funções como Chefe da Divisão Florestal do Centro, de 1879 a 1883.
          Na sequência dessa reforma foi elaborado o ordenamento geral das matas do sul e do Pinhal de Leiria, ambas apresentadas por Bernardino Barros Gomes. De facto, foi este engenheiro florestal quem iniciou os Ordenamentos (trabalho que se elabora de 10 em 10 anos e tem por fim programar todo o desenvolvimento do Pinhal, dando a conhecer também a sua situação geral), com a criação de talhões, aceiros e arrifes que serviam não só como caminhos mas como verdadeiras linhas de fogo. Foi Bernardino Barros Gomes quem propôs a construção das primeiras estradas: Marinha Grande – S. Pedro de Moel, e Marinha Grande – Vieira de Leiria, além das estradas no próprio Pinhal. A ele também se deve o levantamento com rigor da primeira planta do Pinhal, a criação da primeira escrituração técnica, a construção dos primeiros pontos de vigia contra incêndios e instalação dos primeiros postos de meteorologia. Procedeu igualmente a vários estudos sobre sementeiras e resinagem. O profundo conhecimento que tinha de todas as regiões do país, ao nível florestal e agrário, permitiu-lhe apresentar a primeira divisão regional de Portugal com base nas características naturais, reconhecendo pela primeira vez as espécies do género Quercus como as árvores dominantes na paisagem portuguesa. Das “Cartas Elementares de Portugal”, publicadas em 1878, foi feita uma reedição em 1990 dada a sua importância para a história da geografia em Portugal. São de sua autoria trabalhos como “Levantamento rigoroso da planta do Pinhal de Leiria “, em 1866, e “Relatório da Comissão nomeada para estudar a influencia da resinagem no Pinhal de Leiria”, de 1881.
          Nas palavras de Arala Pinto, Bernardino Barros Gomes foi o primeiro apóstolo da exploração técnica da floresta, um homem inteiramente dedicado ao trabalho, tenaz e afável. Pontual na chegada ao local de trabalho, dormia por vezes nas casas de guarda para não perder tempo nas deslocações, e partilhava as refeições dos subordinados.
          Em 1879 enviuvou e pediu a exoneração do cargo. Entrou na Congregação da Missão, sendo ordenado presbítero em 1888, no Convento de Arroios, em Lisboa. Foi aí que no dia 4 de Outubro de 1910, uma bala perdida o atingiu mortalmente.


IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

3 comentários:

  1. Ao efectuar uma pesquisa sobre a vida e obra do Engenheiro Bernardino Barros-Gomes,tomei conhecimento desta interessante nota biográfica acerca daquele.No entanto,chamo a atenção para o facto de não corresponder à verdade haver o mesmo sido atingido mortalmente "por um bala perdida". As circunstâncias em que foi barbaramente assassinado estão relatadas na obra «Padre Barros-Gomes,victima da República», da autoria do Pe.Bráulio Guimarães, C.M., reeditada por Alêtheia Editores,2006, com prefácio de D.Manuel Clemente,actual Cardeal Patriarca de Lisboa.

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    1. Caro Joaquim Rebelo

      Como pode ver pelos créditos que atribuo nesta mensagem acerca da biografia de Bernardino Barros Gomes, a mesma não é da minha autoria. Trata-se de um cartaz com a biografia de Bernardino Barros Gomes que, juntamente com outros, fizeram parte da exposição “Factos e Personalidades do Pinhal do Rei” que esteve patente na Galeria Municipal da Marinha Grande em Março de 2011 e que depois passou por algumas cidades do mosso país.
      Sendo o objectivo principal deste Blog dar a conhecer o presente e algum do passado histórico do Pinhal do Rei e dos concelhos que lhe ficam próximos, interessava-me especialmente divulgar a excelente contribuição que Bernardino B. Gomes deu a esta mata e tantas outras por esse Portugal. Assim, não achei importante fazer qualquer observação ao que o autor (que não conheço) da biografia escreve sobre a morte de Bernardino Barros Gomes. Pela mesma razão, talvez o próprio autor dessa biografia quisesse amenizar o acontecimento.
      De facto, a tomar como certo o que foi descrito pelo Pe. Bráulio Guimarães, autor do livro que refere (que também possuo), a morte de Bernardino B. Gomes deu-se, como diz, em circunstâncias trágicas.
      Em todo o caso, muito obrigado pelo seu comentário.

      JM Gonçalves

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  2. Agradeço o seu esclarecimento.Não foi minha intenção polemizar acerca deste assunto, mas, apenas,publicitar a verdade dos factos,certamente avalizada pelo eminente Autor do prefácio. Aproveito a oportunidade para felicitá-lo pelo excelente trabalho de divulgação representado por este "blog".

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