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Mensagens

A Bruxa da Crastinha

            Em 1993, Francisco Oneto Nunes, em “Vieira da Leiria – A História, O Trabalho, A Cultura”, no capítulo VII – “A Doença, a Crença, o Sobrenatural…”, relata algumas histórias que lhe foram contadas durante a sua permanência na Vieira, sendo que, como refere, «todos estes materiais – crenças, orações, práticas mágicas, etc. – que agora (1993) se trazem a público, fazem parte do património cultural da freguesia da Vieira de Leiria e merecem o melhor respeito.».             Num desses relatos a Sra. Júlia Carriça, de 77 anos, depois de já ter avançado com duas histórias de bruxaria, conta mais uma, que, supostamente, teria acontecido no Ponto de Vigia da Crastinha .             Embora o Português, escrito, não seja o melhor, talvez o autor tivesse querido aproximar a escrita do relato oral, achei curiosa a história e, no dia de hoje, e porque se desenrola no Pinhal, decidi publicá-la. ...

O incêndio de 2003

            Este incêndio ocorreu nos dias 2 e 3 de Agosto de 2003. Destruiu uma área de cobertura vegetal com cerca de 2563 hectares, cerca de 1/4 da área total da Mata, constituída 98% por Pinheiro-bravo, dos quais 2060 em zona de produção e 503 na zona de protecção. Iniciou-se junto ao areeiro (talhão 139) e propagou-se para Norte, quase até Vieira de Leiria, extinguindo-se apenas quando encontrou o aceiro exterior . Foi o maior incêndio ocorrido no Pinhal desde 1824, ano em que ocorreu aquele que foi o maior incêndio conhecido no Pinhal do Rei até 2017. Fonte: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 Cartografia do incêndio de 2003 In: Ferreira, Octávio, Galante, Miguel – Mata Nacional de Leiria: sinopse do grande incêndio florestal de Agosto de 2003. Lisboa: Direcção-Geral dos Recursos Florestais, 2004 ...

O fabrico de carvão

            Perde-se nos tempos a origem da transformação de madeira do Pinhal do Rei em carvão. Uma das primeiras referências a esta actividade encontra-se num texto escrito cerca de 1470, onde o povo da região se queixava ao Rei D. Afonso V por não lhes ser permitida a recolha de lenha para carvão em propriedades abandonadas pelos seus donos.             Em 1605, no Regulamento para o Monteiro-mor, o Rei Filipe II, protegendo o Pinhal contra cortes abusivos não licenciados, proibia, em todas as matas e coutadas, dentro da sua demarcação, o fabrico de carvão.             O Marquês de Pombal, no seu regulamento de 1751, fez referência a esta actividade, autorizando que, para tal efeito, se retirasse lenha do Pinhal.             Em 1841, na carta topográfica do Pinhal, feita pelos oficiais da Armada Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, exist...

Aconteceu em Vieira de Leiria: "O Caso do Regente Florestal"

Recortes do publicado em: “A Voz do Povo – Órgão das Comissões Políticas do Partido Republicano Português do Distrito de Leiria"; Nº 122; 22 de Abril de 1926 In: https://digitarq.adlra.arquivos.pt/viewer?id=1080309

O Pinhal do Rei e o Centro Ciência Viva da Floresta

            “O Centro Ciência Viva da Floresta, em Proença-a-Nova, é parte integrante da rede nacional de vinte Centros Ciência Viva distribuídos por todo o país e que surgem como um dos eixos de atuação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica (Ciência Viva), criada em 1996 para promover a cultura científica e tecnológica na sociedade portuguesa.” (1)             O Centro Ciência Viva da Floresta, a funcionar desde Julho de 2007, (…) “oferece aos cidadãos experiências e recursos para incorporarem a ciência na sua cultura e assim capacitá-los para compreenderem o mundo em que vivemos.”. (2)             O espaço de exposição deste Centro inclui uma grande diversidade de fotografias, produtos, utensílios, exemplares de arvoredo e pequenos animais (peixes de rio ou lagos; formigas) ligados às florestas e à sua exploração.             Em grande n...

O Caminho das Tábuas e das Varas

            Durante centenas de anos, praticamente até metade do século XIX, os transportes usados no Pinhal do Rei para transportar quaisquer produtos foram os carros de tracção animal , maioritariamente puxados por bois, sendo também muito utilizadas a tracção equina e asinina. Tudo era feito por veículos de tracção animal, desde as sementeiras até ao escoamento dos produtos do Pinhal, incluindo o transporte das lenhas para a Fábrica dos Vidros ou de madeiras para os portos de embarque, donde seguiam depois por via marítima.             Sendo muito vagarosos, este tipo de transportes levou a que se procurassem formas de transporte mais evoluídas para o escoamento dos produtos do Pinhal.             Ora, porque o porto na Praia da Vieira foi usado durante quase todo o Século XIX, sabe-se que, já em 1840, existia um caminho destinado a facilitar o trajecto entre Pedreanes e os grandes armazé...

A Fábrica Resinosa

             O Regulamento de 1790 para o Pinhal de Leiria, do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro, que dá ordem para construção de uma nova fábrica de pez em S. Pedro de Moel, regula também a Fábrica Resinosa, situada no lugar do Engenho em conjunto com a Fábrica da Madeira. Assim, esta fábrica é anterior à de S. Pedro de Moel, não sendo possível, no entanto, conhecer a data da sua construção. Contudo, a existência de fornos de pez no mesmo local, desde há muito, leva a crer que esta fábrica tenha resultado da natural evolução técnica que vinha a ser implementada há alguns anos e da passagem do Estado à situação de proprietário, passando a produzir pez e outros produtos de base resinosa e a aproveitar os grandes lucros do fabrico destes produtos.             Esta fábrica possuía dezasseis fornos quando, em 1810, foi destruída pelas tropas invasoras, na altura das Invasões Francesas.       ...