“O regresso do Comboio de Lata”,
como título desta mensagem, bem poderia na realidade estar relacionado com a
recuperação do antigo Comboio de Lata e o seu regresso à circulação no Pinhal
do Rei, transportando a população marinhense e turistas que nos visitassem em
direcção às nossas praias ou em passeios pelo Pinhal, dando a conhecer a
grandiosidade e a beleza da nossa Mata.
De regresso estaria este pequeno
comboio histórico, a vapor, que tanto contribuiu para o desenvolvimento do
Pinhal do Rei e que, quando deixou de ser necessário, se pôs de parte e se
entregou o seu destino às mãos do sucateiro.
De regresso estariam também os
passeios em dias festivos, como a Quinta-Feira de Ascensão ou o Primeiro de
Maio, à semelhança de outros tempos em que o comboio era cedido à
população para passeios na Mata ou idas à praia.
Porém nada disto é real, pelo menos
por cá…
A maioria dos marinhenses desconhecem, em parte, o sucedido ao nosso comboio, a partir do momento em
que ele desapareceu do nosso Pinhal. Sabemos que, em 1967, todo o conjunto que
compunha o Comboio de Lata, máquinas, carruagens e carris, foi vendido em hasta
pública, para sucata, à porta da Repartição de Finanças da Marinha Grande.
Uma das três máquinas e uma
carruagem de passageiros foram adquiridos pela Câmara Municipal e em 1974 foram
colocados em S. Pedro de Moel, pretendendo-se mostrar ou apenas recordar, o que
tinha sido o célebre “Comboio de Lata”. Mas sem a adequada protecção, o
comboio foi alvo de vandalismo e em poucos anos estava já em avançado estado
de degradação.
Em 1996, por iniciativa da Junta de
Freguesia da Marinha Grande, a locomotiva foi retirada de S. Pedro de Moel e
exposta na Feira de Artesanato e Gastronomia na Marinha Grande e, em 1997, a
mesma Junta promoveu o restauro da velha locomotiva.
Em 2011, em mais uma edição da Feira
de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande, a Junta de Freguesia voltou
novamente a expor a velha locomotiva.
Mas, então, o que foi feito das
outras duas locomotivas?
Conheci recentemente Carlos Gomes, jovem marinhense, profundo conhecedor e entusiasta da ferrovia, que, do
muito que tem pesquisado, muito nos tem a dizer acerca do nosso Comboio de
Lata. É com o seu contributo, e também socorrendo-me de dados retirados da
Internet, em http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php, que muito se pode acrescentar à história deste meio de transporte que serviu no nosso Pinhal.
Das três locomotivas, duas estavam
assinaladas com placas, alusivas à sua propriedade em favor das Matas
Nacionais, com os dizeres “MNN1” e “N2"+"MN”, o que queria dizer “Matas Nacionais
Nº 1” e “Matas Nacionais Nº 2”, sendo que, a terceira, a que ainda hoje está na
Marinha Grande, não tinha qualquer indicação (que se saiba).
Recorde-se que parte deste comboio veio
para Portugal como forma de pagamento de indemnizações por danos de guerra, a
que a Alemanha, perdedora da Guerra 1914/18, tinha sido obrigada a pagar aos
países vencedores.
Da locomotiva designada como “N2"+"MN”, desconheceu-se durante muitos anos o paradeiro. Porém, em complemento de informação, acrescentado em 2015 a esta mensagem, sabe-se que se encontra ainda em Portugal, onde, em pedestal, vai servindo de ornamentação exterior numa
quinta de organização de eventos.
Quanto à locomotiva “MNN1”, depois de vendido todo
o conjunto ferroviário, acabou por ser exposta como atracção turística no exterior de um
café em Cascais.
Em 1983, foi vendida para a
Inglaterra, onde, após algumas mudanças de propriedade, por volta de 1984, foi adquirida por
um antiquário de material ferroviário. Foi restaurada e logo entrou de novo ao
serviço, mas problemas na caldeira levaram a que, posteriormente, fosse retirada.
Em 1996, depois de reparada, a
“MNN1” voltou a circular sendo usada alguns domingos de Verão e fins-de-semana
de eventos especiais numa quinta de turismo rural em Inglaterra.
E dito isto, por fim, é caso para
dizer que o Comboio de Lata está de regresso, ou pelo menos uma parte dele, só
é pena que não seja no nosso Pinhal do Rei, mas sim, geograficamente, tão
distante.
Construída na Alemanha em 1922 pela Orenstein & Koppel, a “MNN1” das Matas Nacionais faz este
ano 90 anos. Para assinalar
o seu aniversário, vão realizar-se durante o mês de Julho algumas actividades
na dita quinta em Inglaterra, em que a estrela será a locomotiva “MNN1”. Os
ingleses chamam-lhe agora Elouise.
E daqui, à distância, eu e julgo que todos os
marinhenses que a vimos circular no nosso Pinhal do Rei, dir-lhe-emos: Happy
Birthday Eloise.
A “MNN1” à entrada da
Guarda Nova nos anos 20 do Séc. XX.
(Foto gentilmente
cedida por Carlos Gomes)
A “MNN1” exposta no
exterior de um café em Cascais nos anos 60 do Séc XX.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php
A “MNN1” em 1984 à
chegada a um antiquário em Inglaterra.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” antes de
1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php
A “MNN1” antes de
1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php
A “MNN1” antes de
1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php
Transporte da
“MNN1”para Porthmadoc em 1996.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php
A “MNN1” no Leighton
Buzzard railway em 1996.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php
A “MNN1” no Leighton
Buzzard railway.
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php
A “MNN1” no Leighton
Buzzard railway.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php
A “MNN1” no Leighton
Buzzard railway em Julho de 2012
com placa alusiva à comemoração dos seus 90
anos após o fabrico
In:
http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php










É um pedacinho da nossa história que nos fugio para mãos alheias!Tenho pena que as coisas funcionem desta maneira...
ResponderEliminartenho muita nostalgia deste riquissimo pedaço da n/historia, que eu vivi, quando tinh os meus 8 a 10 anos. Passeei, (num) deste comboio, algumas vêses, a caminho de S.Pedro (praia)---Um Marinhence, que tem hoje 71 Anos---
ResponderEliminarTambém ainda sou 'Marinhense' (com 80 anos)- e me recordo de ser transportado numa destas "maquinas", várias vezes á praia de São Pedro de Moel. Com algum medo, próprio da minha tenra idade, à época, (8/10 anitos +_ ) Não vou relatar mais; - pois estas 'Histórias' trazem-me muita Nostalgia, e me deixam algo - SENCIBILISADO - (meus agradecimentos, a quem ainda, publica estas histórias/reais, nos tempos de hoje.)
ResponderEliminar