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Mensagens

As Tercenas

            O lugar hoje conhecido na Praia da Vieira como Tercenas, parece derivar do antigo termo "taracenas", estaleiros ou armazéns. A construção de tercenas na Praia da Vieira vem da necessidade de escoamento da madeira e outros produtos do Pinhal do Rei em finais do séc. XVIII e início do séc. XIX, dado que os portos de S. Martinho do Porto e Pederneira, em virtude do assoreamento, se encontravam limitados na sua normal operacionalidade.             Em finais do século XVIII e início do século XIX, na foz do Rio Lis na Praia da Vieira, realizaram-se trabalhos para regularizar a foz e o leito do rio, tendo em vista um melhor aproveitamento agrícola dos campos para benefício da Casa do Infantado e dos cultivadores. Estas obras viriam simultaneamente restabelecer a navegabilidade na foz do Lis.             Com estes...

A serração braçal

            Depois de abatida a árvore com o machado ou com a serra de punhos, esta era cortada em toros nas medidas exigidas pela futura aplicação que teriam.             Para transformação dos toros (a que chamavam falca) em tábuas ou barrotes, a falca era içada e montada em cima de uma espécie de cavalete (a que chamavam burra). Iniciava-se então a serragem com um serrador em pé em cima da falca e o outro no solo. À custa de grande esforço físico, os 2 serradores faziam uso da grande serra braçal, puxando-a para cima e para baixo.             Esta profissão artesanal resistiu até às primeiras décadas do século XX, apesar da existência já de serrações mecânicas. As dificuldades de transporte dos grandes troncos até essas serrações, permitiu que se continuasse a fazer a serragem de madeiras junto aos locais de co...

Martelos florestais

            Como medida de prevenção contra abusos que se vinham a praticar em relação à madeira retirada do Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria), em 1751, o Marquês de Pombal no seu “Regimento para o Guarda Mor dos Pinhaes de Leiria e Superintendente da Fábrica da Madeira da Marinha” ordenava que os ferros (martelos florestais) com as marcas a marcar na madeira cortada no Pinhal de Leiria fossem, por motivos de segurança, guardados num cofre existente na “Fábrica da Madeira” no lugar do Engenho na Marinha Grande, não permitindo que andassem pelas mãos dos Mercadores fora das ocasiões precisas. Martelo florestal Patente de 11 a 26 de Outubro de 2008 na exposição "700 Anos de Floresta – Exposição Fotográfica do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens) Martelo florestal e marcas na madeira Patente de 11 a 26 de Outubro de 2008 na exposição "700 Anos de Flores...

O derrube de lenha

            No início dos anos 40 do século passado, falando da vida social das famílias marinhenses ligadas ao Pinhal do Rei, ou que de lá retiravam algum acréscimo aos seus rendimentos mesmo quando ligadas a outras fontes de rendimento como a indústria do vidro, Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei” diz-nos a dada altura:             “A vida destas famílias é feita ainda pelo somatório do trabalho de cada um dos seus membros. O homem foi para a fábrica acompanhado do filho de 13 anos (…). O filho de onze anos foi para o pinhal derrubar lenha, a mãe ficou em casa a cuidar da alimentação do porco. A filha de 15 anos irá à tarde com a carrocita do burro ou com o carro da vaca carregar a lenha que o seu irmão foi derrubando durante o dia, subindo a pinheiros de 30 metros de altura e com um pequeno podão cortar em cada árvore uma ou duas braças secas. Essa lenha ou é para ...

António Arala Pinto

            Nascido na Ribeira, Ovar, a 13 de Outubro de 1888, formou-se em Engenharia Silvícola pelo Instituto Superior de Agronomia. Foi colocado na 3ª Circunscrição Florestal (Mata de Leiria), em 1922, sendo nomeado chefe da Circunscrição em 1927.             Notabilizou-se não só pelo seu trabalho dentro do Pinhal, que alindou e desenvolveu, como também por escritos relativos às Matas, à indústria vidreira e a problemas sociais. Foi durante a sua administração que se realizaram obras importantes, como a sementeira das dunas a sul da Senhora da Vitória (Paredes), em 1927; o estudo de novos processos de resinagem, em 1933; a construção de novas estradas, num total de 70 Km, entre as quais a famosa Estrada dos Vidreiros; a construção de caminhos e trilhos para facilitar a deslocação dos guardas em bicicletas (que ele conseguiu obter); a construção de várias fontes e poços; ...

A Fonte de S. Pedro de Moel

            Rico em lençóis de água, o Pinhal do Rei possui ainda hoje um conjunto de fontes construídas pelos Serviços Florestais a partir de 1909. Nestas fontes matavam a sede os trabalhadores e os animais que no Pinhal laboravam.             A Fonte de S. Pedro de Moel, construída pela Administração das Matas a pedido de uma comissão de moradores e alguns frequentadores, constituiu, na altura, um melhoramento assinalável para esta praia.             Potável e de muito boa qualidade, a água vinha canalizada directamente da nascente situada no vale ali próximo.             Construída no talhão 304, esta fonte foi construída em 1911 sendo renovada em 1917 quando se substituiu a tubagem inicial e se procedeu à instalação do actual fontanário em pedra lioz. ...

O Ciclone de 1941

            Em 15 de Fevereiro de 1941, um grande ciclone derrubou no Pinhal do Rei cerca de 165 000 árvores, entre as quais grande quantidade de espécies exóticas, raras e seculares.             A queda de tão grande quantidade de árvores obstruiu a grande maioria das estradas e deixou o Pinhal de tal forma emaranhado que a recuperação dessas árvores demorou anos a fazer-se.             Sabe-se que as 165 000 árvores foram transformadas em 96 114m³ de madeira serrada e 30 000 esteres de lenha para os fornos do vidro. Para armazenar a madeira foram construídos grandes armazéns na Marinha Grande e em Coimbra, para onde foram enviadas as melhores madeiras, destinadas à Direcção dos Serviços dos Monumentos e Edifícios Nacionais. Efeitos do ciclone de 1941