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A mostrar mensagens com a etiqueta Exploração florestal

Árvore de interesse público - Talhão 274

Este pinheiro, situado no talhão 274 do Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria), faz parte da lista completa das árvores notáveis, classificadas como árvores de interesse público do Pinhal do Rei e do Concelho da Marinha Grande, que aqui coloquei e que, tal como outros, “pela sua forma, idade e dimensão, justificam que sejam preservados, respeitados e apreciados”. A partir de 1892, com a elaboração do primeiro Ordenamento, o Pinhal passou a ter uma exploração ordenada. Os cortes em povoamentos sujeitos a regeneração passaram a ser rasos (talhão completo), seguidos de sementeira natural a partir de sementões, já usados desde a Época Pombalina, sendo este exemplar um dos mais antigos sementões que se conhecem no Pinhal do Rei. Assinalando o interesse desta árvore, existia a seu lado, em 2008, uma placa identificando-a, estando actualmente desaparecida.
Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 274 Nome científico: Pinus pinaster Aiton Nome vulgar: Pinheiro-bravo Descrição: Árvore isolada Idade a…

Lenhas do Pinhal do Rei concedidas à indústria vidreira

Durante muitos anos usou-se a lenha como combustível nas fábricas de vidro, razão pela qual as grandes fábricas se situavam normalmente junto das grandes florestas. No século XVIII, existia já, a sul do Rio Tejo, na antiga vila de Coina, a Real Fábrica dos Vidros da Coina, cuja lenha para funcionamento dos fornos vinha da zona florestal constituída pelo antigo Pinhal de Vale de Zebro e pela Quinta da Machada, hoje em dia designada Mata Nacional da Machada. Em meados do século, problemas de vária ordem terão inviabilizado e levado ao encerramento a Real Fábrica dos Vidros da Coina sendo que, por certo, entre esses problemas, estaria a ameaça de falta de madeira e lenha dado o grande consumo dos seus fornos, o que inviabilizaria a sua continuação e levaria, também, a própria cidade de Lisboa a uma eventual falta destes produtos, que tanta falta faziam à sua população. Assim, o Administrador Geral John (João, como por cá é conhecido) Beare (um irlandês) transferiu a fábrica para a Marinha …

A Fábrica dos Franceses

Lembro-me de em criança ir algumas vezes para a brincadeira, com amigos daquela época, para a fábrica dos franceses. Vivia nesse tempo na zona do Casal de Malta e o dito lugar de brincadeira ficava para lá (a sul) do Pinhal da Feira, assim chamado por ali se realizar mensalmente uma feira de gado, porcos. Era a feira dos porcos. Depois de atravessado o pinhal, atravessava-se também o caminho-de-ferro do oeste, a “linha do comboio” como nós dizíamos, apanhando-se depois um antigo carreiro em direcção a Este. Bem rápido chegávamos ao local, pois não era longe dali. Sei hoje que aquela zona fora outrora conhecida como Pinhal dos Cortiços. Era uma zona muito frondosa, com grandes árvores e muitas plantas, onde proliferava a cana-da-índia que nós usávamos nas nossas brincadeiras. Já em ruínas, havia um enorme palacete, residência do administrador da fábrica, que nós visitávamos e que tinha uma cave onde alguns dos meus amigos desciam por vezes munidos de lanternas, mas onde, eu, talvez por rec…

A Serração de Pedreanes

Em 1952, para um plano de construção e renovação de edifícios, o Estado pediu aos Serviços Florestais grandes quantidades de madeira de boa qualidade. Para melhor seleccionar, trabalhar e controlar a madeira fornecida, foi decidido construir uma grande serração nos próprios Serviços Florestais. Esta foi montada em Pedreanes, nesse mesmo ano, e trabalhou exclusivamente durante muitos anos para os Serviços Florestais de todo o País. Nos últimos anos da sua laboração foi aberta a venda a particulares fornecendo madeira da melhor qualidade, tratada e trabalhada. Encerrou por volta dos últimos anos do passado Século. Na fotografia que tive oportunidade de tirar em 2002, representando o seu interior, ainda era visível no solo a malha de barrotes que constituía o parque de secagem, sobre a qual assentavam as madeiras trabalhadas conforme se vê na fotografia dos anos 50 do passado século aqui reproduzida. Essa malha de barrotes foi mais tarde retirada. Nos dias de hoje, a serração vai servindo de…

Acerca do edifício da antiga Fábrica de Resinagem

Situado no centro tradicional da Marinha Grande, o edifício da antiga Fábrica de Resinagem, recentemente reabilitado, passou a albergar dois espaços museológicos em conjunto com alguns serviços camarários.
O Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) do Museu do Vidro está instalado desde 19 de Outubro de 2013 no “cubo de vidro”, edifício construído no pátio interior da velha fábrica, onde, no princípio do Século XX, ao lado de um pequeno jardim e lago interiores funcionou o depósito e purificação de resinas. 
Já a Colecção Visitável do futuro Museu da Indústria de Moldes, patente desde o passado dia 13 Dezembro, ficou instalada no próprio edifício da antiga resinagem.
Creio não haver dúvidas de que estes novos espaços museológicos representam dois dos mais importantes sectores da indústria do nosso concelho. Porém, se nos lembrarmos da origem deste edifício, construído em 1859 para albergar a “Fábrica de Resinagem” desenvolvendo novos processos de fabrico e incrementando a indústria das resinas…

O Pinhal do Rei no Biosfera

Acerca da estratégia de recuperação do Pinhal do Rei após o temporal de Janeiro último, sobre, o estado da ribeira de S. Pedro de Moel e da estrada que a acompanha, ainda encerrada à circulação, os problemas com as espécies infestantes, e também sobre o rendimento e a despesa que origina a Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, o programa “Biosfera”, exibido na RTP2 no passado Domingo, 20 de Outubro, trouxe-nos importantes esclarecimentos. Para quem não teve a oportunidade de acompanhar o programa em directo, aqui fica o vídeo.

O edifício da Fábrica de Resinagem da Marinha Grande

Em 1859, foi construído o edifício da Fábrica da Resinagem e iniciava-se a sua laboração. Com uma área de 4250 m², este edifício, de estilo “Pombalino”, foi projectado por Bernardino José Gomes, cuja fábrica também dirigiu. Esta fábrica trabalhou de início por conta dos Serviços Florestais sendo mais tarde, a partir de 1868, arrendada a particulares. Em 1940, com a mudança de instalações por parte do último arrendatário, dá-se o encerramento da fábrica. O edifício regressou à posse dos Serviços Florestais e em 1941 foi cedido à Câmara Municipal da Marinha Grande. Ali foram instalados, em 1942, o Mercado Municipal e, mais tarde, a Biblioteca Municipal e a Repartição de Registo Civil. Anteriormente, já os Serviços Florestais tinham cedido a título precário algumas das dependências e anexos: ● Em 1900, para instalação dos Bombeiros Voluntários ● Em 1918, para instalação do quartel da GNR ● Em 1924, para instalação da Central Eléctrica ● Em 1925, para instalação do posto médico da Cruz Vermelha …

O engenho de serrar madeira movido a energia eólica

Existiu no Século XVIII na Marinha Grande um engenho de serrar madeira movido a energia eólica. Foi o Rei D. João V que, por volta de 1724, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande este engenho movido a vento. Totalmente construído em madeira por engenheiros holandeses foi montado onde hoje é o Parque Florestal do Engenho e, embora o seu funcionamento estivesse condicionado a vento certo e moderado, trabalhou cerca de 50 anos. O Marquês de Pombal, em 1751, interessando-se pelo engenho e pela sua segurança, mandou murar todo o recinto e criou o regulamento da “Fábrica da Madeira”. Nesse regulamento pretendia-se o controle estatal desta actividade, centrando-a exclusivamente no “engenho” e na “Fábrica da Madeira". Para isso mandava o Regulamento “extinguir inteiramente todas, e quaisquer serrarias de mão que haja no Pinhal, ou na Vieira” e, reconhecendo a necessidade de alguma madeira continuar a ser serrada manualmente por nã…

O Pinhal do Rei em 1912

Com o título “A nossa riqueza florestal e o vandalismo”, este artigo, publicado na “Ilustração Portuguesa” em 30 de Junho de 1912, relata factos e acontecimentos ocorridos no Pinhal do Rei à data da sua publicação. As fotografias são do distinto fotógrafo amador da Marinha Grande, Sr. João de Magalhães Junior. In: Ilustração Portuguesa nº 329 de 30 de Junho de 1912 (extractos do publicado) © Hemeroteca Digital
In: Ilustração Portuguesa nº 329 de 30 de Junho de 1912 © Hemeroteca Digital

Os pinheiros em Portugal

Um pequeno artigo publicado na revista “O occidente : Revista illustrada de Portugal e do estrangeiro” em Dezembro de 1879 dava conta da importância, para o país, das matas de pinheiro e dos produtos que produziam. O artigo, da autoria de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, administrador do Pinhal de Leiria entre 1882 e 1886, faz também referência a um pinheiro bravo gigante existente, à época, no Pinhal de Leiria.
In: "O Occidente" nº 48 de 15 de Dezembro de 1879 © Hemeroteca Digital

O feixe de caruma

A “Ilustração Portuguesa – Revista Semanal dos Acontecimentos da Vida Portugueza”, um suplemento semanal do Jornal “O Século”, publicou, em 30 de Setembro de 1922, o poema intitulado “O feixe de caruma”. Não sabemos, naturalmente, onde ou em que mata o autor se inspirou quando escreveu tal poema mas, não sendo relevante, poderia ter sido porventura no nosso Pinhal do Rei, onde, durante séculos, a apanha de caruma foi uma actividade que muito ajudou no sustento de grande parte da população que, do Pinhal, a retirava gratuitamente para seu uso próprio ou comercialização.

In: Ilustração Portuguesa nº 867 de 30 de Setembro de 1922 © Hemeroteca Digital

A tracção animal no Pinhal do Rei

Durante centenas de anos, praticamente até metade do século XIX, os transportes usados no Pinhal para transportar quaisquer produtos foram maioritariamente os carros puxados por bois, sendo também muito utilizados os carros puxados por burros. Tudo era feito por veículos de tracção animal, desde as sementeiras até ao escoamento dos produtos do Pinhal, incluindo o transporte das lenhas para a Fábrica dos Vidros ou de madeiras para os portos de embarque, donde seguiam depois por via marítima. Conforme os produtos a transportar, existiam vários tipos de carros: com caixa, sem caixa, com grades, com fueiros ou dobrados. O mais utilizado foi o carro sem caixa ou de caixa aberta. Estes carros de tracção animal usaram-se, em alguns casos, nomeadamente nas aldeias em volta do Pinhal, quase até ao século actual. Entre os vários tipos de carros ficou célebre o chamado carro dobrado. Era usado para o transporte dos grandes pinheiros, geralmente com comprimentos até 20 metros mas que, em casos excep…

Pedreanes e o escoamento de produtos do Pinhal do Rei

Fazendo parte da Freguesia e Concelho da Marinha Grande, o lugar de Pedreanes situa-se à saída desta cidade em direcção a Norte, estando, em parte, com o seu Bairro Florestal, integrado na área do Pinhal do Rei, situando-se na sua fronteira Este, sensivelmente a meio do comprimento desta Mata. Em 1824, Pedreanes era já um lugar de grande importância no que respeitava à exploração florestal do Pinhal do Rei, mas viria a aumentar essa importância na sequência das decisões tomadas após o grande incêndio que, nesse mesmo ano, destruiu uma imensa área florestal à volta de S. Pedro de Moel, prejudicando as actividades do embarcadouro onde eram feitos os embarques de madeira e outros produtos do Pinhal. Esta situação, juntamente com os constantes desgastes provocados pelo avanço do mar, levaram D. João VI a determinar que o embarque de madeiras do Pinhal Real se fizesse na Foz do Rio Lis. Para apoiar os embarques na Foz do Lis foram construídas Tercenas naquele lugar e as Tercenas de S. Pedro …

Actividades de sequeiro no Pinhal do Rei

Essencialmente, esta actividade consistia na recolha do penisco(semente do pinheiro-bravo) para futuras sementeiras ou comercialização. As pinhas verdes provenientes de cortes finais feitos na Mata no ano anterior eram colocadas nas eiras em dias de Sol bastante forte para que pudessem abrir. Depois de estarem bem secas e abertas, trabalhadoras dos Serviços Florestais iam batendo as pinhas umas nas outras até que todo o penisco ficasse fora das pinhas e pudesse ser recolhido. O penisco era colocado em sacos e transportado em carros de madeira manuais para armazéns de onde depois seguia para o seu destino final. As pinhas secas eram depois vendidas à população. Estas actividades de sequeiro foram praticamente extintas a partir de meados dos anos 70 do século XX. No entanto, todos os anos se continuam a ver pinhas nas eiras, embora, em quantidades insignificantes.
Descarregar as pinhas verdes - anos 50 do séc. XX
Bater as pinhas para extrair o penisco - anos 50 do séc. XX
Separação do penisco …

Resinagem à morte

Representando ainda uma valiosa fonte de receita na economia do Pinhal do Rei, a exploração da resina e a sua destilação deixaram, no entanto, de ser efectuadas directamente pelos Serviços Florestais. Nos dias de hoje a produção de resina constitui uma actividade secundária, sendo apenas explorada nos últimos três anos antes do corte final. Nestes três anos a resinagem é feita de modo intensivo, com várias feridas em volta do tronco da árvore e subindo nele a cada ano, ou seja, sendo renovadas. A resina e seus derivados são explorados por particulares que, mediante concursos abertos pelos Serviços Florestais, arrematam a sua exploração. Das árvores sujeitas a este tipo de resinagem diz-se que estão à morte, já que, este método, retira toda a resina do pinheiro condenando-o a morrer, o que, na prática, já está planeado, vindo a acontecer ao fim do terceiro ano de resinagem quando se fizer o corte final do talhão.

Resinagem à morte - anos 60 do séc. XX

Talhão resinado à morte, vendo-se à esq…