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Mensagens

O fabrico de carvão

Perde-se nos tempos a origem da transformação de madeira do Pinhal do Rei em carvão. Uma das primeiras referências a esta actividade encontra-se num texto escrito cerca de 1470, onde o povo da região se queixava ao Rei D. Afonso V por não lhes ser permitida a recolha de lenha para carvão em propriedades abandonadas pelos seus donos. Em 1605, no Regulamento para o Monteiro-mor, o Rei Filipe II, protegendo o Pinhal contra cortes abusivos não licenciados, proibia, em todas as matas e coutadas, dentro da sua demarcação, o fabrico de carvão. O Marquês de Pombal, no seu regulamento de 1751, fez referência a esta actividade, autorizando que, para tal efeito, se retirasse lenha do Pinhal. Em 1841, na carta topográfica do Pinhal, feita pelos oficiais da Armada Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha, existe referência à “Carvoaria”, local dentro do Pinhal onde se fazia carvão, desconhecendo-se, no entanto, os responsáveis por tal actividade. Em 1859, por necessidade de manter o P…

Aconteceu em Vieira de Leiria: "O Caso do Regente Florestal"

Recortes do publicado em: “A Voz do Povo – Órgão das Comissões Políticas do Partido Republicano Português do Distrito de Leiria"; Nº 122; 22 de Abril de 1926 In: https://digitarq.adlra.arquivos.pt/viewer?id=1080309

O Pinhal do Rei e o Centro Ciência Viva da Floresta

“O Centro Ciência Viva da Floresta, em Proença-a-Nova, é parte integrante da rede nacional de vinte Centros Ciência Viva distribuídos por todo o país e que surgem como um dos eixos de atuação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica (Ciência Viva), criada em 1996 para promover a cultura científica e tecnológica na sociedade portuguesa.” (1) O Centro Ciência Viva da Floresta, a funcionar desde Julho de 2007, (…) “oferece aos cidadãos experiências e recursos para incorporarem a ciência na sua cultura e assim capacitá-los para compreenderem o mundo em que vivemos.”. (2) O espaço de exposição deste Centro inclui uma grande diversidade de fotografias, produtos, utensílios, exemplares de arvoredo e pequenos animais (peixes de rio ou lagos; formigas) ligados às florestas e à sua exploração. Em grande número estão também as instalações interactivas e alguns pequenos vídeos, onde o visitante é convidado a tocar, ver, ouvir, experimentar, descobrir, imaginar e aprender. Aqui pod…

O Caminho das Tábuas e das Varas

Durante centenas de anos, praticamente até metade do século XIX, os transportes usados no Pinhal do Rei para transportar quaisquer produtos foram os carros de tracção animal, maioritariamente puxados por bois, sendo também muito utilizadas a tracção equina e asinina. Tudo era feito por veículos de tracção animal, desde as sementeiras até ao escoamento dos produtos do Pinhal, incluindo o transporte das lenhas para a Fábrica dos Vidros ou de madeiras para os portos de embarque, donde seguiam depois por via marítima. Sendo muito vagarosos, este tipo de transportes levou a que se procurassem formas de transporte mais evoluídas para o escoamento dos produtos do Pinhal. Ora, porque o porto na Praia da Vieira foi usado durante quase todo o Século XIX, sabe-se que, já em 1840, existia um caminho destinado a facilitar o trajecto entre Pedreanes e os grandes armazéns das Tercenas, na foz do Rio Lis. Este caminho ficou conhecido por “Caminho das Tábuas”, por aí se transportarem tábuas para embarca…

A Fábrica Resinosa

O Regulamento de 1790 para o Pinhal de Leiria, do Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro, que dá ordem para construção de uma nova fábrica de pez em S. Pedro de Moel, regula também a Fábrica Resinosa, situada no lugar do Engenho em conjunto com a Fábrica da Madeira. Assim, esta fábrica é anterior à de S. Pedro de Moel, não sendo possível, no entanto, conhecer a data da sua construção. Contudo, a existência de fornos de pez no mesmo local, desde há muito, leva a crer que esta fábrica tenha resultado da natural evolução técnica que vinha a ser implementada há alguns anos e da passagem do Estado à situação de proprietário, passando a produzir pez e outros produtos de base resinosa e a aproveitar os grandes lucros do fabrico destes produtos. Esta fábrica possuía dezasseis fornos quando, em 1810, foi destruída pelas tropas invasoras, na altura das Invasões Francesas. Em 1871, Brito Aranha, escritor, jornalista e bibliógrafo português, dizia: “A Fábrica Resinosa só produzia pez e alcat…

A Fábrica de Resinagem da Marinha Grande no Século XIX (1)

In: Aranha, Pedro Wenceslau de Brito - Memórias Histórico-Estatísticas de algumas vilase povoações de Portugal. Lisboa: Livraria A. M. Pereira, 1871

Notas:
Sobre o edifício da Fábrica da Resinagem, ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2013/10/o-edificio-da-fabrica-de-resinagem-da_15.html

Sobre João Maria Magalhães (o Sr. Magalhães), ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2013/03/joao-maria-magalhaes.html
Sobre Bernardino José Gomes, ver: http://opinhaldorei.blogspot.com/2012/05/bernardino-jose-gomes.html

O estaleiro do Caes Velho

Repito aqui o que publiquei sobre as Tercenas no rio Lis, nomeadamente acerca da construção naval nas margens do rio junto à Praia da Vieira, para publicar o folheto de meados do século XIX publicitando os famosos Estaleiros de Manuel Luiz do Santos: Naquela época, “(…) na foz do Rio Lis, aproveitando a proximidade do Pinhal (com a sua boa madeira, seus carpinteiros e serradores), existiu no século XIX um estaleiro de construção naval, propriedade do Eng. Manuel Luiz dos Santos. Este estaleiro, instalado no “Caes Velho”, começou a laborar por volta de 1840, desconhecendo-se ao certo as datas de início de laboração e de encerramento de actividade. Sabe-se apenas que, a meio da década de sessenta (séc. XIX), já não existia o estaleiro do Cais. A construção naval mudou-se para as Tercenas funcionando, junto aos armazéns, em telheiros onde se faziam os saveiros e outros pequenos navios. Mais tarde, devido ao assoreamento, o movimento no rio viria a desaparecer e a construção naval passaria…