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Consequências do incêndio de Outubro de 2017 no Pinhal do Rei

Têm sido muitos os debates, artigos e opiniões, por todos os meios de comunicação social, sobre a origem, as causas e as consequências do incêndio de 15 de Outubro no Pinhal do Rei. Os mais diversos especialistas têm deixado as suas opiniões, ideias e alertas acerca deste incêndio, das suas consequências e da forma como poderemos evitar situações análogas no futuro. Ora, acerca das consequências deste incêndio, não é minha intenção fazer aqui grandes considerações, até porque não estaria à vontade para o fazer. Porém, porque quero apenas aqui deixar uma pequena animação que fiz com fotografias que fui fazendo após o incêndio em vários locais do Pinhal, do que me tenho apercebido, lembrarei apenas que, com cerca de 86% do Pinhal ardido, foram afectados muitos dos habitats naturais, desaparecendo muita da fauna e flora, incluindo vegetação autóctone e quase todas as árvores notáveis, classificadas como árvores de interesse público.  Também o património construído sofreu grandes danos, have…

As Queimadas do início do Século XIX

Em 1839, os tenentes da Armada, Francisco Maria Pereira da Silva e Caetano Maria Batalha foram nomeados para levantar as plantas das diversas matas nacionais, tendo começado por elaborar a planta ou Carta Topográfica do Pinhal Nacional de Leiria e seus arredores, datada de 1841. Para execução desta Carta do Pinhal, os autores, ao tomarem conhecimento de todos os aspectos que diziam respeito a esta Mata, e porque, à época, dela havia muito pouco conhecimento, elaboraram também a “Memória sobre o Pinhal Nacional de Leiria - Suas Madeiras e Produtos Resinosos”. Esta “Memória…”, datada de 1843, segundo os próprios autores tinha o propósito de “Acompanhar com esclarecimentos locaes a carta topográfica do Pinhal Nacional de Leiria (…); (e) Apresentar todos os factos e dados necessários que possam servir de base a quaesquer melhoramentos que se julguem necessários a esta vasta e rica matta, com especialidade no bom aproveitamento de todos os deu produtos.”. De entre as várias partes que compõe…

Achados após incêndio

O Pinhal do Rei está limpo!
Com o incêndio de 15 Outubro de 2017 o Pinhal do Rei ficou limpo, talvez como poucas vezes esteve, todavia, morto em vez de vivo e verdejante.
            De facto, a ocorrência deste incêndio trouxe de novo à luz do dia algumas das ruínas de antigas construções que, há décadas, estavam escondidas pela densa vegetação. Antes assim não fosse!             A cerca de 400 metros a oeste da Casa de Guarda da Garcia apareceu um poço que não me lembro de alguma vez ter visto.
            No sítio da Mioteira, onde existiram duas casas de guarda, apareceram, a norte da estrada que por ali passa, as ruínas da antiga casa do guarda e seus anexos. A sul da mesma estrada, onde existiu a Casa do Mestre, resta apenas o tanque (já conhecido) que servia a casa, pois do edifício, demolido em Janeiro de 1986, nem os alicerces ficaram.


Ruínas das antigas casas de guarda da Mioteira e seus anexos
No sítio da Valdimeira, a jusante da fonte que hoje conhecemos como Fonte d…

Flores do Pinhal do Rei (2)

Os primitivos fornos do pez

Desde tempos remotos que o Pinhal do Rei, também designado por Pinhal de Leiria, forneceu à construção naval produtos como: pez, pixe (pez negro), alcatrão (pez líquido) e breu (pez cozido e seco), obtidos a partir das achas resinosas dos pinheiros. Inicialmente, estes produtos usavam-se na calafetagem dos barcos e nas abordagens por embarcações inimigas, onde, depois de inflamado e a ferver, era derramado como material de destruição. Mais tarde, as águas-razes e águas-ruças produzidas nas mesmas fábricas, por destilação das achas resinosas, passaram a usar-se nas indústrias dos vernizes, tintas lacadas, sabões, tinturaria, farmacêutica e perfumaria. A respeito deste tipo de exploração, a maioria dos autores indica, como referência mais antiga, a existência, em 1475, no lugar hoje conhecido como Engenho, de uma pequena e muito rudimentar fábrica destas substâncias, propriedade de Pedro de Menezes, Conde de Vila Real, que, desde 1463, feito donatário de Leiria, incluía entre os seus direi…

Araucárias no Pinhal do Rei (2)

Na publicação que aqui deixei em Novembro de 2016 acerca das Araucárias no Pinhal do Rei dizia: “O Viveiro Florestal do Tromelgo foi abandonado pelos Serviços Florestais em meados do século XX e destes exemplares de araucária desconheço qualquer vestígio até à data desta publicação.” Ora, posteriormente, numa visita mais aprofundada ao lugar do Tromelgo, apercebi-me de uma árvore que poderia corresponder ao que, entretanto, tinha andado a investigar sobre araucárias. Porém, não sendo conhecedor destas matérias, e estando a árvore cercada por densa vegetação, onde exemplares altíssimos de acácias quase a ocultavam, ficaram-me na altura algumas dúvidas sobre aquele exemplar. Assim, e aliando alguma inércia, ficou o assunto esquecido por quase um ano. Já depois do trágico incêndio de 15 de Outubro de 2017, ao voltar ao local, me deparei novamente com este exemplar, e logo as mesmas dúvidas me assaltaram. Regressei então ao local, posteriormente, na companhia do meu amigo Franquinho, conhece…

Notícias do Comboio Americano.

Do Comboio Americano, como ficou conhecido o Caminho de Ferro Americano dos Pinhaes de Leiria ao Porto de S. Martinho, já aqui dei algumas notícias da época em que esteve ao serviço. Juntam-se agora mais alguns recortes do publicado no “Diário Illustrado” ao longo de vários anos:
Em 1873 dava-se conta do número de Quilogramas de objectos vários, entre eles o vidro e produtos resinosos, exportados por este comboio para o caminho-de-ferro do norte.

Em 1874 dava-se conta da grande quantidade de mercadorias a transportar a partir da Marinha Grande, especialmente desde que a Mina da Granja passara a exportar os seus produtos por este comboio.

Em 1877 dava-se conta de um acidente ocorrido neste comboio.


Em 1880 dava-se conta da conta da necessidade de criação do lanço de estrada entre a estação de S. Martinho do Porto e o cais de embarque, prolongando a Estrada Real de Torres Vedras a S. Martinho, dada a péssima qualidade do terreno (argiloso) que dificultava o trânsito de carros, animais e pess…