Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Achados após incêndio

O Pinhal do Rei está limpo!
Com o incêndio de 15 Outubro de 2017 o Pinhal do Rei ficou limpo, talvez como poucas vezes esteve, todavia, morto em vez de vivo e verdejante.
            De facto, a ocorrência deste incêndio trouxe de novo à luz do dia algumas das ruínas de antigas construções que, há décadas, estavam escondidas pela densa vegetação. Antes assim não fosse!             A cerca de 400 metros a oeste da Casa de Guarda da Garcia apareceu um poço que não me lembro de alguma vez ter visto.
            No sítio da Mioteira, onde existiram duas casas de guarda, apareceram, a norte da estrada que por ali passa, as ruínas da antiga casa do guarda e seus anexos. A sul da mesma estrada, onde existiu a Casa do Mestre, resta apenas o tanque (já conhecido) que servia a casa, pois do edifício, demolido em Janeiro de 1986, nem os alicerces ficaram.


Ruínas das antigas casas de guarda da Mioteira e seus anexos
No sítio da Valdimeira, a jusante da fonte que hoje conhecemos como Fonte d…

Flores do Pinhal do Rei (2)

Os primitivos fornos do pez

Desde tempos remotos que o Pinhal do Rei, também designado por Pinhal de Leiria, forneceu à construção naval produtos como: pez, pixe (pez negro), alcatrão (pez líquido) e breu (pez cozido e seco), obtidos a partir das achas resinosas dos pinheiros. Inicialmente, estes produtos usavam-se na calafetagem dos barcos e nas abordagens por embarcações inimigas, onde, depois de inflamado e a ferver, era derramado como material de destruição. Mais tarde, as águas-razes e águas-ruças produzidas nas mesmas fábricas, por destilação das achas resinosas, passaram a usar-se nas indústrias dos vernizes, tintas lacadas, sabões, tinturaria, farmacêutica e perfumaria. A respeito deste tipo de exploração, a maioria dos autores indica, como referência mais antiga, a existência, em 1475, no lugar hoje conhecido como Engenho, de uma pequena e muito rudimentar fábrica destas substâncias, propriedade de Pedro de Menezes, Conde de Vila Real, que, desde 1463, feito donatário de Leiria, incluía entre os seus direi…

Araucárias no Pinhal do Rei (2)

Na publicação que aqui deixei em Novembro de 2016 acerca das Araucárias no Pinhal do Rei dizia: “O Viveiro Florestal do Tromelgo foi abandonado pelos Serviços Florestais em meados do século XX e destes exemplares de araucária desconheço qualquer vestígio até à data desta publicação.” Ora, posteriormente, numa visita mais aprofundada ao lugar do Tromelgo, apercebi-me de uma árvore que poderia corresponder ao que, entretanto, tinha andado a investigar sobre araucárias. Porém, não sendo conhecedor destas matérias, e estando a árvore cercada por densa vegetação, onde exemplares altíssimos de acácias quase a ocultavam, ficaram-me na altura algumas dúvidas sobre aquele exemplar. Assim, e aliando alguma inércia, ficou o assunto esquecido por quase um ano. Já depois do trágico incêndio de 15 de Outubro de 2017, ao voltar ao local, me deparei novamente com este exemplar, e logo as mesmas dúvidas me assaltaram. Regressei então ao local, posteriormente, na companhia do meu amigo Franquinho, conhece…

Notícias do Comboio Americano.

Do Comboio Americano, como ficou conhecido o Caminho de Ferro Americano dos Pinhaes de Leiria ao Porto de S. Martinho, já aqui dei algumas notícias da época em que esteve ao serviço. Juntam-se agora mais alguns recortes do publicado no “Diário Illustrado” ao longo de vários anos:
Em 1873 dava-se conta do número de Quilogramas de objectos vários, entre eles o vidro e produtos resinosos, exportados por este comboio para o caminho-de-ferro do norte.

Em 1874 dava-se conta da grande quantidade de mercadorias a transportar a partir da Marinha Grande, especialmente desde que a Mina da Granja passara a exportar os seus produtos por este comboio.

Em 1877 dava-se conta de um acidente ocorrido neste comboio.


Em 1880 dava-se conta da conta da necessidade de criação do lanço de estrada entre a estação de S. Martinho do Porto e o cais de embarque, prolongando a Estrada Real de Torres Vedras a S. Martinho, dada a péssima qualidade do terreno (argiloso) que dificultava o trânsito de carros, animais e pess…

A Fonte de Pedreanes

A partir de 1909, aproveitando os ricos lençóis de água existentes no Pinhal do Rei, os Serviços Florestais construíram inúmeras fontes e poços, de modo a que trabalhadores e animais que no Pinhal laboravam ali matassem a sede. É nas margens do Ribeiro de S. Pedro Moel que se concentra o maior número de pequenas fontes, aproveitando as nascentes de água fresca que ali emergem. Contudo, também na fronteira Este do Pinhal existem várias nascentes que deram, também elas, origem a fontes. É o caso da Fonte do Sardão, da Água Formosa ou da Fonte Férrea. No lugar de Pedreanes, que, pela importância que sempre teve, pode considerar-se o lugar mais importante do Pinhal do Rei, existe também uma fonte. Ora, não havendo por aqui nascentes de água, que se saiba, nem rede de abastecimento de água municipal, à data de construção da fonte, a Fonte de Pedreanes, assim designada por não lhe conhecer outra designação, terá sido abastecida por um poço e respectivo depósito elevatório construídos neste lug…

O incêndio de 15 de Outubro de 2017 no Pinhal do Rei

A Mata Nacional de Leiria, oficialmente assim designada mas carinhosamente conhecida no Concelho da Marinha Grande por Pinhal do Rei, desapareceu quase na sua totalidade. De facto, com início no passado dia 15 e consequente prolongamento a 16 deste mês de Outubro, um incêndio de grandes proporções fez desaparecer, segundo as primeiras análises, cerca de 86% do Pinhal do Rei, desaparecendo, assim, quase dois terços do património natural do Concelho da Marinha Grande. Este invulgar incêndio outonal, ocorrido num atípico dia de Outubro, cuja temperatura chegou a atingir os 36º, parece ter tido a sua origem ao início da tarde a sul do Pinhal na povoação da Burinhosa ou nos seus arredores, em circunstâncias ainda por apurar. Com o país a atravessar um ano considerado de seca extrema, decorrido o Verão e chegando a Outubro mantendo-se as mesmas condições, o incêndio tinha todas as condições para uma favorável evolução. Para além disto, tendo início a sul da Mata, o fogo beneficiou também da fo…