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O incêndio de 15 de Outubro de 2017 no Pinhal do Rei

A Mata Nacional de Leiria, oficialmente assim designada mas carinhosamente conhecida no Concelho da Marinha Grande por Pinhal do Rei, desapareceu quase na sua totalidade. De facto, com início no passado dia 15 e consequente prolongamento a 16 deste mês de Outubro, um incêndio de grandes proporções fez desaparecer, segundo as primeiras análises, cerca de 86% do Pinhal do Rei, desaparecendo, assim, quase dois terços do património natural do Concelho da Marinha Grande. Este invulgar incêndio outonal, ocorrido num atípico dia de Outubro, cuja temperatura chegou a atingir os 36º, parece ter tido a sua origem ao início da tarde a sul do Pinhal na povoação da Burinhosa ou nos seus arredores, em circunstâncias ainda por apurar. Com o país a atravessar um ano considerado de seca extrema, decorrido o Verão e chegando a Outubro mantendo-se as mesmas condições, o incêndio tinha todas as condições para uma favorável evolução. Para além disto, tendo início a sul da Mata, o fogo beneficiou também da fo…

O Pinheiro do Sr. Borges

Existiram noutros tempos no Pinhal do Rei, tal como nos dias de hoje, alguns pinheiros que, pelas suas dimensões ou forma, se destacavam na Mata. Em 1941, acerca das árvores notáveis existentes nesta Mata, O Eng.º Arala Pinto, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande e Administrador do Pinhal do Rei entre 1927 e 1956, no segundo volume do seu livro “O Pinhal do Rei”, deixou-nos importantes informações . Entre essas antigas árvores notáveis, existiu no talhão 226 um pinheiro que ficou conhecido como “O Pinheiro do Sr. Borges”. As suas dimensões compreendiam uma altura total de 43 metros e um diâmetro a 1,30 m do solo (DAP – diâmetro à altura do peito) de 1,10 metros. Idade provável em 1941, 200 anos.
O Pinheiro do Sr. Borges – anos 30 do Séc. XX

Mappa dos Pinhaes de S. Mag.de e da Universidade de Coimbra; da Caza do Infantado, e do Conselho de Leyria

Este mapa, elaborado em 1765, foi composto por ordem do Ministro e Secretário de Estado Francisco Xavier de Mendonça Furtado pelo Sargento Mor Guilherme Elsden. De ambos os lados deste curioso mapa encontram-se "explicações" económicas correspondentes a cada um dos pinhais nele representado e quatro panorâmicas com os seguintes títulos: 
● “Forma de embarcar Madeira no Verão, em quanto não for praticável o Porto de S. Pedro de Moel"  ● "Perspectiva de huma Nova Fabrica do Pez, que pode dar quasi o necessário pa. o Consumo deste Reino, aproveitando-se a madeira q sem esta applicação se perde inutilmente"
● "Perspectiva de Porto de St. Pedro de Moel"
● "Boca da Mina de Carvão de Pedra no Pinhal de S.Me”.

Em 1769, este mapa viria a ser a origem do novo “Mapa dos Pinhais de S. Majestade, e S. Alteza do Concelho de Leiria e Universidade de Coimbra com os Lugares e Povos Vezinhos”, elaborado pelo mesmo autor. Relativamente ao mapa de 1765, este novo mapa t…

Circuito de Manutenção do Ribeiro da Tábua

Não foi ainda há muito tempo que por aqui deixei algo escrito acerca do antigo campo de futebol situado no talhão 1 do Pinhal do Rei, à esquerda da estrada que liga a Vieira de Leiria à Praia da Vieira. Deixei, nessa ocasião, por falar da existência de vestígios, ainda bem visíveis, de um antigo circuito de manutenção física em redor desse campo de futebol.
São vários os pontos de paragem e exercício, alguns ainda com os aparelhos de treino, ou parte deles, embora, naturalmente, já degradados. Cada um dos pontos de paragem e treino está assinalado com uma placa vertical, em cimento, decorada com bonitos painéis de azulejo exemplificando o exercício físico a executar. Estes painéis, datados de 1989, dão-nos a indicação de que foi nesse já longínquo ano que este circuito terá sido construído, sendo seu principal impulsionador o Sr.António Vasco, grande entusiasta do desporto em Vieira de Leiria. Por outro lado, estão também assinados pelo seu autor, Paulo Correia, artista há muito radicad…

A caruma

O termo caruma é talvez o mais conhecido para designar a folha ou um conjunto de folhas do pinheiro. De facto, socorrendo-nos de um velho dicionário, ficamos a saber que, consoante as localidades, encontramos várias designações dadas à folha ou a um conjunto de folhas do pinheiro. Assim, para além de caruma, encontramos por exemplo: agulha, agulheta, argaço, arguiço, candeia, cisca, cisco, faúlha, gravalha, moliço, etc. (Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa – Cândido de Figueiredo). Caracterizando as folhas do pinheiro, pode dizer-se que são uma espécie de agulhas, emparelhadas, de cor verde escura, rígidas e grossas e com 10 a 25 centímetros de comprimento, no caso do pinheiro bravo, enquanto as do pinheiro manso são sempre um pouco mais pequenas. Daqui podemos dizer, certamente, que provém a denominação “agulhas”, relativamente à folha do pinheiro. Porém, quanto às outras designações, indicadas no velho dicionário, não é dada qualquer explicação, nem as localidades onde são usadas. …

Regulamento do Trânsito nas Estradas Florestais a Macadame da Mata de Leiria

Atendendo à antiguidade do Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria/Pinhal de Leiria, pode dizer-se que os transportes dentro da Mata foram, durante séculos, feitos por veículos de tracção animal, pois não havia outros. A tracção animal no Pinhal do Rei usou-se, em alguns casos, nomeadamente nas aldeias limítrofes, até quase ao século actual, apesar da existência, já, de boas rodovias e veículos rodoviários motorizados.
            Segundo Manuel Afonso da Costa Barros, Cabo dos Guardas do Real Pinhal de Leiria,Director das Fábricas Resinosas e Administrador Interino do Pinhal de Leiria em 1847, em “Reflexões e cálculos”, havia em 1772 “2129 carros obrigados ao serviço das conduções de madeira d’este Pinhal para o porto de S. Martinho”, havendo ainda a juntar a estes os carros usados pelas populações vizinhas na recolha de produtos do Pinhal para uso nas suas lavouras. Este número veio a decair significativamente e, em 1822, ainda segundo o mesmo autor, esse número era apenas de “200 carro…

A diversidade arbórea da zona da Ponte Nova

Em princípios do séc. XIX, a zona da Ponte Nova era atravessada pela velha estrada que ligava a Marinha Grande a S. Pedro de Moel, da qual ainda há vestígios a nascente da Ponte Nova, na parte alta quando se vem de Pedreanes. Esta estrada passava mesmo junto às instalações do engenho de serrar movido com água do ribeiro, existindo uma pequena ponte para atravessamento do ribeiro. Para além disto, a Ponte Nova seria, provavelmente, uma zona ainda muito fechada e sem outros acessos. Porém, tudo mudou quando experiências florestais com diversas espécies de árvores começaram, mais ou menos nessa época, a ser feitas no Pinhal do Rei. O Viveiro do Tromelgo, com Frederico Varnhagem, pode ter sido o início destas experiências. Recorde-se parte do que aqui escrevi acerca do Viveiro do Tromelgo:

           «Desconhece-se ao certo a data de entrada em funcionamento do viveiro do Tromelgo mas um documento enviado a Frederico Varnhagem em 1826, citado por Arala Pinto em 1938 no seu livro “Pinhal do Re…