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Mensagens

Circuito de Manutenção do Ribeiro da Tábua

Não foi ainda há muito tempo que por aqui deixei algo escrito acerca do antigo campo de futebol situado no talhão 1 do Pinhal do Rei, à esquerda da estrada que liga a Vieira de Leiria à Praia da Vieira. Deixei, nessa ocasião, por falar da existência de vestígios, ainda bem visíveis, de um antigo circuito de manutenção física em redor desse campo de futebol.
São vários os pontos de paragem e exercício, alguns ainda com os aparelhos de treino, ou parte deles, embora, naturalmente, já degradados. Cada um dos pontos de paragem e treino está assinalado com uma placa vertical, em cimento, decorada com bonitos painéis de azulejo exemplificando o exercício físico a executar. Estes painéis, datados de 1989, dão-nos a indicação de que foi nesse já longínquo ano que este circuito terá sido construído, sendo seu principal impulsionador o Sr.António Vasco, grande entusiasta do desporto em Vieira de Leiria. Por outro lado, estão também assinados pelo seu autor, Paulo Correia, artista há muito radicad…

A caruma

O termo caruma é talvez o mais conhecido para designar a folha ou um conjunto de folhas do pinheiro. De facto, socorrendo-nos de um velho dicionário, ficamos a saber que, consoante as localidades, encontramos várias designações dadas à folha ou a um conjunto de folhas do pinheiro. Assim, para além de caruma, encontramos por exemplo: agulha, agulheta, argaço, arguiço, candeia, cisca, cisco, faúlha, gravalha, moliço, etc. (Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa – Cândido de Figueiredo). Caracterizando as folhas do pinheiro, pode dizer-se que são uma espécie de agulhas, emparelhadas, de cor verde escura, rígidas e grossas e com 10 a 25 centímetros de comprimento, no caso do pinheiro bravo, enquanto as do pinheiro manso são sempre um pouco mais pequenas. Daqui podemos dizer, certamente, que provém a denominação “agulhas”, relativamente à folha do pinheiro. Porém, quanto às outras designações, indicadas no velho dicionário, não é dada qualquer explicação, nem as localidades onde são usadas. …

Regulamento do Trânsito nas Estradas Florestais a Macadame da Mata de Leiria

Atendendo à antiguidade do Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria/Pinhal de Leiria, pode dizer-se que os transportes dentro da Mata foram, durante séculos, feitos por veículos de tracção animal, pois não havia outros. A tracção animal no Pinhal do Rei usou-se, em alguns casos, nomeadamente nas aldeias limítrofes, até quase ao século actual, apesar da existência, já, de boas rodovias e veículos rodoviários motorizados.
            Segundo Manuel Afonso da Costa Barros, Cabo dos Guardas do Real Pinhal de Leiria,Director das Fábricas Resinosas e Administrador Interino do Pinhal de Leiria em 1847, em “Reflexões e cálculos”, havia em 1772 “2129 carros obrigados ao serviço das conduções de madeira d’este Pinhal para o porto de S. Martinho”, havendo ainda a juntar a estes os carros usados pelas populações vizinhas na recolha de produtos do Pinhal para uso nas suas lavouras. Este número veio a decair significativamente e, em 1822, ainda segundo o mesmo autor, esse número era apenas de “200 carro…

A diversidade arbórea da zona da Ponte Nova

Em princípios do séc. XIX, a zona da Ponte Nova era atravessada pela velha estrada que ligava a Marinha Grande a S. Pedro de Moel, da qual ainda há vestígios a nascente da Ponte Nova, na parte alta quando se vem de Pedreanes. Esta estrada passava mesmo junto às instalações do engenho de serrar movido com água do ribeiro, existindo uma pequena ponte para atravessamento do ribeiro. Para além disto, a Ponte Nova seria, provavelmente, uma zona ainda muito fechada e sem outros acessos. Porém, tudo mudou quando experiências florestais com diversas espécies de árvores começaram, mais ou menos nessa época, a ser feitas no Pinhal do Rei. O Viveiro do Tromelgo, com Frederico Varnhagem, pode ter sido o início destas experiências. Recorde-se parte do que aqui escrevi acerca do Viveiro do Tromelgo:

           «Desconhece-se ao certo a data de entrada em funcionamento do viveiro do Tromelgo mas um documento enviado a Frederico Varnhagem em 1826, citado por Arala Pinto em 1938 no seu livro “Pinhal do Re…

A madeira para construção naval

Sabe-se hoje que o Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria) não teve a sua origem em sementeiras feitas por ordem de D. Dinis. Segundo a maioria dos investigadores, a afirmação de que teria sido D. Dinis a mandar plantar o Pinhal poderá ter partido de antigos Cronistas do Reino que, sem o devido fundamento, assim o afirmaram. A origem do Pinhal do Rei perde-se na vastidão dos tempos. No entanto, sabe-se que, mesmo antes da fundação de Portugal, já aqui existia algum tipo de mata, talvez apenas pinheiro manso (está ainda por confirmar) e alguma outra vegetação espontânea. Porém, é também sabido que D. Dinis, fomentador e precursor de empreendimentos marítimos, dedicou à floresta grande atenção, para que no futuro não faltasse matéria-prima à construção de embarcações. Esta atenção, entre outros interesses, nomeadamente agrícolas, levou a que D. Dinis fomentasse o aumento desta mata, fazendo novas sementeiras e, como se julga, introduzindo o pinheiro bravo. Logo durante o reinado de D. Dinis (1279…

Futebol no Pinhal do Rei

Ao longo dos tempos, particularmente a partir de finais do século XIX, têm sido inúmeras as cedências de parcelas de terreno do Pinhal do Rei para as mais diversas utilizações. De facto, o desenvolvimento do concelho da Marinha Grande, nomeadamente as povoações de Vieira de Leiria, Praia da Vieira e S. Pedro de Moel, cercadas pela grande Mata, levou a que grandes parcelas de terreno do Pinhal fossem cedidas ao concelho da Marinha Grande para o imprescindível crescimento destas povoações. Destes terrenos, alguns foram cedidos para agricultura, outros para urbanização e construção de habitações e outros, por necessidades cada vez maiores dos povoados, para as mais diversas utilizações, desde escolas, mercados, parques de campismo, depósitos de água, uma ETAR (S. Pedro de Moel), etc. Para além da cedência de terrenos junto às referidas povoações, a pedido das mais diversas instituições, houve também algumas parcelas cedidas no interior do próprio Pinhal. Foram disso exemplos os terrenos ce…

O açude da Ponte Nova

O pequeno açude existente no Ribeiro de Moel, poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, juntamente com as ruínas na margem esquerda do ribeiro a jusante da mesma ponte, têm por vezes levado alguns a pensarem tratar-se de vestígios do antigo engenho de serrar madeira movido com água do próprio ribeiro.             Relativamente às ditas ruinas na margem esquerda do ribeiro, a jusante da Ponte Nova, ao analisar o aspecto do pouco que podemos actualmente visualizar, já que estas se encontram maioritariamente soterradas, podemos de facto,dada a aparente antiguidade, colocar a hipótese de se tratar de vestígios do antigo engenho ou da represa feita no ribeiro para alimentar a levada que levaria a água para accionar o engenho. Porém, no meu entender, para o podermos afirmar com absoluta certeza, seriam necessários estudos aprofundados e alguns trabalhos no terreno.             Já em relação ao pequeno açude existente poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, pela sua aparente re…