Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A madeira para construção naval

Sabe-se hoje que o Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria) não teve a sua origem em sementeiras feitas por ordem de D. Dinis. Segundo a maioria dos investigadores, a afirmação de que teria sido D. Dinis a mandar plantar o Pinhal poderá ter partido de antigos Cronistas do Reino que, sem o devido fundamento, assim o afirmaram. A origem do Pinhal do Rei perde-se na vastidão dos tempos. No entanto, sabe-se que, mesmo antes da fundação de Portugal, já aqui existia algum tipo de mata, talvez apenas pinheiro manso (está ainda por confirmar) e alguma outra vegetação espontânea. Porém, é também sabido que D. Dinis, fomentador e precursor de empreendimentos marítimos, dedicou à floresta grande atenção, para que no futuro não faltasse matéria-prima à construção de embarcações. Esta atenção, entre outros interesses, nomeadamente agrícolas, levou a que D. Dinis fomentasse o aumento desta mata, fazendo novas sementeiras e, como se julga, introduzindo o pinheiro bravo. Logo durante o reinado de D. Dinis (1279…

Futebol no Pinhal do Rei

Ao longo dos tempos, particularmente a partir de finais do século XIX, têm sido inúmeras as cedências de parcelas de terreno do Pinhal do Rei para as mais diversas utilizações. De facto, o desenvolvimento do concelho da Marinha Grande, nomeadamente as povoações de Vieira de Leiria, Praia da Vieira e S. Pedro de Moel, cercadas pela grande Mata, levou a que grandes parcelas de terreno do Pinhal fossem cedidas ao concelho da Marinha Grande para o imprescindível crescimento destas povoações. Destes terrenos, alguns foram cedidos para agricultura, outros para urbanização e construção de habitações e outros, por necessidades cada vez maiores dos povoados, para as mais diversas utilizações, desde escolas, mercados, parques de campismo, depósitos de água, uma ETAR (S. Pedro de Moel), etc. Para além da cedência de terrenos junto às referidas povoações, a pedido das mais diversas instituições, houve também algumas parcelas cedidas no interior do próprio Pinhal. Foram disso exemplos os terrenos ce…

O açude da Ponte Nova

O pequeno açude existente no Ribeiro de Moel, poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, juntamente com as ruínas na margem esquerda do ribeiro a jusante da mesma ponte, têm por vezes levado alguns a pensarem tratar-se de vestígios do antigo engenho de serrar madeira movido com água do próprio ribeiro.             Relativamente às ditas ruinas na margem esquerda do ribeiro, a jusante da Ponte Nova, ao analisar o aspecto do pouco que podemos actualmente visualizar, já que estas se encontram maioritariamente soterradas, podemos de facto,dada a aparente antiguidade, colocar a hipótese de se tratar de vestígios do antigo engenho ou da represa feita no ribeiro para alimentar a levada que levaria a água para accionar o engenho. Porém, no meu entender, para o podermos afirmar com absoluta certeza, seriam necessários estudos aprofundados e alguns trabalhos no terreno.             Já em relação ao pequeno açude existente poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, pela sua aparente re…

Casa de Guarda do Tromelgo

Esta casa de guarda situa-se no talhão 289, entre os Aceiros Q e R na fronteira Este do Pinhal, junto ao Aceiro Exterior. Foi construída entre as décadas de 20 e de 40 do passado século. Segundo nos diz Arala Pinto em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, o lugar do Tromelgo, ou o "Caminho do Lago do Tramelgo", era já referido no Regulamento de 1790 que deu origem às primeiras casas de guarda, onde, acerca das “Obrigações de cada um dos Guardas em particular”, em relação às obrigações do “Quinto Guarda” se dizia: «Vigiará desde o Caminho das Gaieiras até à Cova da Moura, e pelo interior, desde o lado pertencente ao quarto Guarda até ao Caminho do Lago do Tramelgo (…)». Após deixar de ter uso por parte dos Serviços Florestais, e embora o seu estado de conservação já não seja o melhor, sem água e sem electricidade, esta casa vai sendo habitada por uma família sem-abrigo, mantendo os vários anexos. Ali perto existe a Fonte do Tromelgo que, noutros tempos, detinha uma das melhores ág…

Novamente, o Comboio de Lata

Por várias vezes aqui tenho escrito acerca do antigo caminho-de-ferro florestal que em tempos serviu na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, mais conhecido por Comboio de Lata. Recorde-se que este pequeno comboio, de via reduzida (60 cm), era composto por três locomotivas a vapor, alimentadas com lenha do próprio Pinhal, dois vagões de passageiros, vários outros de caixa aberta (para carga variada) e alguns outros próprios para o transporte de grandes pinheiros. Muito útil nos primeiros anos de actividade, por falta de estradas e transportes rodoviários, tornou-se obsoleto quando, no Pinhal do Rei, se construiu uma rede de estradas florestais cobrindo em grande parte toda a área do Pinhal. Foi por isso desactivado em 1965 e deixou de circular, após 42 anos de serviço. Em 1967, todo o conjunto que compunha o Comboio de Lata (máquinas, carruagens e carris), foi vendido em hasta pública, para sucata, à porta da Repartição de Finanças. Conforme se pode ver em várias fotografias, quer sejam …

No tronco dum pinheiro da Floresta

A infinita frase dos pinhaes

cantou embaladora à minha infância,
e ficou em minha alma a ressonância
destas religiosas catedraes...
Em cada inverno as árvores doridas
fogem do mundo, deixam-no sozinho;
só estas, sempre fielmente erguidas,
mantêm no mesmo gesto igual carinho.
Verdes amigos certos para a gente,
têm a constância na adversidade,
dão a saúde e ensinam a bondade,
— a Bondade: justiça sorridente.

Afonso Lopes Vieira

Painel (parte) de azulejos no antigo lavadouro de S. P. de Moel - Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel (Desenho de Gama Diniz)

As fontes de Moel

A necessidade que trabalhadores e animais que na Mata outrora laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, aproveitando as muitas nascentes existentes no Pinhal. Muitas dessas fontes, existentes ainda nos dias de hoje, e a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal. O ribeiro de S. Pedro de Moel é resultado de um conjunto de três outros pequenos ribeiros que, vindos de sul, se juntam um pouco antes da ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2 que liga a Marinha Grande a S. Pedro de Moel. A partir desta ponte o ribeiro passa a correr entre as abruptas encostas do vale que lhe serve de leito, atravessando os locais da Valdimeira e Ponte Nova até chegar ao Canto do R…