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O açude da Ponte Nova

O pequeno açude existente no Ribeiro de Moel, poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, juntamente com as ruínas na margem esquerda do ribeiro a jusante da mesma ponte, têm por vezes levado alguns a pensarem tratar-se de vestígios do antigo engenho de serrar madeira movido com água do próprio ribeiro.             Relativamente às ditas ruinas na margem esquerda do ribeiro, a jusante da Ponte Nova, ao analisar o aspecto do pouco que podemos actualmente visualizar, já que estas se encontram maioritariamente soterradas, podemos de facto,dada a aparente antiguidade, colocar a hipótese de se tratar de vestígios do antigo engenho ou da represa feita no ribeiro para alimentar a levada que levaria a água para accionar o engenho. Porém, no meu entender, para o podermos afirmar com absoluta certeza, seriam necessários estudos aprofundados e alguns trabalhos no terreno.             Já em relação ao pequeno açude existente poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, pela sua aparente re…

Casa de Guarda do Tromelgo

Esta casa de guarda situa-se no talhão 289, entre os Aceiros Q e R na fronteira Este do Pinhal, junto ao Aceiro Exterior. Foi construída entre as décadas de 20 e de 40 do passado século. Segundo nos diz Arala Pinto em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, o lugar do Tromelgo, ou o "Caminho do Lago do Tramelgo", era já referido no Regulamento de 1790 que deu origem às primeiras casas de guarda, onde, acerca das “Obrigações de cada um dos Guardas em particular”, em relação às obrigações do “Quinto Guarda” se dizia: «Vigiará desde o Caminho das Gaieiras até à Cova da Moura, e pelo interior, desde o lado pertencente ao quarto Guarda até ao Caminho do Lago do Tramelgo (…)». Após deixar de ter uso por parte dos Serviços Florestais, e embora o seu estado de conservação já não seja o melhor, sem água e sem electricidade, esta casa vai sendo habitada por uma família sem-abrigo, mantendo os vários anexos. Ali perto existe a Fonte do Tromelgo que, noutros tempos, detinha uma das melhores ág…

Novamente, o Comboio de Lata

Por várias vezes aqui tenho escrito acerca do antigo caminho-de-ferro florestal que em tempos serviu na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, mais conhecido por Comboio de Lata. Recorde-se que este pequeno comboio, de via reduzida (60 cm), era composto por três locomotivas a vapor, alimentadas com lenha do próprio Pinhal, dois vagões de passageiros, vários outros de caixa aberta (para carga variada) e alguns outros próprios para o transporte de grandes pinheiros. Muito útil nos primeiros anos de actividade, por falta de estradas e transportes rodoviários, tornou-se obsoleto quando, no Pinhal do Rei, se construiu uma rede de estradas florestais cobrindo em grande parte toda a área do Pinhal. Foi por isso desactivado em 1965 e deixou de circular, após 42 anos de serviço. Em 1967, todo o conjunto que compunha o Comboio de Lata (máquinas, carruagens e carris), foi vendido em hasta pública, para sucata, à porta da Repartição de Finanças. Conforme se pode ver em várias fotografias, quer sejam …

No tronco dum pinheiro da Floresta

A infinita frase dos pinhaes

cantou embaladora à minha infância,
e ficou em minha alma a ressonância
destas religiosas catedraes...
Em cada inverno as árvores doridas
fogem do mundo, deixam-no sozinho;
só estas, sempre fielmente erguidas,
mantêm no mesmo gesto igual carinho.
Verdes amigos certos para a gente,
têm a constância na adversidade,
dão a saúde e ensinam a bondade,
— a Bondade: justiça sorridente.

Afonso Lopes Vieira

Painel (parte) de azulejos no antigo lavadouro de S. P. de Moel - Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel (Desenho de Gama Diniz)

As fontes de Moel

A necessidade que trabalhadores e animais que na Mata outrora laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, aproveitando as muitas nascentes existentes no Pinhal. Muitas dessas fontes, existentes ainda nos dias de hoje, e a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal. O ribeiro de S. Pedro de Moel é resultado de um conjunto de três outros pequenos ribeiros que, vindos de sul, se juntam um pouco antes da ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2 que liga a Marinha Grande a S. Pedro de Moel. A partir desta ponte o ribeiro passa a correr entre as abruptas encostas do vale que lhe serve de leito, atravessando os locais da Valdimeira e Ponte Nova até chegar ao Canto do R…

Araucárias no Pinhal do Rei

No Boletim das Obras Públicas de 1860 foi publicado o que, em 1859, o Administrador Geral das Matas José de Mello Gouveia dizia a respeito de algumas experiências que se vinham a fazer no país com essências exóticas, incluindo na Marinha Grande. Entre várias espécies referia a existência de “Quatro exemplares de araucária imbricata, resto de cinquenta mandados de Inglaterra e plantadas na Marinha Grande, há cerda de catorze anos (1845), resistem à dureza do trato, porque também é rustica a sua índole, sem subirem ainda a maior de 2,30 (metros) de altura e a menor de 0,80 (metros). Para uma espécie que se eleva a 50 metros estão por ora distantes de louvor.”. Sem indicação do lugar na Marinha Grande onde foram plantados estes exemplares, é de supor que algumas dessas araucárias tenham sido plantadas na Mata Nacional de Leiria/Pinhal do Rei, mais propriamente no Viveiro do Tromelgo. No mesmo documento, José de Mello Gouveia dizia mais à frente: “Nesta ocasião só cabe mostrar, (…), a lista…

A ponte nova da Ponte Nova

Em Setembro de 1948, a troca de correspondência entre Carlos Manuel Baeta Neves e Arala Pinto, a que recentemente tive acesso, abordava, entre outros assuntos, a necessidade de uma correcção torrencial no Ribeiro de S. Pedro de Moel, desviando o curso do ribeiro e obrigando ao derrube de alguns dos grandes eucaliptos ali existentes, tendo-se já cortado alguns sem aparente necessidade, no entender de Baeta Neves. Em carta datada de 5 de Setembro, o professor Baeta Neves dizia achar «(…) o caso tão estranho que não queria acreditar; árvores célebres, motivo de admiração de nacionais e estrangeiros, até as leis as protegem quando são de particulares, quanto mais sendo do próprio Estado…». Um pouco mais à frente dizia: «Surpreende-me tanto isto; em primeiro lugar que o ribeiro precise de uma obra tão artificial como a que se anuncia, (…) a intervenção humana neste caso repugna-me em tais moldes; e por outro lado que se cortem para isso árvores tão notáveis.». Mas Baeta Neves ia mais longe d…